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29.3.08

O Profesor Marcelo respondeu

ADENDA (*)
Eis a resposta de Marcelo Rebelo de Sousa, no Público de hoje, à minha carta e à de Vítor Dias.

(Para ler, clicar na imagem)
É esta a passagem das declarações de MRS ao Público de 16/3, que estão em questão na sua resposta.

«"Fulano de tal [eu], que tem ideias perigosas, por sinal filho de Sua Excelência o Sr. Governador ou Ministro, consoante as alturas, estava a distribuir propaganda subversiva no dia x às tantas horas" ou a "colar cartazes" – o que se fazia de madrugada, mas nem por isso deixavam de aparecer as horas certas mencionadas.»

Fiquei assim a saber, como desejava, quais eram (ou não eram) os cartazes afixados e a propaganda subversiva que MRS distribuía, de madrugada, e que a PIDE registou nos seus ficheiros.


Assunto encerrado.

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(*) O Vítor Dias fez um comentário detalhado sobre a resposta de MRS.

28.3.08

Marcelo e a PIDE – Ainda (2)

No Público de hoje, a carta que enviei ao director, no passado dia 25.

Aguarda-se agora a reposta de Marcelo Rebelo de Sousa.




P. S. – Quem quiser esta saga desde o seu início, deve ler, por ordem, isto, isto e isto.

O que é de César

O DN de hoje revela reacções da Igreja às iniciativas legislativas do BE e do PS em matéria de divórcio.

Acusações de «facilitismo», de o Estado não «defender a união entre as pessoas», de se «armar o desejo em lei», de só se pensar «na liberdade do que se quer divorciar» e não na do outro, de «sentimentalização excessiva do amor» (!...).

Apenas uma pergunta.

Por que razão se mete a hierarquia da Igreja onde não é chamada? Ela que não reconhece o casamento civil, que o condena, ao ponto de vedar aos que por ele optam o acesso pleno às suas liturgias, vem agora defendê-lo? Sim, porque, para quem não saiba ou não se lembre, um par que não se tenha casado no altar vive «amancebado» e não pode, por exemplo, comungar nas missas. Eu sei que há hoje quem não ligue a estas minudências e não as respeite, mas as posições oficiais e públicas, os «códigos penais» da Igreja não mudaram. E é de legislações que estamos a falar.

Portanto, senhores dos púlpitos, não metam a foice em seara alheia. Deixem-nos, por favor, viver laica e responsavelmente as nossas vidas.

27.3.08

Neste país em miniatura


Televisões, jornais, opinion makers, bloggers, procuradores, psicólogos, o senhor do quiosque dos jornais, o dono do talho, todos continuam a falar e a escrever sobre a professora, a aluna e o telemóvel – nem sei há quantos dias.

O caso é desesperado? Certamente. Mas não é (assim tão) grave.

O que se passaria se um dos meninos da turma tivesse sacado de uma pistola e assassinado a professora e meia dúzia de colegas e pusesse tudo no Youtube?

Parava o país? Pedia-se a Espanha que nos anexasse? Proibia-se Sócrates de fazer jogging? Mandava-se prender Cavaco? Exigia-se a intervenção da NATO?


Haja deus...

26.3.08

Moçambique


Nestes dias com excesso de ruído em torno de Moçambique, olhei várias vezes para este belíssimo auto-retrato de Malangatana.

Pintou-o à minha frente e ofereceu-mo quando passou uns meses em Lisboa, no início da década de 70. Tratava-me então, carinhosamente, por «patrícia».

É para mim quase uma relíquia, tenho-o sempre por perto, mas hoje saiu da moldura para o scanner.

Aqui fica, em jeito de homenagem às acácias vermelhas da cidade onde nasci, e aí vai, com um abraço, para dois bloggers que passam de vez em quando por esta casa (do ma-shamba e do Lusofolia).

«So british»


Via Le Soir.

25.3.08

Marcelo e a PIDE - Ainda

ADENDA (*)

Carta de Vítor Dias ao director do Público, publicada hoje naquele jornal.

(Para ler, clicar na imagem)

Sobre o mesmo tema, ler, por exemplo, isto.

(*) Enviei agora uma carta sobre o mesmo assunto ao director do Público.

Maio de 68

O Nouvel Observateur criou uma página especial - Il y a 40 ans, Mai 68 -, onde é relatado o dia a dia, em França e no resto do mundo, entre 22 de Março e 30 de Junho de 1968: notícias, fotos, vídeos, etc.

A não perder.


(O link directo à página não funciona, mas é possível lá chegar a partir de aqui.)

Mais uma questão fracturante






«Le point-virgule est en danger. Il a disparu des journaux. Il se fait rare dans les romans (...).
Plus grave, le point-virgule intimide.»

24.3.08

Diz que é uma espécie de futuro cardeal

2ª feira de Páscoa pareceu-me um dia adequado para ouvir a entrevista a D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, que a TSF transmitiu no passado dia 22.

Interesse redobrado pelo texto com que a própria emissora apresenta o entrevistado: «De inteligência rara, aliada a vasta cultura e sagacidade, D. Carlos Azevedo terá já colocado um pé no caminho difícil para o cardinalato.»

Dos trinta e seis minutos, ouvi quase metade e, sinceramente, tudo me pareceu banal, inodoro e incolor - por culpa de quem perguntava, de quem respondia e/ou de ambos.

Depois de um certo de número de generalidades, confirma-se que não há nova lista de pecados, que é verdade que há um certo regresso a rituais antigos no Vaticano e que o papa gosta deles, o que é normal porque «também na liturgia há, como nas roupas, as modas».

Distraí-me durante um minuto ou dois, mas seguiu-se algo de verdadeiramente importante: o nosso beato Nuno Álvares Pereira virará santo muito em breve, provavelmente ainda este ano. Já podia sê-lo há muito tempo, se não tivesse havido uma querela entre Salazar e o Vaticano quanto a pompas de cerimónias. E não, não se espera que os espanhóis reajam mal (!...).

Seguiram-se perguntas sobre o encontro que o papa teve com os bispos portugueses, em Roma, há cerca de seis meses, e que alguns interpretaram como um puxão de orelhas. D. Carlos explicou que não era verdade, que o discurso do papa até tinha ido «de encontro» a... não sei exactamente que preocupações, porque fiquei por aqui. Detesto encontrões.

23.3.08

Agradecimento

Caro José Medeiros Ferreira:

Como o «Bicho Carpinteiro» não tem Caixa de Comentários e não descobri o seu e-mail, agradeço-lhe aqui a dedicatória - que me apanhou de surpresa e que, evidentemente, muito apreciei.

O seu testemunho público de coerência e de coragem, sempre presente, esse sim merece homenagem.

Esquecimentos pactuados


De um artigo de Nuno Brederode dos Santos, no DN de hoje:

«Escassos foram, durante a ditadura, os que arriscaram alguma coisa a combatê-la. É, de resto, sempre assim. Os resistentes não são conquistadores precisamente porque são minoritários. E, se as ditaduras reprimem as minorias que as combatem, é para se assegurarem da omissão amedrontada da maioria que submetem. Nesta reside a chave (ou, se quiserem moralizar), a culpa. É, afinal, com essa amarga maioria que os ditadores governam, ainda que o façam também contra ela. E é no dia em que se prova que a resistência já é, ou pode tornar-se, maioritária, e que o medo e o desespero cedem perante a coragem e a vontade, que a ditadura deixa de ditar e a oportunidade da liberdade acontece (...).

Em consequência, não fica bem aos donos de um passado ilustre – que o é porque foi devotado aos outros – reivindicarem agora tal sangue azul contra os demais. Se o querem merecer, a devoção e o desinteresse devem continuar a guiá-los e reivindicar privilégios não é decerto o melhor modo de o fazer. Aguentem-se com as comendas morais e com o que a memória salvar. Mas pior fica, aos que primaram por prudência, silêncio e omissão durante os tempos difíceis, virem agora servir-se do esquecimento pactuado e quererem impor aos novos as fantasias e jactâncias que lhes podem conferir currículo e "moralidade". Porque estes abusam do pacto. E contra eles é legítimo desenterrar todas as verdades

O realce é meu por causa disto.

E façam o favor de ler todo o artigo do Nuno Brederode – será uma excelente maneira de gastarem uns minutos do vosso Domingo de Páscoa.

boa páscoa