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26.9.09

Sempre a reflectir
















Faço minhas estas palavras do João Tunes:

«Para já, mais votos no PS que lhe dessem nova maioria absoluta dariam em mais do mesmo Sócrates. Enquanto mais votos no Bloco são uma oportunidade de mais esquerda para a esquerda. Portanto, dar-lhe-ei o meu voto, que mais que útil é o que julgo ser necessário.»

Subtilezas da reflexão

















Impedidos de «condicionar» os eleitores, os jornais regressaram hoje a Belém, escutas e vigilância – sem nada de novo para ser dito. Às 0:01, a SIC N abriu o noticiário com grandes parangonas sobre o mesmo assunto, em jeito de ressaca, depois de horas e horas com directos de comícios e de análises de comentadores que, por muito que se esforçassem, já nem sabiam muito bem o que dizer.

Como se as alegadas escutas não tivessem sido parte integrante (e de que maneira…) da campanha eleitoral!

Outros cartazes, outras campanhas (9)
















Foto tirada em 25 de Abril de 1975, dia das eleições para a Assembleia Constituinte.

25.9.09

O PS no Youtube

Respeitinho?












Dando uma volta por uns tantos blogues, vê-se que há muitas «despedidas» da campanha eleitoral. Será que se preparam para não perturbarem a reflexão dos leitores, a partir das 0:00 de amanhã? Isso, sim, seria a entrada oficial e definitiva da blogosfera no maistream!

Visita de um Chefe de Estado a Fátima













Aparentemente, quem estará oficialmente na Cova da Iria, em Maio de 2010, será antes de mais o chefe da Cidade-Estado do Vaticano que, por coincidência, é também o responsável pela Santa Sé. Só assim se explica o anúncio unilateral da visita que a presidência da República fez ontem e, sobretudo, as explicações posteriores:
«Esclarece-se que o conteúdo e o momento deste anúncio foram acordados entre a Presidência da República e o Vaticano, através da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé.»

Adiante quanto às reacções dos bispos portugueses, já largamente noticiadas. Se o convite para a visita tinha sido duplo, dos bispos e da presidência, o normal seria que o anúncio fosse conjunto – ou até apenas da conferência episcopal, com o «regozijo» póstumo do presidente, digo eu que sou esquisita nestas coisas…

Estamos num Estado efectivamente laico? Tem dias – ou tem presidentes.

Para memória futura, quando assistirmos à participação da família Cavaco em peso mas missas e nas procissões, talvez valha a pena recordarmos o que se passou em 2000, por ocasião da última visita de um papa a Portugal. Jorge Sampaio realçou assim as mensagens de João Paulo II:
«Quero, em nome da República Portuguesa, dizer-lhe, Santidade, que escutamos os Vossos apelos solenes e juntamos a nossa voz à das mulheres e dos homens de boa vontade, que esperam, desejam e lutam pela chegada de um tempo de maior liberdade, justiça e dignidade para todos os seres humanos.»

Onde? No «Aeródromo de Trânsito nº 1, em Lisboa». Jorge Sampaio não foi a Fátima. Lá, estiveram o chefe da Igreja e os seus fiéis.

24.9.09

Sem salamaleques

















Bem pode o PS dizer que nada está garantido (faz o seu papel), mas já nem Pacheco Pereira deve acreditar que Manuela Ferreira Leite pode vencer estas eleições. Parece certo que o PS ganhará, sem maioria absoluta.

É portanto altura de os indecisos ou tresmalhados assumirem que só eles sabem o que é «útil» e para quê. Quem ainda se sentia obrigado a votar PS com medo da direita pode agora contribuir, sem temores nem fantasmas de remorsos, para o reforço da presença do BE ou do PCP (eu «reforçarei» o Bloco) na AR. O próprio PS, a longo prazo, ficará agradecido.

Pode estar à vista – espero que sim - um tempo interessante e decisivo para a nossa maturidade democrática.




Sérgio Godinho, Até Domingo que vem

Um sorriso amarelo de Mário Soares, não?

«Uma grande fossa chamada Espanha»
















Emilio Silva Barrera é presidente da Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica e foi um dos seus fundadores. Há cerca de nove anos, encontrou as ossadas do avô, militante da Izquierda Republicana, assassinado pelos falangistas em 1936.

Conheci-o em Coimbra, há poucos dias, por ocasião de um colóquio organizado pelo CES. Expôs então muito do que sabemos pela leitura da imprensa espanhola, mas que toma outra consistência quando relatado por um protagonista activo numa verdadeira epopeia que se passa bem perto de nós: os espanhóis estão a desenterrar os seus antepassados – pais, agora já quase sempre avós -, no meio de controvérsias e dificuldades sem fim. Num verdadeiro drama, não só para os familiares directamente envolvidos como para as actuais populações dos locais afectados.

Neste livro, o autor conta-nos detalhadamente a sua história pessoal: os esforços para localizar o corpo do avô, a descoberta de uma fossa onde este se encontrava com mais doze republicanos – num cruzamento de estradas, debaixo de uma nogueira -, mil e uma peripécias para que fossem desenterrados e identificados. (Para se ter uma ideia da dimensão das dificuldades encontradas na identificação dos cadáveres, registe-se que, só na província de Léon, estavam então abertos cerca de 12.000 processos, individuais ou colectivos.)

São também descritas todas as acções que levaram à criação da Associação a que agora preside, a sua expansão em Espanha, a internacionalização da causa, os apoios que envolveram a própria ONU, os campos de trabalho com dezenas de voluntários que se organizaram para a concretização das tarefas – numa «grande fossa chamada Espanha».

Toda esta problemática deve ser enquadrada no complexo processo da Transição espanhola para a democracia - «transición inconclusa» -, muito bem resumido no último capítulo do livro. Depois de alguns passos tímidos nos primeiros anos, e de um reforço de esperança em 1979 quando os partidos de esquerda tomaram pela primeira vez conta de muitas autarquias, o medo e o espectro da Guerra Civil regressaram a toda a Espanha com o ataque de Antonio Tejero ao Congresso, em Fevereiro de 1981. E foi preciso esperar por 2002 para que o referido Congresso condenasse expressamente o franquismo – por unanimidade, no dia 20 de Novembro, no 27º aniversário da morte do ditador.

Desde então, muito caminho foi percorrido e são conhecidos os episódios mais recentes e as polémicas provocadas pela intervenção do juiz Balthazar Garzón e alguns outros. A Espanha cuida dos seus mortos e procura ouvir as últimas testemunhas vivas – que têm o direito de sairem do esquecimento e de encontrarem o seu lugar na memória colectiva.

Emilio Siva, Las fosas de Franco, Crónica de un desagravio, Temas de hoy, 2005, seg. ed., 208 pág.

(Também em Caminhos da Memória)

Ahmadinejad soma e segue












No discurso que fez ontem na ONU, o presidente iraniano atacou tudo e todos e insistiu nos seus dislates contra Isarel. As reacções não se fizeram esperar.

«Condeno firmemente os comentários escandalosos do Presidente Ahmadinejad nas Nações Unidas e estou decepcionado que tenha beneficiado de uma tribuna para exprimir o seu ódio e as suas posições anti-semitas», afirmou Obama em comunicado.

Delegados de doze países abandonaram a sala, entre os quais o dos Estados Unidos e os de seis países europeus (França, Grã-Bretanha, Itália, Alemanha, Dinamarca e Hungria). Portugal? Terá ficado sentado, certamente.

O discurso de Ahmadinejad pode ser visto aqui.

(Várias fontes)

23.9.09

Um país desgraçado













Nas montras da loja do Irão, os manequins femininos têm de ter véu e não podem exibir roupa apertada – curvas de corpos nunca, mesmo que estes sejam de plástico. Homens a venderem roupas para mulheres? Também não. Para quem prevaricar, primeiro um aviso, depois tribunal e «aulas de orientação».

Absolutamente revoltante. Por isto tudo, por mais que me digam que o Irão é um dos países mais espantosos do mundo, e apesar da minha tendência compulsiva para «ir» (e de até já ter tido em tempos uma viagem marcada), enquanto isto durar, «jamé»!

(Fonte)

Mi amigo José,


















Cesaste distribuición de Magellanes in Portugal? Envia todos para Venezuela e te ensinarei a vencer elecciones con maiorias decentes.

(Recebido por mail)

Memórias e desmemórias













«Desmemória quanto ao passado mais recente, em que o PREC, esse breve e conturbado período de “desnorte”, se foi tornando um trauma reprimido e silenciado, povoado de fantasmas que convém não acordar, sendo mais aconselhável apresentar o 25 de Abril como uma narrativa quase milagrosa: uma madrugada libertadora, um povo que da noite para o dia se descobre anti-fascista, uma revolução sem sangue por acção de um só homem, Salgueiro Maia, o herói post-mortem (porque em vida sabemos como foi...) retocado por sucessivas manipulações de memória, que o desvinculam do enorme colectivo injusta e escandalosamente silenciado.

De uma forma sucinta, podemos dizer que a nossa memória colectiva continua a produzir (e a consumir) de Portugal uma imagem dominante, que sob a gigantesca mistificação da identidade nacional, veicula fórmulas em que se casa o branqueamento histórico com o conservadorismo mais retrógrado (…)»

De um texto de Maria Manuela Cruzeiro, «Memória individual / memória colectiva: conflito e negociação». A ler na íntegra.

22.9.09

A voto útil não se olha o dente
















Restam três dias de campanha e jogam-se as últimas cartadas em ruas, palcos, feiras e até em gabinetes de Belém.

Tudo leva a crer que «les jeux sont faits», ou seja que o PS ganhará, com maior ou menor margem, e que o Bloco passará a terceira força - as sondagens que sairão amanhã e depois reforçarão, muito provavelmente, esta «crença». E, no entanto, os dois partidos do centro continuam a esgrimir a arma do voto útil, em todas as direcções, numa tentativa de dramatizarem o dilema e de despertarem um eventual sentimento de culpa nos que querem votar mais à direita ou mais à esquerda.

O argumento também vale para o PSD (que pouco me interessa), mas fixemo-nos no caso do PS. Tudo se passa na campanha e na blogosfera (e de que maneira…) como se não fossem os seus dirigentes e o actual governo os únicos responsáveis pela diminuição drástica no número de votos, pela falta de maioria absoluta ou até por uma eventual, embora pouco provável, vitória do PSD. Como se alguém tivesse roubado esses votos ao PS e não tivesse sido ele a perdê-los ao longo dos últimos anos.

Temos assistido às mais variadas vitimizações e a todos os ataques imagináveis. Aparentemente, eu e mais 20% de malandros, que vamos votar no BE ou no PCP, devíamos sentirmo-nos obrigados a salvar agora a situação com o tal voto útil – tristemente, de corda ao pescoço, de olhos vendados ou engasgados com um sapo na garganta. Do mesmo modo que, a 28 de Setembro, seremos certamente considerados responsáveis pela viabilização de um governo minoritário do PS, «forçando» aqueles em quem votámos a aceitá-la, com o mínimo de hesitações possível.

Mas, no ponto a que chegámos, o que é desejável é que, na nova AR, os partidos à esquerda do PS estejam tão fortalecidos quanto possível. Não se trata de um bando de malfeitores, mas de pessoas que querem tudo fazer - juntamente com o PS, evidentemente -, para que este país progrida e saia dos últimos lugares em quase todas as estatísticas. Será necessário negociar muito, respeitar, ceder – a democracia portuguesa amadurecerá, finalmente.

Se tudo se passar assim, é uma nova etapa, absolutamente imprevisível ainda há poucos meses, que deve ser aberta com profissionalismo, entusiasmo e vontade de vencer - e, também, com a alegria que ainda resta de uma 5º feira de Abril, que só aconteceu há trinta e cinco anos.

(O título deste post foi roubado a Júlio Machado Vaz)

Leva-os o vento











«As palavras não merecem confiança, há adjectivos que, às esquinas das frases, atacam honestos substantivos de regresso do trabalho diminuindo-os e enxovalhando-os, verbos que, em vez fazerem o discurso progredir, lhe travam o caminho e comprometem o sentido, advérbios preguiçosos, preposições despropositadas, sei lá que mais. (…)

Agora que as palavras andam por aí à solta, nos debates, nos comícios, nas declarações inflamadas, é bom que os políticos se cuidem. Sócrates, por exemplo, deveria estar de olho naquele "avançar", do slogan "Avançar Portugal", que pode muito bem significar "passar por cima de", e Ferreira Leite faria bem em desconfiar do substantivo "Verdade", que é dado a engasgar quem o usa e depois, sobretudo quando escrito com maiúscula, é difícil de engolir.»

Manuel António Pina, no JN de ontem.

Faltam poucos dias para as presidenciais
















«A partir de agora sabe-se que as próximas eleições presidenciais vão ser mesmo a sério. Ou seja Cavaco Silva tem fortes probabilidades de não se apresentar ou de não ser reeleito. E assim tudo muda quanto a candidatos. As legislativas seguem dentro de momentos.»

José Medeiros Ferreira

21.9.09

Um homem livre? Este













Confessa que gosta de andar bem vestido – e anda -, que não resiste ao acelerador e chega aos 150 km em auto-estrada, que rir é um remédio fantástico. Que gostaria de andar no espaço à volta da terra, que não tem pesadelos, nem guarda pedras no sapato. E, o que é absolutamente admirável e verdadeiro, que não tem medos – nenhum, de nada.

É Edmundo Pedro, quase 92 anos que poderiam ser 72 ou 42 - a liberdade em pessoa que tenho o privilégio de conhecer e de admirar e que me dá o enorme prazer de ser meu amigo.

Numa entrevista ao DN, publicada há dois dias, que me fez bem à alma no primeiro dia desta terrível semana.

(Clicar na imagem para ler na íntegra)











P.S. - Por falha imperdoável, não tinha visto o nome do entrevistador… Por um comentário aqui deixado pelo próprio, vi agora que se trata do Pedro Correia – um dos meus bloggers preferidos, a quem fico «a dever» mais este magnífico texto.

Ficar de olho

Tal como o carteiro, as cadeias blogosféricas tocam sempre duas vezes. Mas como este prémio vem do der_terrorist, respondo também à segunda. (O que não faria pelo meu agente noticioso por excelência! Quem o frequenta no Twitter sabe bem do que estou a falar!... )

E o «Vale a pena ficar de olho» vai direitinho para o Erecções 2009, como é natural.

Enxerto de fé

Nem só de maus fígados vive o homem e Sarkozy parece senti-lo na pele – um pouco mais de fé, vá lá saber-se em quê ou em quem, daria sempre jeito nos tempos que vão correndo.

20.9.09

Outros cartazes, outras campanhas (8)





Muda-se o ser, muda-se a confiança (2)

Adenda a este post - para bons entendedores…

Mário Soares:
«O antigo presidente da República, Mário Soares, referiu esta tarde esperar uma vitória socialista com maioria relativa, sublinhando que não lhe repugna um entendimento pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda»

Francisco Louçã:
«Registo a opinião de Mário Soares, tem sido uma voz própria no debate político que não representa o PS. Pelo contrário, na questão das privatizações, José Sócrates nunca quis ouvir Mário Soares.»

As palavras possíveis

Elis Regina
1980, em plena ditadura militar no Brasil



Aos Nossos Filhos
Composição: Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...