9.1.12

Para além do descaramento


Na página oficial da EDP, capítulo «Conselho Geral e de Supervisão», lê-se que «Os membros do Conselho Geral e de Supervisão são na sua maioria independentes e preenchem os requisitos de formação e competência, previstos nas normas legais ou regulamentares em cada momento aplicáveis à EDP».

Devia ouvir-se, com estrondo, as gargalhadas de quem vê a lista dos 23 nomes propostos para o dito Conselho Geral (*). Chineses à parte, «independentes» só se for dos espanhóis, desde 1640 – e ainda assim…

Como muito bem diz Pedro Santos Guerreiro, em artigo publicado no Jornal de Negócios e que está a espalhar-se rapidamente na net, «isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho». «Só falta uma proposta na Assembleia Geral da EDP: mudar o nome de Conselho Geral e de Supervisão (CGS) para o de Loja do Governo.» «Podíamos dizer que não está em causa o mérito pessoal de cada uma destas pessoas, mas está. Porque o mérito que está a ser recompensado não é o técnico ou sentido estratégico, é o da lealdade e trabalho político.»

E infelizmente, muito infelizmente, PSG tem toda a razão quando conclui: «Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica.»

E ficamos nós também. Com a nódoa, debaixo do pano.

(*) Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Ilídio de Pinho, Carlos Santos Ferreira, José Maria Espírito Santo Ricciardi, Jorge Braga de Macedo, Rocha Vieira, Alberto Coraceiro de Castro, António Gomes Mota, Fernando Herrero, Manuel Alves Monteiro, Vítor Gonçalves, Rui Pena, representantes de cinco empresas e quatro chineses ligados à China Three Gorges Corporation.

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