2.7.14

Europa e Portugal como laboratórios



«Talvez seja cedo para anunciar que nos vamos aproximando do fim deste episódio liberal conservador. Da sua insensibilidade social, da sua crença cega na 'infalibilidade' dos mercados, na utopia da possibilidade da liberdade absoluta, no acreditar que a satisfação do interesse geral é resultado da soma da dos componentes individuais da sociedade. (...)

Aqueles que tomaram conta das políticas económicas em Portugal ainda vão pugnar pelas suas ideias que, pelos resultados, se têm mostrado estar erradas; não porque aos seus argumentos falte rigor e elegância, como afirmou Keynes e, implicitamente, todos os que foram desenvolvendo as suas teorias ao longo dos tempos, mas porque partem de pressupostos falsos e reduzem a realidade a um preconceito, a um caso especial: daí a ideia de que só há desemprego voluntário e as suas preocupação privatizadoras, sem cuidar das consequências traduzidas em destruição de emprego, em empobrecimento, na redução à expressão mínima do 'estado social', num crescimento anémico, num aumento incomportável da dívida pública.

O seu pensamento único é incompatível com o nível de civilização, cosmopolitismo e sofisticação agora atingidos. A Europa e Portugal não podem continuar a ser o laboratório destas velhas-novas teorias que aqui têm vindo a ser experimentadas. O futuro não os vai poder tolerar por mais tempo porque estes tempos estão a ser dramaticamente nefastos.»

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