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5.11.16

Realmente...


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Eleições EUA: hipóteses de vitória


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Fonte: The New York Times, hoje, no Facebook.
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Garfunkel, 75



Art Garfunkel nasceu em 5 de Novembro de 1941 em Nova Iorque. Faz hoje portanto 75 anos este cantor americano, neto de judeus que emigraram para os Estados Unidos no início do século XX.

É quase indissociável de Paul Simon, naquele que foi um dos duos musicais, que mais significativamente marcou várias gerações. Conheceu Paul na escola, quando ambos participaram em «Alice no país das maravilhas», na festa de encerramento do 6º ano do ensino básico, e continuaram colegas até ao fim do Secundário.

Em 1963, apresentaram-se oficialmente como «Simon and Garfunkel», publicaram um primeiro álbum no ano seguinte, mas foi em 1965 que emergiram para o mundo com The Sound of Silence. Continuaram juntos até 1970 e decidiram então seguir cada um o seu caminho, curiosamente depois do maior sucesso de sempre: Bridge over Troubled Water.

Reapareceram episodicamente, como em 1981 no famosíssimo concerto no Central Park de Nova Iorque, numa série de espectáculos «Old Friends», em 2003 (nos EUA), seguida por uma outra, internacional, que culminou no Coliseu de Roma com 600.000 espectadores.

Art Garfunkel também gravou muito sozinho, mas é com Simon que é geralmente recordado.










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Dica (428)




«Misogyny, racism and bigotry won’t go away if Donald Trump loses next week’s election; it was already here before he drew it out into the mainstream.»
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Degradação da política e do Estado



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«O conflito entre a maioria dos partidos parlamentares e da opinião pública e António Domingues e os novos administradores da Caixa Geral de Depósitos e as demissões causadas nos governos (neste e no anterior) pelos falsos títulos académicos são eventos com causas próximas. O seu ponto em comum é a contínua degradação da política e do pessoal político, em complemento e em simbiose com a degradação do Estado nas suas componentes políticas, profissionais e técnicas. É o resultado de processos de demagogia, alimentados por uma opinião pública e uma comunicação social populistas, e por uma deterioração acentuada dos grandes partidos, em particular do PSD e PS, com mecanismos oligopólicos, e a crescente importância de carreiras pseudoprofissionalizadas, que se fazem dentro dos partidos por critérios que pouco têm que ver com a seriedade, o mérito, a capacidade política, profissional e técnica, tendo mais que ver com fidelidades e intrigas de grupo e com o acesso ao poder do Estado por via do poder partidário. (…)

O Estado deveria ter na sua administração capacidade técnica e profissional de primeira água, juristas, mecânicos, jardineiros, gestores, administradores hospitalares, técnicos fiscais, polícias, carpinteiros, especialistas em finanças e em mercados, deveria pagar salários compatíveis e promover carreiras de mérito com critérios de exigência. Esse é o ideal burocrático que substituiu na Europa as hierarquias de nascimento ou o inventário das “almas mortas” do livro de Gogol, mas que em Portugal ainda não arrancou de uma cultura de cunhas e patrocinato. Daí, “em baixo”, os boys e, “em cima”, os tecnocratas relutantes, muitas vezes desprovidos do mínimo senso político e noção de serviço público, condição para assumirem funções num Estado democrático.

O caso da nova administração da CGD é exemplar de todos estes equívocos. Toda a gente já percebeu que o acordo feito entre o ministro das Finanças e os quadros bancários que entendeu recrutar para a Caixa passava pela manutenção ou mesmo melhoria dos altos salários que já recebiam, e pela isenção da categoria de gestores públicos, numa lei feita à medida, incluindo a desobrigação de apresentação de declarações de património. Foi tudo mal feito, porque o ministro muito provavelmente prometeu isenções que não são legais e os candidatos a administradores pediram um estatuto de privilégio inaceitável em quem vai trabalhar para o Estado e, por muito que não queiram sujar as suas impolutas mãos com essa coisa menor da política, em cargos que têm uma forte componente política.

O seu objectivo não pode ser apenas tornar a CGD “competitiva” com a banca privada, como hoje se repete por todo o lado para justificar os seus salários. Não. É suposto que a CGD tenha também funções em relação à economia portuguesa que não se esgotam nessa “competitividade” e podem até prejudicá-la de algum modo. A CGD é pública por uma decisão política, como política era a intenção do PSD de a privatizar, e só tem sentido como banco do Estado se tiver funções distintas da banca em geral, incluindo alguma regulação indirecta do sector. Isso não significa, como é óbvio, que seja mal gerida ou que se continuem os desmandos cometidos por comissários políticos, cujo papel no agravamento dos problemas da Caixa não pode ser esquecido. Que esta administração rompa com essa época só pode ser saudado, mas isso não lhe dá carta-branca para se comportar como está a comportar-se. (…)

Caem-lhes os parentes na lama se neste contexto tiverem obrigações de transparência e tiverem de ver os seus barcos e casas numa declaração? É incómodo ter estes dados atirados à rua e às “redes sociais” para gáudio de um público sedento de “espiolhar” os ricos e que só acha bem que os jogadores de futebol ganhem fortunas? (…)

Coloquem na rua os boys que falsificam as declarações e não os mudem apenas de emprego para outro lugar de confiança política, e peçam aos senhores administradores da CGD que cumpram a lei. Se há mudanças a fazer de modo a que certos dados das declarações possam ser confidenciais, embora conhecidos do tribunal, procedam em consequência na Assembleia da República, não para estes homens em particular mas para todos. Se isto acontecesse, poderia sair-se desta confusão ainda com vantagem e melhoria para o país, mas a continuar assim, vai acabar tudo mal.» 
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4.11.16

Guiné Equatorial: embaraço em Fátima


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Feminismo em banda desenhada



Vale a pena dar uma (longa) vista de olhos.

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Mariana Mortágua. É isto



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Comunicado de Wolfgang Schäuble



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Uma diva na Caixa



«Já percebi que fomos contratar uma Diva para presidente da CGD. Não admira que seja tão caro.

Isto não parece a "equipa de António Domingues", parece a banda do Mick Jagger. Temos os Rolling Stones à frente da Caixa, com as habituais exigências de quem é uma estrela. António Domingues vai exigir um escritório todo forrado a pedra pomes, o chão alcatifado com pelo de coala, cem garrafas de água dos glaciares da Noruega, por dia, e ar condicionado movido a pedal por três virgens suecas. (…)

Em tempos, Passos Coelho recusou fazer o que chamou de "um striptease fiscal". Agora, o presidente da Caixa quer mais de trinta mil euros por mês no decote mas recusa mostrar a coxa. É uma birra injustificável. Começo a desconfiar que o António Domingues tem o Piloto escondido na declaração de rendimentos.

Na verdade, se "tirarmos a pinta" a este novo presidente da Caixa, vemos que tem todo o ar e postura de tubarão banqueiro do privado. É como se a Caixa tivesse ido contratar um pistoleiro para atacar o mercado. Um tipo com sangue frio suficiente para exigir estatuto de privado para trabalhar no público. Parece que a Caixa quer ser mais como os outros bancos, depois de ter andado os últimos anos a salvar esses bancos.

António Domingues entra em cena como um elefante numa loja de porcelanas, o que deve dar muito jeito a quem está desejoso de vender a Caixa aos chineses. Nos últimos dias, depois de todas estas notícias, apareceram, imediatamente, os defensores da privatização da Caixa. Henrique Monteiro, no Expresso, veio logo a cavalo, dizer: "A Caixa devia ser privatizada por uma questão de higiene pública". Claro, Henrique... Quanto mais não seja, porque os privados a gerir bancos têm sido uma limpeza no bolso do contribuinte.»

João Quadros
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3.11.16

Dica (427)




«Puede que la historia se repita, pero nunca se repite tan rápida y absurdamente como en la familia socialdemócrata europea. Los socialistas españoles se han deshecho de Pedro Sánchez para permitir que Mariano Rajoy forme gobierno, como si pretendieran repetir el mutis por el foro de sus homólogos griegos, el otrora formidable PASOK.» 
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Mulheres europeias: trabalho de borla até 31.12.2016



Expresso diário 03.11.2016.
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Joana e o seu / nosso Galo

O tom ufano



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, sobre o novo livro de Sócrates:

«Posso apenas, baseado no pouco que li, resumir em duas ou três palavras o espírito do livro: para José Sócrates, o carisma é um conceito que realmente se reveste de certos aspectos, sobretudo na medida em que. (…) Estou preparado para fazer uma recensão crítica bastante profunda da capa, da contracapa, da badana e da dedicatória, que aliás se lêem muito bem.»

Na íntegra AQUI
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Lisboa, menina e moça?



«Há muitos anos, quando escreveu "Lisboa, menina e moça", José Carlos Ary dos Santos falava ainda de uma cidade onde os bairros eram corações fortes, cercando um Terreiro do Paço poderoso.

Era uma cidade típica, sem ser moderna. Décadas depois, sem conseguir ser moderna, arrisca-se a deixar de ser típica. Lisboa desinvestiu dos bairros e não investiu numa visão que a tornasse moderna sem desprezar o passado alfacinha e sem ignorar a riqueza cultural que a emigração lhe trouxe. Lisboa continua sem ter direito a uma visão criativa para a transformar naquilo que deve ser: uma cidade cosmopolita, mas agradável para viver, trabalhar e passear. Agora é uma cidade agressiva, sem uma estratégia definida, sem saber tornar-se um rentável destino turístico, sem aproveitar o caldo cultural que a tornaram tão excitante.

Há hoje uma Lisboa desertificada no seu centro, onde as pessoas deixaram de poder viver. Empurradas para fora pelo valor exorbitante das rendas. Os serviços públicos foram saindo do centro para edifícios gigantescos e, com isso, enterrou-se todo o pequeno comércio que dele dependia e a vida própria que eles garantiam. Foram as decisões políticas que arruinaram de vez a Baixa. Sem a vida de pessoas novas será difícil que o centro de Lisboa atraia mais turistas com poder de compra e gere riqueza. Riqueza intelectual, cultural e económica. Só isso permitirá uma Lisboa diferenciada e não falsa, pejada apenas de cadeias internacionais semelhantes a todas as cidades. Elas são desejáveis mas deve haver um equilíbrio. As obras que estão a tornar irrespirável a capital, todas feitas na mesma altura, são a última pedra no sapato dos que querem viver e trabalhar em Lisboa. Basta passar pela zona entre Entrecampos e Saldanha: peões que têm de vir para a estrada porque não há passeios nem semáforos, retroescavadoras a trabalhar ao lado de quem passa, carros afunilados. O caos perigoso. Resta saber o que vai sair deste sonho de Fernando Medina que se tornou um pesadelo diário.»

Fernando Sobral

2.11.16

«Nunca» é uma palavra insensata, camarada Francisco

Para Fátima, em força



lúcia costa, francisco rebelo de sousa e jacinta santos silva adorando obiang maria.

(Texto e imagem de Pedro Vieira no Facebook.)
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Dica (426)




«Las compañías emprenden una carrera desenfrenada por ganar tamaño mediante la compra de rivales.» 
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Crisântemos, hoje que é o dia deles



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A maldição dos homens providenciais



«É espantoso que António Domingues tenha sido considerado por alguém o “Mourinho da banca” o que o tornaria “a” escolha certa para a Caixa Geral de Depósitos. Como se alguém pudesse ser “o” homem certo e como se só houvesse um e mais nenhum. Mas mais espantoso ainda é que, na dança de exigências, hesitações, contrapropostas e ofertas que foi o processo de contratação, Centeno (mais ninguém acompanhou o processo? António Costa achou que não valia a pena manter-se a par?) não tenha percebido que “o Mourinho” não era a pessoa certa para um cargo tão importante num momento tão delicado. (…)

Um banco constrói-se com confiança. E António Domingues à frente da CGD alimenta muitas desconfianças pela ignorância que demonstra sobre a maneira como se deve comportar um gestor público (aqui não se trata da designação juridicamente correcta ou politicamente conveniente: um gestor público é aquele que administra um património público). Domingues não percebeu que o fundamental nesta história não é a confiança nas suas capacidades de gestor, nem na sua capacidade de esquivar-se a perguntas no Parlamento, nem a sua rapidez a pedir pareceres jurídicos. O que é fundamental aqui é a confiança que todos temos de ter na sua honestidade e na limpidez dos seus métodos. Domingues não percebeu. E Centeno também não percebeu, ainda que por agora já deva ter começado a perceber. (…)

Que um gestor público peça um salário elevado, é aceitável - ainda que o salário possa não o ser. Mas que um gestor público exija não submeter ao Tribunal Constitucional a sua declaração de património não é aceitável.

Domingues acha que é. Mas não se trata apenas da lei. Há a outra coisa, que parece estar fora da grelha de análise de Domingues e que o torna incapaz para gestor público. Trata-se de uma coisa que não está na gestão e que só por vezes está na lei, uma coisa chamada ética. Uma coisa que um gestor público deve colocar no topo dos valores e que um banqueiro devia reconhecer como fundamental para o valor do bem que administra. Domingues está, acima de tudo, preocupado com Domingues. Não quer que as pessoas possam vir a saber quão rico é, quão pobre é, ou qualquer outra coisa. Mas não se trata dele. Trata-se da Caixa. E o facto de Domingues não ter percebido isso torna-o incapaz para o cargo que ocupa.»

José Vítor Malheiros

1.11.16

Em 1755 foi assim



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EUA: Sondagem presidenciais





Daqui.

A Espanha nos seus labirintos



Responsáveis haverá muitos, mas vale a pena ler este texto de Vicenç Navarro.

«Las declaraciones de Pedro Sánchez confirman lo que era fácil de ver. Ha ocurrido un “golpe de Estado civil” en el que grupos financieros, económicos y mediáticos han imposibilitado (utilizando medios antidemocráticos que incluyen la manipulación, desinformación, mentira y represión intelectual) vetando una alternativa progresista al gobierno más corrupto y reaccionario hoy existente en la UE-15. Y el aparato del PSOE, las figuras históricas y gran parte de los barones liderados por Susana Díaz, han sido cómplices ejecutores de tal golpe de Estado civil. La lástima, una enorme lástima es que a Pedro Sánchez le ha faltado la valentía (que ha mostrado ahora) para haber hecho estas declaraciones mucho antes. Si ello hubiera ocurrido, es probable que la era Rajoy hubiera ya terminado.» 
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A emigração não foi uma saída limpa



«A troika teve efeitos secundários irreversíveis e este foi um deles: apesar da diminuição da emigração e do aumento da imigração e da natalidade, o saldo migratório continua negativo pelo quinto ano consecutivo. Fosse qual fosse a zona de conforto em que se encontrasse ou o grau de formação, emigração e desemprego passaram a fazer parte do léxico de quem não tinha razões para confiar no futuro. (…)

A emigração acabou por não ser uma “saída limpa”, camuflando uma espécie de ordem de “expulsão”, mas um estratagema para diminuir o desemprego e respectivos subsídios, diminuir tensões sociais anti-troika e, já agora, aumentar remessas.

O que os dados ontem divulgados pelo INE nos vêm revelar é que o número de entradas no país não supera o número de saídas e que metade dos imigrantes são, afinal, de nacionalidade portuguesa. Ou seja, os “imigrantes” de hoje nas estatísticas do INE são, sobretudo, portugueses em idade activa que residiam em outros países da União Europeia, mas não só. (…) Já não saímos tanto porque há um “certo capital de esperança” no país e estamos a regressar por causa das actuais contingências de alguns dos destinos da nossa emigração.

O mais natural é que a maior percentagem desse grupo seja composta por trabalhadores desqualificados, uma vez que são eles, também, quem mais emigra. E esse é outro efeito secundário que pagaremos até à náusea: a mão-de-obra mais qualificada não se deixará tentar por um qualquer programa de apoio ao regresso dos emigrantes, como foi o caso do malfadado Vem. Essa geração desistiu do país mal a troika entrou em acção. (…)

A maioria dos inquiridos em estudos como o da Fuga de Cérebros, coordenado por Rui Machado Gomes, imagina-se a viver fora de Portugal durante “toda a vida”. E é o mesmo estudo que refere que a transferência de recursos de Portugal para o centro da Europa tem um preço demasiado elevado para o desenvolvimento do país: 10.312.500.000 de euros. Mais de dez mil milhões de euros. E este saldo continuará negativo por muitos mais anos.»  

Amílcar Correia

31.10.16

Diálogos televisivos


RTP3 (31.10.2016, pelas 22:30)

- Bernardino Soares: Amanhã é feriado, bom feriado!
- Ângelo Correia: É o dia dos mortos, não é?
- Bernardino Soares: Não, isso foi hoje.

Ora bem: amanhã, 1 de Novembro, é Dia de Todos os Santos; o dia dos mortos (mais exactamente Dia dos Fieis Defuntos) é 2 de Novembro. Nada disto tem a ver com Halloween, Dia das Bruxas, pode ser? 
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Bem entregues




“Entre un commissaire européen, l’Allemand Günther Oettinger, qui tient à la tribune des propos racistes, flirtant avec l’homophobie et méprisants à l’égard de la démocratie, et un «comité d’éthique» qui estime que l’ancien président de la Commission, José Manuel Durao Barroso, n’a pas violé son devoir «d’intégrité et de réserve» en se faisant embaucher par la banque d’affaires américaine, Goldman Sachs, l’image de l’exécutif communautaire est une nouvelle fois écornée.”
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Dica (425)



How a Pillar of German Banking Lost Its Way. (Ullrich Fichtner, Hauke Goos e Martin Hesse) 

«For most of its 146 years, Deutsche Bank was the embodiment of German values: reliable and safe. Now, the once-proud institution is facing the abyss. SPIEGEL tells the story of how Deutsche's 1990s rush to join the world banking elite paved the way for its own downfall.»
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Será que António Domingues não quer declarar quantos diamantes já comprou?




Dantes dizia-se: «Queres dinheiro? Vai ao Totta.» Agora é mais vinhos, champanhe, jóias, esculturas de Nossa Senhora de Fátima, barras de ouro, terços Siza Vieira, pratos Vista Alegre, faqueiros, etc., etc.

Ai Deus, e u é!.. 
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Malas e edredões



«O comissário Pierre Moscovici fez provas, há alguns dias, para ser o sucessor do mágico Houdini. Segundo ele: "Temos de fazer caber o edredão na mala." Sintetizando: o volumoso edredão é o OE italiano.

A mala é o Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE, que às vezes parece não ser maior do que a bagagem que se pode transportar numa "low-cost". Compreende-se o dilema de Moscovici para conseguir colocar um edredão do tamanho de Itália na malinha de cartão da UE. Mesmo empurrando é difícil que lá se consiga encaixar. Nada que admire os mais sensatos. Depois de vários anos de emagrecimento austero decretado por Bruxelas à sombra de umas leis que todos aprovaram por pressão da Alemanha e quando se pensava que o crescimento económico seria imparável, os resultados estão à vista. Uma coisa era ter aproveitado os anos férteis para colocar as contas públicas em dia. Outra era ter-se trocado, a meio do caminho depois da crise de 2008, uma política expansionista por outra de travão e marcha à retaguarda. (…)

Basta escutar os dislates do ministro Wolfgang Schäuble para se perceber como funcionam os neurónios de alguns políticos no centro da Europa. O problema é que a economia também é política. No caso de Itália, uma das maiores economias da Zona Euro, Matteo Renzi tem pela frente um duro desafio eleitoral daqui a pouco tempo. Se ceder às pretensões de Bruxelas, o seu destino em Itália estará traçado. Por isso revolta-se e pede uma mala de cartão maior para acomodar o seu desconfortável edredão. No fundo a questão maior é: como podem conviver malas e edredões?»

Fernando Sobral

30.10.16

Ghostwriters



Mas afinal qual é o problema? Platão não foi ghostwriter de Sócrates?
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Entretanto em Espanha


Vale a pena ouvir e / ou ler o discurso de um deputado da Esquerda Republicana Catalã sobre a abstenção do PSOE, que viabilizou o governo da direita.

Dica (424)




«While Italy struggles with weak growth, rising debt and political instability, its European partners are left with little choice but to continue supporting it.» 
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A insustentável leveza de António Costa



«No momento em que escrevo, o suspense que paira sobre a novela da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tem ainda o seu desfecho anunciado. Mas o pedregulho que o Governo tem no sapato já não lhe permite enfiar o pé sem deixar uma fractura exposta. Assim, um caso que deveria ser claramente secundário face à importância dos desafios que se colocam a António Costa e à sua equipa acabou por afectar seriamente a credibilidade política e ética do executivo.

A insustentável leveza com que o primeiro-ministro foi gerindo os percalços da nomeação da nova administração da CGD – deixando à rédea solta o seu ministro das Finanças e a já proverbial inabilidade que demonstrou em vários episódios – ameaça pôr em causa a imagem e a coerência de procedimentos que se esperaria de um Governo apostado em devolver esperança e justiça aos portugueses depois dos funestos tempos da troika. (…)

Temos, pois, o Governo isolado pela primeira vez, à esquerda e à direita, depois de um processo tortuoso e marcado por um inexplicável amadorismo, com o Ministério das Finanças crescentemente refém das exigências e regalias reivindicadas por António Domingues. O banqueiro passou assim da vice-presidência do BPI – onde não consta que tenha brilhado por uma genialidade ímpar, a não ser aos olhos de Mário Centeno… – para um estatuto régio que lhe permitiu, numa audição parlamentar, escusar-se a uma auditoria pretendida pelo Governo à anterior gestão da CGD. Aliás, durante esse processo fora notório o clientelismo selectivo de Domingues na escolha dos numerosos administradores não executivos, bem típico do Bloco Central, e que se expôs a uma humilhante reprovação do BCE devido à acumulação de cargos desses administradores noutras instituições ou à sua duvidosa competência bancária.

Que acontecerá agora? Ou Domingues renuncia ao cargo, ou o Governo corre o risco de ser desautorizado no Parlamento – e a história terá de voltar ao início, com todas as consequências desastrosas para a recuperação do banco público já mergulhado num pesadelo financeiro que os portugueses serão chamados a pagar por um preço ainda mais estratosférico do que aquele já anunciado. E que custará, por acréscimo, uma perda grave do capital de confiança e respeitabilidade do Governo.»

Refugiados em Paris



«Conséquence du démantèlement de la "jungle" de Calais, certains exilés récalcitrants à l'idée de partir dans l'un des 287 centres d'accueil et d'orientation répartis un peu partout dans l'Hexagone ont fait le choix de se tourner vers la capitale.»

Isto vai acabar mal. 
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