Páginas

15.9.07

Greve no Second Life

Primeira greve virtual na história da internet. Leia aqui.

14.9.07

Coisas que falam

Há cá por casa objectos que resistem sempre a mudanças e arrumações.


O 1º rádio
Companhia de refúgios na adolescência.
Com o som muito baixo, altas horas, a ouvir os relatos do hóquei em patins - Montreux, onde Portugal ganhava quase sempre.



A 1ª máquina fotográfica
Muitas fotos 6x6, de rebordo picotado.
Passeios, viagem de finalistas do liceu ao Minho - quando ainda não se ia mais longe.






O 1º telemóvel
Muito, muito mais tarde.
O objecto que alterou as relações pessoais no fim do séc.XX.
As primeiras aflições com um filho adolescente quando ele não atendia o dele.

13.9.07

Sócrates agradece

Enquanto estivermos todos ocupados com histórias de estrangeiros em Portugal, pensamos menos nas nossas.

Lido e sublinhado (13/9)

Helena Matos no Público de hoje:
«Mas, afinal, o que é uma loja chinesa? Uma loja cujos funcionários têm traços asiáticos? Acreditava eu que desde que desapareceu o preto da Casa Africana que os funcionários não são o espelho étnico da casa. Ou será uma loja chinesa um local onde se vendem produtos feitos na China? Nesse caso muitas das lojas da Baixa, da Alta e de todo o país terão de ser deslocadas para a Chinatown almejada por Maria José Nogueira Pinto.» [sem link]


Pedo Sales em 0 de Conduta:
«De há duas semanas a esta parte, tudo o que é ministro e secretário de Estado anda a calcorrear o país, qual funcionário do Círculo de Leitores, a distribuir computadores. A boa nova tem até uma vantagem. Cabe dentro de um bonito saco de papel e pode ser entregue em mão. Mais uma vez, a fé na crença tolhe a visão e não deixa perceber que continua a faltar o resto. A começar por uma população com competências para o usar, num país em que mais de 36% dos jovens não chega ao 10.º ano. O computador é uma ferramenta que, por si, nada resolve. Alguém devia explicar isso ao engenheiro Sócrates, mas temo que ele esteja demasiado ocupado a tornar o país num imenso Media Market.» [mais]


Jerónimo de Sousa citado por Portugal Diário, a propósito da visita do Dalai Lama:
«As instituições devem respeitar, no quadro do direito internacional, as relações diplomáticas com outros países e, nesse sentido, não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com certos países e depois procurar contrariar essa perspectiva justa do prestígio das instituições com uma visita de circunstância». [mais]



12.9.07

Tenacidade chinesa

Time, 4/9/2007

Deserto de Maowusu, China.
Transporte de feno destinado a construir barreiras que estabilizem a erosão da areia das dunas.




Lido e sublinhado (12/9)

Tiago Barbosa Ribeiro em Kontratempos:
«Há seis anos, mais precisamente a 11 de Setembro de 2001, a história entrou-nos com estrondo pela porta das traseiras. Pela porta da religião. Tornou-se assim real uma aparente impossibilidade depois da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, do positivismo, das religiões laicas do século XX e todos os seus ismos, da tecnocracia e do “fim da história”». [mais]


Vital Moreira em Causa Nossa:
«A inserção de actos religiosos em cerimónias oficiais – ainda por cima com a participação do Primeiro-Ministro em ambos – não é somente uma violação qualificada da laicidade e da neutralidade religiosa do Estado, mas também da liberdade religiosa, visto que traduz o favorecimento oficial de uma religião em relação às outras». [mais]


Gerações iletradas

Há muitos anos que não comprava o Nouvel Observateur, a que era tão fiel quanto possível (e era difícil) antes do 25 de Abril. Reencontrei-o agora mais pequeno, mais leve, mas ainda com Jean Daniel como director – ele que foi um dos seus fundadores, em 1964.

O tema principal do último número (6-12/9/2007) é École – Le scandale de l’illéttrisme e incide sobre os problemas relacionados com a aprendizagem da língua francesa, a todos os níveis (*).

As perspectivas são menos que animadoras.

No fim do que corresponde ao nosso actual 6º ano, 15% dos alunos não dominam o francês, nem escrito nem oral, sendo considerados iletrados. Outros 25% têm conhecimentos suficientemente frágeis para ser possível prever que terão um futuro escolar muito difícil. Um professor afirma que é evidente que seis em cada sete dos seus alunos do 10º ano aprenderam muito mal a ler.

São referidos exemplos extraordinários de desconhecimento de vocabulário por parte de alunos que frequentam o 2º ano de uma Faculdade de Letras. Exemplos?
Homicídio é um crime no domicílio.
Xenófobo é alguém que tem medo de estar fechado.
Autóctone é o que gosta de viver de noite.
Esporádico é um drogado em desporto.

Um professor de Farmácia pediu a alunos do 4º ano da Faculdade que respondessem a uma pergunta em que era referido um medicamento «aquém do limite de toxicidade». Muitos dos alunos confundiram «aquém» com «além» e deram por isso uma resposta errada.

Há quem tome medidas drásticas. Uma Faculdade de Engenharia introduziu uma prova de entrada, eliminatória, de expressão escrita, com incidência em ortografia, sintaxe e vocabulário. Há Faculdades de Letras em que são feitos ditados. Algumas empresas proporcionam aulas de ortografia aos seus empregados.

Parece que o problema se agrava de ano para ano: os professores que têm agora trinta anos já não se reconhecem nas gerações seguintes.

São procuradas razões, atribuídas culpas – por exemplo, a diminuição de horas dedicadas ao estudo da língua e o aligeiramento do ensino da Gramática que passou a ser designada como ORL («Observation Réfléchie de la Langue»).

Dão-se conselhos, mas, aparentemente, sem grande esperança de soluções à vista.

Eu, que tive uma presença francófona muito forte na minha formação, habituei-me a ver um grande culto, por parte dos franceses, em tudo o que à sua língua dizia respeito. Quantas vezes não os ouvi citar Boileau que escreveu em Art Poétique:

«Ce qui se conçoit bien s’énonce clairement et les mots pour le dire arrivent aisément».

Ainda será verdade? Eu acho que sim.


E deixo uma pergunta a quem anda por aí a ensinar jovens: a situação é tão má em Portugal?

----------------------------------------------------------------
(*) Grande parte do dossier está disponível aqui.

11.9.07

September 11 - 11 de Septiembre

Deveria ser possível riscar certas datas dos calendários.

Nova Iorque, 11/9/2001
Ground zero, hoje


















Santiago do Chile, 11/9/1973
O fim de uma utopia.


10.9.07

«Chinatown» em Lisboa?


Não, obrigada.
Ler 0 de Conduta.

E ninguém vê ténis?


As últimas jornadas de ténis do US Open, em Nova Iorque, foram soberbas. Não me arrependo das longas noitadas que fiz, sobretudo na última semana, porque vi jogos absolutamente fora de série. Acabaram por vencer, como era de esperar, Federer e Justine Henin, mas o mais importante foi a qualidade do ténis praticado. Que modificações, que progressos nos últimos vinte anos!

Notícias curtas nos jornais, nos blogues que frequento nem uma referência.
Dezenas de opiniões, como é hábito, sobre futebol – treinadores de teclado nunca faltam. Mas agora choveram também mil comentários sobre um grupo de matulões que consegue meter bolas em cestos e um outro que perdeu logo mas é orgulho da raça por ser amador entre profissionais. Só porque vestem a camisola das quinas? Porque cantam o hino? Vai tão forte assim o espírito lusitano?

O mal deve ser meu. Impressiono-me pouco com a portugalidade dos actores.
Não estremeço perante um pífio monumento a Diogo Cão na Namíbia, nem mesmo no Portugal dos Cristãozinhos na Velha Goa.

9.9.07

Reflexão budista no Bombarral?

Quinta dos Loridos (Bombarral)


Falou-se recentemente do Jardim do Oriente que Joe Berardo está a criar na Quinta dos Loridos, no Bombarral, por uma qualquer questão de licenças camarárias.

Por razões familiares, conheço bem o Bombarral – e até a Quinta dos Loridos, com o seu magnífico solar. Quem diria que uma espécie de reflexão turístico-budista viria a passar por ali. E, no entanto, é isso que se pretende.

Em trinta e cinco hectares, seis mil toneladas de estátuas (algumas enormes) e pagodes chineses, Joe Berardo quer prestar «uma homenagem aos budas que foram bombardeados [no Afeganistão]», no maior «jardim do Oriente na Europa», «onde as pessoas podem ir meditar e reflectir sobre si próprias», com «uma roupa igual para todos os visitantes para estarem todos vestidos de igual e terem uma melhor compreensão deste mundo» (?!).

Mais pormenores aqui.

Só nos faltava que a invasão chinesa nos chegasse, também, através deste inefável mecenas madeirense que nos saiu na rifa. Uma perfeita tontaria. Não há pachorra.