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8.10.16

Robert De Niro sobre Trump

Dica (408)




«Where are the demonstrations in western capitals to denounce the brutal onslaught on Aleppo? Around 300,000 people are exposed to carpet bombing, including bunker-busting and fragmentation ordnance. Is the weather so bad that no one wants to stand on a square, or in front of a Russian embassy? Or does no one care? Does no one think protesting would make a difference?» 
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Alô, PS?



Que terão feito ao resto da ala direita do PS? Não houve notícia de afogamentos no Tejo, no Douro e nem sequer no Mondego. 
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Uma oportunidade e um problema



«Portugal nunca teve e não tem uma estratégia concertada e esclarecida de promoção global. Lugar pequeno também nas mentalidades, onde proliferam os invejosos e os incompetentes, promove-se por compadrio e só muito raramente por mérito. Escapar a esta mecânica é ficar isolado, na cultura ou nas empresas. (…)

Temos finalmente um Governo positivo e mobilizador após um ciclo depressivo que quis empobrecer o país económica e mentalmente. Tudo considerado, estamos num tempo de crescimento da autoestima coletiva que abre muitas oportunidades e novos desafios. A escolha de Guterres vem dar mais um poderoso e altamente significativo contributo a esse momento.

O Governo de António Costa cumpriu o primeiro ano repondo salários, melhorando ainda que ligeiramente a situação económica dos portugueses. Foi essa a promessa, foi essa a base do acordo à esquerda. Mas agora é necessário fazer um "upgrade". No segundo e restantes anos do mandato, é preciso ir mais longe e apostar em força na inovação tecnológica pois só ela pode superar os atavismos da nossa economia.

Nesse processo o papel da cultura é fundamental. É hoje evidente a importância decisiva que a criação artística tem na inovação tecnológica, não só porque a tecnologia atual é altamente criativa em si mesmo, mas porque assenta em ideias inovadoras, matéria de que se faz a arte. (…)

Sempre afirmei que a cultura era o maior problema dos nossos governos, de esquerda ou direita. O atual não é exceção. Porque nunca se entendeu que mais do que exposições, peças de teatro ou filmes, cultura hoje é contribuir decididamente para a construção do futuro. A visibilidade que Guterres dá ao país poderia ser importante para uma alteração profunda do modo como entendemos a cultura em tempo de globalização tecno-criativa. Mas para isso era preciso renovar radicalmente o próprio entendimento do que é cultura hoje e a natureza das suas práticas. Precisamos de uma revolução cultural. Mas não vejo que ela esteja a acontecer.»

Leonel Moura

7.10.16

Este mundo deve a quem?

Taxistas: onde isto já vai

Viagem ao passado



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Meio Nobel da Paz



O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ganhou o Nobel da Paz. Com a maior das justiças, na minha opinião, e o facto de não ter conseguido uma vitória no referendo não é decisivo e esperemos que seja ultrapassado.

Já figurava na lista dos possíveis laureados, não sozinho, mas sim em conjunto com Timoleón Jiménez, líder das FARC.

Afinal, parece que se abateriam os tectos do mundo se esse terrível ex-guerrilheiro fosse também ao belo salão de Oslo receber o prémio… Assim vamos: como se a paz na Colômbia pudesse ter sido atingida unilateralmente. 
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Os gordos que paguem a crise



«Na terça-feira, aqui no Negócios, surgiu a notícia da possibilidade de o Governo estar a pensar criar uma "fat tax", ou seja, um imposto sobre os produtos alimentares nocivos à saúde. Ou, melhor dizendo, o que nos sabe bem.

Esta "fat tax", ou taxa dos gordos, já não é novidade, apesar do ar de escândalo de alguns deputados do CDS. Em 2014, o governo PàF queria implementá-la, e Maria Luís e Paulo Macedo defenderam a medida. Depois, veio o Pires de Lima, da cerveja e gaseificados, e acabou com a festa.

Eu gosto do conceito: taxa para gordos. É justo que as pessoas sejam tributadas em termos de peso. Se é mais pesado, paga mais - se é assim com a fruta e com o peixe, porque não há-de ser com as pessoas?

A olho nu, os gordos serão sempre os que parecem estar melhor na vida. São sempre os mais divertidos, etc. E deve haver quase tantos como a classe média e são fáceis de taxar. (…)

E parece-me que, em termos de dar sinais aos mercados, seria bom. Até um alemão se compadece ao ver países com pessoas subnutridas. Agora basta filmar pessoas nas ruas na Baixa para eles verem onde é que nós andamos a gastar o dinheiro. Na Alemanha, eles têm gordos, mas levaram muitos anos até terem uma solidez económica que lhe permite esses luxos. Taxar os gorduchos até é bom para eles. Só de saber que vão ser taxados ficam com menos apetite. Temos de pensar no futuro. O mundo não está para gordos. Basta ver o tamanho dos automóveis eléctricos.

O que eu sei é que, no meio desta situação económica e financeira, não devia ser a classe média, apesar de serem todos ricos, a ter de sofrer. Para mim, o mais justo é: os gordos que paguem a crise. Lamento, mas se uma pessoa está gorda é porque tem onde cortar. Ninguém engorda do nada. Ninguém diz que o oxigénio é muito calórico. Quando não se come nada, fica-se como o Gandhi. Como o Gandhi está agora.»

João Quadros

6.10.16

Se tivesse acontecido com António Costa, caía o governo

Há Durão, mas também há Guterres



Daniel Oliveira no Expresso diário de 06.10.2016:


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É do Inimigo Público, mas…

Dica (407)



A New Voice for a Complicated World. (EditorialBoard NYTimes) 
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As virtudes e os pecados de um ano de geringonça



«A criação inédita de um governo de coligação à esquerda em Portugal apoiado numa agenda concreta de políticas é de louvar. Ninguém sabe como vai acabar a experiência, mas sabemos que a geringonça aumentou o leque de possibilidades de representação, e isso é positivo em vários planos. Um dos principais é que daí decorre que a história do "não há alternativa" que dominou o discurso europeu e serviu parte da elite nacional levou um rombo.

PS, Bloco, e PCP têm o mérito de terem criado uma alternativa, e Portugal sai bem na fotografia internacional ao virar à esquerda sem sobressaltos de maior, nem no plano financeiro, nem no plano político. Importa agora debater a qualidade dessa alternativa. E aqui, a procissão ainda vai no adro.

Ao contrário do que muitos dos críticos do Governo apontam, a prioridade à devolução de rendimentos e à redução do IRS em vez do IRC, a subida de impostos sobre combustíveis e tabaco, e a defesa de objectivos de consolidação orçamental menos ambiciosos do que no passado são boas notícias para Portugal e para a Europa. Respondem a preferências dos eleitores de esquerda, e fazem sentido no plano económico: resistem às políticas deflacionárias promovidas pela troika que em larga medida falharam, e procuram um maior equilíbrio na utilização das várias alavancas orçamentais. (…)

O que Portugal precisa é uma agenda de reformas, calendarizada, quantificada e construída para ser avaliada ao longo do tempo, centrada na sustentabilidade da segurança social e do Estado social que é o mais poderoso instrumento contra a enorme desigualdade no país; numa aposta nas qualificações e da gestão do Estado; num reforço de regulação que no país das cunhas garanta igualdade no acesso a recursos públicos e privados; no enfoque no combate ao desemprego jovem e à precariedade, e na aceleração da reestruturação da dívida pública e privada. (…)

Com quase um ano no terreno, a geringonça conseguiu mais do que os críticos lhes destinavam, mas menos do que Portugal precisa.»

Rui Peres Jorge

5.10.16

Um mundo em que os peixes não sejam forçados a trepar a árvores



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A vingança serve-se fria




Já agora: será que a Kristalina, antepenúltima classificada, vai trabalhar já amanhã, em Bruxelas, para não perder muitos dias de salário? 
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ONU – Resultados da votação de hoje



(Clique na imagem para ler.)

Daqui.

Uma coisa em forma de lifestyle



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

«Tenho dedicado alguma atenção à nova secção de Lifestyle, que cada vez mais jornais têm. (…) Um jornal publica um interessante artigo intitulado “O que são os pontinhos brancos que temos nas unhas?” e depois dedica 1100 caracteres a apresentar a seguinte resposta: “Nada de especial.” Outro jornal, na mesma edição em que apresenta um «iPod para cães que sofrem de ansiedade”, avança com uma questão central: “Setembro é o melhor mês para fazer anos?”. E responde afirmativamente à pergunta, justificando com um conjunto de 13 motivos (menos 12 do que as razões para gostar do Outono, mas ainda assim um trabalho de fundo).»

Na íntegra AQUI.
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No dia dela



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5 de Outubro, 25 de Abril



Retomo hoje um texto de Saldanha Sanches, publicado há oito anos num outro blogue:

«O centenário do 5 de Outubro está próximo e as comemorações do 5 de Outubro – e em especial o cinquentenário da comemoração da República, que coincidiu com a decadência do salazarismo – foram marcos na resistência. Todos sabemos isso. A contraposição do regime democrático do princípio do século ao regime autoritário vigente funcionava como um argumento chave na narrativa democrática.

O 25 de Abril teve essa componente ideológica e essa componente institucional. A comparação entre as liberdades republicanas e o autoritarismo salazarista era uma parte essencial do discurso oposicionista. Aquilo que sobrava dos políticos republicanos (alguns aderiram ao novo regime) teve uma importância idêntica na construção de uma alternativa: sempre que havia eleições e possibilidade de agitação, o PCP agia com a cobertura dos veteranos da República e dos republicanos pós-república.

Mas – e este mas não é uma mera restrição secundária – o 25 de Abril serviu também para demonstrar o vazio democrático da República.

Comecemos pelo 5 de Outubro que conhecemos da reconstituição histórica e façamos a comparação com o 25 de Abril: a revolta republicana teve o apoio dos republicanos e de uma parte do movimento operário. Nada que possa comparar-se ao extraordinário apoio popular, a mobilização total da rua a que assistimos no 25 de Abril.

Para não falar do sufrágio universal (só depois do 25 de Abril) ou do fim daquela tradição monárquica das eleições saírem dos governos em vez dos governos saírem das eleições. Outra novidade absoluta da política portuguesa. Na República como na monarquia imperava o caciquismo propriamente dito (com donos de votos) e as chapeladas eleitorais eram moeda corrente. O Morgado das Perdizes sobreviveu (com novas formas) à implantação da República e as consultas ao eleitorado continuaram a ser dominadas e predeterminadas pela manipulação dos governos.

Tudo isto deve ser recordado quando se comemora a criação de um regime republicano em Portugal: um regime democrático cujas fragilidades e fraquezas estiveram na origem do regime salazarista que foi o seu sucessor imediato.» 
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Bom dia. Viva!


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4.10.16

Refugiados: assim continuamos




«Os dez países que acolhem mais de 56% do total de refugiados representam menos de 2,5% do PIB mundial. A AI (…) estima que existam 21,3 milhões de refugiados e que 86% sejam acolhidos por países de baixo ou médio rendimento.» 

video
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Dica (406)




«Passos Coelho lamuria-se agora pelos pobres dos ricos, ele que governou partindo do princípio de que os pobres eram tão ricos que podiam perder parte dos seus salários e das suas pensões. A vida tem destas coisas.» 
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Parabéns, Guterres?



… o próximo presidente da Fundação Gulbenkian?

04.10.2009 - O dia em que Mercedes Sosa partiu



Mercedes Sosa morreu há sete anos, num 4 de Outubro. Nasceu no Noroeste da Argentina, em San Miguel de Tucumán, cidade onde em 1816 foi declarada a independência do país.

Quando a Junta Militar de Jorge Videla subiu ao poder e se foi tornando cada vez mais agressiva, Mercedes, considerada peronista de esquerda , foi detida durante um concerto em La Plata, em 1979, refugiou-se depois em Paris e em Madrid e só regressou a Buenos Aires, e ao magnífico Teatro Colón, em 1982.

Pretexto para recordar a sua voz fabulosa:






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04.10.2015 - Interessante efeméride: uma reunião PS / BE no dia das eleições


«Vendo-a» como o Expresso a relata:

«As conversações entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, um início de diálogo entre os dois partidos que permitiria um dos entendimentos à esquerda, começaram logo no dia das eleições legislativas de 2015, muito antes de serem contados os votos. Foi em Lisboa, na zona de Picoas, num “encontro informal” até agora mantido em segredo, que estiveram frente a frente emissários de António Costa e de Catarina Martins. O líder do PS foi representado por Fernando Medina, o presidente da Câmara da capital e membro do Secretariado socialista. Já em nome da coordenadora do BE esteve Jorge Costa, da Comissão Política do partido (horas depois seria eleito deputado e é um dos vice-presidentes da bancada).
Um terceiro homem esteve presente: Francisco Louçã, antigo coordenador do BE. Foi ele, aliás, o intermediário entre os líderes, e a quem coube depois fazer as apresentações entre Fernando Medina e Jorge Costa.» 
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Aqueles que põem o seu dinheiro a bom recato



«Há quem defenda que, em Portugal, não vale a pena tentar taxar os ricos porque há muito que os ricos portugueses tiraram toda a sua fortuna do país.

A expressão usada costuma ser “os que têm dinheiro já o puseram a bom recato” e é dita em geral não só em tom compreensivo mas com uma indisfarçável admiração pela habilidade demonstrada. Quanto ao “bom recato” é, evidentemente, um sítio onde o fisco não consiga chegar, um paraíso fiscal. (…) É a posição dos que, no fundo, pensam, como Donald Trump, que os impostos são para os parvos e que fugir ao fisco é sinal de esperteza.

O mais espantoso é que, quem ouve, aceite muitas vezes com compreensão, esquecendo que essa colocação do dinheiro a “bom recato” é muitas vezes um crime e quase sempre uma imoralidade, que obriga os que não fogem ao fisco a suportar um esforço fiscal desproporcionado, pagando as estradas onde circulam os ricos.

O pensamento desses críticos da taxação dos ricos é que, se se taxarem os ricos eles fogem com os seus capitais e, sendo assim, é melhor deixá-los em paz sem os incomodar com o fisco, já que o resultado será o mesmo. Mas, mesmo que fosse assim (e não é) haveria a considerar a pequena questão da justiça fiscal. De facto, a política fiscal não serve apenas para financiar o Estado e deve ter uma função redistributiva, de forma a contrariar a acumulação crescente de toda a riqueza num número cada vez mais reduzido de mãos e a permitir que os mais desfavorecidos à partida possam ter a possibilidade de melhorar as suas condições de vida, nomeadamente através do sistema público de educação. (…)

Pessoalmente, situado como estou na grande área política das esquerdas, onde confluem muitas ideias e muitas tradições diferentes, não me sinto especialmente contra os ricos. Se há uma coisa que acho admirável é correr o risco de investir, de criar uma empresa, criar emprego e produzir coisas úteis. E acho da mais elementar justiça que uma pessoa dessas enriqueça, desde que pague os seus impostos, respeite as leis e trate os trabalhadores de forma digna. O que acontece e é lamentável é que os ricos que merecem o nosso respeito são escassos. O que merece o meu antagonismo declarado são aquelas pessoas que enriquecem de forma incompreensível e que, para mais, se recusam a fazer a sua quota-parte na sociedade. Ou aquelas que, em vez de pagar impostos em Portugal, registam as suas empresas na Holanda ou no Luxemburgo para pagar menos e decidem pôr o seu dinheiro” a bom recato” para que sejam apenas os que têm menos dinheiro a pagar as escolas e os hospitais.»

Marisa Matias no Parlamento Europeu



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3.10.16

La Paz, para que nos entendamos



«La Paz, además de una bella ciudad boliviana, es mucho más que una situación de no beligerancia, mucho más que el silencio repentino de las armas.

La Paz es un proceso que empieza con el silencio de las armas, con un pacto suscrito por las partes beligerantes, de obligado cumplimiento,supervisado por observadores independientes, y en ningún caso significa la superación de los motivos o razones del conflicto. Es la decisión suscrita por las partes beligerantes para solucionar de manera pacífica el conflicto.

En el caso colombiano, pretender como el ex presidente Uribe, paladín del No al acuerdo de paz suscrito y firmado en Cartagena de Indias, mediante eufemismos como "paz justa" paz sin impunidad" es, en primer lugar desconocer lo que se firmó y, en segundo lugar, imponer la rendición de una de las partes, las FARC.

No es Uribe el paladín más indicado, salvo que los colombianos olviden que su gobierno dejó la atroz herencia de casi 30 mil desaparecidos -los falsos positivos- y que contribuyó como ninguna de las partes enfrentadas al aumento de los desplazados, el gran drama humanitario al que se debe llegar a una solución pacífica.

La Paz no es un hecho automático, su primer paso es el silencio de las armas y luego viene el largo, paciente, accidentado proceso que lleve a la solución pacífica de las causas del conflicto pero sin vencedores mi vencidos.

El documento, el acuerdo firmado por Santos y Timoschenko es un gran paso que logra lo fundamental: el silencio de las armas. es el reconocimiento de que el conflicto se podría eternizar causando cada vez más víctimas entre los campesinos, los desplazados, y que el conflicto en sí mismo, se convertía en un factor de alejamiento de la la solución del conflicto social que hizo tomar las armas a una parte de la población y lanzarse a la lucha guerrillera.

Ese acuerdo de Paz es una pruebe de inteligencia política del presidente Santos y de las FARC.

Oponerse a ese acuerdo, a ese silencio de las armas, a ese camino que empieza, es simplemente de imbéciles y de oportunistas. Y por desgracia ambos sobran en América Latina.»

Luis Sepúlveda no Facebook
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03.10.2015 – Há um ano estávamos todos a reflectir



… cansadíssimos, por causa de decisões para o dia seguinte.
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Assim vai a Grécia




«Mais de mil pensionistas manifestaram-se esta segunda-feira em Atenas e foram atacados com gás lacrimogéneo quando tentavam virar um autocarro da polícia. O governo anunciou que o gás não voltará a ser usado em manifestações de trabalhadores e reformados.»


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Digam-se que isto é do Inimigo Público…



«Um português num lugar internacional é um embaixador do mundo árabe»

«Não nos queremos impor. Respeitamos sempre as outras culturas e civilizações. E por isso temos encontrado tantos portugueses em posições internacionais importantes. E por isso sabe, por exemplo, o mundo árabe, que um português colocado numa posição importante numa organização internacional é também um embaixador seu, é também um embaixador do mundo árabe.»
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A esquerda na Europa precisa de mudar de rumo político



«Os analistas políticos disseram-nos que o brexit não poderia acontecer e que Donald Trump não conseguiria ganhar a nomeação republicana.

Alguns deles têm vindo a contar-nos outra história: a de que os partidos de centro-esquerda só podem ganhar as eleições a partir do centro; em particular, que Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, não pode vir a ser primeiro-ministro. Será esta afirmação verdadeira? (…)

Vários partidos social-democratas e socialistas na UE têm apoiado as políticas de austeridade desde a crise financeira e estão agora a pagar o preço político. Os Democratas nos EUA, O Partido Trabalhista no Reino Unido e o SPD alemão estavam entre os mais entusiasmados com a desregulamentação dos mercados financeiros. (…)

Os cidadãos da zona euro só têm dois caminhos para mais investimento. O primeiro é a saída do euro, a única forma legal de um país poder fugir às regras orçamentais que restringem o investimento a nível nacional. É a opção oferecida pelos partidos extremistas.

A segunda opção seria um programa de investimento para toda a zona euro administrado centralmente, financiado pela emissão de títulos comuns de dívida ou, mais diretamente, através da impressão de dinheiro. As questões dos eurobonds e da monetarização da dívida são consideradas politicamente irrealistas, dada a oposição da Alemanha. Assim, a não ser que a opção seja por partidos extremistas, não há escolha no mundo real.

E quanto ao programa de investimento da Comissão Europeia? Numa análise mais aprofundada vê-se que ele se transformou num exercício para mascarar a realidade, numa irrelevância macroeconómica subfinanciada.

A minha expectativa é de que a política irá ajustar-se às necessidades económicas, como aconteceu na década de 1980, desta vez na outra direção. Há uma hipótese de tudo acabar como na década de 1930. Isso é difícil de prever. O que eu tenho a certeza é que o grande consenso a favor de políticas económicas liberais centristas está a ruir, e que isso terá um impacto sobre o modo como olhamos para líderes como o Sr. Corbyn.»

Wolfgang Münchau

2.10.16

Dica (405)



O que Trump significa. (Manuel Carvalho da Silva) 

«É sob o pano de fundo da antipolítica e da insegurança generalizada, que emergem novos atores com ADN fascista, como os que conhecemos no passado e agora reencontramos em figuras como Trump. Eles prometem segurança e autoridade contra "o sistema" - uma nebulosa imprecisa que designa interesses poderosos e ocultos - e contra inimigos internos e externos, reais ou imaginários. A desgraça deste cenário é o facto de os Trump dos EUA e de outras paragens constituírem a expressão mais profunda da podridão que infetou a sociedade em que vivemos. Na sua ascensão, serviram-se e servem-se das contradições e cedências de democratas vazios ou inconsequentes.» 
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Ena! Levarão tachos e panelas?

Peniche, ainda



Tem de vir alguém de direita, neste caso João Taborda da Gama, escrever o óbvio, quando muita esquerda amolecida já está disposta a baixar os braços e a admitir todos os compromissos e coabitações? Sim, parece que sim.  


«Preservar património é dever. Concessionar monumentos é necessidade. Fazer um hotel no Forte de Peniche é barbárie. (…) 
É preciso poder ir ao forte, estar por lá, deambular nas celas, no recreio, sem bares de gin tónico nem massagens ayurvédicas, ouvir o vento, ouvir o mar, como ao menos ouviam os que lá estavam, e perceber, por fim, a irredutibilidade da liberdade.» 
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Nações Unidas?



«A civilização humana é bastante recente. Tem cerca de 10.000 anos. Mesmo assim conseguiu feitos notáveis. Tornou o humano na espécie dominante, estando presente em todos os cantos do globo. Alterou significativamente a própria natureza, através da agricultura e de um sistemático redesenho do ambiente. Desenvolveu um conhecimento profundo das coisas, erradicou doenças, prolongou a vida, gerou bem-estar e felicidade. Aventurou-se no espaço.

No entanto, em muitos outros aspetos a humanidade falhou. Cresceu demais, tornou-se numa praga com consequências nefastas para as restantes formas de vida, desequilibrou a ecologia sofrendo agora os seus efeitos, mas sobretudo não conseguiu organizar-se convenientemente. A humanidade não foi ainda capaz de resolver alguns problemas básicos, como o são a fome ou a guerra. Tanto mais incompreensível quanto se trata de questões que não dependem de condições naturais adversas, mas da organização social determinada pelos próprios membros da sociedade.

A falta de solidariedade e os conflitos constantes remetem a humanidade para uma condição primitiva e tribal que há muito devia estar ultrapassada. Infelizmente, não está.

Vem isto a propósito das Nações Unidas e da recente polémica sobre a eleição do novo secretário-geral. Isto porque as Nações Unidas são um bom exemplo da incompetência organizativa da humanidade. (…)

A escolha do próximo secretário-geral demonstra-o. Pretendeu-se, desta vez, realizar um simulacro de democracia através de entrevistas públicas aos candidatos e uma sucessão de votações que supostamente determinariam tendências maioritárias. Em todo esse processo António Guterres destacou-se. Mas, como a escolha não agrada aos governos de alguns países, de súbito aparece uma candidata saída do frio que, sem qualquer esforço ou exposição, tem garantido um lugar dianteiro. Se as Nações Unidas andavam à procura de credibilidade não será certamente assim que a vão encontrar. Aliás, se a manobra for adiante, o descrédito é total e a irrelevância das Nações Unidas será evidente para todos. Mas isso que importa a gente primitiva?»

Leonel Moura