20.6.14

Ainda sobre a invasão da Avenida da Liberdade



É tal a minha fúria com a realização do mega pic nic, amanhã, na Avenida da Liberdade, que só posso rever-me num texto que Paulo Chitas publicou hoje na Visão online: A cidade é nossa.

Repito o que já escrevi: não há qualquer motivo racional para que este arraial pimba se realize no centro da cidade, e não num espaço livre sem prejuízo para os lisboetas. Se até se pode vir para o pic nic do Porto, de comboio, por 10 euros, não haveria qualquer dificuldade em proporcionar transportes gratuitos dentro da capital ou para os seus arredores. Sinto-me gozada, tenho vergonha: não é assim que se vive e se promove esta bela cidade – nivelando por baixo.

Alguns excertos do texto de Paulo Chitas, que assino por baixo:

«Qual é a legitimidade da Câmara para fechar uma avenida da capital, durante uma semana? A trupe de António Costa justifica a necessidade de privar os cidadãos (munícipes e outros) do coração da capital pelo facto de se tratar de algo "com grande impacto e gratuito".
De facto, tem grande impacto mas certamente não é do tipo a que aludem os magos da autarquia. A circulação automóvel se é que alguém consegue circular na Avenida da Liberdade, depois das experiências de gestão do tráfego da autarquia – ficou condicionada durante uma semana. E será interdita durante alguns dias. (...)
Ao contrário do que António Costa parece crer, a cidade é nossa. Não é dele. O mandato que os eleitores da capital lhe atribuíram foi para a governar e não para a resgatar aos seus utilizadores. Como o seu mandato foi expressivo fez uma campanha de grande eficácia, ganhou a autarquia por uma larga maioria – a sua responsabilidade é tanto maior. Poucas vezes tantos confiaram tanto num político – e isso devia merecer da sua parte um especial cuidado na forma como gere a cidade. (...)
A displicência com que se faz uso dos espaços e das infra-estruturas de todos é um sinal preocupante do que vai na cabeça de António Costa. Afinal, o homem propõe-se governar Portugal...»

Nem mais.
.

1 comments:

João Vasconcelos-Costa disse...

Também assino por baixo. Sinto-me envergonhado.