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3.10.09

De hoje a uma semana, estamos de novo a reflectir















Sérgio Godinho e Caetano Veloso, Lisboa que amanhece

Ontem, quem perdeu foi o TGV


Confesso que fiquei bastante admirada com o entusiasmo generalizado a propósito da vitória do Brasil na luta pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Claro que a alegria de Lula era contagiante e que o Rio de Janeiro continua certamente lindo. Terá sido provavelmente porque a nossa pátria é a língua portuguesa (houve quem o dissesse e fica sempre bem…) ou porque, para todos os efeitos, temos sempre a secreta esperança que isto ainda volte a ser o tal grande império colonial de que falava o Chico Buarque.

Mas então Chicago, com o encanto de se esperar um Al Capone a cada esquina? E sobretudo Madrid, santo deus! Aqui tão perto, com aumento garantido de toda a espécie de importações, com perspectivas tão excelentes para o quarto ou quinto governo do PS depois do próximo ou até, quiçá, para a tal «esquerda grande» com que sonha Louçã!

Além disso, com algum empenhamento da nossa diplomacia, talvez se conseguisse que Tony Carreira acompanhasse uma espanhola mais modernaça do que a Monserrat Caballé na cerimónia de abertura ou de encerramento, não?

Então e o TGV? Se Madrid tivesse sido escolhido ontem, nem mais uma voz ousaria falar de adiamentos e a aprovação do próximo Orçamento seria trigo limpo. Quantos milhões de chineses, russos e pigmeus não dariam um salto a Lisboa? E quanto portugueses não se poriam a caminho para ver um ou dois patrícios subir ao pódio? Foi um azar, acreditem…

P.S. - Pois...

Se alguém me explicar o que isto quer dizer, eu fico muito agradecida
















«Mas, no horizonte da cidadania em que me sinto, devo declarar, pelos motivos éticos da instabilidade social que espreita, através de janelões abertos por quem não os devia escancarar, que as posições do Senhor Presidente da República, no seguimento do “sigilo” de uma ou outra anteriores, ficarão na memória histórica desta época.
Tenho pena (no sentido nobre de solidariedade) pelo país. Tenho pena (em idêntico sentido) pela verdade e pela intranquila adultez do meio em que nos situamos.
Acho que ninguém compreendeu nada. E ainda bem, ao evitar deixar-se embalar por “cantos de sereia”, onde as denúncias cavilosas e os esquadrões a entrarem pelo computador adentro nunca deveriam ter ocasionado mais um “mártir do dever”… Se trincheiras houve, se invasores houve, por que motivo se assiste a um “girardiano” bode expiatório ou a um imolado de qualquer radicalismo?»


E, já agora, expliquem-me também o resto do texto de D. Januário Torgal Mendes Ferreira, Ordinário Castrense.

2.10.09

«Não queremos olimpíadas, queremos revolução»













No dia 2 de Outubro de 1968, na Plaza de las Tres Culturas (Tlatelolco), ao Norte da cidade do México, terminou um movimento festivo dos estudantes mexicanos, que tinha durado 146 dias. Foi uma luta contra a corrupção do poder e o autoritarismo do PRI (Partido Revolucionario Institucional), que governou o país durante mais de setenta anos, por parte do único movimento estudantil da época que terminou com uma matança brutal.

Ainda hoje não se sabe exactamente o número de mortos, que varia entre os 44 «documentados» e os mais de 300 reivindicados pelas famílias, e os responsáveis continuam impunes.

Tudo isto se passou dez dias antes e na mesma cidade onde uns Jogos Olímpicos viriam a ficar na história pelo célebre Black Power Salute.

Para quem quiser recordar as factos:

Nem os presuntos se safam

















As péssimas previsões para a economia espanhola obrigam a restrições a vários níveis porque o futuro próximo não será certamente brilhante.

Sabe-se agora que os membros e funcionários do Congresso e do Senado («1.800 a 3.000, conforme os anos») não receberão este ano a muito bem recheada cesta de navidad, nem um simpático presunto ibérico – esse não cabia na dita cesta, mas viajava em caixa própria, com rodinhas para facilitar o transporte.

Ficam os dedos e vão-se os anéis – e podiam mesmo ir ara sempre, porque estas tradições perdulárias e inúteis de um Ocidente, que se julgava eternamente rico mas não o será, não honram nada nem ninguém. Sem julgar os motivos nem entrar em querelas ideológicas, mas não resistindo a comparações, leio esta história de presuntos ao mesmo tempo que oiço que, em Cuba, por dificuldades financeiras, deixaram de ser distribuídas refeições até agora gratuitas a milhares de funcionários públicos.

(Mas até acharia bem simpático se Cavaco enviasse meia dúzia de pasteis de Belém a cada um dos membros da nova AR!!! :))

Fonte

Ufa, finalmente!

  Ainda não é mas está quase!

1.10.09

Explicado o sucesso do CDS


(Encontrado através da MC, no Página 1, jornal online da Rádio Renascença.)

Dizem que é uma espécie de marxismo


Há 60 anos, a fundação da República Popular da China. Hoje, festejos monumentais, como seria de esperar, e o discurso de Hu JIntao, devidamente equipado com o traje «à Mao»:

«O desenvolvimento e o progresso da nova China desde há 60 anos provaram cabalmente que só o socialismo pode salvar a China e que só a reforma e a abertura podem garantir o desenvolvimento da China, do socialismo e do marxismo.»
Quem sou eu para o desdizer!...


P.S. - E o MRPP diz que «a China vive hoje numa ditadura social-fascista».
Tchhhh! As voltas que o mundo dá!

30.9.09

Agora os apelos
















Acaba de ser lançado o «Compromisso à Esquerda», um «apelo à estabilidade governativa», assinado primeiro por cerca de 150 pessoas e agora aberto à subscrição pública. Tem como objectivo revelar «uma inquestionável vontade de entendimento entre os partidos de esquerda».

Para começar, sou normalmente avessa a este tipo de iniciativas, já que considero que, ao votarmos em determinado partido, estamos a confiar-lhe a missão de negociar com quem entender na sequência do acto eleitoral – sobretudo se este tiver ocorrido há apenas três dias. Mas admito perfeitamente a opinião contrária: são mais do que legítimas pressões deste tipo, têm o seu lugar em democracia e parasse o documento antes do último parágrafo e considerá-lo-ia como um louvável «grito de alma». Mas não pára.

Ao concretizarem o que realmente pretendem – que sejam traduzidas «num programa de governo as lutas e anseios de amplas camadas da população» –, os assinantes passam para um outro plano do qual discordo por várias razões.

1 – Os eleitores do PS, PCP e BE votaram em três programas de governo diferentes, não num projecto de denominador comum. E, como julgo que ficou minimamente claro durante a campanha, existem divergências ideológicas significativas. Está agora a pedir-se aos três que digam àqueles que neles votaram que renunciem a essas diferenças e que desenhem um quarto programa de governo? (Aliás, julgo que nem vale a pena insistir porque todos já disseram que não o fariam.) Mas têm os autores deste apelo alguma ideia sobre «o elenco programático» de que falam? Espera-se que sim e teria sido útil se tivessem avançado algumas pistas para se perceber em que é que estão a pensar.

2 – Foi apregoado aos quatros ventos, com elogios ou reprovações, que muitos dos votos no PCP, e sobretudo no Bloco, foram de protesto contra o PS, Sócrates e as políticas do governo - políticas essas que foram agora reproduzidas para os próximos quatro anos. Isso é para esquecer? Não valeu?

3 – Reconheça-se a força legítima que foi devolvida agora à Assembleia da República e acredite-se que os deputados de esquerda não formam bandos de malfeitores. Eles serão capazes de contribuir positivamente para o avanço do país e para que, numa das próximas legislaturas, possa vir a existir uma verdadeira força de esquerda, essa sim maioritária. Mesmo que leve tempo – o mundo não acaba amanhã.

4 - Last but not the least. Não deveria este texto ser outro e dirigir-se à direcção do PS para que esta resista a todas as tentações e a todas as pressões (sabe-se lá até que ponto estas chegarão…) para que não se entenda preferencialmente, ou apenas, com o CDS e/ou com o PSD? Deixo a pergunta por duas razões: porque sei de quem tenha assinado o presente apelo única e exclusivamente para tentar evitar que o PS «se encoste» à direita e porque, pelos nomes que reconheço na lista de subscritores (e são muitos), vejo que o grosso do pelotão é de eleitores do PS. Assim sendo…

Estes jornalistas que alguns ainda consideram de esquerda
















… e que até festejaram o 1 de Outubro em décadas que já lá vão.

Teresa de Sousa, no Público de hoje (sem link), comparando o dia seguinte às eleições na Alemanha e em Portugal:

«Mas há algumas diferenças que pesam, infelizmente, a nosso desfavor. A primeira é que, se o Die Linke bloqueia qualquer coligação à esquerda, no caso alemão isso não tem uma implicação política imediata porque é a direita que governa. A segunda é que o terceiro pequeno partido alemão é uma força política aberta, moderna e moderada que pode vir a abrir as portas para coligações de governo que dispensem a esquerda radical. Os Verdes são o futuro. Cá, o PCP é o passado. (…)

O CDS, que podia ajudar o governo do PS a libertar-se do Bloco em votações fundamentais, vai estar com os olhos postos no PSD (…)»

(Os realces são meus)

29/9 - Noite inesquecível (3)

O que ele anda a ler:
«Através desta lei poderosa, os seus pensamentos tornam-se realidade na sua vida. Os seus pensamentos tornam-se realidade! Repita isso para si próprio vezes sem conta e deixe que essa certeza se imprima na sua consciência. Os seus pensamentos tornam-se realidade!»

O Segredo, p. 9

29/9 – Noite inesquecível (2)

Algumas do Twitter (sem citar autores, à cause des mouches):

«A sério: isto preocupa pois este tipo assina diplomas.»

«Livros de Franz Kafka deviam ser retirados da biblioteca do Palácio de Belém, a bem da República!»

«Mudou para a medicação do JPP e foi este o resultado.»

«E pensar q houve quem dissesse q soares não servia p ser d novo pr porque podia não estar de posse de todas as suas faculdades.»

«Cavaco acaba de ser visto a atravessar a rua com um chapéu de Napoleão.»

«O papa poderá chamar o homem à razão. Mas vem só em Maio.»

29/9 – Noite inesquecível (1)

O ataque de lucidez de Alberto João Jardim:
«O que se passa em Portugal é de malucos à solta»

29.9.09

A comunicação

Acabado de ler:
«Cavaco vai pra cama coxeando antes de tropeçar num fio suspeito.»
Pedro Miguel Costa no Twitter

Para já não se me oferece dizer mais nada.

Hoje, 20:00









«O que é que vieram cá fazer?»

Oh se vivemos!



In the town where I was born,
Lived a man who sailed to sea,
And he told us of his life,
In the land of submarines.

Uma suave impressão de caos













País apaixonado pelas lonjuras e pelas distâncias, sempre em busca de outras paragens, com gente que não gosta de conviver na rua, onde amigos vivem décadas sem se tratar por tu, «uma suave impressão de caos como a que se sente numa loja de antiguidades» – é Portugal visto de Madrid ou até de Badajoz, num polémico e divertido artigo publicado em La Vanguardia.

Os portugueses serão «ricos pobres» desde o tempo das descobertas (até os pedintes têm um ar aristocrático), embalados ainda em novelas sonhadoras, que trocaram o «senhor conde» e «senhor marquês» por doutor ou professor doutor.

País inviável, militante de uma impossibilidade, como dizia Fernando Pessoa? Pequena nação que se decidiu por um destino separado, Portugal tem de reinventar todos os dias a sua história, na permanente procura de uma individualidade. Habituado à incerteza em que está mergulhado hoje todo o Ocidente, reencontrou certamente agora uma das suas grandes forças ancestrais.

O texto teria talvez mais graça se tivesse sido escrito por um espanhol, mas o autor, Gabriel Magalhães, é português embora more há muitos anos com nuestros hermanos. Nem isso evitou acusações de «traição à pátria» na caixa de comentários do jornal - como seria de esperar…

(Artigo de La Vanguardia, conhecido através de Carlos Sousa Almeida no Facebook.)

Possível porque necessário?

















No excelente Ladrão de Bicicletas, um texto a ler e a reler na íntegra.

«Para os que acreditam que o País tem futuro, talvez ainda se possa escrever direito por linhas tortas. À gravidade da situação financeira do País, à insustentabilidade do nível de desemprego a que se chegará, às divisões que depressa se vão cavar dentro do PS e do BE quanto às políticas a adoptar no imediato, juntar-se-á a pressão das elites de esquerda para que o País encontre uma solução governativa à altura dos desafios dos próximos anos. Porém, essa solução não é possível com o predomínio da "esquerda possível", ela só resultará de uma esquerda "socialista", uma esquerda mais do que nunca "necessária". Se realmente quisermos, a partir de hoje começa a contagem do tempo urgente da sua criação. (…)
A meu ver, chegou a hora de tornar possível a esquerda de que o País precisa, a "esquerda necessária". É que o País vota maioritariamente à esquerda mas não está feliz com a representação política que recebe em troca. E tem razão, merece melhor.»

Para que tal aconteça, Jorge Bateira defende a criação de um novo partido, cujo processo «deveria estar concluído a tempo das próximas eleições legislativas que, muito provavelmente, serão eleições intercalares».

Sonho de uma noite de fim de Verão? Provavelmente. Mas é a sonhar que a gente se entende.

28.9.09

Outras maiorias

















Há trinta e cinco anos, o país estava agitadíssimo. Desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes paravam e revistavam carros de quem, hipoteticamente, se dirigia a Lisboa para a chamada Manifestação da Maioria Silenciosa – uma iniciativa de apoio ao general Spínola, convocada dias antes por cartazes que invadiram a cidade.

Os sinais públicos de ruptura crescente entre o presidente da República e o governo de Vasco Gonçalves e o MFA tinham sido mais do que evidentes, dois dias antes, durante uma tourada organizada pela Liga dos Combatentes no Campo Pequeno, durante a qual Spínola foi aplaudido e Vasco Gonçalves apupado.

A Manifestação do dia 28 não chegou a realizar-se porque o COPCON prendeu na véspera cerca de setenta pessoas suspeitas de estarem ligadas à iniciativa e pelas actividades populares acima referidas. E Spínola acabou por pedir a demissão em 30 de Setembro, tendo sido substituído na presidência da República por Costa Gomes.

Num vídeo da RTP (minutos 33:29 a 44:06), que aconselho vivamente, percebe-se bem o contexto e vêm-se – ou revêem-se - todos os acontecimentos acima referidos.

Há 39 anos a educar o povo


















Prémio de persistência – merecem, até pelo número de mentores que deram ao país e à Europa!

Carmelinda Pereira espera pacientemente.

O pódio


















Goste-se ou não, foram estes três que subiram ontem ao pódio - é bom não perder isso de vista nas próximas semanas.

P.S. – Já começaram – ora oiçam:
«Era trágico se houvesse qualquer entendimento à esquerda» (…) «A única coisa que não será permitida (…) é que haja instabilidade e um governo aos ziguezagues, que vai (…) fazer leilão de um lado e do outro».
Dúvida metafísica: será que o dr. Cavaco não pensa o mesmo?

0:10

27.9.09

22:00















Uma excelência notícia: José Manuel Pureza na AR.

21:19

Bloco:

- É previsível que (mais do que) duplique o número de deputados.
- Tinha deputados em 3 distritos - terá (provavelmente) em 9 ou 10.

20:01

YES!

A primeira vez foi assim

















Resultados (% e nº de deputados): Cor do texto

PSSDaaaa37,87%aaaa116
PSDaaaaa26,39%aaaa181
PCPaaaaa12,46%aaaa130
CDSaaaaa07,61%aaaa116
MDPaaaa04,14%aaaa115
UDPaaaa00,79%aaa a111
ADIM(*)00,03%aaa a111

(*) Associação de Defesa dos Interesses de Macau

Para começar o dia

















Que força é essa, Sérgio Godinho e José M. Branco