31.12.11

Ano Novo (3) - Agora é que é

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Um 2012 tão bom quanto possível para todos os que passarem por aqui.
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Prudente e visionário

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Ano Novo (2) - Calendário 2012

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Os nossos «heróis»


«Apareceram por aqui uns funcionários, que não conhecem Portugal e não falam português. Mas que por inspiração doutrinária já traziam a receita para nos reformar. Que o país não seja exactamente o que eles pensam, nem reaja exactamente como eles querem, nunca certamente lhes passou pela cabeça. Livros são livros e o que vem nos livros vale muito mais do que a realidade. Se as coisas se estragarem, paciência. Eles não se importam. Há no mundo outras freguesias para irem pregar. Esta é a "Europa" onde nos meteram.»

Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, sem link.
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Ano Novo (1) – 过年2012

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Long time ago


Repito-me mas há sempre alguém que não sabe que a «Cantata da Paz», tão divulgada por Francisco Fanhais depois do 25 de Abril, foi por ele «estreada» numa Vigília contra a guerra colonial, na passagem do ano de 1968 para 1969, com letra propositadamente escrita para o efeito por Sophia de Mello Breyner (também ela presente na igreja de S. Domingos, em Lisboa). 

Há 43 anos. Mas parece-me que foi ontem que lá estive – e a PIDE também, evidentemente…



Aqui, um resumo do que se passou na vigília em questão.
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30.12.11

Uma questão de gravatas

gravat.

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Dito por aí (9)

@João Abel Manta

«A constatação de que 2011 foi para os portugueses um ano horribilis só é contrabalançada pela certeza de que 2012 será ainda pior. (…)
Neste contexto, os costumeiros votos de “próspero ano novo” constituem em Portugal uma manifestação de maldoso sarcasmo. O ano de 2012, em primeiro lugar, não é novo: é a continuação, extremada, das desastrosas políticas dos últimos governos, agora vigiadas pelos prestamistas que tomaram conta do País. Em segundo lugar, 2012 vai ser o primeiro ano de uma nova contagem do tempo planeada para Portugal: um tempo de miséria, exploração, desigualdade, eliminação de direitos e repressão. Para salazarismo, só falta um Salazar. Ou será que já o encontraram?»
João Paulo Guerra, Horribilis

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«Mas, claro, podemos não precisar mais de partidos. Se o golpe de Estado europeu que está a substituir a democracia representativa por um império "dos mercados" vingar, seremos governados por "especialistas". E, quinta lição, parece que é mesmo possível fazer isso sem enfrentar grandes indignações e resistências. Se calhar, andamos a levar o desígnio de Passos tão a sério que nos cremos - e queremos - pobres até no espírito.»
Fernanda Câncio, Lições de 2011

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«Indesejados no seu próprio país, resta hoje aos portugueses, como ao judeu errante, construir o Portugal futuro com que sonhou Ruy Belo "sobre o leito negro do asfalto da estrada".»
Manuel António Pina, O português errante
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O avanço da China: a opinião de um sinófilo que vive no Japão


Luís F. Afonso vive no Japão e é um velho leitor deste blogue. Deixou hoje um comentário a este meu post e, com a sua autorização, reproduzo-o aqui.

«Folgo em saber que o tema do avanço da RPC sobre a Europa começa a merecer maior destaque aqui e bem assim noutros espaços.

Da minha parte mantenho: tudo isto não passa, a longo, médio prazo, de um imenso presente envenenado. Não tardará, uma vez seguras as posições-chave dentro dos sectores estratégicos mais vulneráveis, começaremos a assistir ao mesmo que já vimos suceder noutras paragens (leia-se África, e a título de exemplo): o impor de quadros de liderança oriundos de lá, depois os quadros médios técnicos e executivos (em detrimento dos locais, isto é, dos nossos) dentro das empresas, e assim por diante, depois a pressão no sentido de impor alterações legislativas em diversos domínios, adequados aos seus interesses, planos e necessidades, depois o servilismo político que, se por enquanto ainda é discreto, tarde ou cedo andará a toque de clarim... Enfim... uma vez mais, nada que não pudéssemos ter previsto antes e tentado evitar...

Quanto à 'prospecção de petróleo', receio bem que venha a ser antes e prioritariamente a prospecção de outras matérias-primas hoje quase tão preciosas quanto o velho "ouro negro" — algo cuja produção mundial já é controlada em quase 98% por eles e da qual não abrirão mão por nada deste mundo (sobre o mesmo já escrevi há algo tempo no meu espaço), e a que aliás quase ninguém parece ter prestado atenção.

Em qualquer recurso, gostaria de deixar aqui uma ressalva, se me permite: nada tenho contra a prosperidade chinesa — já o escrevi antes e torno a dizê-lo: como amante do Oriente, este seu leitor não é, nem pouco mais ou menos um vulgar e primário sinófobo, bem pelo contrário, é, isso sim, um inveterado sinófilo, e ainda que dê a impressão oposta. É que o mal não está nessa China abstracta, idílica, distante e poética, que contemplamos em livros de viagens e em bonitos bilhetes postais. Está sim ness'outra, secretiva, oligárquica, predatória, implacável, sinistra, que tem hoje, e a Ocidente, a sua "finest hour". 'L'opportunité fut saisi'.

Só digo oxalá não seja tarde demais, oxalá eu esteja tremendamente enganado. Assim espero.»
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A Europa raptada


Da crónica de José Manuel Pureza, hoje, no DN:

«O declínio americano, a turbulência russa e a afirmação de poder chinês não são factos, são tendências de fundo que 2011 apenas confirmou. (…)

A Europa raptada em 2011 é a da construção de uma democracia que para ser política tem de ser social e económica. Essa Europa, que lucidamente deu corpo à noção de que os direitos sociais e os serviços públicos não são um luxo de ricos mas sim uma condição de liberdade de todos, foi raptada pelos mentores de outras visões do mundo para os quais o contrato social que tem prevalecido na Europa constitui uma ameaça aos seus desígnios. (…)

Pelas mãos da obsessão da austeridade, a Europa está a perder a democracia e a substituí-la por novas oligarquias. A asiatização do capitalismo europeu é um processo em aceleração rápida. E desenganem-se os que acham que isso se confinará à propriedade de empresas (EDP, BCP, ...): muito mais que isso, será (está a ser) uma mudança profunda de modos de vida.»

Na íntegra aqui.
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29.12.11

Less


Our phones - Cordless

Our cooking - Fireless

Our food - Fatless

Our Sweets - Sugarless

Our labor - Effortless

Our relations - Fruitless

Our attitude - Careless

Our feelings - Heartless

Our politics - Shameless

Our education - Worthless

Our Mistakes - Countless

Our arguments - Baseless

Our youth - Jobless

Our Ladies - Topless

Our Boss - Brainless

Our Jobs - Thankless

Our Needs - Endless

Our situation - Hopeless

Our Salaries - Less & less
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Olhemos bem para a cara deste senhor


… Cao Guangjing, porque as nossas vidas vão depender muito dele nos próximos (?...) tempos.

Já aterrou em Lisboa, amanhã compra uma fatia da EDP no Ministério das Finanças, e explica-nos depois porquê em conferência de imprensa, já admitiu que os bancos chineses poderão investir em Portugal e as acções da banca dispararam logo em bolsa. Paralelmente, confirma-se o interesse de uma grande empresa chinesa na prospecção de petróleo no nosso país.

Veneradores e obrigados, daqui a dois dias ainda vamos celebrar o início de 2012 à ocidental, em 2013 não sabemos… Em 22 de Janeiro de 2012 termina o Ano do Coelho (não para nós, não para nós…) que dará lugar ao do Dragão. Por cá, continuaremos, para já, com doze passas e doze desejos – se conseguirmos contá-los.

«E pensar que tudo isto começou com as lojas dos trezentos... » (*)

(*) Frase roubada à Isabel Faria no Facebook.
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Sakineh Ashtiani


Uma vez mais, chegam do Irão notícias sobre planos para eliminar Sakineh – apedrejada ou enforcada. De novo também, o pouco que pode – mas que deve – ser feito: assinar esta PETIÇÃO.


Lisboa, 28 de Agosto de 2010:


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Sempre me pareceu que o nosso destino estava ligado a rolhas


«Rolhas de cortiça portuguesa invadem passagem de ano.» E se convencêssemos uma pequena percentagem dos chineses a não usar outra coisa, nem Portugal inteiro cheio de sobreiros chegaria para as encomendas.

(Estivemos também sempre ligados à «Lei da Rolha», tão bem glosada por Bordalo Pinheiro.)
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28.12.11

Querida tecnologia


1956: este disco da IBM pesava mais de uma tonelada e tinha um capacidade de 5 MB (megabytes).

Há cerca de 20 anos, um disco de 5 GB (gigabytes) custava 10.000 contos. Hoje, comprei um de 500 GB por 50 euros.

Daqui, via Virgílio Vargas no Facebook.
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E se a próxima troika já for chinesa?


Desde que foi anunciado que a empresa que gere a barragem das Três Gargantas vai participar no capital da EDP que não me sai da cabeça uma pequena história, que não terá mais do que um valor puramente simbólico, mas que guardo dos três dias em que naveguei pelo rio Yangtze, antes de chegar à barragem em questão.

Como se sabe, a subida as águas do rio fez desaparecer do mapa muitas aldeias e mais de um milhão de pessoas teve de ser deslocado para outras paragens. Quando lá estive, o processo ainda estava em curso e, através do guia que me acompanhava, «conversei» com uma rapariga que vendia bugigangas a turistas, junto de um pequeno pagode, numa escarpa onde um bote nos deixou. Explicou que ia sair dali e que a família já deixara aquele local que, pouco tempo depois, ficaria inundado. Estavam agora longe? Não, nem por isso: só a dois dias de viagem, de comboio…

Atenção, pois: para qualquer gestor chinês, Portugal não tem mais de um centímetro, Bragança fica no mesmo quarteirão que a Rua Augusta de Lisboa e um jardineiro de Aveiro pode levantar-se cedinho e ir tratar dos campos de golfe no Alvor. Oxalá não venhamos a ter saudades da troika de 2011! Oxalá…
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Quando já nem os mortos cooperam!...

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Salvar o euro?


Assino por baixo:

«Mas a Europa vive um dilema: salvar o euro sem mudar a sua arquitectura e sem democratizar a União terá o mesmíssimo efeito que deixá-lo. Se alimentarmos a ilusão que podemos salvar a moeda destruindo a economia e as democracias nacionais o fim será o mesmo, mas ainda mais destrutivo. Quem julga que pode sacrificar tudo em nome do euro não percebe o que tem de salvar ao salvar o euro. Só uma reconstrução das instituições europeias e da política económica e monetária da União poderá salvar a Europa do buraco em que se enfiou.»

Daniel Oliveira, hoje, no Expresso online.
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27.12.11

And the winners will be…


Quem tenha lido apenas o título de uma notícia divulgada hoje pelo Público poderá não ter realizado o alcance das previsões para as maiores economias a nível mundial, feitas pelo CEBR (Centre for Economics and Business Research): BRIC ultrapassam potências da UE até ao fim da década.

Vale a pena ler a notícia na íntegra e, talvez sobretudo, olhar para um quadro que não está disponível online e onde são bem visíveis as mudanças de posições no «pódio», com especial destaque para as subidas da Rússia e da Índia e descidas da Alemanha e do Reino Unido, da França e da Itália.


2011
2020
1
EUA
EUA
2
China
China
3
Japão
Japão
4
Alemanha
Rússia
5
França
Índia
6
Brasil
Brasil
7
R Unido
Almanha
8
Itália
R. Unido
9
Rússia
França
10
Índia
Itália


«A Europa deverá passar por uma "década perdida", de baixo crescimento, e outros países irão ocupar o seu lugar entre as principais economias mundiais. Em 2020, os EUA, a China e o Japão vão manter-se à frente do ranking, mas os lugares seguintes passarão a ser ocupados por países emergentes.»

Em vez de ignorar a realidade, mais vale assumi-la e interiorizá-la.
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Dito por aí (8)

@João Abel Manta

«A questão é que a democracia é, antes de tudo o mais, igualdade e liberdade. E as "reformas" cavam mais fundo o fosso das desigualdades, sendo que para vingarem exigem mão de ferro e pouco barulho. (…)
As alegadas "reformas" em curso são apenas uma dose cavalar da política de todos os governos das últimas décadas. O resultado, segundo a OCDE, é que o fosso entre ricos e pobres atingiu agora em Portugal o nível mais elevado dos últimos 30 anos. E daqui para a frente será sempre a piorar.
Políticas deste tipo são inevitavelmente fontes de confronto social em que os governos intervêm pela força da repressão. E as ameaças do poder não deixam dúvidas quanto a intenções repressivas. Depois dos socialistas terem metido o socialismo na gaveta, chegou a vez de os social-democratas meterem a democracia no baú.»
João Paulo Guerra, Democracia

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«Esqueça o "Trivial Porsuit". O jogo das noites de 2012 será tentar descobrir uma ideia, uma "representação que se forma no espírito", uma "percepção intelectual" ou um "pensamento" nas 812 palavras da mensagem de Natal do primeiro-ministro. (…)
“Um Bom Natal e um Feliz Ano Novo", como disse Passos Coelho (foi impressão minha ou ouviu-se mesmo, em fundo, o sinistro riso de Muttley?)
Manuel António Pina, Jogue e instrua-se

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«Não é preciso ser economista para ver que o que temos pela frente é um panorama para 2012 e 2013 de aprofundamento de uma recessão que deixará o país perante problemas não resolvidos, que a austeridade promete resolver.
A austeridade deixará Portugal em piores condições para enfrentar os problemas da dívida e do défice, para não falar nos problemas novos que cria.
Há ainda a possibilidade de um país da UE, como a Itália, entrar em incumprimento, desencadeando uma série de incumprimentos sucessivos, e isso é, paulatinamente, o euro a desagregar-se, o projecto europeu a desagregar-se, ou pelo menos a transformar-se, ficando apenas um pequeno núcleo de países no euro e um número maior de países a regressar a moeda nacionais.»
José Castro Caldas, Temos pela frente um panorama assustador
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Novo blogue

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Chama-se Elísio Estanque e o próprio anuncia-o como é «um espaço de divulgação de textos académicos e de opinião crítica sobre a realidade social e política». A seguir com atenção.
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«Para sair da crise…»


No Público de ontem, uma longa entrevista a Eric Toussant, concedida durante a sua última estadia em Lisboa para participar na Convenção da «Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública».

Alguns excertos e conselho e leitura na íntegra:

«Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sim os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos (…) estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problema é a crise privada dos bancos. (…)

Esses planos vão piorar a situação desses países [Grécia, Portugal e Irlanda], isso é absolutamente claro. A redução maciça das despesas públicas e do poder de compra da maioria da população vai diminuir a procura e as receitas fiscais e provocar ainda mais necessidade de o país se endividar para pagar a dívida. (…)

A auditoria é um processo promovido sobretudo por cidadãos para romper o tabu da dívida soberana, que nunca se discute nem se analisa. Até pode ser má, mas há que pagá-la, porque uma dívida paga-se sempre, quando, na realidade, tanto ao nível de um particular, de uma empresa ou de um Estado, uma dívida ilegítima, ilegal ou imoral é uma dívida nula. (…)

Há uma chantagem da troika, que dá crédito para pagar aos credores, que são eles próprios e os bancos dos países do Centro europeu, e, em contrapartida, exige austeridade. Não há dúvida: é uma dívida ilegítima.»

P.S. – Para uma melhor compreensão do pensamento de Eric Toussaint, ouvir uma longa intervenção em seis pequenos vídeos, gravada durante uma outra visita a Lisboa.
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26.12.11

Lá que os alemães fazem bem coisas destas…

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(Ver em modo «tela cheia».)
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Se o país todo se desengravatasse é que era


E se não aumentassem os dias de trabalho, que obrigam a gastar mais em ar quente ou ar frio, e se fossem sendo progressivamente dispensadas mais peças do vestuário, e se…, e se…, até se diminuíam umas décimas do malfadado deficit, contribuíamos para a felicidade dos nossos queridos governantes e recebíamos mais elogios da benemérita troika.

A propósito desta notícia e da crónica de Manuel António Pina no JN de hoje.
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Hoje até há melhores detergentes

«O governo não há-de cair porque não é um edifício. Tem que sair com benzina porque é uma nódoa.»

Eça de Queirós, 1879
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Não é preciso mandarem-nos embora

25.12.11

Natal 2011 (12) - Para terminar o dia

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Natal 2011 (11) - «Dia de Natal»


Hoje é o dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros- coitadinhos- nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua
miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus
nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso
antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de
cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra- louvado seja o Senhor!- o que nunca tinha pensado
comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão, «Dia de Natal»
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Natal 2011 (10) - Merry Capitalism

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Natal 2011 (9) - Recordar é reviver

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24.12.11

Natal 2011 (8) - Natal dos simples

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Natal 2011 (7) - Se bem me lembro


O Natal do Sinaleiro, Lisboa

(Daqui.)
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Natal 2011 (6) - Merry Crisis

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Os tempos mudam mas alguns protagonistas ainda andam por aqui

(Clicar e aumentar para ler)

Interrompo a manhã natalícia para divulgar esta pérola que me chegou ontem às mãos. Quando tanto se fala de votos de pesar, ou da falta dos mesmos, e quando a China nos entra literalmente pela casa dentro, lê-se, no mínimo com um sorriso, este texto escrito por Mário Soares, então primeiro-ministro, por ocasião da morte de Mao Tsé Tung. Comentários para quê...

«Em nome do governo português e em meu nome pessoal, peço-lhe que aceite, Senhor Primeiro-Ministro, a expressão das nossas mais profundas condolências pelo desaparecimento do presidente Mao Tsé Tung. O presidente Mao Tsé Tung foi uma personalidade que deixou uma marca na história do nosso século. O presidente Mao Tsé Tung, dirigente do povo chinês na sua longa marcha para a libertação, fundador de uma nova sociedade no centro da Ásia e representante intransigente da luta anti-imperialista, merece o respeito mundial. O seu desaparecimento é uma grande perda para o povo chinês. Mas estamos convencidos de que o seu exemplo manterá a República Popular da China na via de uma sociedade justa e consciente, o que é o objectivo firmemente fixado para o povo chinês.»

In Pekin Information, Nº45, 8 de Novembro de 1976.

P.S. - E um belo complemento que me fizeram chegar agora:
(Clicar e ampliar para ler)
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23.12.11

Natal 2011 (5) - Joy to the world

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Dito por aí (7)

@João Abel Manta

«Na sua compreensão mecânica e sem alma da realidade, os liberais destinam às massas humanas um irrecusável princípio de transumância. Nos gráficos a que rezam e nas curvas que os enlevam, os liberais conseguem vislumbrar uma racionalidade segundo a qual os indivíduos, como o gado, estão condenados a um deslocamento sazonal para locais que oferecem melhores condições. Aliás, para os liberais os indivíduos são uns sortudos: enquanto os rebanhos se têm que deslocar duas e três vezes todos os anos, as pessoas só se deslocam uma ou duas vezes na vida. A essa pastorícia dos humanos, os liberais chamam "ajustamento espacial da mão-de-obra à disponibilidade do factor trabalho".»
José Manuel Pureza, A transumância

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«Os portugueses não precisam que lhes indiquem quando e se devem emigrar - tal como respirar está-lhes no ADN. Os portugueses estão acabrunhados e com medo do amanhã, a última coisa que precisam é que os empurrem para fora do seu país. Eles irão ou não, como entenderem. Eles. Os governantes que se candidataram, ainda há pouco, a governá-los a todos, não podem, agora, querer descartar parte deles.»

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«Parece que há excesso de portugueses em Portugal. Para remediar tão desgraçada contrariedade, o Governo decidiu minguar-nos tomando decisões definitivas. (…)
Acontece um porém: e os velhos? Que fazer dos velhos que enchem os jardins e a paciência de quem governa? Os velhos não servem para nada, nem sequer para mandar embora, não produzem a não ser chatices, e apenas valem para compor o poema do O'Neill, e só no poema do O'Neill eles saltam para o colo das pessoas. Os velhos arrastam-se pelas ruas, melancólicos, incómodos e inúteis, sentam--se a apanhar o sol; que fazer deles?
Talvez não fosse má ideia o Governo, este Governo embaraçado com a existência de tantos portugueses, e estorvado com a persistência dos velhos em continuar vivos, resolver oferecer-lhes uns comprimidos infalíveis, exactos e letais. Nada que a História não tivesse já feito. Os celtas atiravam os velhos dos penhascos e seguiam em frente, sem remorsos nem pesares.»
Baptista-Bastos, A mentira e o desprezo
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Natal 2011 (4) - Shèng Dèn Kuài Lè


(Via Fernando Penim Redondo no Facebook)
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Só estamos um pouco mais atrasados do que a Grécia


… mas é para isto que nos empurram: O êxodo grego para a Austrália.

«Num cenário que faz lembrar a grande corrida ao ouro na viragem do século XX, esta gente viaja até à outra ponta do mundo à procura de uma vida melhor. Ao contrário dos antigos compatriotas, a notoriedade destes novos emigrantes é visível atendendo aos seus diplomas, ganhos à custa de muito esforço em áreas bastante difíceis. "Andaram todos na universidade, engenheiros, arquitectos, mecânicos, professores, bancários, dispostos a fazer qualquer trabalho", afirma Bill Papastergiades, presidente jurista da comunidade. "É um desespero. Estamos todos aterrorizados. Geralmente, chegam apenas com um saco. As histórias que contam são desoladoras e cada avião traz mais", confessou ao Guardian, em entrevista telefónica. (…)

Prevê-se que duas gerações se percam como resultado da grande crise económica grega. A nova diáspora, segundo os especialistas, vai quase de certeza abranger gente mais nova, com boa formação e multilingue, mas incapaz de sobreviver mais tempo num país com uma economia em queda livre, em parte devido às fortes medidas de austeridade que a Grécia foi forçada a aplicar em troca de ajuda.»
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22.12.11

Natal 2011 (3) - Imprevistos

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E la nave va


Em 2004, cheguei à barragem das Três Gargantas, ainda inacabada, depois de três dias num mini-cruzeiro no rio Yangtze. Gostava mesmo de ser capaz de imaginar o que teria então pensado se me tivessem dito que, sete anos mais tarde, a empresa proprietária da dita barragem compraria 21,35 % da EDP...
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Natal 2011 (2) - Antecipação

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Ver também isto.
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Farta


Parecerá lugar-comum mas não é: há muito que um texto não me calava tão fundo como o que Luís Januário publicou ontem no jornal «i». Sobretudo porque estou farta, fartíssima, de ver condenar, banir e ridicularizar tudo o que possa ser, ou parecer, referência a qualquer tipo de «utopias». Quem ouse sequer mencionar a palavra é atirado para o inferno de culpas de todos os males a serem punidos e arrumados para todo o sempre na prateleira dos malefícios da História. Como se o passado paralisasse o futuro neste domínio e esgotasse antecipadamente qualquer hipótese não malévola de acreditar que não estamos condenados a este «tardocapitalismo» que nos desgraça. Como se não fosse obrigatório ir vivendo o dia-a-dia «utopicamente». Tudo em nome do medo do dia de amanhã (como seria bom que fosse igual ao de ontem…), das inevitabilidades, do mal menor, dos consensos e das convergências com as suas indiscutíveis virtudes. Em nome do pavor de males maiores, remenda-se, recua-se, assusta-se e lastima-se. Ou, em alternativa, assobia-se para o lado e fala-se do sexo dos anjos.

Por tudo isso, guardarei como um tesouro este excerto da crónica do Luís:

«Finalmente a solidariedade. Baseada no individualismo e num utopismo pós-histórico. Chamemos-lhe já um paratopismo pós-histórico, porque nos chamarão utópicos os que nos querem conformar com a miserável realidade que preparam e por isso melhor será que nos antecipemos na designação. A nossa paratopia considerará as utopias históricas perigosas e construirá respostas limitadas e de mínima dimensão.

Se as respostas globais falharam, é preciso deixar ao tardocapitalismo a ilusão global. Ocupar-nos-emos dessas infinitas mínimas coisas, sem ambição total, deixando os governos, a sua corte e os seus beneficiários a falarem sozinhos num terreno queimado e cada vez mais rarefeito. Seremos monges e monjas e se for caso disso mendicantes, mas sobreviveremos ou hão-de sobreviver os nossos livros, as nossas cabanas, como a cabana de Walden, onde Thoreau pensou a desobediência civil, a nossa música, as esculturas de madeira talhadas como as figuras de Baselitz, com gorros onde se lê ZERO e relógios nos punhos assinalando a hora quase final em que escrevemos estas crónicas.»
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21.12.11

Natal 2011 (1) - É o que se pode arranjar

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Objectivos

Uma exposição em Lisboa: «A Poster For Tomorrow»


(Contributo de Jorge Pires da Conceição.)

Está patente ao público no CIUL – Centro de Informação Urbana de Lisboa (situado no 1º piso do Picoas Plaza, Rua Viriato), a exposição dos 100 cartazes seleccionados no concurso internacional de 2011 da Poster For Tomorrow, este ano subordinado ao tema «O Direito à Educação».

«A Poster For Tomorrow» é uma associação não governamental criada em França em 2009 e que pretende através da comunicação gráfica despertar a cidadania dos povos e abalar a consciência social das sociedades politicamente constituídas. Adoptou como prática principal (para além das workshop pan-africanas) o lançamento anual dum concurso internacional sob cada um dos Direitos Humanos consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, sendo por isso o 10 de Dezembro de cada ano a data de referência para a exposição simultânea em diversas cidades de todo o mundo.

Reproduzem-se as palavras de Hervé Matine, o fundador de «A Poster4Tomorrow»: «O futuro do nosso planeta está nas nossas mãos. Se quisermos criar um mundo melhor onde todos queiramos viver juntos, temos de nos dotar de uma consciência social e participar activamente no debate social. Assim, os sítios das redes sociais constituem-se hoje como a ferramenta mais eficaz colocada à nossa disposição. O nosso sucesso enquanto iniciativa independente deve-se a cada ligação estabelecida e transmitida através destes media. A internet é actualmente o nosso media para amanhã”.

Lisboa recebeu a 1ª edição deste concurso em 2009, sob o tema «The pencil is mightier then the sword», referente ao Direito à Informação, mas não expôs o do ano passado, «Death is not justice», sobre o Direito à Vida. No entanto, nos 100 cartazes seleccionados em 2010. figuravam três trabalhos de jovens artistas gráficos portugueses. Embora com atraso, conseguiu-se trazer a Lisboa a edição deste ano, com o apoio e a responsabilidade da UNICEF Portugal, da Fundação Gonçalo da Silveira e da secção portuguesa da UNESCO.

A exposição poderá ser visitada todos os dias úteis, das 10 às 20 horas, até 30 de Dezembro.
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Portugal e Grécia

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Entrevista ao economista Costas Lapavitsas que esteve na Convenção de Lisboa e explicou as vantagens de uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública.
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20.12.11

Quando ouvi o ministro Relvas…


… comentar as afirmações «muito claras e objectivas» do primeiro-ministro sobre a necessidade de os portugueses emigrarem, dizendo que «todos os dias se encontram homens e mulheres portugueses que tiveram dificuldades perante as actuais circunstâncias de viver em Portugal e partiram para outros países» e que os mesmos «são uma fonte de orgulho»; e, sobretudo, quando chamou «conservadores» àqueles que não partilham estas suas lapidares convicções, pensei imediatamente numa cantiga que a minha mãe trauteava quando eu era pequenina. Marinheiros e aventureiros, sempre os primeiros – e que um dia hão-de voltar.


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«Arriba Franco…


… más alto que Carrero Blanco» – dizia-se em Espanha, em 20 de Dezembro de 1973 (e repetia-se em Portugal).


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O Facebook é uma arma

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Pouco antes das 22:00 de 19/12, divulguei aqui (post imediatamente anterior a este) a «Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro», publicada por Myriam Zaluar no Facebook. À hora a que escrevo, 12:00 14:00 18:00 22:00 10:00  de 21/12 14:20 de 22/12, 5.536 7.682 12.177 15.780  19:370 24.433 leitores acederam directamente à Carta no blogue, numa maioria absolutamente esmagadora através do Facebook (onde 1.278 1.799 2.743 3.572  4.266 5.187 pessoas já partilharam o link). Porque o fluxo continua, irei actualizando estes dados.

Cada vez me convenço mais de que aqueles que diabolizam o Facebook não sabem realmente do que estão a falar…
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19.12.11

Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro


Este texto foi publicado hoje no Facebook por alguém que conheço pessoalmente. Tal como conheço o pai. Foi escrito pela Myriam, como podia ter sido escrito por dezenas de pessoas com quem lido diariamente ou quase. Sinto uma enorme revolta, mas pouco mais posso fazer do que dar-lhe este espaço.

Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.

Há 50 anos, mais ou menos a esta hora

Desenho de Dias Coelho

José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome. Que a memória destes factos não seja apagada

Zeca Afonso dedicou-lhe A morte saiu à rua.



Luta armada no marcelismo (1969-1974)


Exposição A Voz das Vítimas, Antiga Cadeia do Aljube
4.ª feira, dia 21 de Dezembro de 2011, às 18h

O recurso à luta armada foi uma opção relevante da oposição ao regime ditatorial, designadamente no consulado marcelista, que antecedeu o 25 de Abril de 1974.

O lançamento de acções armadas como via para o derrube do regime e de apoio às lutas de libertação dos povos coloniais foi uma das expressões dos debates ideológicos e políticos que marcaram essa fase final do regime fascista.

A diferente natureza das organizações envolvidas nessas acções corresponde à pluralidade do posicionamento político dessas iniciativas – cuja influência se alargou a momentos posteriores.

Intervenções de:
  • Fernando Pereira Marques - LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) 
  • Carlos Antunes - BR (Brigadas Revolucionárias) 
  • Raimundo Narciso - ARA (Acção Revolucionária Armada).
Na sessão, será distribuído um folheto com a caracterização sintética de cada uma das organizações e, bem assim, a lista das respectivas acções armadas.
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Factos e evidências


«No final da década de 90, David C. Korten (…) chegou a uma síntese que escandalizou o redil do pensamento formatado e único. (…): "Nos anos 80, o capitalismo triunfou sobre o comunismo; nos anos 90, vai triunfar sobre a democracia". Foi necessário passar uma década para que a ideia se transformasse numa constatação não só inegável mas até mesmo palpável: a crise e as medidas alegadamente anticrise estão a trazer consigo cada vez mais autoritarismo, supressão de direitos humanos e repressão.

Portugal é um cadinho provinciano da experiência. A austeridade - num País que vende em saldo um banco onde o Estado enterrou e vai continuar a enterrar milhares de milhões - atinge a classe média e estratos mais pobres da população, reforçando o nada honroso título português de campeão europeu da desigualdade. (…)

Quase três décadas após 1984, estamos em vias de banir as palavras perigosas. Está na hora de voltar à leitura de George Orwell, ajudando a prever, e a prevenir, o pior dos mundos, seja qual for a cor do totalitarismo. A ditadura dos mercados confirma as mais soturnas previsões.»

João Paulo Guerra, Capitalismo.Na íntegra AQUI.
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18.12.11

Salazar e a anexação de Goa

@João Abel Manta

Exactamente há 50 anos, o «império português» levou uma grande machadada com a anexação de parte do seu território pela União Indiana. Informação não falta hoje para nos recordar os acontecimentos, em quase todos os meios de comunicação social.

Mas tenho à minha frente o texto do célebre discurso que Salazar fez sobre o assunto na Assembleia Nacional, em 3 de Janeiro de 1962 (lido, relido e por mim sublinhado…), e não resisto a trazê-lo para aqui (*). É um longo elogio ao «pequeno país» que manteve o seu território «com sacrifícios ingentes», ignorados e combatidos por quase todos e, antes de mais, pela ONU, desde sempre objecto de um ódio muito especial do ditador. Não se desse o caso de o texto ser tão longo (24 páginas A5), digitá-lo-ia; assim, ficam algumas passagens.

Desde logo, a primeira frase: «Não costumo escrever para a História e sinto ter de fazê-lo hoje, mas a Nação tem pleno direito de saber como e porque se encontra despojada do estado Português da Índia». Escrever para a História…

«Não sei se seremos o primeiro país a abandonar as Nações Unidas, mas estaremos certamente entre os primeiros. E entretanto recusar-lhes-emos a colaboração que não seja do nosso interesse directo.» Ainda sobre as Nações Unidas, dirá também que «na melhor das hipóteses se encontram antecipadas de séculos em relação ao espírito dos homens e das sociedades», e que há que perguntar se vamos no bom caminho «quando se confiam os destinos da comunidade internacional a maiorias que definem a política que os outros têm de pagar e de sofrer».

Mas a cereja em cima do bolo é mesmo a frase trágica e heróica com que o discurso acaba e que, essa sim, é amplamente conhecida: «Toda a Nação sente na sua carne e no seu espírito a tragédia que se tem vivido, e vivê-la no seu seio é ainda uma consolação, embora pequena, para quem desejara morrer com ela.»

Com a releitura de tudo isto, volta a recordação do ambiente tenebroso em que este país viveu durante décadas. Que deixou marcas profundas.

(*) Estava afónico «com as emoções das últimas semanas» e quem o leu, de facto, foi Mário de Figueiredo.
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Quando já não houver dinheiro para pagar telemóveis, volta-se atrás…

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Professores, a nova prioridade na lista das exportações


Quando os meus pais emigraram para Moçambique porque as condições de trabalho na «metrópole» eram muito más, na primeira metade do século passado, levavam na bagagem uma «Carta de Chamada». Tratava-se de um documento assinado e enviado por um comerciante ou um funcionário público local, que se responsabilizava pelo candidato a emigrante. E nem sempre era de fácil obtenção.

Ainda há hoje alguns entraves para assentar arraiais, por exemplo em Angola, mas a «cooperação» promovida pela nossa diplomacia económica, com o dr. Portas ao leme, oleará os circuitos e tentará encher charters com professores destinados a Luanda ou a S. Paulo.

Tudo isto a propósito destas inacreditáveis declarações do primeiro-ministro, que merecem ser ouvidas e vistas.



Se preferirem em versão televisiva: «Você é o elo mais fraco. Adeus!»

(Regressa, Alexandre Miguel Mestre, porque estás perdoado.)
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