25.7.11

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Boas notícias, hoje pela manhã, para começar bem a semana, neste texto que Jorge Nascimento Rodrigues publicou no Expresso online: Cimeira europeia: Grécia saiu prejudicada.

Alguns excertos:

«A cimeira europeia de quinta-feira passada (21 de Julho) acalmou os analistas e os políticos. Os analistas acreditaram, de imediato, que o default iminente grego tinha sido afastado. (…)

Uma das novidades da cimeira de Bruxelas foi a inclusão de uma reestruturação da dívida grega em mão de credores privados, assumida como "solução excepcional e única para a Grécia".

Ricardo Cabral, economista e professor da Universidade da Madeira, fez as contas sobre a solução de reestruturação selectiva da dívida para a Grécia e concluiu que "a proposta de reestruturação [pelos credores privados], ao contrário do que argumenta o The Institute of International Finance (IIF), é muito benéfica para os credores, porquanto, de acordo com estimativas que efectuei, não reduz o valor actual da dívida grega [em mão de privados] em 21% (haircut, "corte de cabelo", na gíria) como alegado pelo IIF, antes o aumenta significativamente. Os credores internacionais não só não perdem como ainda ganham". (…)

E prossegue: "O que a minha estimativa indica é que quem comprou dívida grega pouco antes da cimeira europeia tem, após o acordo de reestruturação de dívida do IIF, uma expetativa de ganho, no longo prazo, de cerca de 130%. Mas, mesmo um investidor que tenha adquirido a dívida aquando da sua emissão pelo governo grego também fica a ganhar porque a divida emitida pela Grécia com um valor facial de €135 mil milhões passa, após o referido acordo, a ter um valor actual de €157 mil milhões, ou seja, mais 16%".

"A taxa de juro paga pela Grécia para os €135 mil milhões de dívida que será reestruturada sobe para um patamar entre 5.4% e 6.4%.”»
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