14.11.08

Bloggers assexuadas?

ADENDA (*)

Ainda pensei passar pelo IV Encontro de Blogues, em parte para ouvir o que se diria, como resultado de um estudo, sobre Os bloggers têm sexo? Contributo para o mapeamento da participação feminina na blogosfera. De vez em quando, fazem-me umas perguntas sobre o tema e nunca sei muito bem o que opinar.

Mas o DN traz hoje o que parece ser um resumo do que lá vai ser dito e dou-me por satisfeita. Se o parágrafo que se segue corresponde a uma das conclusões do referido estudo, estamos conevrsado(a)s:

«Os homens participam na blogosfera por causa da cidadania, intervenção, debate e da troca de conhecimentos. Elas referem a apresentação de pontos de vista e actualizam os blogues com menos frequência, sendo que nenhuma o faz diariamente.»

Shyz, Ana, Jonas e tantas outras, esqueçam a cidadania e o debate, nunca, mas nunca escrevam todos os dias e, sobretudo, apresentem os vossos «pontos de vista» - vá lá saber-se sobre o quê, mas pode ser sobre receitas de cozinha ou sobre o guarda-roupa da senhora Obama.


(*) A conversa continua
aqui perto.

28 comments:

Ana Matos Pires disse...

Pois...

http://womenageatrois.blogs.sapo.pt/1006636.html

FuckItAll disse...

Vou ter muito cuidado de futuro, obrigada, Joana. Não queremos complicar a vida aos senhores do fast-thought.

D. Ester disse...

que engraçado, tinha recebido informação sobre esse encontro mas achei que devia ser uma estopada. Agora que sei isso vou já escrever um ponto de vista. Faz-me lembrar as aulas de educação visual da escola preparatória; eu, que nunca tive jeito para o desenho, decidi safar-me da tarefa de retratar o que via de uma das janelas da sala de aula cingindo-me a um dos rectângulos da parede envidraçada, desenhando um telhado horizontal com duas empenas de lado. O professor ficou furioso, mas eu expliquei-lhe que tinha sido o meu ponto de vista e que tinha levado à letra a instrução "o que vêem de uma das janelas". Infernizar a vida aos professores mediocres logo desde tenra infância, pobres deles. Vingou-se dando-me sempre a nota mínima para aprovar.

Mª João Nogueira disse...

Eu estive lá, e ouvi esse paper.

O que tenho a dizer é que a comunidade académica anda muito distante e afastada da realidade.

Muito citado o estudo da Obercom, que foi publicado em Abril deste ano, mas cujos dados trabalhados tinham sido recolhidos em 2004.....

Joana Lopes disse...

Obrigada a todas (que diabo: não há um leitor que comente, são só mulheres?!!!).

Mais concretamene para a Mª João: quando vi o DN, ainda olhei para o horário do Encontro, mas era tarde para lá dar um salto porque estava a decorrer a dita sessão.

Além disso e para todas: eu não sou nada entusiasta/defensora dos chamados blogues feministas, nem sei muito bem o que isso seja. Agora ler, em 2008, que se pode concluir de um estudo que NENHUMA mulher escreve em blogues todos os dias e que «elas» se limitam a exprimir «pontos de vista» (???) e não a terem outro tipo de intervenção, parece-me aboslutamente descabido.

D. Ester disse...

Joana, é que dar "um ponto de vista" é precisamente a maneira de intervir, debater e trocar conhecimentos. Mas isto sou eu, que sou mulher - e acho que digo muito no que fica no meio das minhas palavras. Coisas.

Shyznogud disse...

Cá venho eu fazer de advogada do diabo. Um estudo baseado em respostas a questionários não pode inventar dados, as autoras ativeram-se, pelo q percebi, às respostas q lhes foram dadas. Poderemos é questionar a escolha daquela amostra para daí tirar conclusões sobre a blogosfera.

José Eduardo de Sousa disse...

Vá lá aparece um homem. E este com alguma vergonha de o ser, neste caso. Construímos, todos, esses géneros, homem e mulher. Não sei que grau de “fatalidade” existiu nisso. Mas acabemos com essa construção de género o que, sendo fácil de dizer, será bem difícil de obter. Mas julgo ser tal coisa uma profunda corrente que trabalha os nossos tempos. Há hoje, indo do macho à fêmea, diversos géneros, o que naturalmente, tornando mais relativos dois deles, não anula a exigência do desaparecimento de todos.
Aborrece-me que, nos tempos de hoje, haja ainda formas masculinas tão estúpidas de manter as coisas como as herdámos . Tenho a esperança de que se trate duma enormidade do DN. Tenho dúvidas que um “estudo” chegue ao ponto de afirmar que “nenhuma mulher o faz diariamente” e cubro isso com a ideia que tenho de que os medias são um interminável blá-blá desmiolado. Para meu conforto, claro.
Peço desculpa por me afastar do tom dos outros comentários.

Joana Lopes disse...

Certo, Shyz, depende da amostra. A páginas tantas, fala-se de 7% de mulheres em 88 respostas, o que dá 6. Se algo foi conclcuído daí...

Ana Vidigal disse...

"Além disso e para todas: eu não sou nada entusiasta/defensora dos chamados blogues feministas, nem sei muito bem o que isso seja."

Querida Joana:
Um blogue feminista,é um blogue que é redigido ou moderado por feministas. Lamento que não seja entusiasta de tal.
Aconselho vivamente a leitura de dois textos de Madalena Barbosa, no seu livro "Que força é essa:
"Feminismo e..." pag. 90 a 98 e
"O que querem afinal as mulheres?" pag. 106 a 107.
E termino com este pequeno excerto:
"O feminismo desde sempre diz ser a humanidade composta por homens e mulheres, sendo que o poder se tem mantido masculino. Neste sentido as mulheres são um grupo social oprimido. Neste sentido são as mulheres que têm que acabar com essa opressão. (...) Há quem diga que apartir do momento que existem leis igualtárias o feminismo não tem razão de existir. Mas o feminismo nunca foi só uma questão legal. Os feminismos tem acompanhado a história, e têm sido aquilo que a cada momento as mulheres e alguns homens feministas consideram que era preciso.
Para além da reflexão teórica, têm denotado um acentuado sentido practico e de uma grande flexibilidade - o que se diz ser uma caracteristica feminina. Mas continuam a existir porque a razão da sua existência se mantém - a humanidade é composta por mulheres e homens que continuam a deter um poder profundamente desigual, independentemente do trabalho e das capacidades que possuem" .

Sabe Joana,tornei-me feminista quando comecei a ser discriminada. E sabe quando isso aconteceu?
Quando comecei a fazer "sombra" aos homens.
Saudações feministas,
ana vidigal

Shyznogud disse...

Já agora mais uma observação: o erro em q se cai sistematicamente é o de considerar a blogosfera como um todo, qdo efectivamente sobre o grande chapéu de chuva de uma (várias, pronto) plataforma técnica se abrigam uma multiplicidade de universos q só se tocam episodicamente. Ou seja, todas as análises dependem da blogosfera de q falamos.

Shyznogud disse...

E mais outra provocada pelo comentário da Jonas: a comunidade académica confunde, arrisco eu, blogosfera com blogosfera política. Voltamos à conversa de outro dia dos "blogs que são blogs", n'est pas?

João Gaspar disse...

exacto, shyz. essa é a questão.

discutir "a blogosfera" é como falar sobre literatura não separando o tolstoi da alexandra solnado.


discutir a ferramenta blogue sem perceber isto parece-me que resultará pouco profícuo.



ps: já tinha aqui passado sem comentar, joana. não sei porquê mas li as conclusões do estudo e, uma vez sem exemplo, não me apeteceu comentar palermices.

aliás, tirando aqueles blogues cor de rosa de mães babadas, os posts que leio não têm sexo (género, vá), ou pelo menos isso é pouco relevante para o que lá está escrito.

Ana Cristina Leonardo disse...

mais valia concluírem logo que os blogues de mulheres são mais dados ao sentimento...

Raimundo Narciso disse...

Tenho que estar mais atento. Atão na é q estou a actualizar com menos frequência e a apresentar pontos de vista!
Estarei a mudar de sexo?

Joana Lopes disse...

Ontem, fui publicando os comentários que iam chegando, mas não tive tempo para responder a muitos. Vejo agora que já se completaram uns aos outros e passo à frente, excepto num caso.

Ana (Vidigal),
Não te zangues porque não vale a pena. O tema daria para uma longa conversa (podemos tê-la), difícil numa C. de Comentários.

Há muito que tenho dificuldade em me situar em «ismos». No entanto, considero-me humildemente feminista (certamente não tão militante como tu, pelo que leio). Mas, sinceramente, não sei se «Um blogue feminista é um blogue que é redigido ou moderado por feministas». Não sei se o Brumas é feminista, nunca tinha pensado nisso e devo dizer que a dúvida não me tira o sono...

Não sou feminista por sentir ou ter sentido pessoalmente descriminação, fazendo ou deixando de fazer «sombra aos homens». Sou, sempre fui, especialmente insensível a esse tipo de situações – passam-me ao lado quando me dizem respeito. Não é virtude, é pura e simplesmente feitio.

Um abraço

ana Vidigal disse...

Joana:

"Não te zangues porque não vale a pena"

Por acaso não estava zangada. Reli várias vezes o meu comentário e a conclusão a que cheguei é que a Joana nunca me viu "zangada".

"Mas, sinceramente, não sei se «Um blogue feminista é um blogue que é redigido ou moderado por feministas»."

São pelo menos redigidos ou moderados por quem não é "humildemente" feminista.

"Não sou feminista por sentir ou ter sentido pessoalmente descriminação, fazendo ou deixando de fazer «sombra aos homens».
Sou, sempre fui, especialmente insensível a esse tipo de situações – passam-me ao lado quando me dizem respeito."

Mas então qual a razão do seu post
"bloggers assexuadas"?
Parece-me haver aqui alguma contradição.

E para terminar (poderemos continuar claro fora desta caixa de comentários)volto a dizer que não estou zangada.
Estou é vigilante e atenta para que as minhas sobrinhas sintam orgulho de ter uma tia que luta pelos seus direitos (das mulheres) sem ter medo de ser chamada de feminista.

Joana Lopes disse...

Ana,

Apenas quanto à «contradição» apontada. Eu só disse que, PESSOALMENTE, nunca fui sensível ao facto de ser discriminada por questões de género (e dizem-me que fui). Isto não significa que não o seja de um modo geral – ou este blogue não teria publicado dezenas de posts sobre o assunto.

Já agora: espero nunca te ver zangada...

Ana Matos Pires disse...

Só um ponto, Joana e Ana, não me parece que as autoras se tenham debruçado, um minuto só, sobre blogues feministas.

Mª João Nogueira disse...

Não, de facto nada tinha a ver cm blogs feministas.

Foi uma apresentação que abordava a temática da autoria de blogs, por parte de mulheres (e como é que se sabe se é uma mulher ou se é um homem?), e sobre as temáticas mais frequentemente abrdadas pelas mulheres (bebés e coisas assim).

Foi..... digamos que, pouco representativo da blogosfera real.

Joana Lopes disse...

Já agora, Mª João e porque a Ana MP já levantou a questão mais de uma vez: no Encontro de blogues, as conclusões baseavam-se nos dados resultantes do estudo feito no Minho ou em mais do que isso?

Luísa Teresa Ribeiro disse...

Caras/os bloggers,

É com enorme satisfação que vemos a nossa apresentação ser comentada de forma tão acalorada, especialmente por quem não esteve no IV Encontro de Blogues.

Um dos objectivos do trabalho é, justamente, problematizar a participação feminina na blogosfera, o que nos parece estar a ser inteiramente conseguido.

Tal como o nome da comunicação indica, o que apresentámos no Encontro de Blogues foi um "contributo para o mapeamento da participação feminina na blogosfera", o que significa uma abordagem sobretudo teórica ("estado da arte") desta problemática.

Uma vez que esta é uma matéria insuficientemente estudada, quisemos fazer um enquadramento da questão, chamando a atenção para aspectos como a representação que os media têm feito das mulheres, o papel das novas tecnologias, a identidade no ciberespaço e alguns dos indicadores da participação das mulheres neste universo (onde se inclui o estudo do OberCom), tal como se pode ver na apresentação, que está disponível em http://osbloggerstemsexo.blogspot.com/.

O que levámos ao Encontro de Blogues é uma parte de um trabalho que tem uma parte empírica, que será apresentada no I Congresso de Ciberjornalismo, que decorrerá em Dezembro, no Porto, com o título "As vozes femininas na blogosfera: um olhar sobre a realidade do Minho".

Mais uma vez, tal como o título indica, trata-se de "um olhar" sobre uma realidade particular a nível regional. Nessa parte empírica, centrámo-nos no blogue eleito como o "blogue cidade/região" em 2007, de onde partiu uma iniciativa cívica com impacto na agenda pública bracarense.

A metodologia passou pela recolha dos contactos de e-mail disponibilizados pelos bloggers dos (na altura da recolha) 91 blogues do blogroll regional do "Avenida Central" (http://avenidacentral.blogspot.com) e pelas pessoas que participaram nessa iniciativa cívica (uma petição online). Obtivemos 88 respostas válidas, sendo, segundo sexo declarado pelos inquiridos, 80 homens, 6 mulheres e 2 não identificados. Alguns dos dados recolhidos são os que são apresentados no artigo do DN.

Em momento algum afirmámos que os dados são generalizáveis. Fizemos questão de sublinhar nos títulos e ao longo dos trabalhos que estão em causa contributos para o estudo desta questão. Apenas isso.

Quanto aos mimos à comunidade académica, a esta área aplica-se o mesmo que à blogosfera. E o barrete não nos serve. Obrigada.

Joana Lopes disse...

Cara Luísa Teresa,

Obrigada pelo seu contributo. Apenas algumas considerações:

1 - Como terá notada, houve quem aqui comentasse e tivesse estado presente no Encontro.

2 - Mesmo que seja só para um «olhar», parece-me (se bem entendi o que aqui disse e já vinha no DN), um conjunto de 6 mulheres é mesmo muito reduzido...

3 - Nem que seja pela amostra nos comentários a este post, tem à sua disposição, para futuros estudos, mais bloggers-mulheres.

Cumprimentos.

Shyznogud disse...

Presumo que a última frase dos "mimos" seja dirigida ao meu comentário. Aquilo não um mimo, é uma constatação da realidade. Passa-se o mesmo nos media, que tendem a valorizar/analisar apenas a blogosfera política. O que é um erro crasso.

Mª João Nogueira disse...

Cara Luísa Teresa Ribeiro,

Pode ser que o mimo tenha sido o meu, quando digo que a comunidade académica anda afastada da realidade, mas mantenho.

O simples facto de usar o estudo do Obercom como base seja para o que for é sinónimo disso mesmo, como tive oportunidade de lhe dizer durante a sua apresentação, na Católica. O estudo foi publicado em Abril deste ano, e remete a dados recolhidos em 2006, portanto, caducos e sem qualquer utilidade científica. A Blogosfera debateu isso na altura, fica aqui o meu contributo (http://jonasnuts.com/188764.html9)

Deixo-lhe aqui um convite, se quiser fazer um estudo sobre Blogs, tem à sua disposição o universo total de Blogs do SAPO. O SAPO partilha dados estatísticos para fins académicos e teremos muito gosto em partilhá-los consigo, se quiser aprofundar esta questão num universo maior do que as 88 respostas ao vosso questionário. Temos 230.000 Blogs registados, e mais de 2 milhões de posts. Bem sei que não é fã da plataforma do SAPO (na imagem que tem, no osbloggerstemsexo mostra o wordpress, o Blogspot e o weblog.com.pt, excluindo os Blogs do SAPO vá-se lá saber porquê), mas nós temos os dados, a Luísa tem a curiosidade e a vontade, parece-me ser fácil de juntar o melhor de dois mundos. É só querer, embora essa seja, às vezes, a parte mais difícil.

Luísa Teresa Ribeiro disse...

Car@s bloggers,

O que queremos sublinhar é que este é o nosso contributo para uma primeira abordagem da problemática. Nunca, em momento algum, pretendemos que o estudo fosse aquilo que não é.

O objectivo não era, nesta fase inicial, fazer uma investigação com uma grande abrangência, para a qual será inclusivamente necessário aperfeiçoar metodologias.

Da mesma forma, também não nos identificamos com a imagem do académico que vive desfasado da realidade. Não olhamos para a blogosfera como o turista que vai ao jardim zoológico, até porque fazemos parte dela, como podem ver pelos nossos blogues.

Cara M.ª João Nogueira, registamos com muito agrado a disponibilidade para um trabalho conjunto, que será certamente muito proveitoso. Agora que sabemos quem somos e os interesses que nos unem, poderemos potenciar as sinergias existentes.

Agradecemos a disponibilidade de tod@s, que certamente iremos aproveitar em futuros trabalhos.

Jonas disse...

As meninas da apresentação devem ter ido repetir a dose ao congresso.

http://marretas.blogspot.com/2008/12/so-para-contrariar-acabaram-de-dizer.html

:)

Joana Lopes disse...

Já lá deixei um pedido de link. Tentei tb deixar aqui, mas não hà comentários.

http://umolharsobreablogosfera.blogspot.com/