26.11.08

Também tu, Gramsci?








Um arcebispo romano terá dito recentemente que Antonio Gramsci se converteu ao catolicismo, recebeu os últimos sacramentos e seria devoto de santa teresinha do menino jesus.

A ser verdade, não foi o primeiro – e não terá sido o último – a substituir uma fezada por outra. (Amanhã, vou ler o Avante! com uma atenção redobrada.)

(Fonte)

5 comments:

Luís Bonifácio disse...

Na hora da aflição não existem ateus

Anónimo disse...

Já não vamos cá estar, mas mesmo assim ainda aposto que daqui a uns 70 anos ainda vai aparecer um caramelo qualquer a dizer que o Alvaro Cunhal era devoto da irmã Lucia, e se converteu no dia 26 de Abril de 1974.

Eduardo Lapa disse...

O que há de extraordinário, em 2008, que um comunista, mesmo tendo sido um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, e mais tarde seu líder, fosse ou se tivesse tornado católico; não dá para entender.

Ou talvez dê se, o que parece estar implícito nesta estória, se pretende representar o comunismo como uma religião, e afirmar que, no momento da verdade, Gramsci o terá mandado às urtigas, e adoptado o, mais respeitável e seguro, catolicismo; não há mesmo pachorra.

Já agora, aproveita-se a oportunidade para deixar a informação, esta incontroversa, de que a Columbia University Press, New York, está a publicar a primeira edição crítica dos Prison Notebooks, editada e traduzida por Joseph A. Buttigieg, tendo o 3º volume saído em 2007.

José Eduardo de Sousa disse...

De facto, aquela notícia sobre o Gramsci pode trazer-nos um certo alvoroço. E talvez tenha sido o que aconteceu com a Joana Lopes. Eu abrir mais a boca por ser um arcebispo a anunciar tal novidade. E logo suspeitava de uma coisa de padres.
Eduardo Lapa, nós não estamos em 2008, estamos em 1937, quando Gramsci morreu. O extraordinário de tal conversão estaria na própria obra de Gramsci (que eu conheço mal e por via indirecta, o que apenas venho confessar para tentar ser honesto). E o extraordinário não está, pois, na sua militância política. Outros, muitos, militantes, ao longo dos tempos, se foram convertendo a vários credos. No tempo de cadeia, até parece que divergia da orientação política que o PCI seguia. Li, algures, e espero que isto valha mais do que a revelação do arcebispo, que o irmão de Gramsci não transmitia ao Partido tudo o que o irmão lhe dizia, durante as suas visitas como familiar, com medo de que o PCI o expulsasse.
Pois estamos em 1937, com a Guerra Civil em Espanha, a Frente Popular em França, o avanço do nazismo e Gramci converte-se ao Catolicismo! Embora à hora da morte, mas logo como devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus. Tê-lo-ia sido por muito tempo? Incrível, para não dizer que não é crível! Que o Santo Arcebispo me perdoe por não acreditar no que diz. Se disse... os mídia são muito fantasistas.
A informação que deixa é boa. Obrigado.

Jorge Nascimento Fernandes disse...

Já agora que alguns comentadores fazem referência à publicação em inglês dos Cadernos do Cárcere, gostaria de meter a minha colherada, não só remetendo estes leitores para o meu post sobre este da Joana Lopes, mas também para as referências bibliográficas que lá dou. Ver: http://trix-nitrix.blogspot.com/2008/11/substituir-uma-fezada-por-outra-ou.html