29.4.07

«Ufanosos do nosso ideal»

Sempre tive um fascínio por hinos. Não chega para que me dedique à hinologia, mas a verdade é que me intrigam. Guardo na memória uns tantos – sabe-se lá como e porquê –, que sei de cor há muitos anos. (Será por isso que escolhi para título do meu livro um verso do hino nacional? É bem possível...)

Antigamente, ensinavam-nos muitos. Já nem falo dos religiosos propriamente ditos, mas dos da pátria, das escolas, das organizações.

O que me impressiona é que os hinos se entranham de tal maneira em quem os interpreta que conseguem fazer esquecer o conteúdo. Quem canta um fado, pensa no que está a dizer – não quem canta um hino. Os hinos desempenham um papel puramente simbólico que oculta todos os possíveis despautérios escondidos na letra. Dizem-se, convictamente, palavras estranhas e absolutamente desconhecidas. Quando oiço os garbosos jogadores da selecção nacional de futebol, perfilados antes dos jogos internacionais, pergunto-me se algum deles já parou para tentar saber o que são «egrégios avós»...

Vem tudo isto a propósito de um mail que o Abílio Tavares Cardoso me enviou ontem, com a pérola abaixo transcrita. Parece que isto foi cantado, pelo menos, até 1960...



Hino do Seminário de Santarém

Mocidade a vibrar generosa
Nós a vimos a Cristo ofertar
E seremos a luz radiosa
Para a senda do bem apontar

Prometemos p’la nossa bandeira
Evitar o que ao mundo seduz
E espalhar pela Pátria inteira
A doutrina pregada na Cruz

Refrão

Ufanosos do nosso ideal
Eia avante por Deus com ardor
E faremos surgir Portugal
P’ra uma aurora de paz e de amor

1 comments:

que deus me acuda disse...

Também pode pensar-se ao cantar um hino; a mim, desde criança, fez-me confusão que "contra os canhões" se marchasse. Talvez porque alguma coisa se pense, no nacional, as vozes são mais numerosas e mais vibrantes quando se trata de cantar "às armas".