20.12.09

Espantar e divertir a populaça


«O senhor de Paredes que resolveu gastar um milhão de euros numa placa inútil e horrível com a bandeira da República é um caso único ou é, para nossa desgraça, um caso típico? A disputa sobre o Red Bull infelizmente indica, que é um caso típico. As Câmaras estão hoje misteriosamente persuadidas de que lhes compete espantar e divertir a populaça: com "acrobacia aérea" ou o Rock in Rio, com festas, com feiras, com o que for. Pior ainda: pensam que só por si a publicidade (qualquer publicidade) do seu canto do mundo o beneficia. A ignorância e a grosseria tomaram pouco a pouco conta do país. Não temos, de facto, emenda.»

Vasco Pulido Valente, no Público de hoje.

7 comments:

jorge disse...

Discordo com Pulido Valente. Em primeiro lugar porque os casos apresentados são totalmente diferentes e incomparáveis. Senão vejamos: o mastro de Paredes não tem retorno financeiro e o RBAR tem.
E esse retorno traduz-se em receita para os comerciantes e demais empresas envolvidas em todo o evento. Falamos em contratos publicitários bastante onerosos e um aumento do volume de negócio a 300 ou 400% que não se reflecte apenas nos dias das corridas mas como também nos dias de treino onde circulam centenas e centenas de turistas que ocupam hotéis para os quais o comum português não tem dinheiro.
Em segundo lugar, mentalidade pequena é achar que as cidades portuguesas devem competir entre si. As cidades portuguesas devem competir com os seus pares europeus, naturalmente: Frankfurt, Barcelona e por aí fora. Se estiverem a competir entre si estão a discutir quem é que fica com o brinquedo dentro de casa. Ficando com um ou outro não existe competição nenhuma, existe birra. Por isso é necessário que haja uma série de brinquedos distribuídos por todos para que todos possam ter um trunfo que arraste gente até si.
E o que Lisboa faz é uma espécie de birrinha para ficar com os brinquedinhos todos, como se pode ver pelos dados relativos ao investimento no turismo disponíveis por aí. Para não falar em verbas comunitárias que foram deslocadas para a capital sob a manta do "interesse nacional".

septuagenário disse...

E vai vir aí a regionalização, que para gáudio de mais uns tantos cromos que a politiquice portuguesa habitualmente cria.

Aí sim, vamos ver bandeiras!

jorge disse...

Eu queria dizer "discordo de", mas como hoje é Domingo tirei férias de gramática.

Joana Lopes disse...

O mastro de Paredes tem retorno para... Paredes - pelo menos assim o espera o presidente da Câmara.

Quanto ao resto, que o Porto compita com Barcelona ou com Lisboa é-me mais ou menos indiferente: estamos todos a competir com Xangai...

jorge disse...

O problema é que o mastro não tem retorno para Paredes. A não ser que venha gente de todo o mundo ver o mastro da república. O mais alto, o mais moderno, o mais consistente da sua geração.

Joana Lopes disse...

Não sei, Jorge: para o presidente da câmara,

«As repercussões em termos de notoriedade do concelho ultrapassarão em muito a verba gasta.»
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1447628&seccao=Norte

rafael disse...

uma pequena nota sobre o redbull: o evento até pode ter algum retorno economico, mas nao posso deixar de sublinhar a situaçao que presenciei à cerca de 2 anos, creio, em que a organizaçao se recusou peremptoriamente a pagar os custos dos planos de emergencia distritais que tinham sido organizados pelo governo civil do porto, usando para isso os planos municipais de emergencia (muito inferiores em termos de protecçao e evacuaçao em caso de alguma catastrofe). Nos anos seguintes, nao sei se foram usados planos municipais ou planos distritais, mas o que oiço dizer por parte de pessoas que lidam com essas coisas é que a segurança tem sido deixada para um segundo plano, devido aos custos que implicam...

Isto apenas acontece, porque em eventos destas dimensoes pensa-se sempre na perspectiva do lucro imediato (mediatico, politico e social- pao e circo, nao é?)por parte dos diversos agentes, nao se considerando estes eventos como um todo de alguma complexidade. Um dia que aconteça alguma coisa, nem quero imaginar nas costas de quem vao cair as culpas...mas enquanto a malta se divirta, nao há problema, pois nao?