18.6.10

Saramago: Deus, a Igreja e o pecado



A última polémica, a propósito de Caim.
Gostei muito de alguns dos seus livros e, como (quase?) toda a gente, deixei outros a meio. Nunca tive uma especial simpatia pela pessoa.

 Esta tarde, senti muito a falta de José Cardoso Pires.
...

4 comments:

Rogério Pereira disse...

Chora o Mundo?
Talvez, eu não
Ele deu-me uma flor
Que guardo na mão

(se quiser, mostro-lha)

Anónimo disse...

O que Saramago dizia sobre Deus e a Igreja nada tinha de novo, eram vulgaridades de botica de província do séc. XIX.

Anónimo disse...

A morte do José Saramago impressiona-me claro, caríssima Joana Lopes,por duas ou três impressões que espero transmitir com elevação e respeito pela sua memória. Estive duas vezes com o José Saramago. Uma em Paris na ExpoLangues,1984, onde o encontrei com a mais sexy das escritoras portuguesas dos anos 80, Lídia Jorge. Falámos de trivialidades, mas em relação de força inviezada, coisa que abomino. Eu tinha entrevistado o Sollers para o DN...Gostei foi do sorriso da Lídia Jorge, absolutamente nietzschiano... Eu e o MS Pereira acho que fomos companheiros de geração dos " Juvenis " do marido,o jornalista diplomático Carlos Albino. O outro momento foi em 1998, em Frankfurt, o ano do prémio Nobel para o Saramago, cruzei-me com ele na Buch-Messe, mas sem sinal entusiástico de grande intensidade ou emoção.O Dario Fo passeava-se muito pelos pavilhões latinos;porque tinha sido o Nobel do ano anterior...E o de Saramago ainda não tinha sido anunciado. O mesmo se passou, numa manhã, onde encontrámos o E.Prado Coelho, hierático, na pose de Eco, na Cafétaria da Messe, por certo à espera dos ensaistas italianos ou americanos post-modernos descobertos pelo M.M.Carrilho, que ele, EPC, tinha intronizado, sem o saber ou desejar muito, ministro da Cultura...
Saramago deixa-nos a imagem de um " monstro da natureza " literário, invulgar e brilhante. Uma " gesta " escritural apocalíptica partida do nada,da violência antropológica e social dos " avieiros " do Tejo e afluentes,e do proletariado campesino do Alentejo transmutada,sucessivamente, numa gigantesca metáfora contra o sistema de exploração global em que tentamos sobreviver. Niet

Anónimo disse...

Uma pequeníssima adenda,caríssima Joana Lopes, que vou tentar conhecer neste Verão, de viva-voz em Lisboa,espero:

Tratei, " administrativamente ",é o termo com José Saramago, quando ele era coordenador do Suplemento Literário do Diário de Lisboa em 1972. Eu estava " exilado " em Paris; e fiz um texto sobre um outro texto do Nelson de Matos, que tinha sido " empurrado " do S.Literário ao que julgo.Ele publicou-me o " texto "- escrito estilo " Tel Quel " com umas citações do Derrida...- isso causou "frisson" nos meios literários lisboetas, que iam do café " Montecarlo " aos cafés Tatoo e GrãFina de Entrecampos/Av. EUA, imortalizadospelo meu amigo-de-sempre, Manuel da Silva Ramos...Eu tinha mandado o texto escrito à mão. Enviei outros- entrevistas com o José Terra e o José-Augusto Seabra. Qual foi o meu espanto: enviou-me um postal a dizer que " tinha que bater os textos à máquina e a Censura, etc e tal... ". Moral da " estória ": ele" serviu-se " de mim para empurrar ainda mais para a prateleira o Nelson de Matos... Apesar de tudo, como já o disse acima, era impressionante o " culot " que exalava, quando o encontrei anos mais tarde. E foi um grande e " felizardo " escritor. Aliàs, ele disse que o Aquilino é que tinha merecido o Nobel, se fosse ainda vivo...Bom vento e obrigado! Niet