7.1.09

A crise














by Mr. Vítor Constâncio

P.S. - Ler: Optimismo é questão de perspectiva (Ferreira Fernandes, no DN)

6.1.09

Até sonhei com o Twitter

A mais inocente troca de mails é um perigo quando a João está pelo meio: não descansa enquanto não sabe responder, arma uma confusão monumental e depois vai dormir descansada e deixa os outros às cabeçadas contra vários muros.

Foi assim que acabei por me inscrever ontem no dito Twitter. Primeiro ninguém me encontrava, depois lá me viram, começou a dança de «following» e de «followers», andei como uma mosca tonta a tentar entender onde estava metida. Ainda não percebi muito, prevejo outra noitada, mas lá chegarei.

Parece que é incontornável e que até terá sido importante para seguir, minuto a minuto, a entrevista de Sócrates. Esta convence-me: ter-me-ia talvez distraído num espectáculo de umbiguismo incómodo.

P.S. - Estive quase para pôr Comments Off neste post: não me façam muitas perguntas porque não saberei responder a quase nada!...

Delitos e opiniões

Nada melhor do que um post sobre a entrevista de Sócrates como pretexto para saudar o Delito de Opinião, um novo blogue com dois dias de existência. Através da Ana Cláudia que conheço há muito tempo (quase dois anos é uma eternidade...) e do Pedro Correia de quem não perco um texto, desejo a todos que nos ajudem a ter boas opiniões - tão delituosas quanto possível, evidentemente.

5.1.09

Barthes na China de Mao

A revista Le Magazine Littéraire deste mês inclui um conjunto de artigos sobre Roland Barthes, do qual importa destacar um dossier relacionado com uma viagem que fez à China, em 1974. Dele faz parte a pré-publicação de excertos de uma obra sua inédita que será publicada dentro de um mês, Cahiers du voyage en Chine. Com Roland Barthes viajou, entre outros, Philippe Sollers, agora entrevistado por LML.

Quando este tipo de excursões político-culturais de grupos de intelectuais se multiplicavam e tinham rituais muito específicos, não é grande o entusiasmo manifestado por Barthes.

«Palestra mortal, comparação passado/presente. Olho para o meu copo de chá: as folhas verdes abriram e formam uma camada no fundo do copo. Mas o chá é muito ligeiro, insípido, apenas uma tisana, é água quente.»

«Um facto incontestável : o aferrolhar completo da informação, de toda a informação, da política ao sexo. O mais espantoso é que esse ferrolho resulta, ou seja que ninguém, seja qual for a duração da estadia, consegue forçá-lo em qualquer ponto.»


P.S. - Em Rue89, pode ser lido um extenso artigo sobre este dossier de LML.

2009 em números redondos
















Ficando pelo século XX e citando apenas algumas efemérides:

1929, 24 de Outubro - 5ª feira negra na Bolsa de Nova Iorque.
1939, 1 de Abril - Fim da Guerra Civil de Espanha.
1939, 1 de Setembro - Invasão da Polónia, início da II Guerra Mundial.
1949, 1 de Outubro - Proclamação da República Popular da China por Mao Tse-Tung.
1959, 1 de Janeiro - Revolução Cubana.
1989, 4 de Maio - Última manifestação de estudantes na Praça Tiananmen.
1989, 9 de Novembro - Queda do muro de Berlim.

Matéria para muitos posts, portanto...

4.1.09

Sobre Israel e sobre Gaza
















Gostaria de ter pelo menos uma certeza e nem isso
consigo: a de não ser obrigada a tomar partido.

A pílula (ainda...) vista do Vaticano










No Osservatore Romano de hoje, é publicado um artigo de Pedro José María Simón Castellví, presidente da Federação Internacional da Associação de Médicos Católicos, significativamente intitulado «A Humanae Vitae, uma profecia científica». Nele são revelados mais efeitos maléficos do uso da pílula: ela é anti-ecológica e, nessa medida, também responsável pela infertilidade masculina!!!

Faltava esta acusação contra as mulheres: serem responsáveis pela diminuição do número de espermatozóides...

Fica a citação do Osservatore Romano (4/1/2009), já que o link pode deixar de funcionar:

«Un altro aspetto interessante riguarda gli effetti ecologici devastanti delle tonnellate di ormoni per anni rilasciati nell'ambiente. Abbiamo dati a sufficienza per affermare che uno dei motivi per nulla disprezzabile dell'infertilità maschile in occidente (con sempre meno spermatozoi nell'uomo) è l'inquinamento ambientale provocato da prodotti della "pillola". Siamo qui di fronte a un effetto anti-ecologico chiaro che esige ulteriori spiegazioni da parte dei fabbricanti. Sono noti a tutti gli altri effetti secondari delle combinazioni fra estrogeni e progestinici. »

3.1.09

Não são apanhados, são deputados

Com Rosa Montero

Nada mais agradável do que chegar ao fim de um romance e ter pena de que não tenha mais umas cinquenta ou cem páginas. Foi o que me aconteceu agora com este livro de Rosa Mantero (*).

Tendo gostado (e como...) de A Louca da Casa e de História do Rei Transparente, temia o desencanto com o terceiro. Totalmente diferente, este manual de «Instruções» dá-nos uma prosa mais enxuta, muito fluente, aparentemente linear, cuja leitura é difícil interromper mesmo a muito altas horas da noite.

Quatro personagens solitárias - um taxista, um médico, uma prostituta e uma velha cientista mais ou menos louca - acabam por se ir cruzando em histórias complicadas e noites longas (tudo se passa de noite, excepto nas últimas páginas). Inesquecível sobretudo o taxista, centro de uma trama que acaba «bem», sem qualquer vestígio de facilidade, e que é mesmo optimista segundo a autora - um longo «caminho que vai da escuridão provocada pela dor até chegar à luz do dia».

A ver, antes ou depois de ler o livro, este pequeno vídeo, em que Rosa Montero apresenta a edição portuguesa.

(*) Rosa Montero, Instruções para salvar o mundo, Porto Editora, 2008, 288 pág.

2.1.09

Quando não vale a pena repetir o que os outros dizem melhor
















«A Revolução Cubana, que faz 50 anos, é um difícil conflito que tenho comigo mesmo. Ao longo dos anos, o meu coração, transbordante de jovens rebeldes descendo da Sierra Maestra de rifles na mão e corações limpos, sangrou com Padilla preso e humilhado (...).
Mas se o coração explica tudo, mesmo o inexplicável, a razão não. Cuba é hoje a recordação de algo íntegro e novo que, se calhar, nunca aconteceu senão dentro do meu coração.»

Manuel António Pina, no JN.

Primeira anedota de 2009

«O PSD não está bem, mas está muito melhor do que estava há um ano.»

Nem quadratura nem círculo










Há anos (ou serão séculos?) que vejo aqueles três senhores + um por pura inércia. Tinha jurado a mim mesma que me ficaria por 2008, porque no pasa nada - nem uma opinião imprevisível, nem o mais leve bater de uma qualquer asa, nem o mínimo rasgo acima do politiqueiro.

Hoje distraí-me porque ainda não assimilei a mudança de ano, mas garanto que depois das Janeiras já ninguém me apanha.