24.4.09

Em dias de confusas comemorações













Estou com o Luís Novaes Tito, quando escreve a propósito da polémica em redor da promoção de Otelo:
«Não entro nessa discussão porque teria de discutir igualmente a reintegração de centenas de PIDES e as pensões que ainda hoje lhes são pagas, o que não causa qualquer comentário a quem tanto se escandaliza com Otelo. No entanto esses esbirros mataram e torturaram centenas de pessoas durante anos seguidos, muitas delas pelo simples crime de na altura dizerem o que nós hoje podemos dizer livremente.»
É bom que estas realidades estejam bem presentes, sobretudo quando cada um recorta a sua parte da história e quando parece que passou a valer tudo, mesmo o recurso a cenários formal e quase obscenamente inadequados para o espectáculo – como foi ontem o caso da emissão da «Quadratura do Círculo», com Grândola e Zeca Afonso em pano de fundo.

23.4.09

Querida blogosfera













O Der_terrorist brindou-me com um prémio, daqueles que dão direito a uma nova cadeia blogosférica.

Chama-se o dito prémio: «Este Blogue É Tão Bom Que Até Arrepia»

Agradeço ao J. Simões e dou seguimento, obedecendo a regras que, desta vez, são mais exigentes:

* Exibir a imagem do prémio
* Postar o link do blog que o premiou
* Indicar 10 blogs para fazerem parte do "este blog é tão bom que até arrepia" (vão ser só 5, ok?)
* Avisar os indicados
* Publicar as regras

Então aqui vai «a bola» para a Cristina, a Miss Allen, o Lutz, o Luís Novais Tito e o Pedro Correia.

(Isto seria bem mais fácil no Twitter: 5 RT e já estava!!! Complicada a blogosfera..)

Fiquem a brincar com os mortos
















Alguns santacombadenses vão festejar um conterrâneo no próximo Sábado. Um deles pede que o país «aprenda a viver com o passado, como nós fizemos com a ajuda da democracia».
É todo um tratado sobre memória histórica – ou sobre a sua negação – que esta frase contém. Aprender a viver com o passado é levá-lo a sério e colocá-lo no seu devido lugar, não é disfarçá-lo com festas popularuchas. Estivesse prevista para Sábado a inauguração de um «Museu Salazar», em Santa Comba Dão, sério, pedagógico, que servisse precisamente para se conhecer o passado «com a ajuda da democracia» e isso, sim, colocaria a terra no mapa e seria uma excelente maneira de festejar os trinta e cinco anos de liberdade. Com fanfarras e porco no espeto, até se arriscam a que o fantasma do velho por lá apareça a fustigá-los.

Nem todos os dias há boas notícias

Reabriu o Quase em português e o Lutz apareceu no Twitter.

22.4.09

«Aliança das Civilizações»

É mais ou menos isto que se pretende, não é?

Don Tapscott, o guru desconhecido?

Voltou a polémica em torno do Magalhães, a propósito de elogios que «um tal» guru canadiano terá feito em Lisboa. Pelo tom em que é referido nalguma imprensa, e num certo número de blogues que percorri agora, percebe-se que nem o nome Don Tapscott, nem o título da sua obra mais conhecida – Paradigm Shift: The New Promise of Information Technology – serão muito conhecidos por aqui. E, no entanto, não foram poucas as ondas que este livro provocou quando foi publicado – não há um século, mas em 1992 (tenho o meu exemplar usado, sublinhado, quase rasgado...)
Outras obras se seguiram, a mais importante das quais, em colaboração com Anthony Williams, Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything (2006).
E, já em 2008, Grown Up Digital: How the Net Generation is Changing Your World. Vale a pena ler a entrevista que Jorge Nascimento Rodrigues fez ao autor após a publicação deste último livro, porque são nela levantadas muitas questões que têm precisamente a ver com a saga Magalhães.
J.N.R. -Você escreveu que essa geração de miúdos controla facilmente aspectos essenciais dessa revolução. Essa é uma "vantagem competitiva" incrível. É a primeira vez na história que isso acontece, não é? Será que os adultos, no poder, não terão imenso a recear da irrupção desses pequenos guardas-vermelhos da Web?
D.T. - De facto, pela primeira vez na História da Humanidade, as crianças têm mais conhecimentos, do que nós, sobre um aspecto - direi crucial - do desenvolvimento da nossa sociedade. Isto é bom para aqueles adultos que são capazes de aprender com os miúdos. Mas mete medo e gera receios à multidão de todos os outros. Pais e professores crêem que já não conseguem "proteger" os miúdos da pornografia ou da literatura que inflama ódio [mas não está ela ao virar da esquina?]... Há dois extremos, ambos conservadores, nesta discussão: um dos lados vê estas crianças como "vítimas coitadinhas" e o outro como perigosos guerrilheiros. Em que ficamos? Um cínico dirá: são as duas coisas. A meu ver, ambos são pontos de vista nocivos para a liberdade de expressão e os direitos da criança.»

Eu sei que Portugal é um país de poetas e de literatas, mas as TIC’s já por cá andam há umas décadas e vieram mesmo para ficar (TIC’s?...).

21.4.09

22/4 - Agenda (2)

A propósito do dia do mundial do livro, a 23 de Abril, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama quiseram colocar algumas questões àqueles que parecem ter com os livros uma relação que vai muito além do consumo. O livro, produzido e reproduzido em massa, continua a ser objecto de culto. Numa época em que as montras das livrarias se renovam diariamente, ao ritmo incessante das publicações, porque razão se procuram tanto alguns títulos esgotados?Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe. Serão convidados escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e, acima de tudo, LEITORES.

Diana Mascarenhas vai desenhar ao vivo o mapa da nossa cidade, o roteiro das nossas leituras.

Moderação – Rosa Azevedo
Convidados – Jorge Silva Melo, Pedro Vieira, Francisca Cortesão - Minta, Abel Barros Baptista, Jorge Fallorca, Luís Filipe Cristóvão, José Mário Silva

22/4, 21h30
Rua São Filipe Nery ou Neri (na verdade, ninguém sabe), Nº 25B 1250-225 Lisboa

23/4 - Agenda (1)

Vital e os outros

Ainda com parte da cabeça no Oriente e mais de 24 horas de aviões na pele, não me foi nada fácil seguir o P&C de ontem à noite. Mas deu para perceber que o Luís Januário o resumiu muito bem e que caracterizou perfeitamente a prestação de Vital Moreira:
«O candidato Vital Moreira vai perder cem mil votos de cada vez que aceitar um debate. Vital lembra agora um boneco animado em que até a indignação é em diferido.»
Por sorte, conseguiu dominar a rouquidão com que começou a intervir. Durante algum tempo, pairou a recordação de um debate eleitoral que Jerónimo de Sousa foi obrigado a abandonar totalmente afónico, mas a simpatia atávica não funcionou desta vez.

Haruki Murakami

Magnífico, o último livro de Haruki Murakami publicado em Portugal:
«A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol» (*), título inspirado num tema de Nat King Cole. Absolutamente a não perder. Lido de um trago durante uma longa viagem de avião.



(*) Casa das Letras, Março de 2009, 242 p.

20.4.09

Quatro rodas para quê


















Por todo o Vietname...

Saigão - 4 milhões de motorizadas para 8 milhões de habitantes
Hanoi - mesma proporção: 3 para 6

Back home

















Mesmo antes de aterrar, os jornais asseguraram-me que o país continua estável e que tudo está portanto como deve ser: os professores anunciam novas manifestações, o cardeal volta a falar do preservativo («falível»? - claro que sim, infalível só mesmo o papa!) e há esta noite mais um P&C sobre «A Crise» (versão «Bruxelas à vista»).
Com toda a naturalidade. Ainda bem.