2.12.10

Paisagens lunares



E não, não há Rosas em Atacama.



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1.12.10

Se resisto a esta…


Maior diferença é quase impossível, entre os Lagos Andinos e San Pedro de Atacama. Ainda há montes, mas pouco ou nada verdes (e sem qualquer vestígio de neve) e a água passa muito pouco por aqui. Mas o que já vi é (dês)igualmente fascinante!

A poucas dezenas de quilómetros da Bolívia, a bastantes mais do local onde os mineiros estiveram soterrados, manda a tradição que não se falhe a visita aos Geysers Tatio (vídeo) ao nascer do sol, o que implica acordar às 4:00, trepar de minibus até 4.300m com uma temperatura a rondar os -10º e apanhar poucas horas depois, no regresso, pelo menos com 30º. O sacrifício é amplamente justificado, os ditos geysers deixam outros, por exemplo os da Islândia, a um «canto da sala»...

Daqui a pouco vou para novas explorações, com a cabeça bastante encortiçada pelas poucas horitas de sono na última noite e pelo choque geotérmico da primeira parte do dia, mas… não há-de ser nada e sobram poucos dias.

Parece que há miragens no deserto. É mais ou menos como penso em Portugal neste momento.


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29.11.10

Wikileaks?


Não sei se por estar em férias longínquas, ou anestesiada por cenários de uma beleza esmagadora,  a verdade é que ainda não consegui interessar-me a sério por essa revelação estrondosa de histórias cruzadas de americanos, diplomatas e novas espionagens.

Mas, bem pelo contrário, tive um sobressalto ao ler que os deputados da minha nação querem salvar o planeta reduzindo a utilização de sacos de plástico, pela aplicação de um desconto «de valor não inferior a 0,05 € por cada 5,00 € de compras», a quem prescindir desses terríficos objectos. Causa importante, sem dúvida, mas chegou-me, aí de tão longe, o som da orquestra do Titanic.

Fecho parêntesis e regresso ao que interessa. Estou em Puerto Varas – a Cidade das Rosas -, uma estação balnear no Lago Llanquihue, fundada por colonos alemães em meados do século XIX. Cheguei de barco, através do belíssimo Lago de Todos os Santos, e aqui terminarei a minha peregrinação por esta região dos Andes, absolutamente inesquecível!

De Bariloche até cá, foram cinco dias sempre por lagos dos mais variados tons de azul e de verde, montanhas com e sem neve, vulcões magníficos (e sossegados…), uma extraordinária vegetação. Sem esquecer a excelente vertente gastronómica (e vinícola…) e toda uma série de propostas de actividades. Mas não, não cheguei a fazer cnopy

Amanhã, rumo a Norte para a penúltima etapa: Atacama. A expectativa é grande.

(P.S. - Poupem nos sacos de plástico, por favor: o FMI ficará bem impressionado!)


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«Explico algunas cosas»


Por Pablo Neruda



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28.11.10

A fazer horas

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...para mais uma etapa, mais lagos, mais montes: Peulla - Puerto Varas.


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Todos iguais, todos diferentes


... os montes, os lagos e as plantas, também do lado de cá, no Chile, onde cheguei há algumas horas.

Hoje foi um dia fabuloso, de Bariloche a Peulla, em três autocarros e dois barcos, com israelitas, libaneses e uns tantos falantes espanhóis. Registe-se que, por aqui, quem tem a língua de Camões é forçosamente brasileiro e nem vale a pena tentar corrigir: o guia seguinte fala-nos, inevitavelmente, de S. Paulo ou mostra, de um modo ou de outro, que ninguém se lembra que existem Lopes ou Azevedos nessa estranha ponta de uma mais que longínqua Europa…

Estarei agora uns dias neste país que se gaba de ser - e é – tricontinental (americano, com um pé na Antárctida e uma ilha na Oceania), para já ainda rodeada de lagos, em breve a caminho do deserto de Atacama.

(A escrever este post com a vista que mostra a última foto…)



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27.11.10

Antes de deixar esta terra



Buenos Aires

Y la ciudad, ahora, es como un plano
De mis humillaciones y fracasos;
Desde esa puerta he visto los ocasos
Y ante ese mármol he aguardado en vano.
Aquí el incierto ayer y el hoy distinto
Me han deparado los comunes casos
De toda suerte humana; aquí mis pasos
Urden su incalculable laberinto.
Aquí la tarde cenicienta espera
El fruto que le debe la mañana;
Aquí mi sombra en la no menos vana
Sombra final se perderá, ligera.
No nos une el amor sino el espanto;
Será por eso que la quiero tanto.

Jorge Luís Borges

Poema em audio: «Buenos Aires» de Jorge Luis Borges (dito pelo próprio)
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26.11.10

Ainda por montes e lagos


Mais uma espécie de bilhete postal.

Andei hoje, e continuarei amanhã, à volta do Monte Tronador e dos seus glaciares, na fronteira da Argentina com o Chile - deu mesmo para ouvir e ver quebras e desmoronamentos de gelo. Será perto dele que passarei para este segundo país, numa complicada etapa de estradas e lagos, autocarros e barcos.

Saio deste lado da Patagónia sem ter visto carneiros, celebérrimos pelas suas excelentes lãs, tão cobiçadas que só a Benetton comprou por aqui um milhão de hectares para os criar (e depois colorir, suponho). Deve ser isto a globalização...

No vídeo, San Martin de los Andes, onde aterrei anteontem.


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25.11.10

Ver para crer


Só dois ou três apontamentos que o tempo é escasso.

Claro que Bariloche faz lembrar a Suíça, pelos montes e lagos, e também pelas casas até porque foram suíços e alemães que construíram o que agora existe.

Mas quando voltar a ouvir dizer que esta terra é a Suíça da América Latina, defenderei que é a segunda que é a Bariloche da Europa, a tal ponto isto deixa a anos de luz o que se vê nos Alpes.

Ver para crer, de facto, na beleza desta parte da Patagónia, sobretudo por um conjunto de lagos inigualável em número, variedade, conjugação com montanhas e vegetação e de um azul absolutamente do outro mundo!

Tomar nota para não falhar: a vista, de 360 graus, do cimo do Cerro Campanario - já "pagou" a viagem... que ainda nem vai a meio.
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Sempre nesta data

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A vingança também se serve quente


A discussão começou ao pequeno almoço, com três (em cinco) elementos do meu grupo viajante militantemente anti-qualquer tipo de greve.

Mas a minha "vingança" veio logo pouco depois, no aeroporto, quando verificámos que a compamhia de aviação que devia trazer-nos de Buenos Aires para Bariloche ... estava em greve!

Vários quilómetros depois, a empurrar carrinhos com mala ou em filas espera inúteis, conseguimos comprar os últimos lugares disponíveis numa outra companhia aérea.

Em dia de greve em Portugal, mais esta peripécia em aeroportos - e tenho tido tantas, mas tantas -, e os 200 euros que e custou o novo voo, acabaram por saber a solidariedade over the oceans...

P.S. - Falta dizer que aterrámos a 260 quilómetros do nosso destino, o que deu direito a longa viagem de minibus. Para quem já tinha ido de Lisboa ao Porto de carro para conseguir chegar a Madrid, por causa da Cimeira da NATO, não está mau... Mas fez-se bem porque o percurso era lindo de morrer!
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