10.12.10

A memória é uma coisa lixada!



«Na véspera e no próprio dia [1 de Maio de 1973], a Pide DGS efectuou dezenas de prisões preventivas em Lisboa, no Porto, Margem Sul e noutras terras.»
Avante! clandestino, Maio de 1973, p.3.
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Em Oslo, sem Liu Xiaobo


Texto lido por Liv Ullmann, hoje em Oslo, durante a cerimónia de «entrega» do Prémio Nobel da Paz. Trata-se do discurso que Liu Xiabbo fez durante o seu julgamento, em 23 de Dezembro de 2009, antes de ser condenado, dois dias depois, a onze anos de prisão e dois de privação de direitos políticos.

I Have No Enemies: My Final Statement

In the course of my life, for more than half a century, June 1989 was the major turning point. Up to that point, I was a member of the first class to enter university when college entrance examinations were reinstated following the Cultural Revolution (Class of ‘'77). From BA to MA and on to PhD, my academic career was all smooth sailing. Upon receiving my degrees, I stayed on to teach at Beijing NormalUniversity. As a teacher, I was well received by the students. At the same time, I was a public intellectual, writing articles and books that created quite a stir during the 1980s, frequently receiving invitations to give talks around the country, and going abroad as a visiting scholar upon invitation from Europe and America. What I demanded of myself was this: whether as a person or as a writer, I would lead a life of honesty, responsibility, and dignity. After that, because I had returned from the U.S. to take part in the 1989 Movement, I was thrown into prison for "the crime of counter revolutionary propaganda and incitement." I also lost my beloved lectern and could no longer publish essays or give talks in China. Merely for publishing different political views and taking part in a peaceful democracy movement, a teacher lost his lectern, a writer lost his right to publish, and a public intellectual lost the opportunity to give talks publicly. This is a tragedy, both for me personally and for a China that has already seen thirty years of Reform and Opening Up.

When I think about it, my most dramatic experiences after June Fourth have been, surprisingly, associated with courts: My two opportunities to address the public have both been provided by trial sessions at the Beijing Municipal Intermediate People's Court, once in January 1991, and again today.

Twenty years have passed, but the ghosts of June Fourth have not yet been laid to rest. Upon release from Qincheng Prison in 1991, I, who had been led onto the path of political dissent by the psychological chains of June Fourth, lost the right to speak publicly in my own country and could only speak through the foreign media. Because of this, I was subjected to year round monitoring, kept under residential surveillance (May 1995 to January 1996) and sent to Reeducation Through Labor (October 1996 to October 1999). And now I have been once again shoved into the dock by the enemy mentality of the regime. But I still want to say to this regime, which is depriving me of my freedom, that I stand by the convictions I expressed in my "June Second Hunger Strike Declaration" twenty years ago I have no enemies and no hatred. None of the police who monitored, arrested, and interrogated me, none of the prosecutors who indicted me, and none of the judges who judged me are my enemies. Although there is no way I can accept your monitoring, arrests, indictments, and verdicts, I respect your professions and your integrity, including those of the two prosecutors, Zhang Rongge and Pan Xueqing, who are now bringing charges against me on behalf of the prosecution. During interrogation on December 3, I could sense your respect and your good faith.

Politicamente incorrecta me confesso


Vai grande o burburinho porque Carlos César decidiu tirar partido das prerrogativas que a autonomia regional lhe confere e «compensar», em termos salariais, algumas categorias de açorianos que dele dependem.

De Belém a S. Bento, da Quadratura do Círculo à grande maioria dos mais insuspeitos jornalistas e comentadores, grassa uma indignação praticamente unanimista contra o presidente do governo dos Açores, em nome da fidelidade devida às decisões do seu partido e, sobretudo, da solidariedade necessária entre ilhéus e patrícios do Continente.

Mesmo muitos que consideraram que não se resolvem crises como aquela que atravessamos com cortes no poder de compra, já tão limitado, dos trabalhadores portugueses, parecem agora considerar que a decisão do governo de Sócrates / Barroso se tornou repentinamente «justa» porque alguém decidiu não a respeitar. E, num hábil jogo de cintura, condenam Carlos César acusando-o de agir movido por intenções eleitoralistas, no seu território e não só. É bem provável que o faça. E daí? De más intenções também está o paraíso cheio.

P.S. – Acabo de ler que, ontem, Manuel Alegre defendeu a decisão do Governo Regional dos Açores. Até que enfim!
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Concentração em Apoio à WikiLeaks


No próximo sábado, e em consonância com todo um movimento internacional de mobilização, convidamos todos os cidadãos que pensam que a liberdade de expressão e o livre acesso à informação são direitos inalienáveis, a concentrarem-se a partir das 15h no Largo do Chiado, em Lisboa.

Apelamos ao fim do bloqueio da Wikileaks que tem vindo a suceder por parte de várias empresas; apelamos ainda à não extradição de Julian Assange pelos riscos de vir a ser desrespeitado o seu direito a um julgamento justo devido a pressões internacionais.

Mas a WikiLeaks é mais do que uma pessoa, a WikiLeaks somos todos nós. Todos aqueles que acreditam na liberdade de expressão e na transparência da informação.

Todos somos a WikiLeaks.

Movimento de Apoio à Wikileaks

(Daqui)
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9.12.10

YES!!!


International Committee against Stoning: A historical success for humanity


P.S. - Infelizmente, a notícia da libertação de Sakineh não se confirma. Muito pelo contrário...
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Oslo, 10/12/2010


Amanhã, às 12:00 (hora de Portugal), terá lugar a cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz, atribuído este ano a Liu Xiaobo. A cerimónia pode ser seguida, em directo, na página da Nobelprize Organization.

Nem o laureado, actualmente detido, nem qualquer familiar estarão presentes, já que foram impedidos pelo governo chinês de sair do país, o mesmo tendo acontecido a alguns activistas chineses que pretendiam deslocar-se a Oslo.

Um grande número de pessoas – pelo menos 250, segundo a Amnistia Internacional – está com residência fixa, tem os telefones cortados, foi forçado a sair de Pequim ou impedido de viajar para o estrangeiro, por causa da cerimónia de amanhã. Desde hoje, está bloqueado o acesso a CNN, BBC e NRK (norueguês).

É a primeira vez que se verifica tal situação (ausência do premiado e de familiares), desde 1936, quando as autoridades nazis tiveram a mesma atitude relativamente a Carl von Ossietzky, também agraciado com o Nobel da Paz.

Amanhã, Liu Xiaobo estará simbolicamente representado por uma cadeira vazia. Dezanove outras ficarão também por ocupar: as dos países que corresponderam ao apelo de boicote lançado por Pequim.

P.S. - A ler: The Nobel Crackdown, um longo artigo sobre a atribuição do prémio e suas consequências na China.
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Neva em Paris


Há 10 cm de neve em Paris, o que não acontecia desde há alguns anos, o humor não falta à chamada (desenho) e recordam-se invernos de outras eras (vídeo).


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O «Bispo Vermelho»


Manuel Martins esteve à frente da diocese de Setúbal durante vinte e três anos, numa fase dificílima da região em termos de condições sociais de toda a espécie. Foi um dos bispos portugueses mais decentes das últimas décadas, sempre frontal e nada pacífico - ou não tivesse ficado conhecido como o «Bispo Vermelho» - e não é agora nada meigo na escolha das expressões para qualificar a acção do governo na fase actual da vida do país.

Alguns excertos de declarações recolhidas ontem pela Lusa.

«Como é que um governo se considera legítimo quando permitiu que um país chegasse a esta situação, que pela comunicação social parece de uma miséria absoluta.».

«Aquilo que é fundamental num estado social este governo está a matar, com as exigência que põe, com os benefícios que retira.»

«Nós estamos assim na situação em que vemos um trabalhador no fundo de um poço, não sei de quantos metros, e era preciso salvá-lo, mas estamos numa situação em que nem corda temos para lhe atirar.»

«É uma economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal, que tem lá no alto da pirâmide meia dúzia de homens que mandam no mundo e muitas vezes desgraçam o mundo (…), o poder político está inteiramente dependente do poder económico.»

«Há muita coisa escondida. Bem sei que há coisas, como na própria família, que não se revelam por inteiro, mas a transparência faz parte da democracia.»

Muito, muito longe da linguagem da caridadezinha, certo?

(Fonte)
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8.12.10

Antes que o dia acabe

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John Lennon, 1940-1980



(Via Luís Novaes Tito no Facebook)
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Sócrates & Barroso

A Associação Fórum Manifesto organiza no próximo dia 11 de Dezembro, Sábado, às 21h na Livraria Ler Devagar, uma conversa com Miguel Portas sobre a crise económica mundial e o papel da União Europeia.
Portugal num colete de forças económico em que é insuportável estar com o Euro e, insuportável viver sem o Euro.

Num contexto em que o controlo das políticas económicas a partir de Bruxelas através dos PEC, dos PNR (Planos Nacionais de Reforma) e das sanções aos governos ditos incumpridores. A grande questão que se levanta neste momento é: será possível existir uma moeda única sem um orçamento europeu suficientemente forte para colmatar as divergências entre Norte e Sul, superavitários e deficitários? Na prática, Bruxelas passará a ter direito de veto sobre os orçamentos, sobrepondo-se aos poderes dos deputados nacionais, e tudo indica que as sanções venham a ser quase automáticas apesar das divergências que ainda possam existir entre os 27.

Lx Factory – Livraria Ler Devagar
(R. Rodrigues de Faria 103 – Alcântara)

(Daqui)
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Na China, Nobel da Paz em contrafacção


Amanhã, véspera da entrega do Nobel da Paz, atribuído em Outubro a Liu Xiaobo, será dada na China a primeira versão do «Prémio Confúcio da Paz» a Lien, um antigo vice-presidente de Taiwan. Entre os outros nomeados, contavam-se Nelson Mandela, Bill Gates (?!) e Mahmoud Abbas. Velhos hábitos de clonagem não se perdem facilmente!

Como tem sido noticiado, dezanove países corresponderam ao apelo de Pequim e não estarão presentes, em Oslo, na próxima 6ª feira – tudo boa gente, evidentemente!...

(Fonte)
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Uma imagem que dispensa 1.000 palavras


(Via Passa Palavra)

Entretanto, e para além da avalanche de textos e notícias internacionais, três recomendações de leituras «caseiras»:

* Rui Tavares, O nosso teste
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