2.8.11

Era inevitável vir um dia a concordar com Vital Moreira...


Foi hoje: VM propõe, no Público (sem link), que se extingam as três escolas «exóticas», destinadas a filhos de militares e das forças de segurança: Colégio Militar, Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Trata-se de «uma espécie de escolas particulares de propriedade e gestão pública», onde, é certo, se pagam propinas, mas que não evitam a existência de encargos «com as instalações e o pessoal militar que nelas presta serviço, cujo valor não é despiciendo». Para além de não terem qualquer justificação.

Apanho a boleia para referir outros privilégios incompreensíveis, recordados ontem no jornal «i», a propósito da CP: «há cerca de 150 mil funcionários do Estado que têm direito a descontos nas viagens em transportes públicos que podem ir até 75%»: agentes da PSP e GNR, funcionários da Justiça, incluindo magistrados no activo e na reforma, e militares.

Porquê, em nome de quê? Reminiscências e associação inevitável:


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Deliciosa…


… a crónica de Ferreira Fernandes, hoje, no DN:

A crise acaba daqui a três anos

O presidente da Federação Russa de Futebol, ao saber que Portugal era o seu adversário mais perigoso para o Mundial de 2014, decretou: "Inglaterra ou Espanha era melhor comercialmente." Três quartos de século soviéticos a ignorar a compra e venda deu nisto. A questão de um Mundial é chegar à glória sem preço de ser campeão mundial, mas para os russos o importante, agora que são capitalistas, é bilhetes vendidos e publicidade arrecadada nos jogos de apuramento... Cada um é como é e também nós não fugimos ao nosso destino. Ir ao Brasil? Está no papo. Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão (Azer, quê?) e Luxemburgo são de campeonato inferior... E à Rússia já lhe espetámos 7-1... Cá está o nosso optimismo inicial tradicional, que dará em deixa andar, o deixa andar dará em alguns espalhanços e estes acabarão no tio ó tio final do costume. Ora perder a oportunidade de irmos ao Mundial no Brasil equipara-se a termos, no último jogo, um silêncio tão barulhento como aquele que se abateu sobre o Maracanã, em 1950, quando o uruguaio Gigghia matou o povo brasileiro. Não irmos ao Brasil em 2014? Impensável. Política, histórica e até futebolisticamente. Urge um ministério só dedicado a irmos. Gaste-se o que houver para gastar - comprar árbitros, mandar olheiros por África à procura de ponta-de-lança a nacionalizar, encomendar bandeiras portuguesa à China... Pode ficar tão caro como o BPN, mas terá um final feliz.
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Logo pelo fresquinho da manhã, não uma mas duas pérolas


nesta entrevista de Rodrigo Moita de Deus ao «i»:

«Não há nenhum país monárquico que tenha pedido ajuda ao FMI. Todos os países que recorreram à ajuda financeira são repúblicas.» (*)

«[Os políticos] estão cada vez mais sexy. (…) Uma grande diferença entre os políticos de esquerda e os políticos de direita diz respeito ao guarda-roupa e a essa capacidade de transmitir a sexualidade. A direita costuma ser melhor nessas coisas.»

Sinto-me parva porque conheço dezenas de pessoas da idade do entrevistado, mas nenhuma capaz de dizer coisas destas. Como é que a direita «transmite sexualidade»? De gravata?

(*) Alguém me recordou hoje que a Suazilândia é uma monarquia e anda às voltas com o FMI, mas isso é reino de pretos e fica muito lá muito para baixo.
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1.8.11

Agosto e o resto

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Democracia e totalitarismos


O drama norueguês veio acordar os europeus para a terrível realidade do crescimento da extrema-direita, em vários países, e chovem todos os dias notícias sobre factos cada vez mais inquietantes.

Na semana passada, o jornal Der Spiegel relatou o que se passa na Alemanha, em escolas e em campos de férias, onde se educam crianças e jovens na glorificação de Hitler, do Terceiro Reich e dos seus princípios, por vontade de milhares de famílias. Vale a pena ler a notícia com atenção.

Mas o que é no mínimo discutível, e também inquietante, é a possível decisão de o governo alemão retirar essas crianças às famílias. Na sua crónica de hoje, Manuel António Pina exprime exactamente a minha reacção quando li a notícia:

«Não posso deixar de pensar que tirar os filhos aos pais e pô-los sob tutela do Estado seria o que fariam (e fizeram) os nazis e de me interrogar se, como no sermão de Niemoller, a seguir aos filhos dos nazis não viriam os dos comunistas, depois os dos muçulmanos, depois os dos ateus, e por aí fora. Julgo que existem razões para temermos pelo sistema democrático quando as democracias cedem à tentação totalitária para se defenderem. Como disse o primeiro-ministro norueguês quando dos atentados de Oslo e Utoya, a resposta das democracias contra os demónios totalitários só pode ser mais democracia.»

Repita-se mil vezes, se necessário for: só de defende a democracia com mais democracia.
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Blogosfera


Enquanto se anuncia que os blogues estão a perder várias batalhas a favor das redes sociais, e quando é verdade que muitos dos clássicos esmorecem e que alguns se vão calando, eis que surgem outros do nada, como é o caso dos Ladrões de Gado.

Não o perderei de vista, que mais não seja pela frase com que se apresentaram: «We’re not lost, we just don’t know where we’re going.»
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BPN: Começou a época de saldos


Se bem percebi o que li e ouvi desde ontem:
  • O BIC vai comprar o BPN por 40 milhões de euros quando se esperava pelo menos o dobro.
  • Assegura 750 postos de trabalho, sendo o Estado a pagar as indemnizações dos restantes 50% (que sairão dos 40 milhões empochados pela venda).
  • Mesmo descontados esses 40 milhões, já teremos gasto com o BPN cerca de 2,4 mil milhões de euros.
Já tive melhor impressão dos sucessos dos Estados capitalistas!
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31.7.11

Tall painting

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(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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Há 50 anos – Fuga de dezenas de estudantes das ex-colónias


Contributo de Diana Andringa.

Clicar na imagem para ler (*)

Se 1961 é há muito reconhecido como o annus horribilis de Salazar, trazendo imediatamente à memória o desvio do paquete Santa Maria, o início da luta armada de libertação em Angola, a tentativa de golpe de Botelho Moniz e o fim do então chamado «Estado Português da Índia», um episódio há que, embora menos conhecido, não deixou de afectar também o regime: a fuga de Portugal de dezenas de jovens das ex-colónias que se encontravam a estudar em Lisboa, Coimbra e Porto.

Por via legal, uns – usando para obter o passaporte pretextos tão diversos como promessas a cumprir em santuários franceses, viagem de lua-de-mel, actividades desportivas e até pertença a grupos musicais – por via clandestina, outros, cerca de uma centena de jovens abandona tudo, quer para se juntar à luta contra o colonialismo português, quer para evitar ser chamado a combater nas fileiras do exército português.

Entre esses fugitivos, alguns cujos nomes vieram a tornar-se bem conhecidos. Pedro Pires, Joaquim Chissano, Fernando França Van-Dunen e Pascoal Mocumbi, por exemplo, integraram um numeroso grupo que saiu de Portugal e chegou a França em carros conduzidos por jovens protestantes norte-americanos, com o auxílio de uma organização francesa especializada no resgate de pessoas em risco, a CIMADE, e o apoio financeiro e diplomático do Conselho Mundial das Igrejas.

Cinquenta anos depois, por iniciativa da Fundação Amílcar Cabral e do presidente Pedro Pires, um encontro em Cidade da Praia permitiu o reencontro de diversos fugitivos de há 50 anos com os seus «condutores» norte-americanos.

É a essa fuga e a esse reencontro que se refere o texto da Associação Tchiweka de Documentação que podem ler AQUI.

(*) - Diário de Lisboa, 15 de Julho de 1961, Fundação Mário Soares

P.S. - Há cerca de dois anos, pubiquei um texto sobre este tema nos «Caminhos da Memória»: Fugir para lutar. Deixo-o em anexo a este post.

A dívida dos Estados Unidos em imagens


114.5 Trillion Dollars
114.5 Trillion Dollars $114,500,000,000,000. - US unfunded liabilities. To the right you can see the pillar of cold hard $100 bills that dwarfs the WTC & Empire State Building - both at one point world's tallest buildings. If you look carefully you can see the Statue of Liberty.

The 114.5 Trillion dollar super-skyscraper is the amount of money the U.S. Government knows it does not have to fully fund the Medicare, Medicare Prescription Drug Program, Social Security, Military and civil servant pensions. It is the money USA knows it will not have to pay all its bills. If you live in USA this is also your personal credit card bill; you are responsible along with everyone else to pay this back. The citizens of USA created the U.S. Government to serve them, this is what the U.S. Government has done while serving The People.

The unfunded liability is calculated on current tax and funding inputs, and future demographic shifts in US Population.

Note: On the above 114.5T image the size of the base of the money pile is half a trillion, not 1T as on 15T image. The height is double. This was done to reflect the base of Empire State and WTC more closely.

Vale a pena ler, e sobretudo VER, tudo.
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Se a Cristas sabe disto…


Não há aplicação da tecnologia à vida quotidiana, que os japoneses não tentem inventar. Quem não ficou siderados, há já uns anos, com a quantidade de funcionalidades disponíveis em qualquer sanita, quem não sentiu o dever moral de se tornar geek ao olhar para as montras das ruas de Tóquio?!

Fiquei ontem a saber que já existe roupa com um sistema integrado de ar condicionado. Vantagens? É bom para a saúde porque deixa de se respirar ar demasiado frio, fica assegurada mobilidade absoluta com a temperatura desejada e… poupa-se de energia, obviamente: custa menos arrefecer um corpo do que uma casa.

Novo decreto-lei à vista para 2012? (Em tempo de troikas magras, claro que cada funcionário seria obrigado a comprar o seu casaquinho.)

Daqui, através de Auzenda Silva no Facebook.

P.S. - A propósito de tecnologia japonesa, foi deixado este link na Caixa de Comentários, por alguém que vive no Japão.
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Bom Domingo

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Copenhaga, Maio de 2011.
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