30.5.14

Lido por aí (45)

PS: ver e ouvir para crer



Se nos dissessem há uma semana que iríamos assistir a estes dois episódios na história de um partido que já tem idade para ter juízo – o modo como está a desenrolar-se o confronto Costa / Seguro, acolitado pelos respectivos seguidores, e a telenovela ligada à votação do PS na moção de censura ao governo, da autoria do PCP – dificilmente imaginaríamos até que ponto a realidade pode ultrapassar a ficção. Os próximos dias serão interessantes para ocupar um fim-de-semana, provavelmente cinzento, com um filme de humor mais ou menos negro.

Neste momento, mais uma cereja em cima do bolo: à hora a que escrevo, decorre, na Assembleia da República, a discussão da moção de censura. António José Seguro não está presente e enviou um SMS à comunicação social a explicar porquê: não está porque a dita moção é «um frete ao Governo» (sic), mas chegará no momento na votação. E o PS confirmou ontem que votará a favor. Ah, grande líder e grande partido! Valha-nos-deus, porque de homens como estes há pouco a esperar.

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29.5.14

Para amenizar o ambiente



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Inglês ou Religião e Moral?



Não é «Imprensa Falsa» mas julguei que sim quando li o título da notícia: Disciplina Inglês pode ser substituído por Religião no primeiro ciclo.

Vendo um pouco mais em detalhe, percebe-se que a frequência da nova disciplina é facultativa (era melhor que não fosse...) e que não está propriamente incluída nas AEC. No entanto, por um lado, ela obriga, necessariamente, à supressão de uma outra, dada a coincidência de horários; por outro, já são muitas as escolas que só oferecem UMA opção e é bem provável que umas tantas aproveitem para preencher o horário apenas com esta.

Para além do essencial, obviamente: Estado laico? E religião católica ou também budismo, islamismo, etc., etc.?
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Para compreender as Europeias



«No Sábado, o Presidente da República apelou ao voto de todos os portugueses. No dia seguinte, registou-se a maior abstenção de sempre. Cavaco Silva é muito mobilizador, mas não conseguiu competir com um daqueles dias em que não estava bom tempo para a praia nem havia futebol. Talvez não seja boa ideia colocar um homem que nunca pôs um cravo na lapela a apelar ao bom funcionamento do regime nascido da Revolução dos Cravos.»

Na íntegra AQUI.
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Europeísmo



«O grande problema da União Europeia é que andou depressa de mais do ponto de vista burocrático e da "governança", e devagar de mais do ponto de vista democrático e da legitimidade política. Cavou-se deste modo um abismo entre, por um lado, os seus burocratas e os seus líderes e, por outro lado, os seus povos.

O europeísmo procurou ser a ideologia optimista deste abismo, mas o seu colapso está hoje bem à vista. Trata-se de uma espécie de ideologia sem política, tão vaga como ilusória, mas que foi distraindo os europeus das transformações de fundo que ocorriam no mundo e punham cada vez mais em causa o seu status. (...)

A ideologia europeísta acabou deste modo por conduzir ao facto de, quanto mais Bruxelas pesa na Europa, menos a Europa pesa no mundo. (...) Depois das eleições de domingo passado, o risco desta inércia mantém-se – mas o mundo vai continuar a mudar, com todos os seus naturais imprevistos.»

Manuel Maria Carrilho

Lido por aí (44)


@João Abel Manta

* El acuerdo Transatlántico, el fin de la democracia (John Hillary)

* Podemos y la inteligencia (Aníbal Malvar)

* Europa imaginada (Vladimir López Alcañiz)
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28.5.14

Afinal, é isto


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Hoje é 28 de Maio



Em 1926, um dia terrível e decisivo na nossa História marcou o fim da 1ª República e esteve na origem do Estado Novo. Todos os anos havia comemorações, mas duas ficaram na memória.

Foi num outro 28 de Maio, mais concretamente em 1936, no 10º aniversário da «Revolução Nacional», que Salazar proferiu um discurso que viria a ficar tristemente célebre: «Não discutimos a pátria...»



Ainda num outro aniversário – no 40º, em 1966 – o chefe do governo, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto (entre os outros passageiros, acompanhado pela governanta) para assistir às celebrações que tiveram lugar em Braga.



Não se ouve, neste vídeo, uma frase do discurso que deixou o país suspenso: «Eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargura no Governo». Mas Salazar continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade da pátria».

E ficou no cargo até cair de uma cadeira.
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Munições para Seguro?

PS em estado autofágico



António José Seguro anunciou, há dois dias, que o PS votará a favor da Moção de Censura ao governo, apresentada pelo PCP e que será discutida e votada depois de amanhã.

O texto da dita Moção está online, já o li e pergunto: será que o Partido Socialista assina por baixo afirmações como estas, escolhidas a título de exemplo?

«O Governo e os partidos que o suportam (...) têm por objectivo esconder dos portugueses o projecto de amarrar Portugal à situação de dependência, por via dos mesmos ou de outros instrumentos de dominação da União Europeia (designadamente por via do Tratado Orçamental).»
«A mais grave situação nacional desde os tempos do fascismo torna indesmentível o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos, agravada nos últimos anos pela execução dos PEC e do Pacto de Agressão assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira do FMI, BCE e Comissão Europeia.»

Não ditaria o mais elementar bom senso que Seguro tivesse esperado para ver o texto antes de comprometer o seu partido? Claro que haverá declarações de voto (e disciplina?...) com demarcações, mas votar a favor é votar a favor. E esta iniciativa autofágica de se condenar a si próprio é a cereja em cima de um bolo, difícil de digerir, no banquete pandemónico actualmente em curso no PS.

O dia 30 de Maio será uma sexta-feira negra para António José Seguro – talvez mesmo no sentido original da expressão
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Lido por aí (43)


@João Abel Manta

* O desvio de Cavaco (Isabel Moreira)

* Líder Seguro, nem uma coisa nem outra (Ferreira Fernandes)

* A social-democracia em coma induzido (Ana Sá Lopes)
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