13.9.16

A borboleta de Cristas



«Foi Edward Lorenz, matemático e meteorologista do MIT, que usou metaforicamente o exemplo de que um furacão poderia ser influenciado pelo bater de asas de uma longínqua borboleta.

Nasceu assim o "efeito borboleta" na teoria do caos: o princípio de que pequenas causas podem ter grandes efeitos. O anúncio da candidatura de Assunção Cristas à presidência da Câmara Municipal de Lisboa é um bater de asas de borboleta à nossa dimensão. No CDS não haverá nenhum desmoronamento ou inundação: Cristas testa a sua liderança e o valor relativo do partido em futuras contas de uma qualquer coligação; e aproveita a mais sólida oposição à presidência actual da CML como catapulta. O furacão causado por esta borboleta sentiu-se sobretudo na sede no PSD. Passos Coelho, como sempre, usou a sua típica ironia desastrada na resposta, mas isso não disfarça a batata quente que agora saltita nas mãos dos dirigentes sociais-democratas. Sem coligação será difícil desalojar Fernando Medina e Manuel Salgado (nunca se percebe quem é o verdadeiro presidente da CML).

Agora, com Cristas a marcar o seu território, o PSD precisa, para se afirmar como o grande partido da oposição, de ter uma candidatura muito forte. Suspira-se por Santana Lopes, mas atravessará este o Rubicão? Até agora, em Lisboa, o PSD tem sido afónico, quando comparado com o CDS. Este tem colocado o executivo de Medina na defensiva, impondo questões incómodas e mostrando estar informado e preparado para discutir parte dos assuntos que interessam aos lisboetas que estão a ser escorraçados da capital. Sem um candidato galvanizador e conhecedor do terreno, o PSD parecerá um Calimero. Se tem sido um pintainho infeliz na oposição a Medina será apenas uma galinha tonta entre este e Cristas. Não é um problema menor: em Lisboa e no Porto a liderança do PSD testa-se a si própria. E não pode continuar à espera que chegue um salvador qualquer daqui a uns tempos para ganhar Lisboa. Cristas impôs o calendário. Saberá Passos evitar o furacão?»

Fernando Sobral

12.9.16

Dica (387)



Análise ou vontade. (José Pacheco Pereira) 

«Uma das coisas que mais me diverte é ver alguns comentários a destilarem tristeza e nostalgia com o PCP e o BE dizendo qualquer coisa como "olhem como eles eram e vejam como eles são". Bizarras saudades, não dos partidos poderosos e reivindicativos, mas dos tempos em que eles estavam fora do poder e esbracejavam impotentes na oposição. Ah!, como a gente os percebe!» 
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Vem aí chuva



Será que limparam as sarjetas ou vamos ter inundações, amanhã, em Lisboa?
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12.09.1924 – Amílcar Cabral



Nasceu na Guiné (Bafatá), em 12 de Setembro de 1924, fez  o liceu em Cabo Verde, veio mais tarde para Lisboa onde se licenciou em Agronomia. Em 1956 foi um dos fundadores do PAIGC, partido que liderou e que, em Janeiro de 1963 declarou guerra contra o colonialismo de Portugal. Dez anos mais tarde, em 20 de Janeiro de 1973, assassinaram-no em Conacri.

Foi precisamente em Conacri (1969) que esta entrevista teve lugar:



Vale a pena percorrer um riquíssimo arquivo, recuperado e tratado pela Fundação Mário Soares, a pedido das autoridades guineenses e caboverdeanas e com o especial empenho de Aristides Pereira, Iva Cabral e Pedro Pires. Encontra-se na «Casa Comum», site criado por aquela Fundação, e pode ser consultado a partir daqui.
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Prémios também servem para isto




«O actor Nuno Lopes dedicou o prémio conquistado no Festival de Veneza aos habitantes dos bairros da Bela Vista e Jamaica, que “tiveram de lutar contra o grande dragão da austeridade que foi imposto ao nosso país pela Europa cobradora de dívidas”.»



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Feminino e liberdade



«Choca-me a acusação de islamofobia àqueles que criticam e combatem as ideias e práticas islâmicas sobre as mulheres e os costumes. O Alcorão não é aqui relevante para o caso. É certo que no seu versículo 34 do Capítulo IV (entre outros) as mulheres são claramente diminuídas relativamente aos homens (embora mesmo aí os intérpretes divirjam). Mas seria fastidioso enumerar as passagens bíblicas em que isso também ocorre e penso ser escusado lembrar que, em Portugal, as mulheres só passaram a ter direito a voto em 1968. (…) O problema das religiões com as mulheres não é, portanto, um exclusivo dos islamismos, nem sequer dos monoteísmos.

Mas sim, quer o sunismo, quer o xiismo dominantes atuais, tal como o catolicismo pré-Vaticano II, são claramente misóginos e homofóbicos. Entretanto, o cristianismo misógino, tendo sido vencido pelo iluminismo oitocentista e pelo liberalismo e constitucionalismo democrático e laico daí decorrentes, está hoje, graças ao combate dos liberais e à derrota Católica, claramente atenuada e em dissolução. Esse ainda não é o caso de uma parte muito importante do islamismo. Mas espera-se que isso venha a ocorrer no futuro. Sim, a misoginia e a homofobia islâmicas, com origem no ethos social e cultural islâmico, é um mal que deve ser derrotado. (…)

A ideia segundo a qual a eliminação do feminino e das mulheres (porque é isso o que representa a eliminação do rosto e do corpo femininos na esfera pública) decorre da inspiração ou devoção religiosa, islâmica ou outra, não resiste à crítica racional. E aqueles que fazem a apologia do respeito ou indiferença pela desrazão e pela indignidade talvez devessem, também, voltar às catacumbas da Inquisição. Na verdade, ninguém sabe onde isto pode ir dar. Por isso mesmo é que o combate a favor da liberdade e da igualdade continuam a ser fundamentais. (…)

O racismo e o fascismo são desprezíveis e perigosos mas a liberdade de expressão do si mesmo nunca será verdadeira liberdade se só permitir a expressão de ideias dignas (descontando o debate sobre o que isso seja). O mesmo vale, bem entendido, para as ideias misóginas e homofóbicas, que não podendo, nem devendo, ser proibidas, devem ser combatidas cultural e politicamente.

Sim, a misoginia islâmica expressa pelos diferentes véus islâmicos deve ser combatida porque corresponde à expressão pública, e ao proselitismo cultural, de práticas e ideias indignas e contrárias aos direitos humanos fundamentais. Mas não pode nem deve ser proibida, descontando, bem entendido, necessidades securitárias e a salvaguarda pedagógica das crianças e jovens perante ideias e práticas contrárias à dignidade humana.»

11.9.16

Antes que o dia acabe



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Para quê este tipo de discurso, dr. António Costa?




Mas a verdade é que há 3 anos consecutivos que o número de entradas na Universidade, nesta 1ª fase, cresce! E, este ano, só se registaram mais 890 do que em 2015.

Tiradas deste tipo são tão inúteis e tão cansativas…
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Santiago, há 43 anos


11 de Setembro de 1973 foi uma data trágica para o Chile, o dia em que o regime democrático foi derrubado por uma acção conjunta dos militares e outras organizações chilenas, com o apoio do governo dos Estados Unidos e da CIA.

Salvador Allende afirmou, bem antes desse dia, que estava a cumprir um mandato dado pelo povo em 1970 e que só sairia do palácio depois de o cumprir. Ou que o faria «com os pés para diante, num pijama de madeira». Assim aconteceu.

Depois, foi o que é conhecido: 30.000 chilenos foram assassinados durante o regime de Pinochet.




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NY, 15 anos depois



O One World Trade Center, com 102 andares, aberto ao público em Maio de 2015. Perto do 9/11 Memorial, nele se encontra o One World Observatory, com 360º de vista sobre NY. Com o requinte das novas tecnologias, é possível localizar e focar, num tablet, cada edifício ou espaço importante de Manhattan e ver, em detalhe, a sua estrutura, história e funcionalidade.
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Dica (386)

Hoje soube-me a pouco



«Nas televisões e seus dramas quotidianos, incêndios, desavenças, crimes e outros desastres naturais e artificiais, nunca faltam os depoimentos dos chamados populares. Gente que o acaso fez estar à hora errada no local errado, e assim, indefesa, é apanhada pelos diretos e perguntas triviais do jornalista de serviço.

O resultado é invariavelmente dececionante. Não tanto porque raramente se acrescenta alguma informação útil, mas sobretudo porque a prestação individual destes figurantes é quase sempre desanimadora. A maioria tem dificuldade em articular um discurso coerente, dar uma opinião fundamentada, enfim, tanta vez, simplesmente dizer alguma coisa que passe das interjeições.

Quarenta anos passados do 25 de Abril é frustrante perceber que uma parte considerável da nossa população pouco evoluiu no campo da cultura, da educação, do civismo. Os maiores de 60 anos andaram na escola do fascismo e viveram a miséria da ditadura, mas a maioria dos citados interlocutores das televisões já frequentaram a escola da democracia. A diferença existe, mas não é tão acentuada como se esperaria. O que falhou?

A escola democrática não foi capaz de alterar comportamentos e saberes. O meio ambiente e a miséria acabaram por sobrepor-se favorecendo a ignorância e a rotina. Com destaque para a débil situação económica de muitos portugueses que teima em não melhorar. (…)

O problema não é objetivamente dos pobres. Mas das elites. A estratégia do empobrecimento não é uma ideia original de Passos Coelho, ainda que a tenha aplicado com vigor. Está presente no pensamento dos não-pobres, sobretudo da classe média e ricos. Um país com 30% de pobres dá muito jeito aos ricos e fornece muita limpeza à classe média. (…)

Continuamos na mesma. Pelo menos à esquerda há consciência do problema e vontade de o minimizar. O acordo entre o PS e a sua esquerda só trata praticamente desse aspeto, isto é, reposição do rendimento, aumento das pensões mínimas e do salário mínimo. É muito para a situação económica de Portugal. É imenso quando pensamos que se trata de uma visão diametralmente oposta daquela que vigora em Bruxelas. Mas é pouco, muito pouco, para a necessidade das pessoas e sobretudo para a necessidade do próprio país que, deste modo, desperdiça um quarto da sua população.»