12.6.17

Mercados Variegados (6)



Vender artesanato a 4.000m de altitude. Montanhas Simien. Etiópia (2013).
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Dica (568)




«The digital revolution, used here as shorthand for broader technological change, is one of today’s most hotly debated topics in politics, economics and business. It makes politicians wary about which preparatory policies to pursue, economists ponder productivity increases and trade unions think about the future of work. We are undoubtedly faced with large-scale disruptions in many areas that require adjustments.
Most people, however, are struggling to get a firm grip on the subject. They ask: what does this all mean for me and the organisations I am part of? What does technological change mean for my job? What kind of policies could be pursued in order to address these new challenges?» 
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França: «Tout va très bien»




Esta acompanhou-me durante todo o serão de ontem, enquanto seguia as eleições em França.
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Raminagrobis Macron

Corso, ricorso



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«O tema do dia de hoje são as eleições francesas, mas confesso que são para mim as menos interessantes das eleições recentemente ocorridas. Esta minha falta de interesse, certamente erro meu, acompanha também um desinteresse considerável com a política francesa em que nada me parece inovador e de “futuro”. (…)

Já todos percebemos que as eleições não eram o que costumavam ser, os partidos de governo são cada menos de governo, os partidos novos que se criam ou são “movimentos” mais do que partidos, ou são a reciclagem quase sempre não conseguida de partidos velhos. O papel do populismo é importante, mas é um chapéu demasiado grande para nele caberem todas as coisas que se querem lá meter, uma das quais é a confusão entre popular e populista e a outra é chamar populista a tudo o que não é conservador ou centrista. Outra ainda é uma flutuação entre temas de direita e de esquerda, que muitas vezes não acompanha o proselitismo das estruturas políticas tradicionais. (…)

Quer Bernie Sanders, quer Corbyn mobilizaram os jovens como nenhum candidato fez no passado recente e abriram caminho para que se pudessem discutir temas e políticas que foram diabolizadas nas últimas décadas. Deixou de haver uma agenda “ultrapassada” e outra “moderna”, um dos instrumentos ideológicos dos partidários do “ajustamento”, para retirarem da vida política aceitável, bem educada, “realista”, todo uma panóplia de medidas que quase foram ilegalizadas, do socialismo, da social-democracia, do keynesianismo. O “não há alternativa” é a principal vítima dos processos eleitorais recentes, mesmo na América de Trump.

É verdade que em França, também as coisas estão a mudar, mas bastante menos que no Reino Unido e nos EUA. O sistema político desagrega-se pouco a pouco, perde capacidade de, por exemplo, condicionar de forma significativa as presidenciais, mas mantem uma considerável resistência conservadora à mudança como “surpresa”, a única mudança que implica um sentido de história. (…)

Num contexto de enorme abstenção, a vitória esmagadora do proto-partido de Macron, mostra mais a força do conservadorismo francês do que qualquer impulso de mudança. Ela será saudada pelos europeístas, que não querem nenhuma mudança na Europa e vão prosseguir a mesma via de desastre que levou à reacção do Brexit e ao esvaziamento democrático da União, com a correlativa crescente contestação das políticas europeias. (…)

Será também saudado pelos nostálgicos da política habitual do centrismo europeu, e pelos saudosistas da “terceira via”, como uma receita ao mesmo tempo contra o populismo e o nacionalismo, e contra aquilo que tem vindo a ser chamado o “populismo” de esquerda. Os que intimamente ficaram furiosos com a performance de Corbyn, - e muita gente nos partidos socialistas preferia a direita a “essa esquerda”, - ficam hoje felizes com Macron. (…)

A França tem poucas forças interiores a favor da mudança em comparação com a Espanha, a Itália e o Reino Unido, e são essas forças, e só essas forças, seja pelo seu crescimento e afirmação, seja pela reacção que provocam, as únicas capazes de proceder a alterações significativas do sistema político. Se Macron prosseguir em França a mesma política de austeridade dos últimos anos, com os mesmos alvos sociais, que tanto agrada a Berlim e ao Eurogrupo, os demónios que parece apaziguar, levantar-se-ão todos de novo. Só a ruptura com essa política pode hoje na Europa introduzir “novidade” no sistema político.» 
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Grande Capa



OPA é uma excelente expressão!
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11.6.17

Mercados Variegados (5)



Mercado de Natal de Frankfurt. Alemanha (2004).
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Dica (567)




«Cautelosamente, sem triunfalismos entusiastas, é possível divisar alguns sinais ainda tímidos de que a hegemonia ideológica, política e governativa da direita se pode estar a aproximar do fim.
A supremacia ideológica da direita, que tomou forma logo no início dos anos 90 do século passado, transformou-se no pensamento único, formatou inteligências, recrutou nas franjas da social-democracia alguns dos seus mais combativos sicários, como os seguidistas das «terceiras vias» e outros liquidacionistas. De caminho, aniquilou a social-democracia europeia, remeteu os últimos resistentes da esquerda para o purgatório das curiosidades históricas, decretou que não há salvação fora dos mercados.»
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França – Venceu a abstenção


50,2%
(Estimada)
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11.06.1982 – ET Phone Home



E.T., foi lançado em 11 de Junho de 1982, faz hoje 35 anos. Alguns meses depois, antes do Natal do mesmo ano, essa belíssima história de amor teve estreia em Portugal e foi, para muitas crianças, a primeira oportunidade de verem um grande filme numa sala de cinema – e de chorarem, como outros o tinham feito décadas antes, quando apareceu o Bambi.

Logo no ano seguinte recebeu Óscares para melhor banda sonora, melhores efeitos especiais, melhores efeitos sonoros e melhor som. Foi um extraordinário sucesso em termos de bilheteira, até ser batido por mais um filme também de Spielberg – Jurassic Park –, lançado num outro 11 de Junho (de 1993).

Quem não se lembra do desfecho do E.T.?




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Feira do Livro

«Hope is back again!»



«Ia ser um passeio. May era a nova Thatcher, Corbyn ia enterrar-se, e acabava-se definitivamente a guinada à esquerda que ele imprimiu ao Labour desde 2015, contra o velho New Labour blairista, o partido que fizera a guerra do Iraque, não revertera a devastação privatizadora do thatcherismo e dera seguimento ao desmantelamento do Welfare State britânico. Andavam eufóricos todos aqueles que, horrorizados com esse Corbyn chavista (é o que lhe chama Boris Johnson, os jornais de Murdoch ou os nossos pregadores anti-geringonça), sabiam de boa ciência que Corbyn, velho de 68 anos, era "inelegível", um homem da "extrema-esquerda" que, como se escreveu por cá, "ainda não percebeu em que século estamos".

Afinal, Corbyn juntou 40% dos votos (mais 9,6% que em 2010), e, sem discutir a legitimidade do voto no "Brexit", assumiu propostas sociais e económicas claramente antiliberais que lhe atraíram mais 3,5 milhões de votantes. (…)

O que explica, então, que haja mais gente a votar, num dos países onde a abstenção, desde Blair, batia recordes? O que explica a remobilização da esperança política? É que, por fim, os eleitores britânicos sentiam ter uma escolha clara. Quanto mais Corbyn prometia aumentar os impostos das grandes fortunas e se comprometia a aumentar o IRC de 19% para 26%, renacionalizar os caminhos de ferro, os correios e a água, ou prometia reconstituir um sistema público de distribuição da energia; quanto mais Corbyn prometia acabar com as propinas nas universidades públicas (contrariando tudo quanto o governo Blair fizera, transformando as universidades nas mais caras e elitistas da Europa); quanto mais o manifesto eleitoral trabalhista era, por tudo isto, descrito como "marxista extremista" e "amigo dos terroristas" por rejeitar abertamente a política conservadora (e de Blair, em 2001) de "suspensão" de direitos humanos em nome da "segurança"; quanto mais Corbyn tinha coragem para denunciar a responsabilidade da intervenção militar ocidental no Médio Oriente como uma das causas evidentes do terrorismo jihadista; tanto mais se confirmava a sua capacidade de re-sintonizar com o eleitorado popular (e, em especial, os jovens) que, exasperado com o Blair-igual-a-Thatcher-igual-a-Cameron, tinha optado, nas eleições de 2010 e 2015, pela abstenção ou pela extrema-direita do UKIP.

As eleições britânicas vêm ajudar à discussão do futuro da social-democracia, forçada a tomar posição nesta era de autoritarismo securitário. (…) Se Corbyn tiver razão quando diz que a "política mudou e não vai voltar para dentro da caixa onde a tinham fechado", pode contribuir decisivamente para constituir essa frente dos que partilham a "esperança em que isto não tenha que ser assim (...), que se pode pôr fim à austeridade, que podemos fazer frente às elites e aos cínicos" (Corbyn, discurso de encerramento da campanha eleitoral).

Vá, e agora chamem-lhe populista...»

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