30.1.18

Gandhi foi assassinado há 70 anos



Mahatma Gandhi foi assassinado em 30 de Janeiro de 1948, com 78 anos, depois de ter sido o artífice lendário e decisivo dos direitos cívicos, que levaram á independência da Índia. Mas nem tudo foi fácil depois e vale a pena ouvir uma curta descrição em «Os Dias da História» de hoje.

Raj Ghat, memorial e local onde se encontram as cinzas de Ganghi, em Nova Deli, por onde já passei duas vezes. Continua a ser a grande, a enorme referência do país:



A morte e a multidão de dois milhões de pessoas, que terão acompanhado o funeral:




Londres, em 20.10.1932, um discurso que ficou célebre:


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As vistas curtas do Partido Socialista


«Mais um janeiro que termina, mais um brilharete de Mário Centeno, transformado em mantra pelo Partido Socialista. Já ninguém se lembra do objetivo aprovado no Parlamento para o défice em 2017, mas o importante é que este tenha ficado abaixo do então previsto. Mais de dois mil milhões de euros (em contabilidade pública). Foi quanto custou ao país a inscrição na liga da elite europeia das Finanças de 2017. Dirá o Governo, não sem razão, que este resultado se deve ao crescimento económico. Mas não explica porque preferiu usar esse crescimento para reduzir o défice além do prometido às instituições europeias, em vez de o investir em saúde, educação ou infraestruturas. Os valores do investimento público deste Executivo são humilhantes e mostram o paradigma de um Governo bloqueado pelo sucesso do seu próprio ministro das Finanças. (…)
Se de facto quisesse romper com este modelo, o Partido Socialista precisaria de ver muito além dos brilharetes orçamentais. As vistas curtas de Mário Centeno não chegam para a mudança necessária.»

(Daqui)
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Rui Rio e Jacqueline Onassis



«O já desaparecido dirigente chinês Chou Enlai foi uma vez convidado a especular sobre como o curso da História teria sido diferente se, por exemplo, quem tivesse sido assassinado fosse Nikita Khrushchev em vez de John F. Kennedy.

O austero marxista Chou não acreditava que meros acontecimentos pessoais alterassem a História. Porque isso fazia parte de movimentos sociais. Mas era capaz de pensar que algumas coisas poderiam ser diferentes. Como? Chou Enlai disse então: "Bem, penso que dificilmente Aristóteles Onassis teria casado com a senhora Khrushchev." Neste caso dificilmente um liberal duro não concordaria com um marxista como Chou. Há coisas simples que ultrapassam as barreiras ideológicas. Muitos anos depois, sem ter de se defrontar com um dilema transcendente ao que se poderia ter colocado a Aristóteles Onassis, Rui Rio decidiu mostrar que já é líder do PSD (ou pelo menos de uma concelhia desse partido). Questionou por isso o Governo com voz dura: "Porque é que a Google em Portugal tem de ir parar a Lisboa?"

A pergunta é pertinente: porque é que a Google não vai para a Guarda, para Bragança ou para Beja? Há muito que há uma excessiva centralização de serviços públicos em Lisboa, coisa com que PS ou PSD nunca se preocuparam muito. Qualquer um deles tem na sua sala de troféus a deslocalização de qualquer serviço público existente nas vilas e freguesias do interior, porque eram caras e não rentáveis. Poderia ser que Rui Rio quisesse mudar essa postura. Mas tudo não passou de um populismo bairrista. A resposta é simples: a Google decidiu, por razões operacionais, e o Governo não risca aí como nos países onde se fazem planos quinquenais. Este é mais um daqueles momentos tacanhos em que se finge que se é pela descentralização e se acaba no ridículo. Foi uma péssima forma de Rui Rio se estrear a debitar alternativas ao Executivo de António Costa. Imagine-se que teria de optar, na versão de Chou Enlai, como Onassis, entre a senhora Kennedy e a senhora Khrushchev.»

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29.1.18

O adeus a Edmundo Pedro


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«O Tempo e o Modo» – 55 anos



Ler AQUI.
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#bebeusopasdecavalocansadoempequenino


Um cidadão informado não bebe leite.

E dizem que é deputado!
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Uma zona euro de credores e devedores?



«É interessante, e útil, olhar para algumas séries históricas de variáveis macroeconómicas que ilustram o que ocorre na zona euro. É certo que as estatísticas podem ter várias leituras e, tal como na figura abaixo, o efeito depende do ano base escolhido. No entanto, essas variáveis podem contar uma história.

Uma das maiores divergências entre países como a Alemanha e Portugal reflecte-se na posição de investimento internacional líquida, estatística macroeconómica que é uma medida lata das obrigações financeiras (ou seja, da dívida líquida) do país face ao exterior.

A figura revela que, entre 1996 e 2016, países como a Alemanha e a Holanda tornaram-se países credores do resto do mundo, em particular do resto da zona euro, e os países da periferia tornaram-se progressivamente mais devedores.

E é surpreendente por mais uma razão. Devido a um efeito do tipo histerese, que resulta dos juros e dividendos que remuneram os activos detidos por não residentes serem superiores aos auferidos por residentes sobre os activos que possuem no exterior (balança de rendimentos negativa), não obstante a melhoria do saldo da balança corrente e de capital dos países periféricos observada desde 2008, a posição de investimento internacional líquida de Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda continua muito negativa, tendo-se deteriorado no caso destes últimos dois países.

A política de austeridade, acompanhada por uma política monetária acomodatícia sem precedentes, permitiu diminuir ligeiramente os passivos externos líquidos de Portugal e Espanha. Na Grécia, a posição de investimento internacional continua a degradar-se. A Irlanda é um caso à parte porque a sua zona franca torna as suas estatísticas dificilmente interpretáveis. Mas provavelmente, dos países periféricos, é o país com maiores desequilíbrios externos.

No presente, as taxas de juro da dívida soberana dos países periféricos e a diferença de taxas de juro da dívida pública de países periféricos e de países como a Alemanha (spreads) continuam a cair, com reflexos positivos nas contas externas desses países, o que tende a contribuir para a redução dos respectivos passivos externos.

A normalização da política monetária alteraria essa situação, pois resultaria previsivelmente num aumento tanto dos spreads como das próprias taxas de juro. No longo prazo, estes dois efeitos afectariam negativamente a despesa líquida do país com juros e dividendos pagos a não residentes e, por conseguinte, a trajectória da dívida externa e da posição de investimento internacional do país.

No curto e médio prazo, como uma parte significativa da dívida externa portuguesa, em particular, a componente de dívida pública, foi contraída a taxas de juro substancialmente mais elevadas do que as que se observam no presente, a despesa líquida do país com juros e dividendos a não residentes ainda continuaria a descer.

Mas os desequilíbrios são demasiado elevados, mesmo com o programa de expansão quantitativa. Não é, por isso, expectável que os países devedores consigam algum dia reduzir os respectivos passivos externos para níveis sustentáveis. A reestruturação de dívida continua na ordem do dia.

O risco para a zona euro é este: tornar-se, de forma permanente, num clube de credores e de devedores, onde os credores “mandam” nos devedores.»

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28.1.18

Sérgio Godinho – do novo disco




«Há-de haver outra perspectiva / Para usarmos a alegria em vida»
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Rui Rio pergunta


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Rajoy com açúcar



E a frase é mesmo dele.
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Dica (704)



A nova etapa da governação (Manuel Carvalho Da Silva) 

«No atual contexto de crescimento económico, onde já há muita gente a fazer muito dinheiro, por exemplo, no negócio imobiliário e em áreas de exportação, se o Governo não intervier no reequilíbrio de poder entre trabalho e capital, o resultado será só um: um aumento crescente das desigualdades. Há quem à Direita clame contra qualquer alteração na legislação do trabalho, acusando a Esquerda de querer essa revisão por razões ideológicas. Será que as pessoas quererem viver melhor, em particular quando há condições para isso, é um preconceito ideológico?»
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Em que mundo queremos viver?



«Ursula K. Le Guin, a grande escritora de ficção científica (que morreu há poucos dias), era fascinada pelas cinzas do capitalismo industrial. E propunha, de alguma maneira, o regresso às leis da natureza.

Como referia Margaret Atwood, o que a movia era uma simples questão: em que mundo queremos viver?

Tema que, de certa maneira, nos atira para o que se discute nestes dias em Davos: o futuro da globalização face às nuvens do proteccionismo, o lugar do nacionalismo no meio da gritaria do populismo, o destino do trabalho neste contexto virtual e robotizado. Le Guin, num dos seus livros mais marcantes ("The Left Hand of Darkness") apresentava-nos um planeta, Gethen, que estava dividido em duas sociedades. Numa delas, o rei está louco, e os cabalistas e os poderes pessoais abundam.

Num dia estás no círculo do poder, no outro estás fora. Na outra sociedade a burocracia opressiva governa tudo e todos e um comité secreto sabe o que é melhor para os cidadãos. Se alguém for um perigo, será exilado ou isolado. Sem hipóteses de contrapor factos.

Walter Benjamin disse uma vez que o que levava os homens e mulheres à revolta não eram os sonhos dos netos, mas sim as memórias de antepassados oprimidos. Talvez fosse isso, que tem a ver com a morte do "capitalismo insustrial" na Manchester da década de 1970, que marcou a música de Mark E. Smith, o líder do grupo The Fall, que desapareceu também por estes dias.

Mais do que a sua alucinação pós-punk e pós-industrial, sempre fiquei muito mais marcado por outro grupo de Manchester, os Joy Division, que mostrou que a música podia ser muito mais do que puro entretenimento: permite-nos ler as zonas mais negras e subterrâneas das emoções humanas. De alguma maneira o som dos The Fall, construído numa cidade industrial em ruínas onde os mais novos não sabiam o que fazer, era uma espécie de ficção científica.

E não deixa de ser curioso como a obra de Ursula K. Le Guin e de Mark Smith nos fazem olhar de outra forma para o que se discute em Davos. Mesmo se os que ali estão presentes estão reféns do que pode dizer Donald Trump para mostrar que o proteccionismo pode ser bom para a globalização (a ideologia que move Davos).

Estamos claramente no limiar de um novo mundo e de uma nova forma de perceber melhor a relação dos cidadãos, da democracia e do valor do trabalho com a Inteligência Artificial, as elites que se criaram e a acumulação de "data".

É um mundo que abre novos desafios e que abre o caminho à revolta nacionalista (e populista), porque os deserdados de hoje olham para o que tinham apenas há alguns anos e descobrem que não têm rede de segurança para si e para os seus. E compreendem a implantação de uma sociedade "low cost", onde há apenas limiares mínimos de sobrevivência garantida. Que mundo vamos ter. E, melhor, em que mundo queremos viver?»

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