Lembra-me o Facebook que, há 7 anos, em 10.04.2011, José Medeiros Ferreira, aquele que tantas vezes viu bem para lá da espuma dos dias, escreveu isto. Já não esteve cá para ver, mas estivemos nós.
11.4.18
10.4.18
Primeiro o défice, depois as crianças com cancro?
Não sei o que faria se tivesse uma criança da minha família numa situação destas!
«Após a notícia, e numa mensagem enviada esta manhã à Antena 1, a administração do Hospital de S. João disse que esta quase há quase um ano à espera que o Governo liberte verbas para a nova unidade pediátrica. O Ministério da Saúde confirmou que o dinheiro irá ser desbloqueado, mas não avançou uma data.
O Bastonário da Ordem dos Médicos também reagiu. Em declarações à Renascença, Miguel Guimarães disse que "é lamentável que o ministro da Saúde ainda não tenha resolvido uma situação que é muito fácil. O que se está a pedir não é a construção de um hospital novo, é que as crianças e os respetivos profissionais, que estão em contentores no jardim do São João, passem para dentro do hospital. Claro que é preciso fazer algumas obras, que custam dinheiro, e, por isso, essa situação não está a ser a ser resolvida".»
.Não há governos de minoria absoluta
«O Governo decidiu alterar unilateralmente as metas do défice negociadas para o Orçamento do Estado para 2018 e condicionar as negociações para 2019, afastando à partida aumentos salariais na Função Pública. É um mau prelúdio para as negociações do último Orçamento da legislatura.
Esta postura baseia-se em dois equívocos. O primeiro é que a recuperação da economia portuguesa não resulta sobretudo das medidas negociadas à Esquerda, mas unicamente de uma credibilidade assente em brilharetes orçamentais. O segundo equívoco é que o Ministro das Finanças pode dispensar a negociação com a maioria parlamentar.
Quando, em dezembro passado, votamos o Orçamento para 2018, fizemo-lo conscientes das suas limitações, definidas nas metas do défice prometidas pelo Governo a Bruxelas. Foram essas metas que nos impediram de ir mais longe no reforço do investimento, dos serviços públicos e da recuperação de rendimentos. Não se compreende, por isso, que agora o Governo reveja em baixa a meta para o défice, meta que já traduzia um difícil compromisso político, votado na Assembleia da República. Se atingimos o objetivo de, com crescimento económico, criar folga orçamental, essa folga tem de ser investida no país e não permite ir além das metas que formaram o quadro orçamental acordado.
Com a mesma incompreensão se lê outro anúncio com que Mário Centeno pretende definir à partida um orçamento que ainda não negociou: o de que não haverá aumentos para os trabalhadores do Estado no próximo ano. A Função Pública tem os salários congelados há uma década e não há regresso à normalidade sem atualização salarial. Não é aceitável que as escolhas sobre as prioridades orçamentais do próximo ano sejam objeto de vetos unilaterais antes de qualquer discussão e com os tiques de uma maioria absoluta que não existe.
O Governo do PS faz mal em pôr em causa a estabilidade da atual solução parlamentar, a maioria que impôs mudanças importantes no contexto de um Governo minoritário. Estamos a um ano e meio das eleições e temos um Orçamento para executar e outro para negociar e votar. As expectativas do país são altas, como bem se viu na importante mobilização no setor das artes, e há muito por fazer. Aconselha-se tranquilidade e modéstia quanto baste.»
Mariana Mortágua
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9.4.18
Dica (741)
Os despejos, a "lei Cristas" e a demagogia (Fernanda Câncio)
«O congelamento das rendas foi um erro histórico com múltiplos efeitos perversos; considerar que qualquer solução à calamidade que se vive nos centros de Lisboa e Porto passa por mais congelamento é de bradar aos céus, tanto mais que muitos dos despejos são resultantes da não renovação de contratos posteriores a 1990, quando o mercado de arrendamento foi liberalizado. É preciso pensar uma forma de intervir que limite a possibilidade de aumento histérico das rendas sem desmotivar o interesse dos proprietários pelo arrendamento de longa duração. Condená-los à benemerência e portanto à ruína, que é o que congelamento das rendas implica, não só é completamente iníquo como tem tido o belo resultado a que estamos a assistir.»
.Socorro, democracia!
«Há poucas semanas Xico Sá escrevia, no El País/Brasil, uma coluna que tinha um título arrepiante: "Me chamo Democracia e peço socorro no Brasil". O texto era um postal ilustrado de um país onde a liberdade do samba tinha chegado a um morro e só encontrava um abismo de intolerância. Com urubus a dançar. Não há no Brasil mais garotas de Ipanema, observadas pelos poetas e músicos boémios, nem o mundo maravilhoso da Amazónia, nem as praias sedosas cercadas de coqueiros e cobiçadas pelas tartarugas. Não há aqui mais tempo para um país divino, onde há de tudo, mas que sempre ficou separado, com arame farpado, entre os muito ricos e os muito pobres. O mundo das telenovelas da Globo só serviu para democratizar sentimentos e ambições e para embalar os brasileiros sem futuro num sonho americano em que era possível saltar a vala da diferença social. Hoje, depois de anos de ditadura militar, de sonhos democráticos, da paz de Fernando Henrique Cardoso, da euforia de Lula da Silva, o Brasil deixou de ter tempo para o cafuné de Gabriela. Está dividido ao meio, entre os que apoiam Lula e os que o detestam. Porque, corrupção à parte, o que estilhaça o Brasil é esse fosso que ninguém consegue atravessar. Não há pontes. Há favelas e condomínios privados.
O destino de Lula, seja ele qual for, não trava este desnorte que atravessa o Brasil, como se o ritmo do samba tivesse sido contaminado por uma banda de heavy metal. Se tivesse sobrevivido ao Lava Jato, Lula talvez ganhasse as próximas eleições. Mas o problema é que quase toda a classe política brasileira está contaminada pelo vírus da corrupção. E isso vê-se no Governo de Michel Temer, amarrado aos madeireiros que desflorestam a Amazónia e às seitas religiosas que ganham terreno político. Lula não deveria estar só. Com Lula preso, o Brasil não vai voltar a ser inocente. As rugas da corrupção estão em muitos rostos. Pior, a sociedade cindiu-se. E é nesse mundo que os militares começam a mostrar as garras. Como se dsentissem nostalgia de outros tempos. Socorro, democracia!»
Fernando Sobral
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8.4.18
O discurso de Lula da Silva na íntegra
Para memória futura, deixou aqui o texto do longo discurso de Lula, ontem, 07.04.2018, antes de se entregar à polícia para ser preso.
«Queridas companheiras e queridos companheiros,
Querido companheiro Wagner, presidente da CUT,
Querido companheiro Aloísio Mercadante, ex-Senador, ex-Deputado Federal, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, ex-Ministro da Educação, ex-Ministro da Casa Civil da presidenta Dilma, porra se eu tivesse tantos títulos assim eu seria Presidente da República.
Companheiro Guilherme Boulos, nosso companheiro que está iniciando uma jornada sendo candidato a Presidente da República pelo Psol, mas é um companheiro da mais alta qualidade que vocês têm que levar em conta a seriedade desse menino. Eu digo menino porque ele só tem 35 anos de idade e quando eu fiz a greve de 78, eu tinha 33 anos de idade e consegui, através da greve, chegar a criar um partido e virar Presidente. Você tem futuro meu irmão, é só não desistir nunca.
Quero cumprimentar essa garota [Manuela Davila], essa garota bonita, garota militante do PCdoB, que também está fazendo a sua primeira experiência como candidata a Presidenta da República pelo PCdoB, porque eu acho um motivo de orgulho e uma perspectiva de esperança para esse país ter gente nova se dispondo a enfrentar a negação da política, assumindo a política e dizendo nós queremos ser Presidente da República para mudar a história do país.
Quero agradecer a companhia dessa mulher[Dilma Rousseff]. Possivelmente a mais injustiçada das mulheres que um dia ousaram fazer política nesse país. A injustiçada pelo jeito de governar, acusada de não saber conversar, acusada de não saber fazer política, mas eu quero ser testemunha de vocês: a Dilma foi a pessoa que me deu a tranquilidade de fazer quase tudo que eu consegui fazer na Presidência da República pela confiança, pela seriedade, e pela qualidade e competência técnica da Dilma. Eu sou….eu sou grato, grato de coração porque não teria sido o que foi se não fosse a companheira Dilma. Portanto Dilma você sabe que eu serei profundamente, para o resto da vida, repartirei o meu sucesso na Presidência com Vossa Excelência, independentemente do que aconteça nesse mundo.
Quero cumprimentar o meu querido companheiro Fernando Haddad que viveu o melhor período de investimento na educação brasileira.
Quero cumprimentar o meu companheiro Celso Amorim. Companheiro que certamente foi o mais importante Ministro das Relações Exteriores que esse país já teve, que colocou o Brasil como protagonista mundial durante todo nosso governo.
Quero parabenizar o nosso companheiro Ivan Valente, deputado pelo Psol, companheiro que está aqui.
Quero cumprimentar o nosso valoroso, o nosso extraordinário João Pedro Stédile, presidente e coordenador do Movimento Sem Terra.
Quero cumprimentar, eu não sei o nome, mas o companheiro presidente do Psol, o Juliano, jovem presidente do Psol.
Quero cumprimentar o nosso querido escritor Fernando de Moraes que está escrevendo a biografia do meu governo que nunca termina, porra. Eu estou quase para morrer e ele não termina minha biografia.
Quero cumprimentar o nosso querido companheiro Paulo Pimenta, líder do PT. O homem que tem o blog dos deputados mais importante em Brasília e o cidadão que melhor tem enfrentado o Moro e a operação Lava Jato, naquilo que são os defeitos dela. Parabéns, companheiro Pimenta.
Quero cumprimentar o índio mais esperto do Brasil o Presidente do Piauí, o Governador do Piauí, o companheiro Wellington, que está cumprindo o terceiro mandato e pelo andar das pesquisas ele está a caminho de cumprir o quarto mandato como governador do Estado do Piauí.
Quero, aqui, cumprimentar o companheiro Emídio, tesoureiro do PT e ex-prefeito de Osasco, que tem trabalhado incansavelmente para a gente recuperar o papel do PT na história desse país.
Quero cumprimentar o companheiro Orlando Silva, presidente, ou melhor, deputado do PCdoB.
Quero cumprimentar o nosso companheiro Índio, que é da Intersindical, é um companheiro de muita qualidade.
Quero cumprimentar o Presidente da CTB que está aqui, que é companheiro Adílson, que é um companheiro também muito importante no movimento sindical.
Quero cumprimentar a nossa companheira Gleisi Hoffmann, a nossa querida Presidenta do nosso partido.
08.04.1929 - Brel 89
É um ritual a que regresso todos os anos: recordar que Jacques Brel seria hoje um velho (de 89 anos) se não tivesse adormecido demasiado cedo: «Les vieux ne meurent pas, ils s’endorment un jour et dorment trop longtemps» –
disse ele:
Um dos meus monstros mais do que sagrados, com um registo especial: tive a sorte de o ver e ouvir, em pessoa, era ele jovem e eu muito mais ainda... Em Lovaina, na Bélgica, num espectáculo extraordinário a que se seguiu, já na rua, uma cena de pancadaria entre valões e flamengos, com bastonadas da polícia e muitas montras partidas à pedrada. Tudo porque Brel, em terra de flamengos, insistiu em cantar um dos seus êxitos – Les Flamandes – onde uma parte das suas compatriotas não é muito bem tratada. Ele era assim.
Uma das minhas preferidas:
E a inevitável:
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