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7.8.18
Dica (794)
Losing Earth: The Decade We Almost Stopped Climate Change (Nathaniel Rich)
«This narrative by Nathaniel Rich is a work of history, addressing the 10-year period from 1979 to 1989: the decisive decade when humankind first came to a broad understanding of the causes and dangers of climate change. Complementing the text is a series of aerial photographs and videos, all shot over the past year by George Steinmetz. With support from the Pulitzer Center, this two-part article is based on 18 months of reporting and well over a hundred interviews. It tracks the efforts of a small group of American scientists, activists and politicians to raise the alarm and stave off catastrophe. It will come as a revelation to many readers — an agonizing revelation — to understand how thoroughly they grasped the problem and how close they came to solving it.»
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Marcelo e dress code
Não tenho esquisitices neste domínio. Já me habituei a ver e ouvir Marcelo em traje de banho a falar como presidente da República, dia após dia, e, se aparecer assim na Sala das Bicas, em Belém, já acharei normal. Mas espero que nunca mais critiquem os xanatos dos Mujicas deste mundo.
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Eleições na descontinuidade
«As crises de descontinuidade, aquelas em que o presente não liga o passado com o futuro, não encontram solução satisfatória através da utilização dos procedimentos eleitorais se antes da próxima data eleitoral os partidos concorrentes não tiverem feito a actualização dos seus programas e das suas propostas. Sem a orientação actualizada dos partidos, os eleitores ficarão presos nas suas memórias, porque não haverá nenhuma entidade política que os informe do que está a ser esta crise e do que a mudança vai implicar. Os eleitores têm os seus interesses e as suas expectativas e escolhem os que prometem defender os seus interesses e confirmar as suas expectativas. Quando há uma crise de descontinuidade, os interesses já não se definem nem se defendem do mesmo modo e as expectativas, pela natureza das coisas, já não vão ser confirmadas depois de tudo o que mudou.
A crise financeira de 2008 pertence ao tipo de crise de descontinuidade, mas foi tratada como se fosse um desequilíbrio temporário que poderia ser corrigido e controlado dentro da mesma estrutura de interesses e expectativas. Por isso, os debates que estimulou estabeleceram-se entre os defensores da austeridade para controlar défices e dívida, e os defensores dos estímulos ao crescimento, que também prometiam controlar défices e dívida. Como nem os défices nem a dívida foram controlados, como nem a austeridade nem o crescimento foram suficientes, será melhor admitir que a crise não era um desequilíbrio temporário, era o efeito de uma mudança de natureza nos movimentos de capitais, nos movimentos de pessoas em função dos diferenciais demográficos, nas condições de competitividade na economia mundial.
Quando hoje é evidente que Estados Unidos e Rússia, Trump e Putin, estabelecem uma aliança estratégica para fragmentar a União Europeia, apoiam os movimentos do nacionalismo populista, promovem as soluções autoritárias e a formação de barreiras alfandegárias, também se tornou evidente que os debates sobre austeridades e estímulos não captaram a natureza da crise nem anteciparam as suas consequências.»
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6.8.18
06.08.1966. Chamaram-lhe «Salazar»
E, no entanto, com a sagacidade que o caracterizava, o presidente do Conselho de Ministros previu o que viria a acontecer alguns anos mais tarde. Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, terá perguntado: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» Deram algum trabalho, sim, mas aconteceu:
No dia na inauguração, claro não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:
Atravessei a Ponte alguns dias depois de ter sido inaugurada, no velho carocha de um amigo, com um bote em cima, a caminho da Arrábida. Começava uma nova vida, chegava-se muito mais rapidamente ao paraíso das nossas férias, sem cacilheiros dependentes de nevoeiros, nem longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel. Para quem vivia «do lado de lá», foi a facilidade quase inimaginável de alcançar Lisboa mais facilmente para chegar ao trabalho, ao liceu ou à faculdade ou simplesmente para passear.
Não deve ser fácil para quem nasceu mais tarde imaginar Lisboa sem «a Ponte». Mas nós, os seus antepassados, sobrevivemos.
. A vaga de calor
«Nem os super-heróis nos salvam do calor. Telefonaram a Iceman, mas este estava no chuveiro. Enquanto Portugal tem um olho de prevenção nos incêndios e outro no abano que usa para fazer aparecer alguma brisa refrescante, a Europa torra. Calores extremos na Suécia, incêndios devastadores na Grécia, sol escaldante no Japão. Nas esquinas, olhando para a forma como temos maltratado um planeta vivo como é a Terra, desde a Revolução Industrial, há quem tenha um taco de basebol para acertar na cabeça dos políticos de serviço ao Governo do momento.
Mas a questão é que, ao contrário do que Donald Trump pensa, as alterações climáticas não são "fake news". São uma questão séria. Com severas implicações sociais, ambientais, económicas e políticas. A água vai ser o petróleo deste século e muita da migração que vem de África em busca da Europa vai aumentar ainda mais por causa disso. A fúria social vai caminhar de mão dada com o calor.
O aquecimento global é real. Sente-se. E o problema é que não podemos fugir dele. Nem nos podemos esconder, fingindo que não é nada connosco. Vai trazer alterações radicais às sociedades. Mais calor, mais fogos, menos água, vão ser a norma e não a excepção. O ritmo das estações, como as conhecemos há 20 ou 30 anos, alterou-se.
A Terra deixou de ser um relógio. Os habitantes daquilo a que se chamou o terceiro pedregulho a contar do Sol vão ter de se confrontar com fenómenos extremos com cada vez maior frequência.
Mas como irão os políticos e os eleitorados lidar com estas questões? As boas (ou más) decisões já não vão afectar apenas o dia seguinte: vão determinar o curto prazo. Em Portugal, a classe política dedicou-se a procurar os culpados dos incêndios do ano passado, mas não se viu que ela estivesse interessada em que a sociedade debatesse e se inteirasse do problema mais vasto. São precisas boas políticas e bons políticos para enfrentar esta vaga de calor. Que derrete muitas certezas políticas, económicas e sociais.»
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5.8.18
Dica (793)
A evolução do regime do presidente Daniel Ortega a partir de 2007 (Eric Toussaint)
«A fim de ganhar as eleições presidenciais de Novembro de 2006, Daniel Ortega conseguiu tornar aceitável a sua eleição pelas classes dominantes. Ortega fez também por conservar o apoio de uma série de dirigentes das organizações populares sandinistas.»
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Entretanto na China
Chine : un intellectuel dissident disparaît après une interview interrompue en direct.
Estava a dar uma entrevista pelo telefone, a polícia entrou-lhe em casa e ele está desaparecido. Nada de novo porque isto aconteceu na China? Pois… talvez por enquanto.
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CP? Absolutamente extraordinário!
«Vendas suspensas para diminuir calor a bordo, porque ar condicionado dos alfas pendulares não arrefece quando a temperatura está acima dos 42 graus.»
Os EUA arriscam perder a guerra comercial com a China
Joseph E. Stiglitz no Expresso Economia de 04.07.2018:
«O que começou por ser uma escaramuça comercial, com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a impor taxas aduaneiras sobre o aço e o alumínio, parece estar rapidamente a transformar-se numa guerra comercial generalizada com a China. Se as tréguas aprovadas entre a Europa e os EUA se mantiverem, Washington enfrentará quase exclusivamente Pequim, em vez de enfrentar o mundo (e, evidentemente, o conflito comercial com o Canadá e o México continuará em lume brando, dadas as exigências dos EUA que não podem nem devem ser aceites por qualquer um desses países).
Além da afirmação verdadeira, mas agora já óbvia, de que todos perderão, o que podemos dizer das consequências possíveis da guerra comercial de Trump?
Em primeiro lugar, a macroeconomia triunfa sempre: se o investimento nacional dos EUA continuar a exceder as suas poupanças, o país terá de importar capital e de manter um défice comercial assinalável. Pior que isso, devido aos cortes fiscais promulgados no fim do ano passado, o défice orçamental dos EUA está a atingir novos máximos — recentemente, foi previsto que ultrapassasse 1 bilião de dólares até 2020. O que significa que, quase certamente, o défice comercial aumentará, independentemente das consequências da guerra comercial. O único cenário em que isso não acontecerá é se Trump levar os EUA para uma recessão, fazendo os rendimentos diminuir tanto que o investimento e as importações caiam a pique.
A “melhor” consequência da obtusa insistência de Trump no défice comercial com a China seria a melhoria do saldo bilateral, contrabalançada por um aumento correspondente no défice com um qualquer outro país (ou países). Os EUA poderiam vender mais gás natural à China e comprar menos máquinas de lavar; mas venderiam menos gás natural a outros países e comprariam máquinas de lavar, ou quaisquer outros bens, à Tailândia ou a outro país que tenha evitado a colérica ira de Trump. Mas, como os EUA interferiram com o mercado, pagariam mais pelas suas importações e conseguiriam menos pelas suas exportações do que em caso contrário. Em resumo, a ‘melhor’ consequência significa que os EUA ficarão pior do que estão hoje.
Os EUA têm um problema, mas não com a China. O seu problema é interno: a América tem poupado demasiado pouco. Trump, como muitos dos seus compatriotas, tem uma visão imensamente míope. Se tivesse um mínimo de entendimento da economia e uma visão de longo prazo, teria feito o que pudesse para aumentar a poupança nacional. Isso teria reduzido o défice comercial multilateral.
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