4.1.19

Bora ver Miguel Macedo outra vez interrogado na TV?





Ferreira Fernandes .

É mais ou menos isto


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Um ano muito trumpiano



«No final de 2017, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os republicanos no Congresso impuseram um corte de um bilião de dólares nos impostos das empresas, parcialmente compensado por aumentos de impostos para a maioria dos americanos no meio da distribuição de rendimentos. Mas, em 2018, o júbilo da comunidade empresarial dos EUA com este bodo começou a dar lugar à ansiedade em relação a Trump e às suas políticas.

Um ano atrás, a ganância desenfreada dos líderes empresariais e financeiros dos EUA permitiu-lhes superar a sua aversão a grandes défices. Mas agora eles estão a ver que o pacote de impostos de 2017 foi a fatura fiscal mais regressiva e extemporânea da história. Na mais desigual de todas as economias avançadas, milhões de famílias americanas em dificuldades - e as gerações futuras - estão a pagar cortes de impostos para bilionários. Os Estados Unidos têm a esperança de vida mais baixa entre todas as economias avançadas e, no entanto, a fatura fiscal foi elaborada para que mais 13 milhões de pessoas no país não tenham seguro de saúde.

Como resultado da legislação, o Departamento do Tesouro dos EUA prevê agora um défice de um bilião de dólares para 2018 - o maior défice num ano de paz e não recessivo em qualquer país desde sempre. E, como se isso não bastasse, o prometido aumento do investimento não se concretizou. Depois de dar alguns brindes aos trabalhadores, as empresas canalizaram a maior parte do dinheiro para recompras de ações e dividendos. Mas isso não é particularmente surpreendente, pois o investimento beneficia da segurança e Trump vive no caos.

Além disso, como a legislação fiscal foi aprovada à pressa, ela está cheia de erros, inconsistências e lacunas para interesses particulares que foram inseridas quando ninguém estava a ver. A falta de amplo apoio popular da legislação praticamente garante que grande parte será revertida quando os ventos políticos mudarem, e isso não foi passou despercebido aos donos de empresas.


3.1.19

A nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil


… escolhida pelo «irmão Bolsonaro». 


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Peniche, 03.01.1960 - A Fuga



Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho fugiram da Fortaleza de Peniche, em 3 de Janeiro de 1960, numa iniciativa absolutamente espectacular.

«Mesmo que, por qualquer motivo, a fuga tivesse sido abortada na sua segunda fase – o trajecto para os esconderijos na zona de Lisboa -, nem por isso deixaria de poder ser considerada um enorme sucesso político para o PCP e um momento alto contra o regime de Salazar. Poucas fugas de carácter político se lhe podem comparar, mesmo incluindo as mais célebres fugas ocorridas durante a II Guerra Mundial. Na história do movimento comunista, é um acontecimento ímpar.»
José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), volume 3, p.724.

(Desenho de Margarida Tengarrinha, onde pode ser visto o percurso da fuga.)




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O homem mediano assume o poder



Um texto longo, publicado em El País (Brasil), que merece leitura.
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As cicatrizes de Bolsonaro no Natal brasileiro



«Como na tomada de posse o presidente Jair Bolsonaro optou por fazer discursos de campanha eleitoral em vez de discursos de Estado, falando, mesmo sem o citar, mais no PT do que no seu próprio governo, recuemos uma semana e situemo-nos no que se passou no Brasil real nas festas de Natal.

E nem são para aqui chamados, por mais dramáticos que sejam, os números da Operação Natal da polícia rodoviária federal do Brasil que indicam 89 mortos e 1485 feridos entre os dias 21 e 25 de dezembro. Nem os igualmente trágicos registos de sete mortos e cinco feridos em tiroteios, só na cidade de São Paulo, na noite da consoada.

Do que aqui se trata é das cicatrizes que o Natal deixou naquele que costuma ser o núcleo da festa, uma família em redor de uma mesa a trocar presentes ou, pelo menos, afetos. Na verdade, o Natal não, porque o evento é apenas um pretexto para pais, filhos, irmãos, irmãs, primos e tios se reunirem - foram as eleições de 2018 que expuseram fraturas, que saberá Jesus Cristo, o aniversariante da noite, quando vão sarar.

Ao longo da campanha houve pais que romperam com filhos, irmãs com irmãos. Casamentos estremeceram, amizades de vida desfizeram-se. Relatos de pais que proibiram os filhos de encontrar os avós por causa de desavenças políticas. Grupos no WhatsApp em combustão, discussões vulcânicas no Facebook, ofensas sem limite no Twitter, ruturas telefónicas. Mas o Natal, em muitas famílias, é o dia em que as redes sociais regressam ao estado puro e se transformam em contacto visual. E físico.

O jornal Folha de S. Paulo, atento ao que aí vinha, publicou nas semanas anteriores à ceia um pequeno apanhado de perguntas e respostas, com factos, sobre alguns temas com potencial para aquecer ainda mais o já de si soalheiro Natal brasileiro - a situação da Venezuela, que surge sempre como arma de arremesso dos bolsonaristas contra os lulistas, o cancelamento do programa Mais Médicos, que os eleitores de Haddad usam para atacar os votantes do capitão do exército, ou um bê-á-bá do fascismo, que a direita brasileira mais desinformada (a grande maioria) insiste em conotar com a esquerda.

No Diário de Pernambuco, especialistas deram até dicas zen para passar uma consoada em paz.

Mas não resultou, segundo boa parte dos relatos.

Caio, por exemplo, equacionou passar a data nos Estados Unidos, onde vive, para não ter de encontrar a sogra do irmão com quem rompeu em outubro. Reconsiderou mas vestiu uma T-shirt com mensagem provocatória para a enfrentar. Eleitora de Haddad, Luísa passou o Natal longe dos pais, bolsonaristas convictos, pela primeira vez em décadas, trocando-os pela companhia dos sogros, de direita mas com moderação.

Ana, que festejou nas ruas o resultado eleitoral, foi a contragosto à mesma casa onde estava uma prima mais nova, feminista e socialista, que despreza. Com péssima relação com o pai homofóbico, o homossexual Marquinhos aproveitou as brigas políticas para não precisar sequer de o cumprimentar na noite de Natal.

Apoiante do capitão, Daniel passou semanas sob tensão com a inevitabilidade de rever irmão e cunhada, ambos anti-Bolsonaro, na consoada. Por sorte, eles devem ter sentido o mesmo e alegaram uma conveniente viagem à Europa para fugir à tradicional festa de família.

Noutros casos, toda a gente se reuniu mas com o compromisso de não falar de política - e, portanto, de não assistir ao noticiário, nem de comentar sobre a economia do país, nem da novela das nove, nem dos resultados do Brasileirão, nem de nada, porque afinal a política é tudo e tudo é política.

Como num dos exercícios do método Stanislavski para formação de atores em que o professor pede ao aluno para que durante cinco minutos não pense em ursos, o que o leva a só pensar no animal, nas ceias em que não se falou de política, a política pairou, como nunca, por cima dos presépios e das árvores de Natal, como um fantasma.

E a cicatriz demorará muito a sarar? A frase de despedida do ano velho de Marcelo D2, veterano rapper brasileiro, resume tudo. "A todos os que eu xinguei e com quem briguei em 2018, gostaria de dizer que em 2019 tamo aí de novo seus fdp."

Enquanto não vem o perdão, cuidado na estrada e com as balas perdidas, que esses é que são problemas sem volta.»

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2.1.19

Espanha: a direita radical avança a nível do país




«Un nuevo actor irrumpe en la escena política y trastoca la función. Nada es lo que parecía, el argumento se disloca y el epílogo ya no es predecible. Se trata de Vox. La derecha radical entraría hoy en el Congreso con una fuerza arrolladora: el 13% del voto y entre 43 y 45 escaños. Su aparición rompe todos los moldes conocidos esbozando para España un horizonte político muy similar al que ha adelantado Andalucía.»
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Marcelo e as tragédias


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França: reacções contra Bolsonaro



Em França, várias organizações apelam a instituições francesas e europeias para que não permitam que interesses económicos se sobreponham ao respeito pelos direitos humanos e ambientais.
Quanto a nós por cá? Vai-se bem…


«Militants antiracistes, féministes ou LGBT sont particulièrement ciblés par le président brésilien qui prend ses fonctions ce mardi. Plusieurs organisations appellent les institutions françaises et européennes à ne pas laisser leurs intérêts économiques prendre le pas sur le respect des droits humains et environnementaux.»
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Bolsonaro, um Salazar brasileiro



«Os dois discursos que ontem Jair Messias Bolsonaro fez na tomada de posse prenunciam o pior. Já sabíamos, evidentemente, desde o início da campanha, mas o capitão reformado entendeu não desiludir quem o elegeu para o cargo de Presidente do Brasil. O elevado grau de aprovação com que Bolsonaro chega ao Planalto é, evidentemente, um susto para quem defende a liberdade e a democracia no sentido ocidental do termo.

Para nós, portugueses, assistir ontem aos discursos de Bolsonaro, trouxe reminiscências dos discursos de um homem que saiu do poder em 1968, embora isso tivesse acontecido por doença: Oliveira Salazar. Bolsonaro traz agora para ideologia oficial do Brasil tudo aquilo que foi a cartilha da ditadura portuguesa, o mesmo ódio às "ideologias", a religião como parte do Estado, a defesa dos valores das famílias ultraconservadoras, o mesmo horror aos "vermelhos".

Há uma frase que não poderia nunca ter sido usada durante a ditadura, porque naquele tempo a expressão "ideologia de género" era desconhecida, mas é todo um programa: "Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar a religião, a nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de género, conservando os nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre de amarras ideológicas". A ideologia dos que são "contra os políticos" foi expressa por Salazar na sua época - aliás, a sua ascensão ao poder e o golpe de 20 de Maio de 1926 tiveram, como tem agora Bolsonaro, um esmagador apoio popular.

Tudo naquela cerimónia de posse foi um monumento à tragédia anunciada: o discurso do número 2, o general Hamilton Mourão, foi um regresso às cavernas que o povo aplaudiu em delírio; o fim do discurso de Bolsonaro, quando ergue a bandeira brasileira em conjunto com Mourão e grita: "Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for do nosso sangue derramado para a manter verde e amarela".

Bolsonaro vem preencher um anseio profundo da população, o da segurança seja de que maneira for. "Temos o desafio de enfrentar a ideologia que descriminaliza bandidos, pune polícias e destrói famílias, vamos restabelecer a ordem no país", disse ontem, já depois de ter prometido liberalizar o acesso às armas. O anseio da "ordem" também foi o que levou Salazar ao poder. A democracia brasileira é demasiadamente jovem, mas também as democracias jovens podem morrer.»

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