Quando estudei na Bélgica, nos idos de há muito tempo, morava num lar universitário feminino que albergava quatro ou cinco dezenas de estudantes: algumas belgas, outras das mais variadas nacionalidades, sobretudo vindas da Europa mais a Norte.
Cada quarto tinha um lavatório, mas os duches estavam todos concentrados numa cave. Não eram muitos para tanta gente, o que estava longe de constituir um problema: se ouvia água a escorrer quando passava a porta, perguntava sistematicamente «quem está aí?», em português bem vernáculo, porque era mais do que provável que se tratasse de alguma das outras duas portuguesas ou três brasileiras que por lá viviam. Todo o resto da turma descia uma vez por semana, se…
Vem isto a propósito da «crise». Se há décadas que muitos portugueses (e outros povos do Sul…) passaram progressivamente do banho ao Domingo e dias de festa para um rápido duche diário, oiço agora que a necessidade de reduzir gastos de água e de gás está a levar famílias a regressarem a velhos hábitos mais «europeus»: duas ou três vezes por semana e viva o velho…
Além de pobres, mal cheirosos? Não vem no memorando, nem a troika nem Vítor Gaspar tiveram ainda coragem para impor, mas parece que estamos a caminho.
Para já, é certamente mais uma hipótese de poupança que a família Cavaco Silva não menosprezará.
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