23.7.16
Serge Reggiani morreu num 23 de Julho
Serge Reggiani foi certamente um dos grandes cantores franceses que marcaram algumas gerações, mesmo em Portugal, antes de a língua francesa ir desaparecendo lentamente da vida dos mais novos. Pela interpretação, pelo encanto pessoal, pelo compromisso político, certamente pelos poetas que ajudou a conhecer, ao divulgá-los nas letras de muitas canções. Morreu em 23 de Julho de 2004.
Nasceu em Itália e ainda criança instalou-se com os pais em França para escapar ao fascismo. Começou como ajudante de barbeiro, inscreveu-se no Conservatório, com 19 anos, estreou-se no teatro onde contracenou com Jean Marais, entrou em alguns filmes. Mas passou rapidamente à clandestinidade na Resistência francesa. Regressou ao cinema depois do fim da guerra, mas foi como cantor que se consagrou, a partir de 1964. Entre muitos outros, cantou Boris Vian, Rimbaud, Prévert e Appolinaire.
Nasceu em Itália e ainda criança instalou-se com os pais em França para escapar ao fascismo. Começou como ajudante de barbeiro, inscreveu-se no Conservatório, com 19 anos, estreou-se no teatro onde contracenou com Jean Marais, entrou em alguns filmes. Mas passou rapidamente à clandestinidade na Resistência francesa. Regressou ao cinema depois do fim da guerra, mas foi como cantor que se consagrou, a partir de 1964. Entre muitos outros, cantou Boris Vian, Rimbaud, Prévert e Appolinaire.
Algumas das canções a não esquecer:
E esta, acima de todas as outras:
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A Europa vista pelo Presidente da República – (1) O lado de fora
José Pacheco Pereira no Público de 23.07.2016:
«O Presidente da República fez esta semana uma ambígua intervenção sobre o modo como a Europa está, e uma má intervenção sobre os instrumentos políticos ao dispor dos cidadãos para alterar o que ele próprio admite estar mal, estar mesmo muito mal. (…)
A intervenção do Presidente é uma intervenção assente no voluntarismo político, do género “a Europa será o que quisermos”, mas na verdade no elenco das coisas que podemos “querer”, só podemos querer exactamente do mesmo que explica porque é que a Europa está como está. É este o aspecto central da ambiguidade da sua intervenção.
Marcelo não esconde os problemas, enumera-os muitas vezes de forma correcta, mas evita discutir as suas causas, em particular quando essas causas estão presentes, direi mais, omnipresentes, naquilo que a Europa hoje é. Não é um problema nem de pessoas, nem de lideranças, mas de políticas e essas políticas estão a destruir a União e a torna-la numa coisa perigosa, instável e perversa. E como se passa em todas as políticas assentes no poder, elas desejam garantir não ser postas em causa e o discurso de Marcelo aceita as baías desse poder. Pode-se dizer que o faz por realismo ou por ter medo do mal maior ou por não ver alternativa? Talvez, mas este tipo de atitudes “realistas” acaba sempre mal. Basta olhar em volta para ver como já está a acabar mal: nunca a Europa esteve tão longe dos cidadãos, os refugiados lembram-na das suas irresponsabilidades, os sistemas políticos desagregam-se, a democracia está a ser sugada por um centro de poder, e o “Brexit”, com a sua “surpresa”, mostra o ascenso, à direita e à esquerda, de forças que contestam esta Europa, nuns casos bem, noutros com o uso do populismo e da xenofobia. Os voluntaristas como Marcelo, não podem queixar-se do que está a acontecer, porque são consequência de políticas que apoiaram e apoiam, e que estão a destruir o projecto europeu. O seu “realismo” actual mantem o statu quo.
Não tenho dúvidas que precisamos de uma Europa que seja, como foi no passado, “uma realidade de paz, progresso e equilíbrio mundial e interno”, mas hoje não se pode dizer que o seja e quando se acrescenta que ela é “insubstituível” está-se a falar de uma atitude atentista que só ajuda a manter tudo o que está mal. (…)
Têm estes desastres europeus uma razão? Têm - o abandono da política fundadora de homens como Jean Monnet que conheciam bem demais a Europa para saber que as questões de política externa deviam resultar de uma longo processo de integração sem pressa. (…) Numa aceleração irresponsável, em parte por iniciativa francesa, o monstro de pés de barro resolveu experimentar os pés de barro para competir, à de Gaulle e Chirac, com os americanos. Daí resultou uma nova burocracia europeia, o Serviço Externo, uma das coisas que a Europa faz bem e depressa, uma indústria de armamentos à procura de mercados, que usa indevidamente o nome de “defesa” europeia e… os sucessivos desastres.
Voltaremos ao discurso presidencial, agora para a parte de dentro.»
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22.7.16
Dica (340)
Enquanto houver juízes em Ancara… (João Paulo Raposo)
«A bem dos juízes suspensos e detidos. A bem da justiça turca. E a bem da (pouca) democracia que ainda resista, o desejo, na linha do que disse o moleiro a Frederico II da Prússia, é que continue a haver juízes em Ancara…»
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Durão gelatina
«A notícia de que Durão Barroso ia trabalhar para o Goldman Sachs apanhou-me de surpresa.
Sempre pensei que Durão já trabalhava para o Goldman há muitos anos. Não fiquei chocado. Tenho mais receio dos que vêm do Goldman para cá do que os que vão de cá para lá. Para mim, o Goldman Sachs não é currículo, é cadastro.
Durão Barroso no Goldman Sachs é o expoente máximo do "só se estraga uma casa". Durão no Goldman é como se o José Rodrigues dos Santos casasse com a Margarida Rebelo Pinto, o Schäuble fugisse com a Maria Luís e o Carrilho fosse viver com o Paco Bandeira.
Durão ajudou a encenar a cimeira das Lajes e as armas químicas invisíveis que justificaram a guerra do Iraque. O Goldman maquilhou as contas da Grécia para justificar a entrada no Euro. São também o homem e a instituição que muito fizeram para conduzir a Zona Euro para uma crise sem precedentes. Têm tudo para dar certo. Foram feitos um para o outro. Imagino que a lista de casamento esteja num "offshore".
Barroso é daquelas pessoas que pode ir para todo o lado porque tem muitos convites e ainda mais pouca-vergonha. Estava indeciso entre o convite do Goldman e o cargo de "chairman" do Daesh, mas os outros radicais pagavam menos. Se Barroso fosse o Mister Scrooge - e tivesse um momento de catarse - e recebesse a visita dos fantasmas do Natal passado, presente e futuro, só ficava chateado e chocado por estar mais gordo. Não mudava nada. Porque há mais coração num avarento do que num ávido por glória e poder que tem a moral de quem nada lhe custou a ganhar.
Durão Barroso diz que aceitou o cargo no Goldman Sachs porque "tem direito a ter vida profissional". É muito parecida com a desculpa que deu quando deixou de ser PM a meio do mandato. Foi graças a dez anos de vida profissional de Durão na CE que muita gente deixou de ter vida profissional por essa Europa fora. Diz o senhor José Barroso que "se é preso por ter cão e por não ter", quando o que está em causa é quem é o dono dele.
Não vou negar que acalento uma secreta esperança que Durão vá fazer ao Goldman Sachs o que fez à UE. Durão é uma espécie de gato preto que passa à frente da esperança de que as coisas vão melhorar. Uma sexta-feira 13 do "isto tem tudo para correr bem". Em quatro anos no Goldman, pode ser que aquilo se transforme numa pequena caixa de aforro. A inabilidade de Durão, no interior do lado mau, pode dar origem a um mundo melhor. Se Barroso fosse para os Médicos sem Fronteiras, ou para a Amnistia Internacional ou, pior ainda, para o Sporting, aí sim, reconheço que ficava assustado.»
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Desta praga não nos livramos
A praceta onde moro tem noites calmíssimas desde que os jovens saíram de casas dos pais e quando não há festejos benfiquistas. Mas ontem (ou mais exactamente hoje), pela 1e tal da manhã, havia um grande burburinho, com um grupo de umas 15 pessoas com os telemóveis apontados à relva. Espero que não haja um pokeshop na erva até agora reservada a xixi de cães não virtuais.
. Ainda não vimos nada
«O fascismo islâmico alimenta-se da violência aleatória e banal. Não tem propriamente um programa político para lá da submissão, voluntária ou imposta, a preceitos religiosos irracionais, como o são todos. Visa a criação de uma nova idade das trevas, antiliberdade, anticonhecimento, anti aquilo a que chamamos civilização e não necessariamente só a ocidental. (…)
As declarações dos políticos europeus a cada vez que há um atentado são patéticas. Falam dos ataques cobardes, os quais na verdade são atos de coragem ainda que estúpidos e criminosos; apelam à serenidade e manutenção do "nosso" estilo de vida, quando na realidade já se vive na insegurança e medo de sair à rua; e que irão combater por todas as formas esta ameaça, o que objetivamente não fazem quando, sob a capa da religião, se permite uma sistemática e bem montada máquina de recrutamento de jovens muçulmanos e, não menos importante, se promovem regimes, empresas e negociatas que apoiam e financiam o ISIS e outros grupos similares.
O desfecho deste jogo será contudo bastante acelerado quando suceder o inevitável. As armas convencionais, as singelas facas, darão um dia lugar a algo mais substancial e mortífero. O grande risco, reconhecido por todos, está na utilização por um destes suicidas de um engenho nuclear, biológico ou químico, ou seja, as chamadas armas de destruição maciça. Eliminando de uma só vez uma considerável parte da população de uma grande cidade. (…)
Em suma, incapazes de resolver o problema indo à raiz, acabando de vez com as cumplicidades de alguns bem conhecidos aliados, travando a ganância dos negócios de armas e do petróleo que alimentam o fascismo islâmico em toda a sua extensão, os dirigentes europeus colocam em sério risco os seus povos ao mesmo tempo que militarizam as soluções. Mais, arriscam o desfecho, pois a guerra sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba. A possibilidade de uma escalada é evidente.
A Europa já está a sofrer muito com este conflito insano. A radicalização da política, manifesta no aumento da extrema-direita, da xenofobia, discriminação e racismo, mas também nas posições dos chamados moderados, está a tornar o nosso quotidiano insuportável. Não foi para isto que ao longo dos séculos tanta gente lutou para criar um mundo mais livre e melhor. Para todos.»
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21.7.16
Durão Barroso: uma Petição
Um grupo de funcionários de instituições europeias lançou uma petição aberta a todos os cidadãos europeus, até fim de Setembro, «for strong exemplary measures to be taken against José Manuel Barroso, whose behaviour dishonours the European civil service and the European Union as a whole».
Texto e possibilidade assinar AQUI.
. Bélgica
Hoje é dia de festa nacional do «plat pays» de Brel, que já viveu tempos bem mais alegres.
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