5.1.19

José Gil: "O passado está a ser engavetado, digitalizado e virtualizado"



A ler: uma entrevista publicada ontem no Diário de Notícias.
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Marcelo e o seu «irmão» Bolsonaro



Miguel Sousa Tavares, no Expresso de 05.01.2019.

P.S. - Eu diria mais, porque foi aquilo que Marcelo fez: seria o mesmo que alguém afirmar ter tido, com Mário Machado, uma conversa entre irmãos.
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Nós e a Fundação Mário Soares



Não podemos darmo-nos ao luxo de «perder» a FMS.


Com a morte de Mário Soares em 2017, o futuro do arquivo tornou-se incerto e recentemente o jornal PÚBLICO noticiou que se pondera o seu desmantelamento, sendo provável que muitos dos fundos documentais venham a ser incorporados na Torre do Tombo ou sejam devolvidos aos proprietários, que os colocaram à guarda da FMS a troco do tratamento e da disponibilização pública das suas colecções. Estima-se que mais de 90% dos documentos do arquivo da fundação estejam nesta última situação, incluindo o arquivo pessoal de Mário Soares. Se os dirigentes da FMS optarem pelo desmembramento do arquivo, os responsáveis pela política nacional de arquivos devem contribuir para assegurar a sua integridade. Tal não quer dizer que a DGLAB deva incorporá-lo na Torre do Tombo, pois a vocação deste organismo é guardar documentos produzidos pelos organismos centrais do Estado. Mas há alternativas, como a sua integração na estrutura de arquivos da Câmara Municipal de Lisboa, mantendo-se o funcionamento nas actuais instalações.»

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Lição sobre os perigos de uma justiça justiceira



«O fantástico, temível, e alarmante caso dos vistos gold foi ontem decidido na primeira instância como uma pequena história de procedimentos políticos banais, de decisões admissíveis ou de comportamentos aceitáveis nas lógicas do funcionamento da máquina do Estado. Houve condenações, é certo, mas dois dos acusados do que chegou a ser referido como uma teia daninha no ventre do poder político e dos serviços públicos, Jarmela Palos e o ex-ministro Miguel Macedo, puderam regressar a casa, não como vítimas dos crimes que lhes foram imputados, mas como vítimas de uma investigação deficiente do Ministério Público.

Não é caso para censurar os procuradores e muito menos para lhes pedir explicações. É apenas um momento para se reflectir sobre se o exacerbar de um clima justiceiro na sociedade não impele o Ministério Público a ter de apresentar serviço e a ver crimes onde não existem. É, ainda, uma oportunidade para nos questionarmos sobre a causa da atroz diferença entre as gigantescas operações transmitidas em directo pelas televisões, as escassas provas arroladas e os processos concluídos em prazos decentes. Não, não se fala da Operação Marquês ou do caso BES, nos quais se reconhece esforço e talento do DCIAP, mas invoca-se sim um certo espírito punitivo que a cada passo se instala na agenda e tende a gerar casos inflacionados que destroem vidas e carreiras.

Aquilo que na decisão instrutória o juiz Carlos Alexandre definia como provas indiciárias “arrasadoras” a configurar um “outro lamaçal” não passou afinal aos olhos do tribunal como expediente normal. Miguel Macedo fala no fim de uma “canalhice” e só exagera porque o termo pressupõe dolo por parte do sistema judicial. Mas, sim, a sua carreira política ficou comprometida, a sua honorabilidade pessoal foi afectada e compreende-se o excesso. Que o seu exemplo sirva não para se atirar pedras ao sistema judicial mas para lhe exigir que se dispa de qualquer aura salvífica e moralizadora.

O país precisa de uma Justiça forte e sem medo de errar. Mas precisa também de uma Justiça despida de qualquer vocação messiânica que a leva a lançar operações com nomes de filme que começam com o anúncio de crimes hediondos e acusações ferozes, evoluem para pedidos de penas suspensas e acabam em absolvições. O país tem de estar atento ao que se passa, mas terão de ser os próprios procuradores (ou juízes) a reflectir e a decidir sobre o lugar onde está a linha que separa a Justiça democrática do justicialismo providencialista.»

Manuel Carvalho
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4.1.19

Pode ser que ele apareça


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Isto anda tudo ligado



E mais não digo.
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Bora ver Miguel Macedo outra vez interrogado na TV?





Ferreira Fernandes .

É mais ou menos isto


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Um ano muito trumpiano



«No final de 2017, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os republicanos no Congresso impuseram um corte de um bilião de dólares nos impostos das empresas, parcialmente compensado por aumentos de impostos para a maioria dos americanos no meio da distribuição de rendimentos. Mas, em 2018, o júbilo da comunidade empresarial dos EUA com este bodo começou a dar lugar à ansiedade em relação a Trump e às suas políticas.

Um ano atrás, a ganância desenfreada dos líderes empresariais e financeiros dos EUA permitiu-lhes superar a sua aversão a grandes défices. Mas agora eles estão a ver que o pacote de impostos de 2017 foi a fatura fiscal mais regressiva e extemporânea da história. Na mais desigual de todas as economias avançadas, milhões de famílias americanas em dificuldades - e as gerações futuras - estão a pagar cortes de impostos para bilionários. Os Estados Unidos têm a esperança de vida mais baixa entre todas as economias avançadas e, no entanto, a fatura fiscal foi elaborada para que mais 13 milhões de pessoas no país não tenham seguro de saúde.

Como resultado da legislação, o Departamento do Tesouro dos EUA prevê agora um défice de um bilião de dólares para 2018 - o maior défice num ano de paz e não recessivo em qualquer país desde sempre. E, como se isso não bastasse, o prometido aumento do investimento não se concretizou. Depois de dar alguns brindes aos trabalhadores, as empresas canalizaram a maior parte do dinheiro para recompras de ações e dividendos. Mas isso não é particularmente surpreendente, pois o investimento beneficia da segurança e Trump vive no caos.

Além disso, como a legislação fiscal foi aprovada à pressa, ela está cheia de erros, inconsistências e lacunas para interesses particulares que foram inseridas quando ninguém estava a ver. A falta de amplo apoio popular da legislação praticamente garante que grande parte será revertida quando os ventos políticos mudarem, e isso não foi passou despercebido aos donos de empresas.


3.1.19

A nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil


… escolhida pelo «irmão Bolsonaro». 


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Peniche, 03.01.1960 - A Fuga



Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho fugiram da Fortaleza de Peniche, em 3 de Janeiro de 1960, numa iniciativa absolutamente espectacular.

«Mesmo que, por qualquer motivo, a fuga tivesse sido abortada na sua segunda fase – o trajecto para os esconderijos na zona de Lisboa -, nem por isso deixaria de poder ser considerada um enorme sucesso político para o PCP e um momento alto contra o regime de Salazar. Poucas fugas de carácter político se lhe podem comparar, mesmo incluindo as mais célebres fugas ocorridas durante a II Guerra Mundial. Na história do movimento comunista, é um acontecimento ímpar.»
José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), volume 3, p.724.

(Desenho de Margarida Tengarrinha, onde pode ser visto o percurso da fuga.)




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O homem mediano assume o poder



Um texto longo, publicado em El País (Brasil), que merece leitura.
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