4.7.20

Vidas antes desta Covida (1)



Que será feito deste pequeno herdeiro da Civilização Maia, que vi em Iximché, Guatemala, 2014?
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Those were the days...



David Buchanan, no grupo IBM Retirees do Facebook.
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Esse drama da falta de ingleses...



Aqui a tentar imaginar que tipo de ajuda poderemos dar, segundo o nosso presidente. Mais reuniões nas Lajes? Vinho do Porto?

Entretanto, Santos Silva continua frenético e «quer ingleses a visitarem Portugal sem passarem por Lisboa».
O que se segue? Prometer que os lisboetas serão impedidos de ir ao Algarve? Mas ninguém trava esta avalanche de disparates?
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Movimento em falso



«Ela entra devagar no azul excessivo da água da piscina, quer libertar-se daquela sensação de absurdo nascida desde o início da pandemia, um pouco como as personagens no filme de Wim Wenders “Movimento em Falso”, em que o desejo de libertação do desânimo persegue as deambulações de Wilhelm e do seu grupo. Wilhelm, um escritor falhado que não gosta de pessoas, com um velho atleta dos jogos olímpicos de 1936 atormentado pelo seu passado nazi, uma acrobata de circo muda, um poeta desajeitado, uma atriz, um grupo perdido em deambulações sem rumo, onde o sonho e a realidade se misturam, a paixão, o suicídio, a perda do passado, viajando através de lugares enigmáticos de uma Alemanha traumatizada no pós-guerra.

O azul da água, a ortodoxia da purificação, o incómodo do corpo, fecha os olhos para ver melhor a realidade como dizia Wilhelm no filme, há peste nas periferias de Lisboa. A parábola da cidade esgotada pela especulação imobiliária, pelo turismo massificado, pela corrupção urbanística, que expulsou para a periferia os pobres, os trabalhadores precários e a recibo verde, os migrantes, a classe média falida na crise de 2008. Os bairros problemáticos, uma realidade bem conhecida dela do tempo em que estava no DIAP de Lisboa e na Distrital de Lisboa, bem conhecida da polícia.

A contraditória criminalização do combate à epidemia, as multas, a ameaça de punição com os crimes de desobediência e de propagação de doença contagiosa, são apenas o sintoma de um velho aparelho de Estado paralisado pelo nepotismo e burocracia, incapaz de funcionar e de se ligar à comunidade. Afinal o mesmo fenómeno revelado durante os incêndios de 2017, refugiando-se nos bodes expiatórios dos incendiários, que são agora os superinfetadores, os mal-comportados.

O cenário dos transportes públicos em hora de ponta é a imagem gritante da impotência. Mandam as pessoas para casa em bairros problemáticos de casas degradadas e inabitáveis, com multidões que têm que sair para sobreviver em trabalhos clandestinos. Multar e perseguir os desempregados, vagabundos da crise, deixar os alunos na rua porque as escolas não têm condições, espalhar o pânico doentio. Ignora-se o resultado de três meses de paragem dos tribunais, a desigualdade social é uma chaga, e um SNS desprezado pelos sucessivos governos é agora a medida de todas as liberdades. Agora como dantes, as ARS (administrações regionais de saúde), a DGS, o Ministério da Saúde compõem estruturas burocráticas sobrepostas e insensíveis, juntamente com a proteção civil e a segurança social, incapazes de ligação ao terreno, aos diretores dos hospitais como ponto de partida para uma ação eficaz. Criminalizar o combate à epidemia é querer parar o vento com as mãos.

O absurdo não se dissolve no azul da água, há uma culpa difusa neste clima de delação, até na inexplicável dificuldade em ter um corpo. Os efeitos do buraco negro criado com a economia parada, com a incompetência institucional, vão obrigar-nos ao maior combate das nossas vidas. Em cada facto novo há um movimento em falso.»

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3.7.20

Ingleses no Algarve?


Não haverá alguma agência de viagens imaginativa que organize vindas de ingleses reformados para férias no Algarve, associadas a quarentenas simpáticas no regresso a Inglaterra?
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A rir é que a gente se safa



(Insónias de Carvão no Instagram)
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Lisboa, mas em território americano




«Centenas de pessoas estão, esta quinta-feira, reunidas na Embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa, para comemorar o Dia da Independência dos Estados Unidos, um dos feriados nacionais mais importantes.
Ao que a TVI conseguiu apurar, ainda que não oficialmente, terão sido alegadamente enviados cerca de 1.000 convites e neles estaria a indicação de que o uso de máscara não era obrigatório. (…)
Assim que se aperceberam da presença da comunicação social, a Polícia de Segurança Pública tentou encaminhar todos os convidados o mais rápido possível para o interior da embaixada.»
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Correr atrás do prejuízo



«A comunicação em saúde e, mais especificamente, a comunicação de risco, é um dos aspectos fundamentais na saúde pública. Uma comunicação em saúde eficaz deve envolver, influenciar, e dar poder aos indivíduos e comunidades. É, portanto, fácil de perceber que a evolução de um cenário de pandemia depende largamente da eficácia de um plano de comunicação de risco, que aumenta as probabilidades de as comunidades se comportarem como parceiras das autoridades de saúde, promove a contenção do risco, e diminui uma eventual oposição às medidas de saúde pública.

Dito isto, não tenhamos dúvidas de que a comunicação de risco é um processo altamente complexo e, ao contrário do que muitos parecem julgar, nem todos os “especialistas” que diariamente vemos no espaço público mediático estarão aptos a praticar este tipo de comunicação. Exemplo disto mesmo é a aparente ausência de estratégia do Governo e, por arrasto, das autoridades sanitárias no que à comunicação diz respeito.

De facto, há muito que se percebeu que, em termos de comunicação, anda-se repetidamente a correr atrás do prejuízo. Não parece existir uma estratégia de comunicação concertada ou sequer profissionais capazes de orientar políticos e técnicos naquelas que são as maiores dificuldades da comunicação de risco.

E se no início desta pandemia poderíamos pensar que todos fomos apanhados desprevenidos, e que as estruturas, incluindo as oficiais, precisavam de se adaptar, a verdade é que, quatro meses volvidos desde o primeiro caso confirmado em Portugal, pouco ou nada mudou em termos de comunicação.

A resposta comunicacional tem ficado muito aquém do que seria desejável, sendo simultaneamente pouco pragmática e pouco tranquilizadora. A comunicação oficial resume-se praticamente às conferências de imprensa, até há bem pouco tempo diárias, protagonizadas por representantes das autoridades sanitárias e por governantes pela hora de almoço, num modelo que claramente não acompanha nem a evolução epidemiológica nem a avalanche de informação com que nos deparamos a toda a hora. O mesmo pode ser dito em relação à documentação que, nos últimos meses, tem sido divulgada pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) através do seu site. Um sem fim de comunicados, normas, orientações, informações, que deixam até o especialista mais atento perdido no meio dos documentos.

Não devemos também esquecer que nem só de palavras vive a comunicação e, neste aspecto, a classe política precisa de ser relembrada, uma e outra vez, de que o distanciamento social também se lhes aplica. De pouco adianta dizer à população para cumprir o distanciamento quando os próprios políticos aparecem frequentemente em grupo no espaço público mediático, num claro exercício de “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.

Os últimos seis meses foram, de facto, particularmente férteis em maus exemplos de comunicação protagonizados por entidades oficiais, precisamente aquelas de quem se esperaria mais contenção, por um lado, e maior assertividade, por outro. A comunicação é frequentemente o “parente pobre” em vários domínios e a actual crise de saúde pública tem posto a nu uma série de fragilidades que começam muitas vezes nos organismos oficiais. É urgente repensar a comunicação em saúde a partir das entidades oficiais, adaptando a resposta comunicacional à situação que vivemos e promovendo a comunicação a um lugar mais central no “combate” a esta pandemia.

A valorização da comunicação em saúde, que implica naturalmente a integração de especialistas em comunicação na resposta às crises sanitárias, é um investimento a vários níveis. Porque uma aposta na comunicação em saúde é o melhor caminho para o aumento da literacia em saúde, que contribuirá para que tenhamos cidadãos mais informados, mais autónomos, e mais capacitados para lidar com o risco em saúde pública.»

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