15.10.22

Jardins de Inverno

 


Jardim de Inverno Arte Nova do instituto das Irmãs Ursulinas, Sint-Katelijne-Waver, Bélgica, 1900.
Arquitecto até hoje desconhecido.

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Querem que Marcelo fale menos?

 


Esqueçam, ele sabe muito bem o que quer e vai dizê-lo cada vez mais!

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Agustina Bessa-Luís

 


Seriam 100, hoje.
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Orçamento: hoje explico eu

 


«No "Acordo de Médio Prazo" estabelecido na Concertação Social, peça importante do Orçamento do Estado (OE) para 2023, foi retomado pelo Governo o compromisso de "aumentar o peso dos salários no PIB de 45% para 48% até 2026". Tal meta, a ser cumprida, apenas nos aproximaria da média europeia, mas seria muito importante para o desenvolvimento do país em vários campos. Ora, considerando o baixo perfil de especialização da nossa economia, o vício em se resolverem problemas no setor privado e na Administração Pública (AP) cortando salários, aquele objetivo exige o esforço de uma maratona. Como é que António Costa nos propõe que ela seja feita?

Imaginemos que em 2022 nos encontramos em Lisboa e queremos chegar ao Porto em 2026. António Costa sabe que este ano estamos a caminhar em direção a Setúbal, mas faz de conta que continuamos em Lisboa; para 2023 manda-nos correr em sentido contrário à meta, talvez até Alcácer do Sal; para 2024 sugere-nos que fiquemos a marcar passo ou que marchemos um pouco mais às arrecuas; e depois, em 2025 e 2026, certamente viajando em teletransporte, lá chegaríamos ao Porto.

Este ano, muitas centenas de milhares de trabalhadores, desde logo da AP, vão perder o salário de um mês. Os outros têm perdas significativas, com exceção dos que auferem o SMN. A meta de 5,1% de crescimento dos salários no setor privado é apenas uma intenção: o Governo sabe que não há melhoria geral de salários sem contratação coletiva e esta continuará bloqueada. O truque para a AP é dizer que os 5,1% serão formados por um aumento salarial de 3,6%, mais o valor das progressões e o aumento do subsídio de refeição. Então isto não são maus indicadores para os privados?

O OE foi acompanhado por um Relatório sobre a Sustentabilidade da Segurança Social. É o primeiro relatório, nos 17 anos da sua existência, em que se diz que o Fundo de Estabilização da Segurança Social garante o pagamento das pensões para lá de 2060. O primeiro-ministro, a ministra do Trabalho e todos os que andaram a justificar a não atualização das pensões de acordo com a lei não têm vergonha de terem martelado contas e criado suspeição sobre a Segurança Social?

Nos debates sobre o OE, o ministro da Economia afirmou que "Infelizmente, vivemos num país que, por motivos ideológicos, hostiliza as empresas, hostiliza os empresários, muitas vezes trata o lucro como um pecado (...) num ataque sistemático contras as grandes empresas". As suas peias ideológicas é que o impedem de ver que nos processos de privatizações, alguns reivindicavam proteção ao capital nacional e à primeira oportunidade venderam as empresas a estrangeiros.

O ministro estude a desindustrialização portuguesa. Identifique o rol de benefícios fiscais e outros que estão inscritos no recente Acordo de Concertação e descubra os riscos que os empresários assumiram como contrapartida. Os portugueses não são contra as empresas e os empresários, mas têm direito a melhor distribuição da riqueza, a que as verbas orçamentadas para assegurar direitos fundamentais sejam executadas, a que deixemos de ser um dos países europeus com menor parque habitacional público, menor área florestal pública e floresta sem proteção.

O contexto de guerra gera um cenário difícil. Mas se o austeritarismo não resolveu as crises anteriores, não é agora, quando os problemas não resultam nada dos salários e do consumo, que vai resolver. Há que ir para a rua exigir rigor e soluções.»

14.10.22

Vasos

 


Vasos de vidro partido («craquelé»), Cristaleria Moser, cerca de 1890.

Daqui.
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14.10.1964 - Nobel da Paz para Luther King

 



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Manuel Linda

 


Este senhor Linda, bispo do Porto, não está bem. Que alguém o ajude a sair de funções com dignidade e rapidamente.

Leiam ISTO.
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Já tínhamos percebido

 


Expresso, 14.10.2022
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Xi, Mao e Confúcio

 

@David Brown

«Quem é realmente Xi Jinping? O líder comunista chinês? Um ditador nacionalista com desígnios imperiais? Um herdeiro do Confúcio? Um seguidor de Han Fei? Ou tudo isto ao mesmo tempo? O XX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), em que Xi Jinping deverá ser reeleito para um terceiro mandado como secretário-geral, começa no domingo em Pequim e pode ajudar-nos a decifrar o enigma chinês.

Entretanto, foi hoje posto à venda em Portugal o livro Na cabeça de Xi, de François Bougon, antigo jornalista do Monde e especialista da Ásia — Livros Zigurate, tradução de Carlos Vaz Marques. Percorre um largo conjunto de temas em torno do pensamento do líder chinês. Esta newsletter não é uma recensão. Interessa-me apenas focar uma questão relativamente antiga: a relação do marxismo com a tradição cultural chinesa.

Lembra Bougon que, em Novembro de 2013, o novo secretário do partido, Xi Jinping, foi muito longe na reapropriação da herança confucionista, citando lado a lado no mesmo discurso Marx e Confúcio. Afirmava que no início do século XXI, a "harmonia social", tema bem confuciano, e a "energia comunista" deviam ser postas ao serviço do "socialismo com características chinesas". Não era original. Esta reapropriação, contra o pensamento de Mao que execrava Confúcio, começou a ser feita por Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao.

Corresponderá a uma necessidade da sociedade chinesa. Nem sempre foi assim. Para os revolucionários marxistas, a persistência da ideologia confuciana era a razão profunda do atraso chinês. Xi vai fazer uma inversão total e transformar os velhos clássicos no cimento do novo nacionalismo chinês. "Confúcio torna-se membro do partido", ironiza Bougon. Passou também o tempo do Pequeno Livro Vermelho, de Mao, substituído pelas Conversações de Confúcio.

Antes de mais, Xi afirma-se como o "anti-Gorbatchov". O PCC estudou obsessivamente o processo da queda da União Soviética. Disse Xi, em 2013, numa reunião plenária do comité central: "Porque é que o Partido Comunista da União Soviética perdeu o poder? (…) Entre as principais razões, porque a luta ideológica era intensa, porque a história da Rússia e do PCUS foi completamente ignorada, porque Lenine foi rejeitado, tal como Estaline, porque o niilismo histórico fez o seu trabalho".

Por isso, Xi procede a uma "re-maoização de fachada, porque não se trata de regressar à colectivização e à revolução permanente que desestabilizou a sociedade sob liderança de Mao". O antigo Grande Timoneiro deve, no entanto, ser citado em todos os discursos. Ao contrário da URSS, os velhos chefes continuam a ser venerados e a sua mera crítica pode ser judicialmente punida. Síntese disto tudo: os dois lugares obrigatórios de peregrinação dos chineses são o templo de Confúcio e o mausoléu de Mao.

A verdadeira ameaça

Depois da morte de Mao, o partido perde a dinâmica da revolução permanente. Perante os novos desafios com que o partido se debate, "Xi está bem ciente de que deve ser capaz, se quiser exaltar a fibra nacionalista, de contar uma ‘história chinesa’. Neste contexto, a cultura tradicional é-lhe muito útil". O renascimento confucionista está intimamente ligado ao "renascimento chinês", explica um intelectual.

"Mas de que confucionismo falamos? Certamente não daquele que estruturou a China imperial. Tal como na sua versão popular, o confucionismo do Partido Comunista apagou todos os aspectos mais críticos desta escola de pensamento." O autor cita a sinóloga Anne Cheng, que fala num autoritarismo paternalista. "Permite aos líderes que digam: a China não é uma ditadura nem um regime autoritário, é um regime confucionista."

Sublinhando sempre que Xi Jinping respeita e admira Confúcio, há autores que pensam que ele está muito mais próximo de outro pensador, Han Fei, criador da "escola legalista". Nos antípodas de Confúcio, a sua doutrina permanece influente: "A primazia do medo, da força e do controlo ao serviço das autoridades é algo que até hoje está profundamente enraizado na consciência política chinesa. (…) A autoridade é uma justificação por si só".

"Em muitos aspectos, a China de hoje é, de facto, um yifazhinguo", ou seja, um "país governado pela lei, mas no sentido legalista do termo. Não se trata de forma nenhuma de um ‘Estado de Direito’, conceito ocidental odiado na China de Xi Jinping — mas de um Estado que pode perfeitamente ser repressivo e não reconhecer os direitos individuais".

Qual é a verdadeira ameaça? "Pode ser que Xi, querendo fazer do seu país uma potência industrial de primeiro plano em 2049 (ano do centenário da fundação da República Popular da China), esteja à beira de desencadear forças que se voltarão contra ele. Porque uma China criativa e inovadora poderá não se contentar com a actual situação e apoiar reivindicações por reformas políticas. Com que amplitude? É disso, em parte, que depende o destino do ‘novo imperador’".

O XX Congresso do PCC vai reeleger Xi para um terceiro mandato. Quanto tempo permanecerá no poder? Ironiza Bougon: "À força de não querer ser Gorbatchov, Xi Jinping poderá vir a ser o próximo Brejnev".»

Jorge Almeida Fernandes
Newsletter do Público, 13.10.2022
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13.10.22

Vitrais

 


Casa Jaume Forn, vitrais da fachada, Barcelona, 1900.
Arquitecto: Jeroni Ferran Granell i Manresa.


Daqui.
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É isto

 

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13.10.1921 – Yves Montand

 


Yves Montand, de facto Ivo Livi, nascido italiano e naturalizado francês, cantor e actor, que começou por ser comunista para deixar de o ser mais tarde, chegaria hoje aos 101.

Alguns dos seus êxitos «incontornáveis» AQUI.
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