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12.4.16

Do Panamá à austeridade



«A União Europeia, por exemplo, tão desejosa de seguir quem colocou o seu dinheiro no Panamá esquece convenientemente os paraísos fiscais que tem no seu interior.

A posição da União Europeia, tal como sucede com a austeridade, a pressão sobre os bancos portugueses para que não tenham ligação a Angola, ou as acções que desenvolve sobre os refugiados, é uma fantasia que poderia ter sido criada por Walt Disney. Merece uma gargalhada. O código de circulação seguido pela União Europeia, que vive obcecada pelo euro e por regras burocráticas que só favorecem as grandes potências no seu interior, é uma comunidade de ficção científica. (…)

A austeridade, passados seis anos, dizem Tsipras e Costa, falhou. Só não vê quem está distraído. Tal como só não via o que se passava no Panamá quem fazia tudo para olhar para o lado. O crédito fácil foi um engodo para muitos políticos do Sul da Europa. Mas isso não invalida que isso enriqueceu os países do Norte, que emprestaram sem fim. E agora são intocáveis.»

Fernando Sobral

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