13.2.10

Não há famílias grátis




O bisavô do Miguel levou-me a esta fotografia da família do meu pai. Ele é uma das criancinhas da primeira fila, os adultos são os meus avós: ele galego, ela prussiana, nascida alemã mas que seria hoje polaca.

Conta a lenda familiar que se conheceram e amaram sem falarem nenhuma língua em comum. Mas se arrancar da Galiza rumo a Lisboa era então prática mais do que corrente, julgo que o mesmo não se pode dizer da vinda de uma jovem de vinte anos da Prússia no fim dos anos 80 (do século XIX, obviamente), em pura viagem de turismo com um grupo de amigos, que se encantou pelo Sol lisboeta e decidiu por cá ficar sozinha.

Aventureira q.b., portanto, a Frau Lopez foi a matriarca incontestada da família (ou não fosse prussiana…) e, até aos 80 e muitos anos, calcorreou as ruas de Lisboa para dar aulas particulares de alemão em casa de meninos da burguesia, desde as filhas do presidente Carmona a João Bénard da Costa.

Sem me dar ao trabalho de grandes análises, sempre achei provável que as minhas raízes, esticadas da Prússia à Galiza com uma passagem pelos Açores para apanharem um avô materno, explicassem talvez muitas coisas… Sem elas, existiria este blogue? Sei lá! Mas talvez não.