19.5.14

Desempregados versus cabras



Recorrer ao humor, muitas vezes negro, para caracterizar certas realidade vergonhosas, acaba por ser o caminho mais curto e mais certeiro para as desmascarar. 

«Para mim a notícia da semana foi: "governo vai colocar os desempregados e os beneficiários do Rendimento Social de Inserção a limpar e vigiar as florestas do País. O protocolo foi assinado esta segunda-feira e conta com 550 acções de prevenção de incêndio, reflorestação e vigilância das florestas". Portanto, vão pôr os desempregados a ajudar o desemprego.

Perante esta notícia é fácil concluir que o Governo recorreu a uma solução mais barata que a que estava prevista no verão passado. Relembro que, há cerca de um ano, tinham anunciado - "Cerca de 150 mil cabras vão prevenir a ocorrência de fogos, limpando campos e matas". Alguma coisa mudou. Provavelmente, as cabras não aceitaram as condições e tiveram de recorrer aos desempregados e beneficiários do RSI. É compreensível e, obviamente, é mais fácil arranjar 150 mil desempregados do que o mesmo número em cabras. Por outro lado, é sabido que os beneficiários do RSI são animais flexíveis, que se adaptam a todos os terrenos, e que comem tudo por onde passam (e quem nunca experimentou queijo de beneficiário do RSI não sabe o que perde). (...)

À partida a ideia não me parece má - se não fossem ideias como esta nunca teria havido pirâmides no Egipto.»