«Talvez nunca, em 50 anos, um governo tenha tentado impor tamanho desequilíbrio do direito do trabalho. Trata-se, na realidade, de um novo Código do Trabalho, violentamente liberal, à medida e até indo além das reivindicações patronais, que desvaloriza profundamente o trabalho e que impõe uma verdadeira desconsideração pela pessoa do trabalhador em inúmeras matérias centrais. Não tenho dúvidas de que, por várias vias, esta proposta tem de ser derrotada. Nalguns casos, como nos despedimentos, o mais certo é cair por inconstitucionalidade. Noutros, como nas plataformas, por chocar com diretivas europeias. Haverá casos em que já se sabe não haver qualquer maioria parlamentar de suporte (como no luto gestacional). Mas acima de tudo, a ofensiva deve ser repelida pela indignação e mobilização coletivas. Há muito a melhorar na lei do trabalho? Com certeza. Em velhas questões, como o tempo do trabalho, a precariedade ou o salário, e em novas, como a digitalização, a gestão algorítmica ou o trabalho sob condições climáticas extremas. Mas impedir esta contra-reforma laboral é a primeira condição para que isso seja feito.»

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