«Não quer ouvir. Eu sei que não quer ouvir, mas vai ter de ouvir. Porque eu vou dizer-lhe olhos nos olhos e cara a cara. Sempre que eu falo é olhos nos olhos e cara a cara. E é assim que lhe vou dizer o que não quer ouvir, mas vai ter de ouvir. Depois disto vou à SIC Notícias. E amanhã à CNN. E depois de amanhã à RTP. E no dia seguinte à CMTV. Porque lá também não querem ouvir, mas vão ter de ouvir. É impressionante a quantidade de vezes que quem não me quer ouvir me convida para me ouvir. Mas aceito sempre, porque fui escolhido por Deus, não sei se já disse. Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal. Ele era espectador da CMTV e, quando me viu a debater penáltis e foras de jogo com o Aníbal Pinto, terá pensado: é este. Este é o eleito. A escolha final foi entre mim e o Octávio Machado. Mas acabei por ser eu o preferido. Deus está muito atento à actualidade política de Portugal. A mãe d’Ele já cá veio passar uns dias, como sabe. E Deus terá percebido que eu sou a voz do povo. Eu digo o que toda a gente diz. Com coragem. É preciso ter muita coragem para dizer o que toda a gente diz. Dizer o que mais ninguém diz é que é fácil. Por isso é que eu tenho tudo contra mim. Tirando Deus e o povo inteiro. Só tenho o Criador do universo e todo o povo a meu favor. De resto, está tudo contra mim.
É isto que eu venho aqui dizer-lhe olhos nos olhos e cara a cara. Eu sei que não quer ouvir, porque faz parte do sistema. E as coisas que eu digo não interessam ao sistema. É por isso que eu já sei que isto que eu estou a dizer não vai passar. Embora estejamos em directo e, por isso, seja impossível não passar. Mas por vontade do sistema não passava. O sistema é responsável por esta podridão dos últimos 50 anos. Nos 50 anos anteriores a esses, vivia-se bem. As árvores eram feitas de chocolate e as flores eram de chupa-chupa. Havia respeito e boa parte das pessoas não sabia ler. Por isso não ia verificar se o que eu digo é verdade. Sabia que o Presidente da República fez mais de 1500 viagens? Já sei o que me vai dizer: isso é mentira. Típico do sistema, preocupar-se com coisas dessas. O que interessa é que o Presidente fez várias viagens. Foram 165. Que é um número. Assim como 1500. É outro número. Eu disse que o Presidente fez um determinado número de viagens, e a verdade é que ele fez mesmo um determinado número de viagens. Por muito que não goste de ouvir.
E é por isso que eu não tenho medo de nada. É admirável que uma pessoa que vive em democracia e, por isso, pode dizer o que lhe apetecer, não tenha medo de nada, não lhe parece? Há um único adversário suficientemente temível, suficientemente violento, suficientemente poderoso para me derrubar: o refluxo gástrico.»

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