«Gouveia e Melo estava desalentado em Alcobaça – era um homem quase traído – quando afirmou não perceber como é que muitos socialistas que não apoiaram inicialmente Seguro (ou eram mesmo “inimigos figadais”, como disse) estão agora a defender o voto no antigo secretário-geral do PS.
Ainda não sabia, quando acusou todas essas personalidades do PS de serem “cínicas”, de que Carlos César, o presidente do PS, iria anunciar o seu apoio pessoal a António José Seguro.
Entre os vários erros que Gouveia e Melo cometeu nesta campanha, um deles foi achar que, com a sua indefinição política, (“nem de esquerda nem de direita”) iria tornar-se no “candidato do campo político do PS”, como chegou a dizer no debate com Seguro.
No PS há “inimigos figadais”, sim. E muitos não queriam Seguro candidato, que foi pintado com as cores do inferno. Aconteceu o mesmo com Jorge Sampaio. Seguro avançou sozinho e ninguém mais quis avançar.
A sondagem do PÚBLICO/RTP/Católica mostra que Gouveia e Melo não está a conseguir captar o eleitorado que votou PS, tal como disse que iria fazer. Jorge Sampaio estava cheio de “inimigos figads” no PS e por isso avançou sozinho. O PS é, nestas coisas, diferente do PSD, que apaga os “inimigos figadais” das listas de deputados, consoante o líder de turno. O “inimigo figadal” de Seguro, António Costa, incluiu seguristas nos seus governos. Alguém não explicou bem ao almirante como funciona o PS.»

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