20.11.08

Colóquio sobre Pavel

19.11.08

Uma enorme tristeza

...é o que me provoca, apesar de tudo, este espectáculo de Raúl Castro a cantar em chinês, durante a visita de Hu Jintao a Cuba.



Desleixo












Que ir a uma loja FNAC deixou de ser o prazer dos primeiros tempos para quem gosta de livros, já muitos explicaram porquê e nem vale a pena insistir.

Que se façam verdadeiros percursos inutilmente labirínticos, porque de vez em quando, tal como nos hipermercados, tudo muda de sítio é algo a que já me habituei, mas que continuo a não entender. Dizem-me que é por razões de marketing, parecem-me antes surtos de puro masoquismo contra clientes tratados como patetas.

Mas que os livros estejam, propositadamente, «arrumados» fora das prateleiras identificadas pelos respectivos letreiros, considero que vai já para além do admissível. Será ignorância minha, mas não considerava, até hoje, que Machado de Assis e Rubem Fonseca fossem património da Literatura Africana, não esperava ver L’inaperçu de Sylvie Germain classificado como espanhol, nem me tinha apercebido de que Sex and the City pertencia, afinal, à Literatura Francesa. Vá lá saber-se porquê, La Nausée de Sartre estava no local correcto.

Andava pelas redondezas um empregado e comuniquei-lhe a minha estranheza. Sorriu e encolheu os ombros. Fiz o mesmo e vim-me embora.

E para desanuviar

Voltem, são só seis mesitos...


18.11.08

Ela falou











Segunda a Lusa, Manuela Ferreira Leite terá perguntado hoje, a propósito da reforma do sistema de justiça, se «não é bom haver seis meses sem democracia» para «pôr tudo na ordem».

O que entenderá esta senhora por «sem democracia»??? É melhor que nem tente explicar! Estou a levar a questão para a ironia só para não comentar à bruta. Era o que me apeteceria fazer - se valesse a pena.

25 de Abril - Amnésia ou mentira?












«Se quisermos falar em termos psicanalíticos, amnésia e mentira são, aliás, a forma mais corrente e confortável de o regime democrático lidar com esse trauma ainda por resolver que é o 25 de Abril. Mesmo que o comemore, ou justamente porque o comemora, para mais facilmente o esquecer.»

De um texto de M. Manuela Cruzeiro.

17.11.08

Mau gosto - no mínimo

Só hoje li uma artigo publicado mo último número da revista Visão sobre Paulo Teixeira Pinto – O homem a quem tudo acontece – e ainda estou mais ou menos em estado de choque: um tablóide rasteiro ou uma revista cor-de-rosa das mais básicas dificilmente fariam pior.

Não se trata de uma entrevista e, assim sendo, nada me leva a crer, muito pelo contrário, que o visado tenha sido tido ou ouvido sobre o que foi publicado. Detalhar pormenores pessoais do velório de um filho de 22 anos que morreu há menos de duas semanas, fazer balanços de infortúnios e, sobretudo, descrever sintomas de uma doença (da qual se diz que o próprio «foi sempre evasivo, mesmo com os amigos») é, no mínimo, de um desmesurado mau gosto.

Vamos assim ficando indiferentes a um jornalismo chão, mesmo em revistas que nos habituaram a considerar como de referência.

(O artigo pode ser lido aqui.)

Reciclagens fáceis

João César das Neves deve ter umas luzes sobre teoria dos conjuntos e sabe muito bem que aquele que inclui quem defendeu planos quinquenais e ditadura do proletariado apenas intersecta o dos defensores de «aborto, eutanásia, divórcio e homossexualidade». Mas diz o contrário. É fácil baralhar para querer confundir, mas nós não somos todos completamente parvos. Nem reciclados. Nem achamos que «o futuro a Deus pertence» – por muito que ele assim o deseje.

«Na guerra civilizacional de hoje, também os que atacam a vida e a família se acham donos do futuro, menosprezando os opositores como fósseis. Também agora o progresso e a liberdade só se imaginam com aborto, eutanásia, divórcio e homossexualidade, como antes com plano quinquenal, ditadura do proletariado e cooperativas forçadas. Aliás, não só a retórica é semelhante, mas reencontramos nas batalhas os veteranos derrotados do dirigismo económico, reciclados em defensores da liberdade de costumes (...). Empresa e mercado eram instituições que, embora naturais, tinham e têm traços particulares controversos, que podiam e podem ser contestáveis. Mas vida e morte, família e casamento, sexo e amor não são elementos volúveis e discutíveis, ao sabor da opinião momentânea. Os novos progressistas escolheram para alvo de contestação traços fundamentais da natureza humana. Esquecem que o futuro a Deus pertence.»

16.11.08

O mal intrínseco

Se recordar é viver...

«Um partido do centro-direita com um pensamento nazi converteria esta democracia num parque de folguedos para o mundo inteiro»

«Vem isto ao caso quando vemos Manuela Ferreira Leite proclamar que "não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite". Bom, naquele tempo podia. O que não havia era garantia alguma sobre a extensão do que se podia transmitir. E eu, que conheci esses tempos durante alguns anos menos do que MFL, habituei-me a associar à ditadura a possibilidade de nos calar, mas nunca me ocorreu essa violência maior que teria sido pôr-nos a falar por ela. Claro que nunca a censura deixaria passar um "abaixo Salazar". Mas não há memória de ter querido que publicássemos um "viva Salazar" em nosso nome.

Bem me podem dizer que nem pensou o que disse. Eu sei. Se pensasse, até não era mau para o nosso combate ao tédio: um partido do centro-direita com um pensamento nazi converteria esta democracia num parque de folguedos para o mundo inteiro.»

Nuno Brederode Santos, no DN de hoje.