18.11.10

Quando até Alberto João Jardim passa a símbolo de sensatez


«Estas cimeiras, normalmente, organizam-se em sítios onde não afectam a vida das pessoas, onde há uma facilidade logística.» «Vê-se em França ou na Alemanha.»
«Fazer uma cimeira deste volume no centro de uma cidade, isto é mais uma loucura à portuguesa, é mais um sinal de incompetência.»

(Fonte)

Ler também – onde isto chegou para se ver José Castro Caldas de acordo com AJJ!
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O «Avante!», agora em versão machista


«Sou em princípio a favor de todas as libertações, mas talvez desta ainda mais do que é costume. (…) Acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo.»

E continua Correia da Fonseca que confunde talvez a Birmânia com a Coreia do Norte, quando ironiza sobre os malefícios da democracia:
«Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada.»

Não lhe faria nada mal viver uns anos numa casa como a que se vê na foto, de um bairro para o qual foram obrigados a fugir os habitantes da velha Bagan, depois de verem todas as suas casas arrasadas apenas porque ousaram votar em Aung, nas eleições de 1990. Passaria (talvez...) a saber do que fala!

(Fonte)
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NATO – O que está em questão (2)


«Vinte e um anos após a queda do Muro de Berlim, 20 anos depois da reunificação da Alemanha, 19 anos passados sobre a dissolução da União Soviética e a extinção do Pacto de Varsóvia, a NATO é o derradeiro arsenal, unipolar, da guerra fria.

É o armazém da tralha de 46 anos de corrida armamentista e de chantagem nuclear. Não tem qualquer razão de existir, a não ser para fomentar o chorudo negócio do armamento, o poder do complexo e da clique militar-industrial que comanda a política americana, e dar emprego a milhões de apóstolos da guerra, formados em cursilhos na doutrina do poder e do terror militar, que agora pregam pelo Mundo, em vez da extinção do único bloco político-militar, o alargamento da NATO.

O objectivo é velho e relho. Já nos anos 60 do século passado, quando a NATO constituía o maior sustento do aparelho militar português nas guerras coloniais, os falcões da Aliança e os peneireiros de Lisboa sustentavam que o Trópico de Câncer deveria ser entendido "cada vez mais como um limite imaginário", de modo a não perturbar "a eficácia da Aliança". Mas terminada a guerra fria, não há justificação racional para a persistência e globalização da NATO. As ameaças invocadas - como o terrorismo ou a pirataria marítima - podem e devem ser enfrentadas num quadro multilateral de cooperação entre estados no seio nas Nações Unidos. E querer atribuir à NATO funções na luta contra o aquecimento global é o mesmo que entregar o comando das corporações de bombeiros a um incendiário. As guerras da NATO na Europa e no Médio Oriente contribuíram decisivame9nte para a destruição ambiental em vastas áreas do planeta.

Mas claro que a Cimeira vai aprovar tudo o que lhe aprouver. E assim será até que o mundo construído pelos senhores da guerra lhes rebente nas mãos.» (sublinhado meu)

João Paulo Guerra, no Económico.
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17.11.10

Diz que faltam 66 dias para as presidenciais…


… e eu nem quero acreditar que alguém com um staff que propõe este Hino de Campanha possa ganhá-las. Não se pode inventar um novo imposto para quem votar nesta candidatura?


Letra do hino oficial de campanha
Cavaco Silva 2011


Portugal com alma
Portugal com fibra
Portugal com rasgo,
Futuro e vida.

Portugal com génio,
Portugal que faça,
Portugal lutador
Uma força que abraça.

Erguer Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa ambição.

Amar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa união.

Portugal alento
Portugal mais forte
Portugal coeso
Um rumo com norte.

Portugal paixão.
Portugal vontade.
Portugal erguido
Coragem e verdade.

Unir Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, é nossa convicção.

Ganhar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, é nossa missão.

Erguer Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa ambição.

Amar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa união.
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NATO – O que está em questão


Quando andamos todos distraídos com o folclore que a comunicação social nos traz sobre a actuação dos polícias nas fronteiras e o cerco a Lisboa no próximo fim-de-semana, vale a pena voltar ao essencial.

Relativamente leiga neste tipo de assuntos, tenho procurado ler, ver e ouvir o que encontro, numa tentativa de entender o que se vai passar em auditórios e corredores do Parque das Nações e nas manifestações programadas para as ruas de Lisboa.

Cito apenas a última emissão do «Expresso da Meia-Noite» (12/11/2010), da qual retive, para além de outros aspectos, duas ideias principais que resumo em menos de três linhas: trata-se de uma organização que anda à procura de uma (nova) razão de ser, numa tendência de securitização crescente, e é grande e perigosa a ambiguidade que reina quanto aos limites entre o seu campo de actividade e o da ONU.

Os 50 minutos do vídeo da SIC N:




O essencial da posição que José Manuel Pureza tomou no programa está resumido nesta sua intervenção na AR:



P.S. – Vale a pena dar uma vista de olhos ao curriculum de J. M. Pureza.
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Tiro liro ló


«Amado preenche o modelo de político em voga nos tempos medíocres que vivemos,"é bonito, apresenta-se bem,/ parece que tem/ uma face morena". Resta saber o que o distinguirá de Sócrates além do alfaiate.»
MAP, JN.
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A quem mando a factura? - Notícias de uma Cimeira (7)

Estive em Buenos Aires há sete anos e sempre pensei lá voltar. Não estava planeado que fosse agora, mas será se…

Se… o quê? Se conseguir sair desta terra sitiada onde os nossos governantes aceitaram (ou propuseram?) albergar uns senhores encartados que vão discutir para que serve exactamente a organização que os congrega. Prejudica-se toda uma cidade, mesmo um país, deslocam-se milhares de pessoas para um recinto, onde, até prova em contrário, nem se sabe se algo de significativamente importante poderá acontecer. Umas dezenas de actores e multidões de paparazzi que vão tirar umas fotografias e filmar cenas absolutamente triviais. Todo um absurdo, se pararmos um pouco para pensar que o progresso das telecomunicações já devia ser usado para evitar, ou pelo menos minimizar, estas invasões mais ou menos bárbaras e despudoradamente caras.

Mas regressando ao que interessa. É certo que, quando o meu grupo viajante projectou esta ida à Argentina e ao Chile, já se sabia que haveria guerreiros em Lisboa a 20 de Novembro, mas ninguém - nem nós, nem a agência de viagens, muito menos a Ibéria -, previu o arsenal que se preparava e partiu-se do princípio que a capital de um país tem sempre um aeroporto. Ilusão e erro que nos custará uma ida até ao Porto para conseguir chegar a Madrid, esperando que não exista nenhum VIP que resolva fazer por lá uma escala e fechar também os céus da Invicta... Rumaremos na véspera à margem Sul, para evitar cortes de acesso ao Norte... De carro, obviamente, porque já foram anunciados atrasos e interrupções também na circulação de comboios e não escaparíamos, pelo menos, a uma inspecção das malas onde levamos roupinha para dezassete dias, por polícias zelosos com esperança de lá encontrarem canivetes, catanas ou coktails molotov e de nos colarem na testa uma etiqueta de anarquistas.

Só não sei se devo mandar a factura de danos, gasolina e  portagens para Belém, para S. Bento ou para a Casa Branca.

P.S. - Ainda escreverei talvez sobre o que se vai sabendo das actuações policiais. Para já, leia-se este texto do Pedro Sales.
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Irlanda – Para memória presente


Duas entre milhares de citações possíveis:

«Pero el salto de Irlanda a la Unión Europea, junto con agresivas políticas económica pro empresariales, cambió todo eso. En poco más de un decenio, el llamado Tigre Celta se trasformó de una de las naciones más pobres de Europa Occidental a una de las más ricas del mundo. Su producto nacional bruto, que no llegaba a 70 por ciento del promedio de la UE en 1987, saltó a 136 por ciento del promedio de la Unión Europea para 2003, en tanto que el índice de desempleo se redujo a 4 por ciento, de 17 por ciento que era.» (2005)

«Se podría decir que el éxito de Irlanda se ha basado en la aplicación acertada de lo que los economistas llamamos políticas de oferta (las que mejoran y aumentan el tejido productivo), a su proximidad a EEUU, el idioma y los campos de golf (sin los cuales como es sabido no acude la IDE. ¿Podemos aprender, España, México, Italia, etc. algo del caso de Irlanda? ¿Se trata de una economía pequeña (como de juguete) y por tanto es fácil de gestionar? ¿Que perspectivas de futuro tiene Irlanda?» (2006)
Aqui.
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Soundscapes

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16.11.10

Conselhos úteis (5) - Esperteza


«Nunca esquecer que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.»

(Com dedicatória ao optimismo do eng. Sócrates.)
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Notícias de uma Cimeira (6)


(Via Jorge Conceição no Facebook)
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Mais Santana que Barroso


Este nunca foi maoísta… Sarkozy, aos 21 (1976).

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