9.12.10

O «Bispo Vermelho»


Manuel Martins esteve à frente da diocese de Setúbal durante vinte e três anos, numa fase dificílima da região em termos de condições sociais de toda a espécie. Foi um dos bispos portugueses mais decentes das últimas décadas, sempre frontal e nada pacífico - ou não tivesse ficado conhecido como o «Bispo Vermelho» - e não é agora nada meigo na escolha das expressões para qualificar a acção do governo na fase actual da vida do país.

Alguns excertos de declarações recolhidas ontem pela Lusa.

«Como é que um governo se considera legítimo quando permitiu que um país chegasse a esta situação, que pela comunicação social parece de uma miséria absoluta.».

«Aquilo que é fundamental num estado social este governo está a matar, com as exigência que põe, com os benefícios que retira.»

«Nós estamos assim na situação em que vemos um trabalhador no fundo de um poço, não sei de quantos metros, e era preciso salvá-lo, mas estamos numa situação em que nem corda temos para lhe atirar.»

«É uma economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal, que tem lá no alto da pirâmide meia dúzia de homens que mandam no mundo e muitas vezes desgraçam o mundo (…), o poder político está inteiramente dependente do poder económico.»

«Há muita coisa escondida. Bem sei que há coisas, como na própria família, que não se revelam por inteiro, mas a transparência faz parte da democracia.»

Muito, muito longe da linguagem da caridadezinha, certo?

(Fonte)
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8.12.10

Antes que o dia acabe

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John Lennon, 1940-1980



(Via Luís Novaes Tito no Facebook)
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Sócrates & Barroso

A Associação Fórum Manifesto organiza no próximo dia 11 de Dezembro, Sábado, às 21h na Livraria Ler Devagar, uma conversa com Miguel Portas sobre a crise económica mundial e o papel da União Europeia.
Portugal num colete de forças económico em que é insuportável estar com o Euro e, insuportável viver sem o Euro.

Num contexto em que o controlo das políticas económicas a partir de Bruxelas através dos PEC, dos PNR (Planos Nacionais de Reforma) e das sanções aos governos ditos incumpridores. A grande questão que se levanta neste momento é: será possível existir uma moeda única sem um orçamento europeu suficientemente forte para colmatar as divergências entre Norte e Sul, superavitários e deficitários? Na prática, Bruxelas passará a ter direito de veto sobre os orçamentos, sobrepondo-se aos poderes dos deputados nacionais, e tudo indica que as sanções venham a ser quase automáticas apesar das divergências que ainda possam existir entre os 27.

Lx Factory – Livraria Ler Devagar
(R. Rodrigues de Faria 103 – Alcântara)

(Daqui)
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Na China, Nobel da Paz em contrafacção


Amanhã, véspera da entrega do Nobel da Paz, atribuído em Outubro a Liu Xiaobo, será dada na China a primeira versão do «Prémio Confúcio da Paz» a Lien, um antigo vice-presidente de Taiwan. Entre os outros nomeados, contavam-se Nelson Mandela, Bill Gates (?!) e Mahmoud Abbas. Velhos hábitos de clonagem não se perdem facilmente!

Como tem sido noticiado, dezanove países corresponderam ao apelo de Pequim e não estarão presentes, em Oslo, na próxima 6ª feira – tudo boa gente, evidentemente!...

(Fonte)
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Uma imagem que dispensa 1.000 palavras


(Via Passa Palavra)

Entretanto, e para além da avalanche de textos e notícias internacionais, três recomendações de leituras «caseiras»:

* Rui Tavares, O nosso teste
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7.12.10

Bloco aloja cópia de Wikileaks


«O Esquerda.net decidiu responder positivamente ao apelo da Wikileaks e pôs à disposição da organização dirigida por Julian Assange um servidor para alojar um espelho (mirror) do site. Este espelho será uma cópia do site Wikileaks, e será administrado pela sua equipa, não tendo a redacção do Esquerda.net qualquer interferência ou acesso ao seu conteúdo.»

(Ler texto na íntegra)
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A rádio é uma arma


Aung San Suu Kyi, em liberdade desde 13 de Novembro, tem agora um programa semanal de perguntas e respostas na Radio Free Asia, difundido parcialmente em birmanês todas as sextas-feiras à noite.

Trata-se de uma oportunidade única de diálogo da líder com os seus concidadãos que enviam as questões por mail ou por telefone, da diáspora ou do interior. Estima-se que 20% da população adulta do país consiga ouvi-lo, por incapacidade técnica do governo para bloquear os broadcasts. E não será fácil, neste momento, proibir Aung de participar nesta iniciativa, dadas as pressões internacionais.

Tudo isto pode parecer trivial, mas a verdade é que a maioria dos birmaneses nunca imaginou ouvir um dia, na rádio, Aung discutir pontos de vista e responder a perguntas.

Será que Patrick, o excelente e lúcido guia que me acompanhou há um ano, ouvirá a RFA? É muito provável que sim.

(Fonte)

Dois excertos, em inglês, do primeiro programa:

You have suffered for many years in the struggle to bring democracy to Burma. And, as you are well aware, the Burmese people are also suffering greatly. Do you have any words of guidance for them? Was there any one thing in particular that helped keep you strong in your darkest days?


Is the military junta that has ruled Burma for so long now any different today than it was in the past? Do you have any reason to believe they won’t just re-arrest you tomorrow?

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Jacques Delors dixit


«Os 16 membros da zona do euro não foram capazes de uma verdadeira cooperação. Não percebem que têm um bem comum para gerir: o euro.»

É necessário que sejam criados «obrigações públicas europeias, não para cobrir os deficits, mas para financiar as despesas futuras» , «fundos de ajuda conjuntural a serem utilizados em fases de crescimento fraco» e « um fundo de amortização, que cobriria uma parte do deficit de cada um dos 16 estados».

São indispensáveis sanções contra os Estados negligentes: «As mais lógicas seriam privar de fundos – parcial e temporariamente - os países que não praticassem uma política sã.»

«Não são os banqueiros que receberam dos Estados, como empréstimos ou garantias, 4.589 biliões de euros, que podem ditar aos governos os comportamentos que estes devem ter. A política tem de ser a última referência.»

«Pessimista activo», prevê o pior se «a Europa se deixa levar, atravessada como está, hoje, por ondas populistas e nacionalistas. Será o declínio garantido, mesmo se os líderes não estejam conscientes da realidade. E mesmo o melhor aluno da classe europeia [a Alemanha] ficará depenada...»

(Excertos de uma entrevista a ser publicada em Le Monde, com data de amanhã.)

A ler também:
* Helmut Schmidt: «L'Europe manque de dirigeants»
* Mário Soares: «Líderes da UE são incapazes e só pensam em dinheiro»
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Para uma nova economia


Uma tomada de posição pública

Apresentamos esta tomada de posição pública no momento em que acaba de ser aprovada a política orçamental para 2011. Como todos reconhecem, as medidas adoptadas têm carácter recessivo. Mesmo que no curto prazo, permitissem conter a especulação financeira sobre a dívida externa e as necessidades de financiamento do Estado e da economia portuguesa, tal política, só por si, não abriria caminho ao indispensável processo de mudanças estruturais de que o País carece para alcançar um desenvolvimento humano e sustentável a prazo. Importa responder no curto prazo visando e construindo o longo prazo.

Reconhecemos que é necessária e urgente uma mudança profunda no paradigma da economia nacional, mas também europeia e mundial. Estamos todos envolvidos na busca de soluções. Os economistas em particular têm a responsabilidade de contribuir para encontrar respostas para os desafios da transição que marcam o mundo contemporâneo e, de modo particular, o nosso País.

A crise tem carácter sistémico e dimensão global, com contornos específicos na Zona Euro, traduzindo-se em maior pobreza, desemprego, crescentes desigualdades de riqueza e rendimento, baixa propensão ao investimento e fraco dinamismo da produção.

(Ler texto da Petição, na íntegra, e assinar AQUI)
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6.12.10

Malditos controladores?


Embora inicialmente mais ocupada em saber se o espaço aéreo espanhol abriria ou não para eu passar e regressar hoje a Lisboa (regressei e sem um minuto de atraso…), tive depois ocasião de ler páginas e páginas de vários jornais espanhóis, durante dois longos voos.

1 - É verdade que os controladores aéreos espanhóis ganham principescamente? Muito provavelmente, mas alguém o foi permitindo, ao longo das mais de três décadas de democracia, por razões mais ou menos eleitoralistas. Não o conseguiram de metralhadoras na mão.

2 - Estavam em curso, pelo menos há um ano, negociações sobre esta questão (40% de redução salarial pretendida pelo governo, o que é duro de roer por mais elevada que seja a maquia) e, também, sobre o número máximo de horas de trabalho.

3 – No passado dia 3, véspera de uma longa ponte a nível nacional, o Conselho de Ministros decidiu encerrar a questão. Porquê nesse dia tão crítico? Ouvi a pergunta feita por vários jornalistas, sem que algum tivesse recebido uma resposta satisfatória do governo de Zapatero (ou de Rubalcaba?). Os controladores não estavam à espera desse desfecho, já que, na véspera, tinham anunciado uma greve para fim de Dezembro como protesto contra a privatização parcial da AENA, simultânea com outra, de pilotos em litígio com o governo a propósito da duração máxima de trabalho. Porquê, então, sobretudo nesse dia? «Está claro que enfrentarse a este colectivo es relativamente barato por su impopularidad. El Gobierno ha optado por recuperar autoridad aprovechando el bajo coste de oportunidad del enfrentamiento.»

4 – Os controladores reagiram intempestivamente com abandono dos postos de trabalho? Sem dúvida (já lá vou).

5 – O que fez Rubalcaba e sus muchachos (Zapatero recolheu-se nos bastidores…)? Subiram brutalmente a parada, decretaram estado de alarme por quinze dias e «militarizaram» os controladores. E já vieram dizer hoje que, muito provavelmente, irão prolongar a situação por dois meses! Bem significativa a frase do dito Rubalcaba: «Quien le echa un pulso al Estado pierde». Será?

Resumindo: quem desencadeou a crise no pior dia para o fazer foi o governo, como foi ele que respondeu a uma greve «radical» com um autoritarismo feroz. O futuro próximo revelará as consequências, mas o PSOE foi o principal responsável pela mudança de cenário e de patamar.

Reacções? Com honrosas excepções, as que encontrei por cá à chegada, na blogosfera «de esquerda», foram de aprovação tácita das medidas do governo espanhol, com distanciamento em relação aos controladores (direito à greve, sim, mas by the book ou de «pobrezinhos», nunca de gente bem paga) ou, em muitos casos, um ensurdecedor silêncio (alô, Arrastão?). Porquê exactamente? Ainda não percebi bem – ou percebi bem demais?...

Claro que as greves e outras manifestações «legais» continuam a ter o seu papel, mas não são suficientes e existirão outras. Porquê? Porque não estamos a viver em período normal mas sim em circunstâncias em que «o “estado de alerta” não só já está declarado como se transformou em rotina social», como muito bem observa o João Tunes.

E «greves selvagens», com foi decidido qualificar esta, são talvez uma forma relativamente amena do que está para vir. Habituemo-nos, é a vida!
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E porque hoje é 2ª feira


… e duas semanas sem crónicas de César das Neves alteram excessivamente as minhas rotinas, a elas regresso em dia de boa colheita.

O tema é sexo, papa, preservativo e cigarros com filtro, para se concluir, uma vez mais, que «a Igreja é contra o adultério, prostituição, promiscuidade e fornicação.» («Fornicação» em sentido estrito / restrito, claro, de relação entre pessoas não casadas porque, caso contrário, lá se iriam as criancinhas…)

A ler na íntegra, mas com relevo para um ou outro excerto.

«No pecado gravíssimo do sexo fora do matrimónio, o preservativo torna-se um detalhe. Quem despreza o sexto mandamento, cometendo adultério ou recorrendo à prostituição, não tem escrúpulo de violar essa outra regra menor. A Igreja opõe-se às campanhas de promoção do preservativo, não por repúdio fanático do instrumento, mas porque esse meio, pretendendo proteger a saúde, promove a promiscuidade e aumenta o risco de sida.» Copiei bem: o preservativo «aumenta o risco de sida».

«A sociedade hoje anda viciada em libido, como de tabaco há anos.» Venha a proibição, do tipo «a libido mata».

Cereja em cima do bolo: o preservativo ao nível das revoluções da História. «A França de setecentos e a Rússia de novecentos quase se destruíram na embriaguez da revolução. Agora a cultura preservativa ameaça as sociedades que inquinou.» Nem mais. Afinal a culpa da «crise» actual é esta e não o nervoso dos mercados.

(Fonte)
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Estão a rir de quê?


Aconteceu algo engraçado, na minha ausência, que me tenha escapado?
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