4.10.11

Aos nossos filhos


Elis Regina
(Composição: Ivan Lins/Vitor Martins -1980, durante a ditadura militar no Brasil.)



Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim…
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim…
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim…
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim…
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim…
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim…
.

4 de Outubro de 1936

Traga um polícia também


(Gui Castro Felga)
.

De que tem medo Cavaco?



Tentação de desistir, mas de quê? Que teme o PR? Um suicídio colectivo? Um êxodo em massa? Ou esteve disfarçado na manifestação de Sábado e está, muito subliminarmente, a apelar para outras? «Não desistam, resistam!» - deve ser isso.
.

3.10.11

Utopias

.


Cómo voy a creer / dijo el fulano
que el mundo se quedó sin utopías

cómo voy a creer
que la esperanza es un olvido
o que el placer una tristeza

cómo voy a creer / dijo el fulano
que el universo es una ruina
aunque lo sea
o que la muerte es el silencio
aunque lo sea

cómo voy a creer
que el horizonte es la frontera
que el mar es nadie
que la noche es nada

cómo voy a creer / dijo el fulano
que tu cuerpo / mengana
no es algo más de lo que palpo
o que tu amor
ese remoto amor que me destinas
no es el desnudo de tus ojos
la parsimonia de tus manos
cómo voy a creer / mengana austral
que sos tan sólo lo que miro
acaricio o penetro

cómo voy a creer / dijo el fulano
que la útopia ya no existe
si vos / mengana dulce
osada / eterna
si vos / sos mi utopía.

(Via Paula Godinho no Facebook)
.

Bingo!

Era uma vez também na América (2)

Grécia - Espelho meu?


Não conheço ninguém, e há muito tempo que não leio um único texto, que revele a convicção de que a Grécia vai conseguir salvar-se do naufrágio em que se afunda todos os dias um pouco mais. Sem que contem para a estatística, por razões óbvias, alguns burocratas de Bruxelas e arredores.

Já é o próprio governo a reconhecer que vai falhar as metas de défice para 2011 e 2012, continua-se a reduzir postos de trabalho (mais 30.000 funcionários públicos…) e nada parece resultar. Para os gregos, ir ao café é já quase um acto de rebelião.

O Expresso não é propriamente o Ladrões de Bicicletas nem o Esquerda.net, mas lemos, cada vez com maior frequência, títulos como este: Zona euro: Troika está a aumentar hipótese de "queda caótica". Trata-se, neste caso, de excertos de uma entrevista que Mark Weisbrot deu à Lusa, onde se advoga a reestruturação da dívida grega e se afirma que «é preciso reverter as políticas de austeridade que a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) está a impor aos países em dificuldades financeiras». Claro como água.

Por cá, um governo Lucky Luke dispara mais rápido do que a própria sombra (e do que a própria Troika), para atingir, contra toda a razoabilidade, o número mágico de 5.9% para o défice no final de 2011. Tentando convencer-nos (e autoconvencer-se?) de que tudo vai mesmo correr bem. Porque não, não somos como os gregos.

É verdade: os portugueses, na sua maioria quase esmagadora, parecem estar resignados. Os gregos não. E talvez isso venha um dia a fazer toda a diferença.
.

2.10.11

Senhores do G20…


Em jeito de preparação para a reunião que terá lugar, em Cannes, em 3 e 4 de Novembro de 2011.


.

Alô?!

Roubado aqui
.

A polícia «espera» tumultos? Tem esperança?


O excerto da notícia publicado online já não é mau, mas o texto na íntegra é um mimo. Fica, digitalizado, no fim deste post.

A jornalista do DN revela-nos as linhas gerais de um documento confidencial (atenção: mais uma vez, se é confidencial, divulga-se!) designado «Avaliação prospectiva da contestação social». E o povo agradece…

Começamos por ficar a saber que ontem teve início o resto das nossas vidas, ou seja que «a manifestação da CGTP marcou o primeiro dia de um calendário especial criado pela PSP e pelo SIS (…) e inicia um período de “agitação social”». A anotar por quem anda distraído ou não percebeu, ao descer a Avenida, que estava a viver uma data histórica.

Atenção especial virada para a manifestação anunciada para 15 de Outubro porque é transnacional (que medo…) e «pela falta de enquadramento de centrais sindicais» (de acordo, neste ponto: enquanto os desfiles da CGTP acabarem com o Hino Nacional, o povo é sereno e as secretas podem ir à praia).

Atenção, portanto, porque a PSP e os agentes do SIS «estão no terreno a monitorizar grupos, organizações e protagonistas». É isso: bem me pareceu que o empregado que nos serviu umas imperiais e uns cachorros, ali nas Portas de Santo Antão, estava um pouco nervoso ou não teria confundido tantas somas e subtracções nas contas. Esteve certamente a tomar nota das nossas conversas: ontem deve ter sido o seu primeiro dia ao serviço das Secretas.

Texto do DN:

1 de Out. 2011


Av. da Liberdade, Lisboa

(Foto de Pedro Moura)
.