18.1.12

O 18 de Janeiro na Marinha Grande (1934)


Em reacção à Constituição que Salazar começou a preparar desde que chegou ao poder, em 5 de Julho de 1932, e que acabou por ser promulgada em Abril de 1933, à criação da polícia política (PVDE) e à legislação que neutralizou as organizações operárias, «fascizando» os sindicatos, gerou-se um amplo movimento operário que, depois de alguns acidentes de percurso, culminou na convocação de uma «greve geral revolucionária» para 18 de Janeiro de 1934.

Porque, na véspera, a PVDE prendeu alguns dos principais responsáveis e activistas, o impacto foi menor do que esperado. Apesar disso, em Lisboa, na noite de 17 explodiu uma bomba no Poço do Bispo e o caminho-de-ferro foi cortado em Xabregas e, em Coimbra, explodiram duas bombas na central eléctrica. Houve movimentações em diversos outros pontos do país (Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves), sendo a mais significativa na Marinha Grande, onde grupos de operários ocuparam o posto da GNR e os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.

Mas a repressão foi forte e uma das suas consequências concretizou-se na decisão de criar uma colónia penal no Tarrafal, para onde acabaram por seguir, em 1936, muitos dos detidos do 18 de Janeiro. E onde nove acabaram por morrer.

Notícia na imprensa do dia (Diário de Lisboa):
«Malogrou-se esta madrugada uma tentativa de greve revolucionária» (1) e (2)


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17.1.12

Palavra do dia: «cedência»

«Não houve cedência nenhuma. Haveria muito mais cedências se não houvesse acordo, porque seriam impostas aos trabalhadores muito mais cedências, ou seja, seriam impostas medidas muito mais gravosas aos trabalhadores», terá dito João Proença.

Mas se tudo isto não é uma cedência, então o que é uma cedência?


Com banda sonora dedicada a João Proença (sugestão de José Manuel Pureza no Facebook):



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O cão

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Outra interpretação

LE CHIEN (Leo Ferré)

À mes oiseaux piaillant debout
Chinés sous les becs de la nuit
Avec leur crêpe de coutil
Et leur fourreau fleuri de trous
À mes compaings du pain rassis
À mes frangins de l’entre bise
À ceux qui gerçaient leur chemise
Au givre des pernods-minuit

A l’Araignée la toile au vent
A Biftec baron du homard
Et sa technique du caviar
Qui ressemblait à du hareng
A Bec d’Azur du pif comptant
Qui créchait côté de Sancerre
Sur les MIDNIGHT à moitié verre
Chez un bistre de ses clients

Aux spécialistes d’la scoumoune
Qui se sapaient de courants d’air
Et qui prenaient pour un steamer
La compagnie Blondit and Clowns
Aux pannes qui la langue au pas
En plein hiver mangeaient des nèfles
A ceux pour qui deux sous de trèfle
Ça valait une Craven A

Importa-se de repetir, Celeste Cardona?


«Posso esclarecer que não fui ministra, não fui banqueira e não serei conselheira de energia. Sou apenas licenciada, mestre e doutoranda em direito. Trabalho desde os 16 anos e, permita-me, sempre com êxito. Exerci um cargo ministerial e trabalhei com vogal do C.A., na área da minha especialidade, na CGD.»

Celeste Cardona, anteontem, no Facebook.

Alguém pode explicar-me a diferença entre ter sido ministra e ter exercido um cargo ministerial? Agradecida.
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Mudar o mundo?


«¿Cómo cambiar el mundo? Ésta es la pregunta que se formulan miles de personas empeñadas en cambiar las cosas, la pregunta que se repite a menudo en encuentros sociales alternativos… (...)

La lucha en la calle y en los movimientos sociales es la primera premisa, ya que no habrá cambios espontáneos desde arriba. Aquellos que hoy ostentan el poder no renunciarán sin más a sus privilegios. Cualquier proceso de cambio será fruto de la toma de conciencia de los de abajo y del combate por recuperar nuestros derechos desafiando desde la calle a los que mandan. Así lo demuestra la historia.

Pero también es necesario construir alternativas políticas que vayan más allá de la movilización social, ya que no podemos limitarnos a ser un lobby de aquellos que mandan. Es necesario ser capaces de plantear opciones políticas alternativas antagónicas a las hoy dominantes y que tengan su centro de gravedad en las luchas sociales. Siendo muy conscientes de que el sistema no se cambia desde dentro de las instituciones sino desde la calle, pero que no podemos renunciar a unos espacios que también nos pertenecen. (…)

Hay que avanzar en ambas direcciones y supeditar esta última a la primera, creando mecanismos de control de abajo a arriba y aprendiendo de los errores del pasado tanto de la izquierda política como social. Partiendo de que nadie tiene verdades absolutas, de que el proceso de cambio será colectivo o no será, de que hay que aprender los unos de los otros, de que es necesario trabajar sin sectarismos ni seguidismos y que a menudo las etiquetas separan más que unen. Sin por ello caer en relativismos ni en renuncias ideológicas. Seguramente éstas sean las lecciones más difíciles: romper con el dominio moral e ideológico del sistema capitalista y patriarcal. (…)

Hoy una ola de indignación recorre Europa y el mundo… rompiendo el escepticismo y la resignación, que durante años ha prevalecido en nuestra sociedad, y recuperando la confianza en que la acción colectiva sirve y es útil para cambiar el actual orden de cosas. Aprendemos de la Primavera árabe, del “no pagaremos su deuda” del pueblo islandés, del levantamiento popular, huelga general tras huelga general, en Grecia y ahora del latido de Occupy Wall Street en el “corazón de la bestia” que señala que frente al 1% que manda somos el 99%. Los tiempos se comprimen y se aceleran. Sabemos que podemos.»

Esther Vivas, ¿Cómo cambiar el mundo?
Na íntegra aqui.
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16.1.12

E continuam os concursos de blogues


Mais um, desta vez lançado pelo Aventar, com longuíssimas listas de centenas de blogues, distribuídos por muitas categorias.

O «Brumas» está classificado em «Actividade política (colectivos)», o que me faz temer que tenham detectado em mim sinais de desdobramento em múltiplas personalidades, e eu estou proposta como «Blogger do ano».

Aproveito para saudar o Luís por a sua barbearia ter passado a blogue de Humor e a Helena por andar a dar-nos conversa há oito anos e ter a sua casa elegível como Revelação do Ano.

Mas claro que nada disto tem qualquer espécie de importância se for levado apenas como deve ser: just for kidding...
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Dito por aí (11)

@João Abel Manta

«Que pensaria um cidadão comum se alguém em quem tivesse confiado e com quem tivesse feito um acordo, apanhando-se com o acordo na mão, violasse todos os compromissos assumidos fazendo exactamente o contrário daquilo a que se comprometera? (…)
Quando os eleitos actuam impunemente à margem de valores elementares da sociedade como o da honra e o do respeito pela palavra dada não é só o seu carácter moral que está em causa mas a própria credibilidade do sistema democrático.»
Manuel António Pina, A honra perdida da política

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«Nada de bom se pode esperar de um Sarkózy desesperado, e de uma Merkel aterrorizada na sua ilha, que se afunda carregada com as poupanças de europeus em fuga para sítio nenhum. A Europa poderia ter um futuro. Federalismo, com prosperidade. União política, com confiança. Em vez disso está mais perto da implosão, da pobreza, e das baionetas. Os mercados não são o inimigo. A estupidez política, sim. Mas como poderemos vencer uma força contra a qual, como escreveu Schiller, até os deuses lutam em vão?»
Viriato Soromenho Marques, O eixo partido

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«Par comparaison, le naufrage du Costa Concordia précise notre image de l'autre naufrage, celui de l'euro. L'orgueil est le même, qui inspira les deux chantiers. Et sans doute à l'arrivée le bilan sera-t-il comparable : gros dégâts matériels, film impressionnant rejoué en boucle, énormément de peur, mais moins de mal.
Pour le reste, ce sont les différences qui frappent. Si quelques minutes ont suffi à couler le paquebot, le naufrage de l'euro, lui, n'en finit pas. C'est une catastrophe à épisodes, permanente, interminable. La coque n'en finit pas de se déchirer sur le récif, centimètre par centimètre, tandis que l'équipage multiplie les consignes incohérentes, ébloui par le phare des naufrageurs de Standard & Poor's.»
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Sexta-feira 13


Os «bonecos» da Gui Castro Felga numa acção de rua, ontem, em Paris.




A propósito, ler: Ana Sá Lopes, A Standard &Poor’s pôs Merkel no lixo
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Deve cobrir unhas encravadas, talvez…

15.1.12

A minha vitória no Combate de Blogues


Foram ontem anunciados os vencedores do concurso organizado pela TVI e o Brumas venceu na categoria «Melhor blogue individual 2011».

Alguns comentários:

1 - Se alguém pensa que eu acredito que este é o melhor blogue individual de Portugal, ou mesmo de S. Domingos de Benfica e arredores, suplico que peçam à minha família que me interdite. Mas agradeço, mais do que sinceramente, a todos os que o escolheram entre sete possíveis.

2 - A votação nesta categoria de blogues, e só nesta, foi atribulada porque foram distribuídas rajadas de milhares votos em alguns dos nomeados. Quem o fez e porquê é um segredo que permanecerá no mundo dos hackers, mas, perante os factos e com os dados de que dispunha, o painel de residentes responsáveis pelo programa chamou a si a decisão do imbróglio e declarou este blogue vencedor.

3 - Na blogosfera, alinho sempre em iniciativas que estabeleçam contactos entre quem escrevinha o que lhe apetece e vivi mais esta oportunidade como uma «brincadeira» (a expressão é do próprio responsável pelo programa, Filipe Caetano), num dos poucos universos em que os almoços ainda são grátis para quem não se leva demasiadamente a sério. Ontem à noite, numa simpática festa que reuniu uma multidão de bloggers e afins, conheci mais umas tantas pessoas que, até agora, apenas eram nomes enquadrados em templates de blogues. E isso tem, para mim, alguma importância.

4 - Já me perguntaram que prémios recebemos: certificados, cor-de-rosa. Houve quem alimentasse a esperança de uma entrada directa para a Casa dos Segredos, mas não deu – talvez para o ano…
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O poder dos sequestradores


«Según el diccionario, secuestrar significa "retener indebidamente a una persona para exigir dinero por su rescate". El delito está duramente castigado por todos los códigos penales; pero a nadie se le ocurriría mandar preso al gran capital financiero, que tiene de rehenes a muchos países del mundo y, con alegre impunidad, les va cobrando, día tras día, fabulosos rescates.

En los viejos tiempos, los marines ocupaban las aduanas para cobrar las deudas de los países centroamericanos y de las islas del mar Caribe. La ocupación norteamericana de Haití duró diecinueve años, desde 1915 hasta 1934. Los invasores no se fueron hasta que el Citibank cobró sus préstamos, varias veces multiplicados por la usura. En su lugar, los marines dejaron un ejército nacional fabricado para ejercer la dictadura y para cumplir con la deuda externa. En la actualidad, en tiempos de democracia, los tecnócratas internacionales resultan más eficaces que las expediciones militares. El pueblo haitiano no ha elegido, ni con un voto siquiera, al Fondo Monetario Internacional ni al Banco Mundial, pero son ellos quienes deciden hacia dónde sale cada peso que entra en las arcas públicas. Como en todos los países pobres, más poder que el voto tiene el veto: el voto democrático propone y la dictadura financiera dispone.

El Fondo Monetario se llama Internacional, como el Banco se llama Mundial, pero estos hermanos gemelos viven, cobran y deciden en Washington; y la numerosa tecnocracia jamás escupe el plato donde come. Aunque Estados Unidos es, por lejos, el país con más deudas del mundo, nadie le dicta desde afuera la orden de poner bandera de remate a la Casa Blanca, y a ningún funcionario internacional se le pasaría por la cabeza semejante insolencia. En cambio, los países del sur del mundo, que entregan doscientos cincuenta mil dólares por minuto en servidumbre de deuda, son países cautivos, y los acreedores les descuartizan la soberanía, como descuartizaban a sus deudores plebeyos, en la plaza pública, los patricios romanos de otros tiempos imperiales. Por mucho que esos países paguen, no hay manera de calmar la sed de la gran vasija agujereada que es la deuda externa. Cuanto más pagan, más deben; y cuanto más deben, más obligados están a obedecer la orden de desmantelar el estado, hipotecar la independencia política y enajenar la economía nacional. Vivió pagando y murió debiendo, podrían decir las lápidas.»

Eduardo Galeano, Patas arriba. La escuela del mundo al revés
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Uma explicação possível para a nomeação de Celeste Cardona para a EDP?

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Se Catroga não entende, eu ajudo: os chineses podem ter querido uma ex-PCP para mostrarem ao universo que o conflito sino-soviético is over. Porque não? Tem-se ouvido tanto disparate que é só mais um…
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