7.2.12

Não parece possível


… mas Juliette Gréco faz hoje 85 anos!



(Na foto, com Michel Piccoli, com quem foi casada.)

Da imprensa de hoje: Juliette Gréco plus jeune que jamais
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Passos Coelho revelou que só casou com uma das cantoras das piegas "Doce" porque a Patti Smith não estava disponível

Não há tolerância de ponto? Who cares?!


Estamos perante uma grande onda de desautorização do governo, por causa de uma decisão disparatada, tomada num timing errado e anunciada levianamente. Embora pareçam de importância secundária, acções como esta são causas de irritação absolutamente desnecessárias, que em nada ajudam a aguentar tempos difíceis.

A cada hora que passa, surgem mais notícias como estas:






Etc., etc., etc.
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Punk Economics

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(Via Paulo Coimbra no Facebook)
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Piegas não nos querem, revoltados nos terão


A frase suicida que Passos Coelho disse ontem ficará para a história (curta, espera-se) deste pavoroso governo.

Coleccionem-se as reacções na blogosfera e não só, porque é também com estas «desgraças» que se constrói a memória de um país. Durante o dia, irei actualizando a lista das (menos meigas) que for encontrando. Para já:




* José Simões, O verdadeiro artista

Actualizado às 14:40:
*Henrique Monteiro, O puxão de orelhas
*Precários inflexíveis, Piegas? Quando um Primeiro-Ministro é perigoso e irresponsável
* Luís Novaes Tito, Pieguices
* Nuno, De um "piegas"
* Filipe Tourais, OK, chefe!
* Tiago Mota Saraiva, Acordai piegas!

Actualizado às 18:00:
* Vítor Dias, É este fulano primeiro-ministro?
* Teófilo M., Serão os portugueses piegas?

Actualizado 19:15:
* Rui Rocha, Estampou-se!
* Rhumor, Piegas és tu, malandro

Actualizado às 22:50:
* Vasco Morais, «Piegas» de todo o país, unamo-nos para mandar este gajo para o c...... !
* João Martins, Piegas

Actualizado 8/2, 10:00:
* Luta Popular, Não sejamos piegas… arremessemos pela janela os Migueis de Vasconcelos!
* Rogério da Costa Pereira, Custe o que custar, piegas, hás-de emigrar

P.S. - Contributos de links na Caixa de Coemetários, sff.
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6.2.12

Economia social e solidária


(Contributo de Jorge Pires da Conceição.)

Embora constatemos que maioritariamente as pessoas, individual ou colectivamente, só acreditam que as mudanças sociais se produzam por vias institucionais macro-organizadas, como as dos governos, dos partidos, das autarquias megalòpolitas, etc., verificamos também que, felizmente, não é esse o sentir de muita gente que minoritariamente se vai organizando em pequenos grupos de iniciativas locais, regionais, nacionais e mundiais, ensaiando práticas mais ou menos estruturadas que vão de algum modo influenciando mudanças do comportamento e do viver sociais. Muitos de nós temos observado - e mesmo participado - em iniciativas dessas. São exemplos, mesmo que escassos, da cidadania activa e participada, sempre possível e perfeitamente ao nosso alcance.

Um dos exemplos que nos vem de França, está no artigo de 2 de Fevereiro de Mickaël de Draï na Rue89, com o título «Une monnaie solidaire à Lyon».

É uma experiência de economia social e solidária, alternativa à economia de mercado e especulativa. Não é uma experiência pioneira, nem sequer em Portugal. É algo, aliás, que tem laços de parentesco próximo com a linha global e alternativa de comércio justo, como aquela que é seguida pelo Espaço por um Comércio Justo, rede de comércio justo formada por perto de trinta organizações de Portugal e de Espanha.

Convém recordar que o conceito e a prática, com várias nuances, da moeda local solidária ou complementar tem na Europa mais de um século e que a ela se recorreu em tempos sociais e políticos de crise como complemento à moeda institucional, embora quase sempre localmente ou em pequenas regiões.

Assinale-se que o artigo citado surge cerca de uma ano depois do Colóquio internacional em Lyon sobre as moedas locais (ver vídeo) ), e depois do inquérito popular efectuado em Dezembro de 2011 para lançamento da moeda local em Lyon (ver aqui e aqui). Registe-se ainda que em França presentemente existem, ou estão em vias de se constituirem, pelo menos cerca de duas dezenas de moedas locais.

Este é um artigo-debate que, sinteticamente, expõe esse modelo alternativo e complementar de economia, bem como as suas limitações, hipóteses de sucesso e implicações no relacionamento social, ao qual o público acrescentou vários comentários, com as suas dúvidas, achegas e contestações.

E pode também abrir um frutuoso debate entre nós!...

Alguns sítios na net sobre esta temática em França:
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Leituras

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Entretanto na Síria - razões para um duplo veto


A barbárie continua, com o planeta, impotente, a assistir.

Talvez valha a pena tentar perceber as razões do braço de ferro da Rússia e da China nas Nações Unidas, não só por causa deste caso concreto, mas pelo que pode estar para vir, neste mundo em que tudo acontece a uma velocidade estonteante!

Um longo texto, publicado em Rue 89, ajuda: «Double véto à l'ONU : pourquoi Pékin et Moscou défendent Assad».

«Bem-vindos ao mundo da realpolitik, onde o jogo das grandes potências emergentes não tem razões para invejar o cinismo que demonstraram, historicamente, os donos do mundo inteiro. Este mundo desenhou-se à nossa frente, no Sábado à noite, no Conselho de Segurança da ONU, com o duplo veto, chinês e russo, a uma resolução sobre a Síria.»

Na íntegra aqui.


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Que reste-t-il?


Ainda há poucos dias falei dele, mas impõe-se recordar que François Truffaut faria hoje 80 anos. Se até o Google o assinala!...

Baisers Volés (1968), em jeito de homenagem a um dos realizadores que marcou para sempre algumas gerações.




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5.2.12

Democracia diminuída


Confesso que não tenho prestado a atenção devida ao que se tem passado recentemente, em Espanha, durante o julgamento de Baltasar Garzón, mas não me escapou a notícia de há dois dias sobre os netos das vítimas do franquismo, que testemunharam a favor da pessoa em que viram uma oportunidade de «curar as feridas».

Num texto publicado pela ATTAC Espanha, hoje divulgado, Xavier Caño Tamayo dá-nos um bom resumo crítico do historial da questão BG e da sua relação com o processo da Transição espanhola.

A ler também, no Editorial de NYT de hoje: Truth on Trial in Spain
«Judge Garzón is undeniably flamboyant and at times overreaches, but prosecuting him for digging into Franco-era crimes is an offense against justice and history. The Spanish Supreme Court never should have accepted this case. Now it must acquit him.»
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Vícios de todo o mundo, uni-vos!

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«Acredito que a crise pode determinar a guerra»


Antonio Negri esteve recentemente em Lisboa e foi entrevistado por Nuno Ramos de Almeida. Vale a pena ler.

«A globalização económica e a transformação informática são as duas faces de uma mesma moeda. Esta mutação é acompanhada pela passagem ao capitalismo financeiro em que o capital financeiro se torna o veio fundamental da globalização. (…)

Hoje a transformação das classes subalternas, que são aquelas que teriam interesse numa revolução, são extraordinariamente profundas. Há uma ligação cada vez mais plena, pelo menos nos países desenvolvidos, entre o velho proletariado e uma classe média enormemente empobrecida. E isso determina dificuldades profundas, de linguagem e de instrumentos de comunicação em torno dos protestos, mas sobretudo de projecto. Mas há elementos revolucionários em si: a indignação, e não falo especificamente do movimento dos indignados, e a consciência cada vez mais profunda e forte de que a ordem democrática inventada no século XVIII e concretizada de uma forma global após a queda da União Soviética não é qualquer coisa que se possa confrontar com a ordem mundial que agora se impôs. (…)

Não acredito que a guerra vá ser decidida porque há uma crise. Acredito que a crise pode determinar a guerra. A conflitualidade é sempre depois. (…)

Em Itália fizemos um referendo para impedir a privatização das águas. Foram 28 milhões de italianos que votaram contra a privatização da água, e neste momento o governo, com o apoio da Europa, decide privatizar a água enquanto nós, os 28 milhões, lutamos para que a água fosse um bem comum. Não só a água, mas tudo aquilo que existe em torno dela deve ser gerido de uma forma democrática. Há 28 milhões de pessoas que votaram isso e agora querem-nos impor uma água privada mascarada de pública. Considero que o público não é mais que uma garantia do privado. Hoje em dia o público não é mais que a manutenção da ordem pública para dar aos privados, numa relação de subordinação, os bens comuns e a exploração das coisas. O público foi sempre nas democracias capitalistas alguma coisa que servia os interesses privados. (…)

Sou pessimista porque tenho medo. Vejo o que há, mas da outra parte sinto a potência deste século de reiventar, talvez não o comunismo, certamente não o comunismo soviético, mas o comum. É preciso reinventar as formas em que teremos a capacidade de nos dirigir a nós mesmos.»

Na íntegra aqui.
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