28.9.12

Sobre os incidentes com um segurança de Passos Coelho



«A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) exige que a tentativa de impedimento da recolha de imagens e de agressão, por parte de um membro da segurança pessoal de Passos Coelho, contra um repórter de imagem ao serviço da TVI, seja investigada e punida.

Em cartas enviadas hoje ao Primeiro-ministro, à Inspectora Geral da Administração Interna, ao Director Nacional da Polícia de Segurança Pública e ao Presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o SJ apresenta o seu “mais veemente protesto” contra a “tentativa de impedir que o repórter em causa realizasse o seu trabalho no átrio do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, com indesmentível recurso à intimidação e até violência por parte do referido elemento da segurança”, e reclama a “punição de um claro atentado contra a liberdade de informação”.

Segundo o SJ, as imagens do incidente divulgadas pela TVI – disponíveis em www.agenciafinanceira.iol.pt – o elemento da segurança pessoal de Passos Coelho “agiu de forma consciente, deliberada, completamente ilegítima e violando a lei, nomeadamente o Art.º 19.º do Estatuto do Jornalista”.

Face à gravidade do incidente, o SJ solicita às entidades referidas que mandem averiguar os factos, com vista a apurar todas as responsabilidades e a extrair todas as consequências da ocorrência.»

27/9/2012

 (Daqui, via Facebook)

.

27.9.12

Governo maço de cigarras



Mais um hilariante texto de Ricardo Araújo Pereira, hoje, na Visão. 

«A cigarra da história tem dois desejos: cantar e ficar com uma parte do trabalho da formiga. Passos Coelho anunciou a intenção de ficar com uma parte do trabalho dos portugueses e depois foi cantar (para o concerto de Paulo de Carvalho). É, sem tirar nem pôr, o comportamento da cigarra – e é nocivo para o país, como o ministro daa Administração Interna assinalou, e bem. (...) 

A cigarra que ocupava a cadeira em que Passos Coelho se senta agora também se fartou de confiscar o fruto do trabalho das formigas e hoje leva uma vida de sonho, precisamente em Paris.» 

 Na íntegra, AQUI.
.

Um herói da «rua»



Alberto Casillas trabalha no Café do Prado, em Madrid, e tornou-se um dos protagonistas dos protestos da 25 de Setembro, ao dar abrigo a um grande número de manifestantes que lá se refugiaram. Pôs-se à porta da empresa e recusou-se a deixar entrar a polícia.



(Imagem com adaptação do quadro de Goya via Italian Revolution - Democrazia reale ora no Facebook)
.

Da Memória



No Público de hoje (sem link), mais um texto de Manuel Loff, que ainda se relaciona com a polémica com Rui Ramos mas apenas lateral e não unicamente, pelo que não o divulgo na íntegra.

No entanto, o tema é fulcral e destaco: 

«Uma vez superada uma ditadura, para que nos recordamos dela? Para enraizar a própria democracia que lhe sucedeu? Mas temos bem a certeza de que a democracia em que vivemos radica mesmo na memória da opressão que a precedeu? Os Estados democráticos descrevem habitualmente a sua (re)fundação como resultando da superação e da rejeição da opressão (política, social, étnica, cultural, de género...) que caraterizou as ditaduras que os precederam. Isto significa que há um sentido político, cultural, moral, na recordação de uma ditadura. (...)

Em Portugal, não está encerrado o debate sobre a natureza política do Salazarismo ou o peso da violência e opressão exercida pelo Estado, e muito pouco se discutiu sobre o peso do colonialismo e da Guerra Colonial na vida de milhões de portugueses e de africanos. 

É fácil perceber como a (des)memória das ditaduras é um índice decisivo da qualidade da democracia em que vivemos. Especialmente num momento em que a agressão brutal perpetrada pelos poderes político e económico ao conjunto da sociedade produz uma crise tão evidente da legitimidade democrática, que se faz acompanhar, habitualmente, da crise da crítica do autoritarismo.» 
.

Em Atenas, a fome organiza-se



«Por favor, deixem pão e comida fora do contentor»  

Entretanto, os três líderes da coligação governamental reuniram-se para um último acordo sobre as novas trinta medidas a serem aplicadas e que, em resumo, parecem apontar para:  


Mais contentores serão necessários em Atenas – destinados apenas a restos de comida. 
.

26.9.12

Solidariedade



Grécia 26 de Setembro ||| Espanha 25 de Setembro ||| Portugal 15 de Setembro 

... e o que se seguirá. 

Bem a propósito: Cristina Fernández, presidente da Argentina, insurgiu-se ontem contra a repressão exercida, pela polícia espanhola, durante as manifestações de Madrid contra as medidas de austeridade impostas pelo governo, e estabeleceu um paralelo com as que o seu país viveu em 2001, ano em que foi suspenso o pagamento da dívida soberana argentina. 

«A Argentina chegou a dever 160% do PIB, em consequência de endividamento e de ajustes permanentes que vemos agora aplicar, de modo feroz, a países como a Espanha, Grécia ou Portugal.» 

Registe-se – para memória futura. 

(Fonte)

Em vão



Um belíssimo de texto de Luís Januário, publicado no «i» e agora também no blogue, a propósito da manifestação do passado dia 15. 

Excertos, para abrir o apetite:

«A manifestação de Lisboa acabou na Praça de Espanha, em anti clímax. A incrível ocupação do espaço contrastava com a ausência de meios acústicos, de liderança e organização (como inevitavelmente foi sublinhado). O carácter espontâneo do protesto, a sua maior força, era também a sua debilidade. Faltou a voz que traduzisse aquela raiva em palavras e propostas. O que é em si uma coisa boa, pois, tal como num work in progress, a obra está ainda aberta à multiplicidade de leituras e blindada a tentações caudilhistas.(...)

Quando os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno encontraram uma cave com os melhores vinhos da Europa. O primeiro regime de soldados, operários e camponeses começou numa ressaca de grandes colheitas. Se os manifestantes tivessem tomado a sede do FMI encontrariam um apartamento com mobiliário de escritório e Coca-Cola na geleira. Não é a mesma coisa. E aqui voltamos às imagens fortíssimas. Uns momentos antes das objectivas terem registado o abraço de Adriana ao seráfico guerreiro, uma outra mulher cantava a Portuguesa, à beira das lágrimas. Quando lhe perguntaram porque chorava, ela disse:
– Porque vai ser tudo em vão. Como sempre. (...)

O dispositivo económico é, na fase actual, compatível com alguns enfeites democráticos, desde que o nosso estado de inanição continue a permitir que dancemos a sua valsa.

No passado sábado as multidões desceram a Avenida da República e depois inflectiram perigosamente para a Avenida de Berna, sem saber que a Praça de Espanha era a cloaca do dispositivo económico, o lugar onde toca a sineta surda de dispersar e cada um fica de novo entregue à solidão e ao destino final. A menos que ...»

(Na íntegra.)
. 

Piegas!...



Todo o governo está protegido pela polícia. «Neste momento as solicitações são tantas que até existe dificuldade em gerir os horários dos polícias desta unidade», dia uma fonte da PSP. 

Felizmente que há poucos ministros, ou a segurança dos portugueses estaria mesmo comprometida!  

(Daqui)

Há 44 anos, a primeira noite sem Salazar


No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste curto e tétrico discurso: 



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil, sobretudo para os mais novos, compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...). A «Primavera Marcelista», expressão usada para caracterizar os dois anos que se seguiram, alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». .

Mas foram também numerosos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças e, a 44 anos de distância, acho graça e alegro-me ao reler o que então escrevi, num depoimento para O Tempo e o Modo (não esquecer que as revistas eram submetidos a «exame prévio», o que nos forçava a exercícios de encriptação em que éramos exímios...) (*):

«O que penso do actual momento político?
1º – Que o Estado, agora novíssimo, merece os nossos parabéns. Simplesmente porque há muita gente contente. Pois então não é bom que os jornais embandeirem em arco porque podem dizer que já podem dizer e começam mesmo a dizer, que haja regressos anunciados e partidas «aboatadas» e que os empregados da CP escrevam ao Presidente do Conselho? Que sejam prometidas prioridades para o ensino e apareça já uma reforma (!)? Afinal o De Gaulle é um grande homem! Vai ajudar-nos daqui a uns anos (se ainda formos vivos). O pior é o Marcuse. E os outros.
2º – Que não faltarão boas vontades para a acção imediata. Esperemos também que haja quem queira parar, não ter pressa (de quê, agora?), tirar lições. Porque há muito, muito que pensar, que estudar e que fazer a longo prazo. Com havia há dois meses.»

(*) Dossier especial publicado durante o quarto trimestre de 1968, que incluía vários artigos e depoimentos de pessoas, pró ou contra MC, que aceitaram responder à pergunta «Como encara o actual momento político?»: António Alçada Baptista, Eduardo Prado Coelho, Francisco Balsemão, Joana Lopes, Jorge Sampaio, Luís Moita, Manuel Roque, Nuno de Bragança e Raul Rego. Este dossier foi republicado em O Tempo e o Modo – Antologia, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2003, pp. 613-648. 
.

Ontem foi assim




La manifestación de hoy ha reflejado la brutal violencia de un gobierno que niega la democracia y es vasallo del poder económico. Hay decenas de heridos, uno de ellos muy grave (lesión medular), mientras la policía limpiaba las calles de manifestantes. En una de ellas nos han empujado a varios cargos públicos de IU (está grabado y lo subiremos) que simplemente estábamos en la acera. Violencia desmesurada para proteger la violencia de un sistema inhumano. Una manifestación absolutamente pacífica que muestra la irracionalidad de un gobierno traidor con sus ciudadanos. 

Alberto Garzón Espinosa (no Facebook)  
Deputado pela Izquierda Unida


25.9.12

Espanha



Vi dezenas de imagens sobre as manifestações de hoje em Madrid. Esta foi a que mais me impressionou. 
.

Ser «bom aluno» ou «mau aluno» é indiferente


(Alfredo Cunha)

Elias Soukiazis, economista grego, professor da Universidade de Coimbra: «Não interessa ser bom ou mau aluno. As receitas são erradas e portanto esta é a demonstração que Portugal vai sofrer as mesmas consequências que a Grécia.»

A ouvir AQUI

«A culpa não pode ser atribuída à Grécia, Portugal ou Irlanda, mas às «políticas erradas europeias e da troika», uma vez que "têm de mudar alguma coisa e pensar no crescimento e no emprego". "Chegamos a ter níveis de desemprego e de recessão equivalentes aos anos 29 e 30, portanto não podemos continuar assim. A receita naquela altura era dinamizar o investimento. Não podemos ter apenas políticas de recessão e temos de pensar no crescimento".» 
.