28.9.12

Faria hoje 80



Víctor Jara que ainda bem podia andar por cá se não tivesse sido assassinado por um comando militar secreto, em 1973, cinco dias depois do golpe em que morreu Salvador Allende.

Hoje, que regressem as «clássicas»:


 

Yo pregunto a los presentes
si no se han puesto a pensar
que esta tierra es de nosotros
y no del que tenga más.

Yo pregunto si en la tierra
nunca habrá pensado usted
que si las manos son nuestras
es nuestro lo que nos den.

¡A desalambrar, a desalambrar!
que la tierra es nuestra,
tuya y de aquel,
de Pedro, María, de Juan y José.

Si molesto con mi canto
a alguien que no quiera oír
le aseguro que es un gringo
o un dueño de este país.
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Uma leitura destas por dia, nem sabe o bem que nos fazia...



 ... porque reflectir sobre a realidade nunca fez mal a ninguém.

Pode-se começar por um texto do Zé Neves: Que se vayan todos? 


E, finalmente, mergulhar num outro texto, duro de ler porque é longo, mais duro ainda de roer porque sim: A classe trabalhadora vai à rua e encontra os mesmos do costume.

Há 38 anos, a manifestação que não existiu



Esteve marcada para 28 de Setembro de 1974 e tinha como objectivo reforçar a posição do presidente da República, António de Spínola, então já em confronto com o governo e com o MFA, não só mas também por questões ligadas à independência das colónias.

Teria sido a chamada manifestação da Maioria Silenciosa, acabou por ser proibida e, na véspera, o COPCON prendeu cerca de setenta pessoas suspeitas de estarem ligadas à iniciativa. Apesar disso, os partidos políticos de esquerda desencadearam, no próprio dia, uma gigantesca operação de «vigilância popular»: desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes distribuíram panfletos e pararam e revistaram carros em todas as entradas de Lisboa.

Os sinais públicos de ruptura crescente entre o presidente da República e o governo de Vasco Gonçalves e o MFA tinham sido mais do que evidentes, dois dias antes, durante uma tourada organizada pela Liga dos Combatentes, no Campo Pequeno, durante a qual Spínola foi aplaudido e Vasco Gonçalves apupado.

Em 30 de Setembro, Spínola demitiu-se do cargo de presidente da República, sendo substituído pelo general Costa Gomes. 

Nesse Sábado cinzento de Setembro, fechou-se o primeiro ciclo político do pós 25 de Abril. 

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#29S


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Sobre os incidentes com um segurança de Passos Coelho



«A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) exige que a tentativa de impedimento da recolha de imagens e de agressão, por parte de um membro da segurança pessoal de Passos Coelho, contra um repórter de imagem ao serviço da TVI, seja investigada e punida.

Em cartas enviadas hoje ao Primeiro-ministro, à Inspectora Geral da Administração Interna, ao Director Nacional da Polícia de Segurança Pública e ao Presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o SJ apresenta o seu “mais veemente protesto” contra a “tentativa de impedir que o repórter em causa realizasse o seu trabalho no átrio do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, com indesmentível recurso à intimidação e até violência por parte do referido elemento da segurança”, e reclama a “punição de um claro atentado contra a liberdade de informação”.

Segundo o SJ, as imagens do incidente divulgadas pela TVI – disponíveis em www.agenciafinanceira.iol.pt – o elemento da segurança pessoal de Passos Coelho “agiu de forma consciente, deliberada, completamente ilegítima e violando a lei, nomeadamente o Art.º 19.º do Estatuto do Jornalista”.

Face à gravidade do incidente, o SJ solicita às entidades referidas que mandem averiguar os factos, com vista a apurar todas as responsabilidades e a extrair todas as consequências da ocorrência.»

27/9/2012

 (Daqui, via Facebook)

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27.9.12

Governo maço de cigarras



Mais um hilariante texto de Ricardo Araújo Pereira, hoje, na Visão. 

«A cigarra da história tem dois desejos: cantar e ficar com uma parte do trabalho da formiga. Passos Coelho anunciou a intenção de ficar com uma parte do trabalho dos portugueses e depois foi cantar (para o concerto de Paulo de Carvalho). É, sem tirar nem pôr, o comportamento da cigarra – e é nocivo para o país, como o ministro daa Administração Interna assinalou, e bem. (...) 

A cigarra que ocupava a cadeira em que Passos Coelho se senta agora também se fartou de confiscar o fruto do trabalho das formigas e hoje leva uma vida de sonho, precisamente em Paris.» 

 Na íntegra, AQUI.
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Um herói da «rua»



Alberto Casillas trabalha no Café do Prado, em Madrid, e tornou-se um dos protagonistas dos protestos da 25 de Setembro, ao dar abrigo a um grande número de manifestantes que lá se refugiaram. Pôs-se à porta da empresa e recusou-se a deixar entrar a polícia.



(Imagem com adaptação do quadro de Goya via Italian Revolution - Democrazia reale ora no Facebook)
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Da Memória



No Público de hoje (sem link), mais um texto de Manuel Loff, que ainda se relaciona com a polémica com Rui Ramos mas apenas lateral e não unicamente, pelo que não o divulgo na íntegra.

No entanto, o tema é fulcral e destaco: 

«Uma vez superada uma ditadura, para que nos recordamos dela? Para enraizar a própria democracia que lhe sucedeu? Mas temos bem a certeza de que a democracia em que vivemos radica mesmo na memória da opressão que a precedeu? Os Estados democráticos descrevem habitualmente a sua (re)fundação como resultando da superação e da rejeição da opressão (política, social, étnica, cultural, de género...) que caraterizou as ditaduras que os precederam. Isto significa que há um sentido político, cultural, moral, na recordação de uma ditadura. (...)

Em Portugal, não está encerrado o debate sobre a natureza política do Salazarismo ou o peso da violência e opressão exercida pelo Estado, e muito pouco se discutiu sobre o peso do colonialismo e da Guerra Colonial na vida de milhões de portugueses e de africanos. 

É fácil perceber como a (des)memória das ditaduras é um índice decisivo da qualidade da democracia em que vivemos. Especialmente num momento em que a agressão brutal perpetrada pelos poderes político e económico ao conjunto da sociedade produz uma crise tão evidente da legitimidade democrática, que se faz acompanhar, habitualmente, da crise da crítica do autoritarismo.» 
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Em Atenas, a fome organiza-se



«Por favor, deixem pão e comida fora do contentor»  

Entretanto, os três líderes da coligação governamental reuniram-se para um último acordo sobre as novas trinta medidas a serem aplicadas e que, em resumo, parecem apontar para:  


Mais contentores serão necessários em Atenas – destinados apenas a restos de comida. 
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26.9.12

Solidariedade



Grécia 26 de Setembro ||| Espanha 25 de Setembro ||| Portugal 15 de Setembro 

... e o que se seguirá. 

Bem a propósito: Cristina Fernández, presidente da Argentina, insurgiu-se ontem contra a repressão exercida, pela polícia espanhola, durante as manifestações de Madrid contra as medidas de austeridade impostas pelo governo, e estabeleceu um paralelo com as que o seu país viveu em 2001, ano em que foi suspenso o pagamento da dívida soberana argentina. 

«A Argentina chegou a dever 160% do PIB, em consequência de endividamento e de ajustes permanentes que vemos agora aplicar, de modo feroz, a países como a Espanha, Grécia ou Portugal.» 

Registe-se – para memória futura. 

(Fonte)

Em vão



Um belíssimo de texto de Luís Januário, publicado no «i» e agora também no blogue, a propósito da manifestação do passado dia 15. 

Excertos, para abrir o apetite:

«A manifestação de Lisboa acabou na Praça de Espanha, em anti clímax. A incrível ocupação do espaço contrastava com a ausência de meios acústicos, de liderança e organização (como inevitavelmente foi sublinhado). O carácter espontâneo do protesto, a sua maior força, era também a sua debilidade. Faltou a voz que traduzisse aquela raiva em palavras e propostas. O que é em si uma coisa boa, pois, tal como num work in progress, a obra está ainda aberta à multiplicidade de leituras e blindada a tentações caudilhistas.(...)

Quando os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno encontraram uma cave com os melhores vinhos da Europa. O primeiro regime de soldados, operários e camponeses começou numa ressaca de grandes colheitas. Se os manifestantes tivessem tomado a sede do FMI encontrariam um apartamento com mobiliário de escritório e Coca-Cola na geleira. Não é a mesma coisa. E aqui voltamos às imagens fortíssimas. Uns momentos antes das objectivas terem registado o abraço de Adriana ao seráfico guerreiro, uma outra mulher cantava a Portuguesa, à beira das lágrimas. Quando lhe perguntaram porque chorava, ela disse:
– Porque vai ser tudo em vão. Como sempre. (...)

O dispositivo económico é, na fase actual, compatível com alguns enfeites democráticos, desde que o nosso estado de inanição continue a permitir que dancemos a sua valsa.

No passado sábado as multidões desceram a Avenida da República e depois inflectiram perigosamente para a Avenida de Berna, sem saber que a Praça de Espanha era a cloaca do dispositivo económico, o lugar onde toca a sineta surda de dispersar e cada um fica de novo entregue à solidão e ao destino final. A menos que ...»

(Na íntegra.)
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Piegas!...



Todo o governo está protegido pela polícia. «Neste momento as solicitações são tantas que até existe dificuldade em gerir os horários dos polícias desta unidade», dia uma fonte da PSP. 

Felizmente que há poucos ministros, ou a segurança dos portugueses estaria mesmo comprometida!  

(Daqui)