9.6.13

Mais vale rir



Passos Coelho convida Anthímio de Azevedo, conhecido e mediático meteorologista, para integrar a equipa de Vitor Gaspar, no Ministério das Finanças, como secretário de estado das Previsões Económicas. 
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Funcionários públicos e não só



Na sua crónica semanal no Público de ontem -“Eles” (os funcionários públicos) são uma parte de “nós”-, José Pacheco Pereira retoma alguns dos seus temas recorrentes, em termos que, na minha opinião, merecem realce.

Alguns excertos e o texto na íntegra.

«O que se passa na actual ofensiva do Governo contra a função pública está muito para além da condição de se ser “funcionário público”. O discurso do Governo — mais uma vez um discurso de divisão entre os portugueses, a que chamei e chamo “guerra civil” — pretende legitimar as suas acções como tendo a ver com aquilo que apresenta como “privilégios” dessa condição profissional. (...)

Este discurso colhe, porque as sementes da cizânia pegam sempre em momentos de empobrecimento, em que a mais fácil das cegueiras é olhar para o lado e ver que o vizinho tem mais uns tostões do que eu e ficar fixado nessa socialização da inveja entre os de baixo, muito próximos em condição e dificuldades, em vez de olhar para outro lado, para o lado de onde vem a minha miséria e a do meu vizinho. Para o lado de cima. (...)

Tudo isto nos diz respeito, funcionários ou trabalhadores do sector privado, porque ninguém tenha dúvidas de que se o Governo pudesse fazer a todos os trabalhadores portugueses o mesmo que está a fazer aos funcionários públicos, fá-lo-ia sem hesitar. Se, por despacho ou lei ordinária, em muitos casos sem sequer ir à Assembleia da República, fosse possível aumentar o horário de trabalho, permitir despedimentos discricionários por decisão unilateral do patrão ou do capataz, individuais e colectivos, sem qualquer enquadramento legal que proteja a parte mais fraca, nem simulacros de leis laborais seriam precisas.

E tudo isto nos diz respeito, porque é o medo o lubrificante do discurso de guerra civil do Governo. Sim, o medo das pessoas normais, que sabem que ninguém as defende, que não confiam na força dos sindicatos, que sabem que o silêncio cúmplice de Seguro não destoa dos actos de Passos Coelho, que sabem que se escorregarem ainda mais no plano inclinado da pobreza, cujo grande salto é o despedimento, terão uma vida infernal, difícil e envergonhada. E por isso hesitam, temem, retraem-se, têm a ilusão de que podem passar despercebidos ao olhar do chefe que vai escolher quem vai para a “mobilidade especial”, ou para a “requalificação”, ou seja, quem vai ser despedido.

A razão pela qual o povo português parece ser mais “paciente” resulta muito simplesmente de que muitos têm medo de perder ainda mais do que o que já estão a perder. E como o discurso da divisão deixa cada um sozinho na sua fábrica, na sua escola, na sua repartição, o medo ainda é eficaz. Mas o medo é destrutivo da sociedade e da democracia, e dá saída apenas para o desespero, o momento em que as pessoas percebem que já não há mais a perder. E nessa altura o seu desespero não se verá em manifestações da CGTP ou dos "indignados".

Uma das razões por que prefiro mesmo o desconhecido e o arriscado á situação presente, como sejam eleições antecipadas sem grandes expectativas, é que prefiro um tumulto que abra o espaço político a uma situação nova, à continuidade de uma governação que é uma forma muito pior de tumulto, é a destruição de um país em que a condição de se ser português não significa nada, porque já não existem laços comunitários em que nos reconheçamos.» (O realce é meu.)

Na íntegra AQUI.
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7.6.13

Rebobino



Regresso a Gaudí porque quero que fique aqui o rasto de uma das suas obras mais emblemáticas: a Casa Batlló.

Entre 1904 e 1906, Gaudí remodelou completamente um edifício já existente no Paseo de Gracia, em Barcelona, que tinha sido construído em 1875. O resultado é, no mínimo, avassalador, sobretudo em termos de interiores. Para detalhes da construção e da sua história,vale a pena percorrer o respectivo site.






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Sim, até quando?



@Eduardo Filipe Sama


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6.6.13

Arquitectura e música



A vida continua, as notícias não são más mas sim péssimas e as minhas férias em Barcelona estão a chegar ao fim. Mas aproveito-as, há anos que não via tantos museus e catedrais por dia (já chega…) e podia levar horas a falar de Gaudí, Picasso, Dalí, Miró. Mas não vou por aí.

Estive esta manhã no Palácio da Música Catalã, cuja existência ignorava até há meia dúzia de dias, e que é absolutamente deslumbrante.

Foi projectado pelo arquitecto Lluís Domènech i Montaner, um dos principais representantes do modernismo catalão, construído entre 1905 e 1908 e declarado Património da Humanidade em 1997.

Sem tempo para grandes descrições, fica um vídeo e algumas imagens do interior.






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O banco nosso de cada dia nos dai hoje



Em Barcelona, todas as manhãs, num banco perto de si.
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5.6.13

Agora Dalí



Estar em Barcelona e não ir a Figueres, terra de Dalí, onde se encontra o seu Teatro Museu, é mais ou menos como estar a 140 quilómetros de Roma e não ir ver o papa ou não caminhar para Meca uma vez na vida. Hoje foi o dia: lé estive, lá passei umas horas no dito Museu, no meio de multidões, de lá saí com a sensação de ter visto a quinta parte do que passou à frente dos meus olhos e de não ter apreendido nem a centésima. Mas claro que valeu mais do que a pena, sempre fica alguma coisa.

De caminho vi Girona, uma cidade magnífica, cheia de igrejas lindíssimas sobretudo de estilo românico, num conjunto fabuloso de rios e pequenas ruas. E fiquei a saber que o símbolo da região é uma mosca. Porquê? Conta a lenda que, em pleno século XIII, os gauleses que cercavam a cidade, sem grandes entretimentos disponíveis, se divertiam a abrir sarcófagos. Eis senão quando do de S. Narciso terá saído um batalhão de moscas, bem coloridas como a bandeira da terra, que, sem meias medidas, dizimou muitos gauleses e pôs os outros em retirada. Daí a gratidão eterna das gentes de Girona a S. Narciso e, obviamente, às salvíficas moscas.





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4.6.13

Gaudí, mais Gaudí (2)



Hoje, um apontamento sobre La Pedrera, a última obra civil projectada por Gaudí, que resultou de uma encomenda de um industrial que pretendia destiná-la a residência familiar e aluguer de vários pisos.

É formada por dois blocos ligados por pátios interiores e tem no terraço um conjunto absolutamente fabuloso e louco de chaminés e respiradores, todos diferentes uns dos outros e que não se parecem com nada.

Obra única no seu género, e irrepetível, foi declarada património mundial da UNESCO em 1984.

Mas vi mais Gaudí, muito mais… 





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Anti-crise


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3.6.13

Gaudí, mais Gaudí (1)



Hoje foi, não só mas sobretudo, dia de Gaudí, Gaudí e mais Gaudí. A começar por uma visita longa à Sagrada Família, onde já tinha estado mas há demasiado tempo para que não revisse tudo agora como se fosse a primeira vez.

Não há palavras para descrever este monumento, que é o mais visitado se Espanha e por onde mais de três milhões de pessoas passaram em 2011 (eu que o diga já que estive hoje quase uma hora num fila para fazer o mesmo). Deixo aqui algumas mais do que pálidas imagens de uma realidade absolutamente inimaginável!

Vi mais, muito mais, mas fica para mais tarde, porque amanhã é outro dia que vai começar bem cedo.





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2.6.13

Imagens da crise?





Domingo de Verão festivo, iates e mais iates, milhares de pessoas a pé, de bicicleta ou de patins, centenas de restaurantes a abarrotar de gente no Port Olímpic da marina de Barcelona. A crise não parece passar por aqui. E no entanto, ao olhar com mais atenção, vê-se que são muitos, mesmo muitos, os barcos que estão à venda. Sinal indisfarçado.

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