3.9.13

Preferencialmente com doutoramento quase pronto?



Leia-se, na íntegra, um anúncio de emprego para Operadoras de Limpeza (m/f)

«Pretendemos recrutar Candidatas com experiência anterior nesta área de actividade (ou, em alternativa, com elevada vontade e motivação para aprenderem). Habilitações mínimas (desejáveis) ao nível do 12º ano. A idade não constitui factor eliminatório mas requeremos apresentação e postura muito cuidadas, bem como rigor profissional (de acordo com os parâmetros fornecidos pela empresa). Capacidade de funcionar em hierarquia (ou seja, dispensam-se pessoas rebeldes e contestatárias, em contexto profissional) é característica imprescindível. (...) As candidatas devem enviar C.V., 3 fotos de corpo integral (para avaliação de imagem) e Cartas de Apresentação, esclarecendo, de forma muito clara, os motivos da candidatura (factor eliminatório).»
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Celebremos, pois



... o 73º aniversário de Eduardo Galeano.

Para esta data, escreveu ele em Os filhos dos dias:


Fica aqui também um texto de O livro dos abraços.

O mundo
Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subiraos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vidahumana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
O mundo é isso ─ revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

E este vídeo, bem oportuno:




P.S. ─ Muito se tem publicado neste blogue sobre este autor. Para ver, clique, aqui em baixo, na etiqueta EDUARDO GALEANO.
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Já não comem criancinhas



Está confirmado.

(Feria da Luz, em Lisboa. Via Joana Manuel)
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Tem o governo estratégia para daqui a 15 dias?



«A falta de estratégia sobre a reforma do Estado condena o país a ter mais um orçamento baseado apenas num exercício contabilístico de cortes, em vez de conseguir um documento com soluções de aumento da eficiência e de poupança, mas também com reformas que contribuam para a melhoria do Estado. (...) As oitava e nona avaliações da Troika são daqui a 15 dias e o orçamento de Estado é logo a seguir. Como é que é possível estar tão às escuras sobre qual a estratégia do país? (...)

O problema é que, a duas semanas da 8.ª e 9.ª avaliação da Troika, e da apresentação das linhas gerais do orçamento para 2014, não é nada que o Governo tenha uma estratégia, ou um consenso sobre os objectivos a que quer chegar. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque continuam no mesmo registo da política de cortes e austeridade seguida por Vítor Gaspar, enquanto várias figuras do PSD e os ministros do CDS centram o seu discurso no crescimento, de forma a garantir que os sinais de melhoria registados antes do Verão possam ser transformados numa retoma em 2014.(...)

A falta de estratégia, quer nas negociações europeias, quer na política a aplicar nacionalmente, parece ser o que está a levar o Governo para uma escalada de conflitos institucionais, que destinando-se a consumo interno, para disfarçar as próprias falhas do Governo, podem ser bastante negativos para a imagem e confiança do país. Não é uma linha argumentativa muito positiva, afirmar que não se consegue reformar o país porque o Tribunal Constitucional não deixa.»

Manuel Caldeira Cabral
(O link pode só funcionar mais tarde.)

2.9.13

As cagarras são nossas



Espanha considera que as Selvagens não são ilhas, mas sim rochedos, e voltou a contestar, junto da ONU, «a pretensão de Portugal de alargar a sua Zona Económica Exclusiva de 200 para 350 milhas com base na jurisdição» sobre as ditas ilhas.

Ofensa de lesa pátria: o nosso presidente não pernoitou num simples rochedo, mas sim na Selvagem Grande. E se necessário for, estamos certos de que estará disposto a mudar para lá definitivamente a sede do seu império, pondo à venda em hasta pública o Palácio de Belém para colmatar os buracos no défict, causados pelos chumbos do Tribunal Constitucional.

Ele poderá terminar (ainda) mais discretamente o seu mandato e nós e as cagarras ficaremos ufanos!
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Qualquer semelhança é pura coincidência



 «"España ha levantado cabeza." Por favor no se rían. Lo ha dicho Rajoy. Todo el mundo en la ruina y el Presidente nos informa de que estamos saliendo de la crisis. Bueno, rectifico, no está todo el mundo en la ruina, lo están todos menos los suyos; a éstos buen cuidado ha tenido de protegerlos en un acto político continuado de desvergüenza sin parangón. Quienes están en la ruina y en la estrechez de vivir son aquellos, la inmensa mayoría, sobre los que ha recaído la villanía de la injusticia distributiva. O sea que los ricachos y medio ricachos levantan (más) una cabeza que nunca dejaron de tenerla así. Al resto, eso, el ‘resto’ para él, los ha descabezado y desplumado. (...)

España no tiene más cabeza levantada que la de la dignidad, y no todos sus habitantes pueden presumir de ello. La cabeza levantada la tienen quienes han sufrido las coces políticas del Gobierno. Gracias a las que lo más abyecto, miserable y ruin de éste es que ha institucionalizado y aumentado las desigualdades económicas y de todo tipo entre los españoles. Ése será su legado.» 

 (Daqui)

Com palmas dos jotinhas


... e com ele em carne e osso, é ainda melhor. (Mas não esquecer o contexto.)


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O TC não é uma alfaiataria



Fernando Sobral, no Jornal de Negócios de hoje (sem link)

«A Constituição da República Portuguesa não é um fato e o Tribunal Constitucional não é uma alfaiataria onde se adaptam leis à medida do comprador. Na sua cegueira, o Governo continua a ser incapaz de negociar dentro dos limites da lei fundamental do país, para cumprir o objectivo de tornar menos anafado este Estado que afoga a sociedade portuguesa. (...)

Criou-se a ideia que o faroeste deve ser a lei que rege o mundo do trabalho. E que há uns contratos que são mais iguais do que os outros. Se juntarmos a isto a ideia que é pela insegurança jurídica do trabalho e pelos baixos salários (como defende o FMI e o Governo) que nos tornamos competitivos, está visto qual o modelo económico que está a ser criado em Portugal.

Billy the Kid e os Dalton andam à solta por aqui. Há também uma questão política nesta guerra contra o Tribunal Constitucional: tal como o TC alemão (onde se inspira o nosso) ele tem como missão defender a Constituição.» 
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1.9.13

Quem é aquele senhor ali à direita?



Que saudades do Artur!

 (Via Paulo Guinote)
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A Constituição não valeu de nada aos 900.000 desempregados porque não foi respeitada



As redes sociais encheram-se de indignação em torno de uma frase que Passos Coelho disse hoje no encerramento da universidade de Verão do PSD: «Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhe valeu a Constituição até hoje?» Mas é fundamental colocá-la no seu contexto, porque anda toda a gente a espingardear à toa, sem sublinhar devidamente a importância do que foi afirmado.

«A Constituição diz que é devida protecção no emprego. Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhe valeu a Constituição até hoje? E, no entando, era suposto que tivessem confiança que as suas empresas e empregos continuassem. Mas não foi assim, porque as empresas não conseguiram sobreviver à usura do Estado, à fraca competitividade externa.»

O que o primeiro-ministro faz, com esta afirmação, é desresponsabilizar o seu governo das medidas que provocaram o catastrófico desemprego a que chegámos, «brincando» inaceitavelmente com a inutilidade da asa protectora da Constituição, como se esta fosse uma abstracção. A Constituição não valeu de nada aos 900.000 desempregados simplesmente porque não foi respeitada por quem foi eleito para o fazer. É isso que interessa sublinhar. 
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Ei-lo que veio



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Cenários para mais tarde conferir



Sucedem-se os discursos de rentrée mais ou menos enfadonhos, sem alma nem novidade, a campanha para as autárquicas está quase à porta, mas são as próximas legislativas que verdadeiramente importam e multiplicam-se as apostas em possíveis alianças pré ou pós eleitorais.

No DN de hoje, Bagão Félix puxa a brasa à sua dama e defende um cenário PS + CDS, com argumentos um pouco retorcidos mas tão válidos como outros quaisquer: sendo mais nítida a diferença ideológica entre os dois partidos «a dialética da coligação pode ser mais positiva». Porque não? Seria um bloco central como um outro qualquer. Sempre, sempre, dentro do arco da governação.


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