26.9.13

Virtual, para já



A Sagrada Família, de Antonio Gaudí, tal como poderá ser vista quando completada, em princípio por volta de 2026. A fachada principal parecerá uma espécie de órgão gigante e incluirá a grande entrada para a catedral.

Como ficará por dentro não é mostrado. Estive lá há pouco tempo e voltei a ficar maravilhada.



(Daqui)

Pensões: se Maomé não vai à montanha...



Se funcionários públicos, reformados, pensionistas e as organizações que os representam não desistirem de lutar, se o Tribunal Constitucional continuar, teimosamente, a cumprir o seu dever, se a rua voltar a mostrar em breve um novo cartão vermelho ao governo, então a coligação sólida que nos governa já tem na manga o legado que Vítor Gaspar lhe deixou na hora da despedida: a possibilidade de usar o fundo da reserva das pensões para investir na dívida portuguesa.


Claro que a pensões ficarão quase totalmente expostas à volatilidade das obrigações portuguesas, mas who cares? Por enquanto, ainda se ouvem os acordes de My heart will go on.
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25.9.13

A cidade e a utopia




Uma canção de José Afonso, que é também um manifesto, aqui filmada pelo Tiago Cravidão para a candidatura às autárquicas dos Cidadãos por Coimbra
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Quem se lembra dos SUV?



Há 38 anos, por esta hora, o centro de Lisboa preparava-se para uma grande manifestação dos SUV (Soldados Unidos Vencerão) – uma auto-organização política de militares, clandestina, que se definia com «frente unitária anticapitalista e anti-imperialista» e que nascera no início do mês, algures num pinhal entre Porto e Braga.

Já se tinham realizado alguns desfiles, outros viriam a ter lugar em várias cidades, mas julgo que nenhum teve a dimensão do de Lisboa, naquele 25 de Setembro, com apoio de partidos como o MES, a LCI, a UDP e o PRP. Centenas de soldados fardados, acompanhados por representantes das comissões de trabalhadores e de moradores e por uma multidão, subiram do Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII, onde teve lugar um comício. No fim deste, foram desviadas dezenas de autocarros da Carris, que levaram quem quis até ao presídio da Trafaria, de onde, pelas 2:00 da manhã, foram libertados dois militares que se encontravam detidos, precisamente por terem distribuído panfletos de propaganda da manifestação.

Para se perceber um pouco mais do que estava em causa, vale a pena ler o Manifesto com que os SUV se apresentaram, «embuçados por razões de segurança», em conferência de imprensa realizada no Porto, em 7 de Setembro, e que foi transmitida pelo Rádio Clube Português.



Imagens da manifestação em Lisboa:



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Quando as universidades fecham as portas



Mais três universidades gregas cessam actividades por falta de meios, o que é uma péssima e dramática realidade.

Chegou agora a vez da Universidade de Ioannina, da Universidade Aristóteles de Tessalónica, a maior da Grécia, e da histórica Universidade Politécnica de Atenas, símbolo da resistência à ditadura militar entre 1967 e 1973. 

Imagens dessa resistência em 1973, quando vários estudantes perderam a vida:



Agora foram abatidos pela troika, comenta-se na notícia detalhada que pode ser lida aqui
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(Mais) impostos só para pagar juros



Se os números revelados neste texto do «i» são correctos, alguns deles são no mínimo chocantes para o comum dos mortais.
Concretamente: o «enorme» acréscimo de impostos amealhado nos primeiros oito meses deste ano terá sido praticamente «engolido» pelo pagamento de JUROS relativos aos empréstimos da troika (96,4%, para se ser mais preciso).

Tudo normal? Provavelmente, mas isto não pode acabar bem. 
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24.9.13

Paulo Portas como actor principal...



... e António Costa como rival, ou vice-versa?


Vão-se os dedos, que anéis já não há... Sai mais um estádio de futebol para a mesa do canto.
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Directamente da campanha de Fernando Seara a Lisboa



Melhor é impossível. A ouvir aqui
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É melhor repetirmos: Portugal nunca será a Grécia



... mesmo que a convicção seja cada vez menor.


«Esta decisión se toma después de que el Ministerio de Educación anunciara el paso a la reserva laboral de 1.655 empleados o el 25% de la plantilla de los empleados administrativos en las universidades de todo el país. La reserva laboral es la suspensión laboral cobrando durante 8 meses hasta ser presuntamente ”trasladado ” en algunos casos a otros puestos. .. Pero como ha dicho el Ministro de la Reforma Administrativa hay que despedir a 400.000 mil funcionarios en seis años , según lo pactado por la Troika ( de un total de unos 600 mil que ahora hay en Grecia).»

Por cá, somos mais subtis: chamamos-lhe «requalificação».
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Que se lixe a troika! Não há becos sem saída!



Promovida pelo movimento «Que se lixe a troika!», terá lugar em 26 de Outubro mais uma manifestação, para a qual circula já o seguinte apelo, aprovado no passado Domingo num plenário que reuniu cerca de 150 pessoas:

É tempo de agir.
Sabemos que o regime de austeridade no qual nos mergulharam não é, nem será, uma solução. Voltamos a afirmar que não aceitamos inevitabilidades. Em democracia elas não existem.

É tempo de escolhas simples. Educação para todos ou só para alguns? Saúde pública ou flagelo? Transporte público ou gueto? Constituição ou memorando da troika? Cultura ou ignorância? Pensões e salários dignos ou miséria permanente?
Nós ou a troika?

Sectores vitais para a nossa sobrevivência estão a ser entregues a banqueiros e especuladores, que os reduzirão à razão do lucro: água, energia, transportes, florestas, comunicações. Querem forçar-nos a abdicar do que construímos: na Saúde, na Educação, nos direitos mais básicos como habitação, alimentação, trabalho e descanso.
A troika e os governos que a servem pretendem deitar fora o sonho de gerações de uma sociedade mais livre e igualitária.

A quem está farto de ver vidas penhoradas e esvaziadas, fazemos o apelo a que se junte a nós na construção da manifestação de 26 de Outubro.
A manifestação será mais um passo determinante na resistência ao governo e à troika! Não há becos sem saída. 
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23.9.13

Uma dúvida que me atormenta


Se Merkel fosse um macho de 59 anos, os alemães chamavam-lhe «papá»?
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Mais uma data de Setembro



Pablo Neruda morreu há 40 anos, em 23 de setembro de 1973, apenas 12 dias após o golpe de Estado no Chile, oficialmente em consequência de um cancro na próstata.

Se houve sempre dúvidas quanto à veracidade desta causa, elas agravaram-se há dois anos quando o motorista do poeta afirmou que ele terá recebido uma injecção letal numa clínica de Santa Maria, em Santiago do Chile, para impedir que se exilasse no México como era sua intenção. Com base nestas declarações, o Partido Comunista do Chile apresentou uma denúncia formal à Justiça, foi aberto um processo e, em Abril deste ano, foi iniciada a exumação dos restos mortais do poeta (sepultado juntamente com a sua última mulher no jardim da casa em Ilha Negra), que foram enviados para análises em Espanha e nos Estados Unidos. Na clínica em questão, nunca foi possível encontrar a ficha médica de Neruda, nem a lista dos trabalhadores presentes, tendo sido entretanto dado judicialmente como provado (em 2006) que nela foi envenenado o ex-presidente chileno da Democracia Cristã Eduardo Frei, em 1982.



Mas hoje é dia de o recordar em vida, com a sua voz inconfundível:





E dia também para ver esta bela iniciativa da BBC Mundo, preparada para hoje, que apresenta uma versão do Poema 15 em 21 línguas: